{"id":3908,"date":"2019-07-13T01:24:42","date_gmt":"2019-07-13T01:24:42","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=3908"},"modified":"2019-07-13T01:24:42","modified_gmt":"2019-07-13T01:24:42","slug":"o-jornalismo-e-a-poesia-de-nei-costa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/o-jornalismo-e-a-poesia-de-nei-costa\/","title":{"rendered":"O Jornalismo e a poesia de Nei Costa"},"content":{"rendered":"<p><em>Com colabora\u00e7\u00e3o de Liandra Saraiva<\/em><\/p>\n<p>Um pr\u00e9dio antigo com uma placa que carrega o nome &#8220;R\u00e1dio Clube Pontagrossense&#8221; e a frequ\u00eancia 1080 KHz. Subindo as escadas, um ambiente novo. Um quadro ilustra o que, provavelmente, seria a r\u00e1dio no passado. Uma porta leva ao audit\u00f3rio que, inutilizado pelo tempo, foi palco para in\u00fameros programas da emissora mais antiga do Paran\u00e1. De tr\u00e1s do balc\u00e3o, a secret\u00e1ria pergunta se somos &#8220;o pessoal da entrevista&#8221; e nos leva at\u00e9 o est\u00fadio, onde encontramos, em 2016, Nei Costa apresentando seu programa &#8220;Mais, mais&#8221; enquanto come pinh\u00e3o e pipoca. Era anivers\u00e1rio de algum membro da equipe.<\/p>\n<p>Nascido em 1945, Nei passou mais de metade da sua vida no r\u00e1dio e em 1961 iniciou sua carreira na Clube. O locutor foi declarado jornalista no mesmo ano, com a lei sancionada por J\u00e2nio Quadros. &#8220;O jornalismo \u00e9 bom, verdadeiro, o cara se agarra no jornalismo, \u00e9 maravilhoso, conhece o mundo. Eu conheci o mundo inteiro&#8221;, conta o comunicador. Ele trabalhou na R\u00e1dio Bandeirantes em S\u00e3o Paulo, foi o primeiro locutor do Paran\u00e1 na Europa, cobriu 5 copas do mundo e lan\u00e7ou diversos artistas. \u00c9 o que relata enquanto demonstra sua paix\u00e3o pela profiss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O Jornalismo<\/strong><br \/>\nDurante o tempo reservado para o pastor, nos apresentamos e o radialista nos leva para a cabine de sonoplastia, onde come\u00e7amos a nossa conversa. L\u00e1, encontramos tamb\u00e9m o sonoplasta Igor Oliveira Franco, que foi recentemente contratado. Nei comenta entre suas falas que Igor \u00e9 autodidata e o usa como exemplo para afirmar que o jornalismo n\u00e3o vem somente com o diploma, mas com o talento. &#8220;Voc\u00ea pode ser um jornalista sem ser. \u00c9 que nem jogador de futebol. Se o cara for craque n\u00e3o adianta, ningu\u00e9m segura ele&#8221;, explica para mostrar que, mesmo sem profissionais formados, a r\u00e1dio possui bons comunicadores. Os membros da equipe s\u00e3o radialistas, todos registrados e muito bons, de acordo com o entrevistado. &#8220;A R\u00e1dio Clube \u00e9 l\u00edder&#8221;, completa.<\/p>\n<p>O comunicador lamenta pelo cen\u00e1rio jornal\u00edstico na cidade e o compara com o de S\u00e3o Paulo. Conta que, l\u00e1, os jornalistas s\u00e3o contratados e que as emissoras contam com uma equipe repleta de profissionais. &#8220;Eu queria ver a cidade assim&#8221;, conclui. Por fim, antes de voltar para o est\u00fadio, fala sobre o n\u00famero de profissionais e como seus setores s\u00e3o divididos. Ele diz que a r\u00e1dio disp\u00f5e de n\u00e3o mais que 30 funcion\u00e1rios e cada um dos comunicadores se especializa nos temas dos seus programas. Igor comenta que no site poder\u00edamos encontrar o n\u00famero exato de funcion\u00e1rios. O site mostra 24.<\/p>\n<p>De volta ao est\u00fadio, durante o intervalo, logo ap\u00f3s anunciar nossa presen\u00e7a no microfone e mandar sauda\u00e7\u00f5es ao professor Kevin, Nei pesquisa seu nome na internet e come\u00e7a a contar um pouco de sua hist\u00f3ria. Mostra, entretido, um perfil e diversas fotos suas. Relata tamb\u00e9m que estava fazendo, pela televis\u00e3o, a cobertura da Eurocopa 2016: &#8220;Eu sou o rep\u00f3rter da cobertura&#8221;. Ele explica que tamb\u00e9m anuncia as m\u00fasicas, fala com os ouvintes, l\u00ea not\u00edcias, ou seja, faz de tudo.<\/p>\n<p>Enquanto conversava, a vinheta chama e o radialista, naturalmente, deixa de falar conosco para conversar com os ouvintes. L\u00ea diversas not\u00edcias e se exalta falando sobre a corrup\u00e7\u00e3o. Assim que o John Lennon pedido pelo ouvinte come\u00e7a a tocar ele completa: &#8220;Meto o pau mesmo, n\u00e3o adianta nada. S\u00e3o todos uns idiotas, s\u00e3o uns ladr\u00f5es&#8221; e conta que \u00e9 preciso tomar cuidado com os processos, &#8220;uma vez eu meti o pau no governador de S\u00e3o Paulo e ele me processou&#8221;.