{"id":3635,"date":"2019-05-11T17:23:26","date_gmt":"2019-05-11T17:23:26","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=3635"},"modified":"2019-05-11T17:23:26","modified_gmt":"2019-05-11T17:23:26","slug":"contacao-de-historias-traz-causos-ouvidos-pelo-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/contacao-de-historias-traz-causos-ouvidos-pelo-brasil\/","title":{"rendered":"Conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias traz causos ouvidos pelo Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O segundo dia do 5\u00ba Festival Nacional de Contadores de Hist\u00f3rias contou com quatro apresenta\u00e7\u00f5es realizadas na Mans\u00e3o Villa Hilda. Sob a tem\u00e1tica \u201cCausos de arrepiar gente grande\u201d, os contos estavam relacionados com tem\u00e1ticas sobrenaturais ouvidas pelo Brasil. Entre poucas luzes e cerca de 50 pessoas sentadas no ch\u00e3o, os contadores davam vida a personagens \u00fanicos e carater\u00edsticos, cada um com sua aventura, fosse c\u00f4mica, dram\u00e1tica ou moral.<\/p>\n<p>A primeira contadora da noite, Josiane Geroldi, de Chapec\u00f3 (SC), trouxe a hist\u00f3ria de Maria Valsa. Uma mo\u00e7a na flor da idade que amava os bailes da \u00e9poca e certa noite acabou dan\u00e7ando com o diabo. Dessa dan\u00e7a, os dois se casaram e a m\u00e3e da mo\u00e7a, desconfiada que seu genro era o \u201cdito cujo\u201d, o testou e conseguiu prend\u00ea-lo em uma garrafa. Anos mais tarde, a mo\u00e7a o encontraria enterrado e faria um contrato com seu marido para solt\u00e1-lo. A hist\u00f3ria traz, enraizada em sua trama, negocia\u00e7\u00f5es e engana\u00e7\u00f5es, envolta por um enredo c\u00f4mico.<\/p>\n<p>Danielle Andrade, da Bahia, contou um causo que ouviu dos garimpeiros da Chapada Diamantina sobre um padre que, com \u00e1gua e p\u00e3o, subia a serra todos os dias. Certa vez, mesmo ap\u00f3s acabar seu alimento, ele continuou sua caminhada e, no alto, teve uma vis\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o de uma igreja. Ap\u00f3s a apari\u00e7\u00e3o de uma cobra e um ca\u00e7ador que n\u00e3o quiseram lhe ajudar, o diabo forneceu as ferramentas em troca da primeira alma que passasse na porta, quando tudo estivesse pronto. Dito e feito, em apenas horas a igreja estava constru\u00edda com um sino que deveria tocar \u00e0s 6 da manh\u00e3, ao meio-dia e \u00e0s 6 da noite de todos os dias.<\/p>\n<p>Com a igreja pronta estava na hora do diabo ser recompensado, o ca\u00e7ador aparece e o diabo fica feliz sabendo que levaria a alma do ca\u00e7ador. De repente, a cobra surge em alta velocidade e entra na igreja. Ent\u00e3o o padre sai da igreja correndo e s\u00f3 para quando retorna \u00e0 cidade e conta a hist\u00f3ria aos moradores, que duvidam que seja real. Eles sobem a serra e v\u00e3o a procura da igreja sem nenhum resultado. Mas at\u00e9 hoje se ouve dizer que as pessoas que v\u00e3o at\u00e9 o topo da serra conseguem sentir o sino bater \u00e0s 6 da manh\u00e3, ao meio dia e \u00e0s 6 da noite.<\/p>\n<p>Marcelino Ramos contou a hist\u00f3ria de um trabalhador negro, que ajudava e era gostado por todos. Este homem se encontrou com uma mo\u00e7a linda e se apaixonou, foi depois que ele descobriu que era na verdade a filha do fazendeiro. A mo\u00e7a ficou gr\u00e1vida e o casal foi at\u00e9 a fazenda contar ao pai sobre a sua nova fam\u00edlia. O fazendeiro orgulhoso e contrariado n\u00e3o aceitou o relacionamento e mandou matar o trabalhador e a crian\u00e7a depois de nascida. Anos depois, o fazendeiro, andando por suas terras, trope\u00e7a em um dos ossos do trabalhador e com isso fica cego. A hist\u00f3ria diz que at\u00e9 hoje, quando \u00e9 noite de luar, tem gente que v\u00ea no meio da planta\u00e7\u00e3o um homem negro levando um menino loiro pela m\u00e3o.<\/p>\n<p>O evento se encerrou com Paula Cavalcante, do Rio de Janeiro, contando a hist\u00f3ria das terras de Guinaru, o rei dos Guin\u00e9s. Todos sabiam que n\u00e3o se devia entrar em suas terras, mas Saboniumar decidiu ir mesmo assim. Invadindo o territ\u00f3rio, come\u00e7ou a jogar sementes de trigo, logo, Guinaru perguntou-lhe o que estava fazendo e come\u00e7ou a ajud\u00e1-lo em tudo que fazia.<\/p>\n<p>Quando seu filho foi em seu lugar, este, com fome, decidiu comer um caule de trigo, como de costume, Guinaru ajudou e seus Guin\u00e9s comeram todos os trigos. Saboniumar, bravo, bateu no filho, e o Rei dos Guin\u00e9s ajudou, chegando a mat\u00e1-lo. Assim, o mesmo acontece quando sua esposa chega para chorar e quando Saboniumar come\u00e7a a se co\u00e7ar quando uma formiga lhe pica e os Guin\u00e9s acabam matando-o, co\u00e7ando at\u00e9 seus ossos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 incr\u00edvel como eles conseguem transpassar tanta emo\u00e7\u00e3o e sentimentos na hora de contar essas hist\u00f3rias, \u00e9 como se voc\u00ea participasse de todo o enredo\u201d, comenta o caminhoneiro Ronaldo Carneiro. O festival segue at\u00e9 essa sexta-feira e conta com a participa\u00e7\u00e3o de 34 contadores e mais de 40 atividades em sua programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O segundo dia do 5\u00ba Festival Nacional de Contadores de Hist\u00f3rias contou com quatro apresenta\u00e7\u00f5es realizadas na Mans\u00e3o Villa Hilda. Sob a tem\u00e1tica \u201cCausos de arrepiar gente grande\u201d, os contos estavam relacionados com tem\u00e1ticas sobrenaturais ouvidas pelo Brasil. 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