<\/p>\n<p><strong>O Comunicador<\/strong><br \/>\n\u201cVoc\u00eas como jornalistas v\u00e3o ter uma vida maravilhosa\u201d, ele prev\u00ea, \u201cmas n\u00e3o v\u00e3o ficar ricos\u201d, completa. Saudoso, ele conta que tem um quadro com fotos que \u00e9 a \u201cmelhor coisa\u201d que possui. Com imagens de Pel\u00e9 e Alcione, prova que conheceu e lan\u00e7ou diversos artistas. O locutor destaca a import\u00e2ncia de se aprender l\u00ednguas para a profiss\u00e3o, porque isso \u00e9 exigido nos grandes centros. Nesses locais, ele diz que existe uma disputa entre os profissionais: \u201cvoc\u00ea se especializa no que gosta e procura fazer bem\u201d, aconselha. Ele exemplifica o uso de outros idiomas com relatos de quando foi \u00e0 Europa pela primeira vez e d\u00e1 algumas dicas: \u201cO yesterday de ontem \u00e9 o mesmo ieri da It\u00e1lia\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO cristo redentor est\u00e1 de bra\u00e7os abertos aben\u00e7oando a Guanabara\u201d, Nei ilustra enquanto fala sobre os motivos que o levaram a obter destaque na profiss\u00e3o. Ele falava bonito e sabia poesias decoradas. \u201cVoc\u00eas sabem alguma poesia? Tem que saber!\u201d, aconselha. E come\u00e7a:<\/p>\n<p><em>*Ou\u00e7a aqui o radialista declamar a poesia &#8216;Eros e psique\u2019, de Fernando Pessoa*<\/em><\/p>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-3908-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Poema-Nei-Costa.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Poema-Nei-Costa.mp3\">https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Poema-Nei-Costa.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>\u201cConta a lenda que dormia<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Uma Princesa encantada<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>A quem s\u00f3 despertaria<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Um Infante, que viria<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>De al\u00e9m do muro da estrada.<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Ele tinha que, tentado,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Vencer o mal e o bem,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Antes que, j\u00e1 libertado,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Deixasse o caminho errado<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Por o que \u00e0 Princesa vem.<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>A Princesa Adormecida,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Se espera, dormindo espera,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Sonha em morte a sua vida,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>E orna-lhe a fronte esquecida,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Verde, uma grinalda de hera.<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Longe o Infante, esfor\u00e7ado,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Sem saber que intuito tem,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Rompe o caminho fadado,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Ele dela \u00e9 ignorado,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Ela para ele \u00e9 ningu\u00e9m.<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Mas cada um cumpre o Destino<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Ela dormindo encantada,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Ele buscando-a sem tino<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Pelo processo divino<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Que faz existir a estrada.<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>E, se bem que seja obscuro<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Tudo pela estrada fora,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>E falso, ele vem seguro,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>E vencendo estrada e muro,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Chega onde em sono ela mora,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>E, inda tonto do que houvera,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>\u00c0 cabe\u00e7a, em maresia,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Ergue a m\u00e3o, e encontra hera,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>E v\u00ea que ele mesmo era<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>A Princesa que dormia.\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 uma poesia chamada \u2018Eros e psique\u2019, do Fernando Pessoa\u201d. O radialista diz que aprendeu a declamar com \u201cum camarada\u201d chamado Ant\u00f4nio Fagundes. Ele conta que, quando foi assistir \u00e0 pe\u00e7a para a qual foi convidado pelo ator, se deparou com o pr\u00f3prio Fagundes vendendo os ingressos. Ele usa da hist\u00f3ria para dizer que \u00e9 preciso fazer de tudo, ser um profissional de muitas fun\u00e7\u00f5es. O locutor fala ainda da import\u00e2ncia das experi\u00eancias na carreira e diz que \u00e9 preciso humildade. \u201cVoc\u00eas tem a vida inteira pela frente, aproveitem!\u201d<\/p>\n<p>\u201cEu batia not\u00edcia na m\u00e1quina de escrever\u201d, relata. Ao falar sobre as evolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, observa que a gera\u00e7\u00e3o atual \u00e9 mais inteligente. A diferen\u00e7a \u00e9 que, em sua \u00e9poca, era preciso que eles fizessem tudo \u201cno peito e na ra\u00e7a\u201d. A tecnologia facilita muito algumas coisas, ao mesmo tempo que pode prejudicar, afirma.<\/p>\n<p>\u201cMas \u00e9 uma profiss\u00e3o maravilhosa\u201d, repete. Diz que o profissional pode se especializar naquilo que mais tem interesse e conta que \u201calguns t\u00eam sorte, outros n\u00e3o\u201d. O locutor fala sobre o seu companheiro Pedro que sofreu um acidente quando corria em um aut\u00f3dromo. &#8220;Tem que aproveitar o m\u00e1ximo&#8221;, ele aconselha emocionado lembrando do amigo perdido. &#8220;V\u00e3o pra onde o cora\u00e7\u00e3o mandar. Porque a pior coisa do mundo \u00e9 voc\u00ea ficar pegando dinheiro na porta do banco, ali no caixa e ficar 36 anos pensando &#8216;eu odeio esse banco&#8217;. A gente tem que fazer o que a gente ama&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo Nei, \u201ctudo que voc\u00ea quiser voc\u00ea consegue\u201d. Quando questionado sobre sua parte preferida da profiss\u00e3o ele revela que, mesmo tendo trabalhado na TV ao lado de diversos artistas, ele gosta da liberdade que o r\u00e1dio d\u00e1. A emissora se mant\u00e9m pelos comerciais e o programa de maior audi\u00eancia \u00e9 o de Rog\u00e9rio Serman. Nei acredita que isso se d\u00e1 pelo fato do programa ser apresentado cedo. \u201cO r\u00e1dio \u00e9 um fen\u00f4meno natural da manh\u00e3\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong>A R\u00e1dio<\/strong><br \/>\nVoltando a falar sobre a r\u00e1dio, Nei explica a diferen\u00e7a entre as emissoras AM e FM e conta sobre a migra\u00e7\u00e3o que est\u00e1 acontecendo. As FMs tocam mais m\u00fasica, enquanto as AMs focam em not\u00edcias. Ele diz que a R\u00e1dio Clube vai usar o estilo de r\u00e1dio AM em frequ\u00eancia modulada, que o est\u00fadio j\u00e1 foi adaptado para a transforma\u00e7\u00e3o e que a antena ser\u00e1 mudada para o Onix, na Paula Xavier. Acredita tamb\u00e9m que a r\u00e1dio, mesmo estando no AM, est\u00e1 entre as primeiras colocadas de audi\u00eancia, porque o p\u00fablico est\u00e1 conscientizado de que necessita de informa\u00e7\u00e3o. \u201cAcho que at\u00e9 dezembro esse processo se conclui\u201d.<\/p>\n<p>O comunicador explica que o estilo musical tocado pela r\u00e1dio mudou e que, para ele, a qualidade caiu. As m\u00fasicas antigas eram melhores que as atuais. Ele diz ainda que, em seu programa, busca atingir um p\u00fablico mais elitizado, que possa sustentar financeiramente a r\u00e1dio. Fala tamb\u00e9m que o ambiente da r\u00e1dio \u00e9 o mesmo h\u00e1 muito tempo. Conclu\u00edmos a\u00ed a entrevista. Nei nos convida para voltar mais vezes e nos oferece uma carona. Em seu carro, que serve como dep\u00f3sito para o seu arsenal de chap\u00e9us, ouvimos m\u00fasicas espanholas e mais algumas hist\u00f3rias. Fazemos nossas as palavras do jornalista:<br \/>\n\u2013 E vamos l\u00e1, n\u00e9? Uma hora acaba.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com colabora\u00e7\u00e3o de Liandra Saraiva Um pr\u00e9dio antigo com uma placa que carrega o nome &#8220;R\u00e1dio Clube Pontagrossense&#8221; e a frequ\u00eancia 1080 KHz. Subindo as escadas, um ambiente novo. Um quadro ilustra o que, provavelmente, seria a r\u00e1dio no passado. 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