{"id":402,"date":"2011-08-11T04:36:43","date_gmt":"2011-08-11T04:36:43","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=402"},"modified":"2011-08-11T04:36:43","modified_gmt":"2011-08-11T04:36:43","slug":"cida-e-concessa-mulheres-danadas-que-tem-as-redias-nas-maos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/cida-e-concessa-mulheres-danadas-que-tem-as-redias-nas-maos\/","title":{"rendered":"Cida e Concessa: mulheres \u2018danadas\u2019 que tem as &#8216;r\u00e9dias&#8217; nas m\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p>Cida Mendes \u00e9 mestre em arrancar risos de seu p\u00fablico. Nascida em 1966, em Par\u00e1 de Minas (MG), a pequena Cida j\u00e1 mostrava sua veia c\u00f4mica com a fam\u00edlia e os amigos, com improvisa\u00e7\u00f5es sobre seu modo de ver as pessoas. Entretanto, a dedica\u00e7\u00e3o exclusiva ao teatro aconteceu somente depois de dois anos de estudos na faculdade de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica\u00a0e mais tr\u00eas anos no Conservat\u00f3rio de M\u00fasica da UFMG, onde largou tudo para seguir a carreira de atriz. Em 1993, Cida Mendes montou o restaurante-teatro Cantina Real, com apresenta\u00e7\u00f5es c\u00f4micas de sua autoria. Nesta \u00e9poca, surgiu o Grupo Tripetrepe, que re\u00fane, at\u00e9 hoje, Cida Mendes, a diretora Iolene de St\u00e9fano e a produtora Consuelo Ulhoa. Foi tamb\u00e9m neste momento que apareceu a Concessa, maior personagem de sua carreira. A caipira Concessa conquistou o primeiro lugar no Pr\u00eamio Nacional Multishow de Humor, em 1997, disputando com 186 atores. O mon\u00f3logo \u2018Concessa Tecendo Prosa\u2019 foi apresentado\u00a0mais de 1.500 vezes em todo o Pa\u00eds\u00a0 (dados de 2008), consagrando-se como um sucesso permanente de p\u00fablico e de cr\u00edtica. Cinco anos depois, montou \u2018Adelaide Pinta e Borda\u2019 &#8211; considerado o melhor espet\u00e1culo de 2002 em Minas Gerais. Cida tamb\u00e9m teve atua\u00e7\u00e3o destacada na Turma do Didi, da TV Globo, Escolinha do Barulho, da TV Record, Boa Noite Brasil, da TV Bandeirantes, Programa Feminina, da TV Alterosa\/SBT e nos filmes <em>A Enxada<\/em>, de Iber\u00ea Cavalcanti,\u00a0 <em>O Tronco<\/em>, de Jo\u00e3o Batista de Andrade e <em>Uma Vida Em Segredo<\/em>, de Suzane Amaral. Em 2005,\u00a0 nova pe\u00e7a com a personagem Concessa, intitulada \u2018Pendura e Cai\u2019, apresentada no lan\u00e7amento do 39\u00ba Festival Nacional de Teatro de Ponta Grossa, o Fenata. E foi nesta ocasi\u00e3o que Cida Mendes concedeu entrevista para o Cultura Plural. Confira:<\/p>\n<p class=\"western\"><strong>Como \u00e9 voltar pra Ponta Grossa, depois de 5 anos?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\">Ah&#8230; isso \u00e9 muito bom. Eu comparo muito as cidades com as pessoas. Tem gente que a gente conhece e j\u00e1 gosta de cara e aqui aconteceu uma coisa assim. Da primeira vez que estive aqui, sem conhecer ningu\u00e9m, parecia que era um lugar antigo pra mim e agora eu vim com mais conforto porque j\u00e1 sabia que ia encontrar essas pessoas, como o Cl\u00e1udio [Jorge Guimar\u00e3es, coordenador do Fenata]. Eu j\u00e1 vim mais segura do que eu ia encontrar. \u00c9 bom rever essas pessoas, eu gosto de voltar numa cidade assim. N\u00e3o tem outra compara\u00e7\u00e3o. \u00c9 rever o p\u00fablico, porque o p\u00fablico \u00e9 muito diferente em cada lugar, as rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o diferentes, o que o p\u00fablico capta \u00e9 diferente.<\/p>\n<p class=\"western\">\n<p class=\"western\"><strong>Como est\u00e1 o cen\u00e1rio dos festivais de teatro no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\">Eu sou bem apaixonada pelos festivais, porque eles provocam muito o artista, j\u00e1 que voc\u00ea vai sabendo que vai ser julgado pelo seu trabalho. Ent\u00e3o \u00e9 diferente de voc\u00ea fazer seu espet\u00e1culo vendido, com bilheteria. \u00c9 uma prova maior quando \u00e9 um festival. E o p\u00fablico tamb\u00e9m \u00e9 uma festa, o festival \u00e9 uma festa. \u00c9 bom essa troca que tem. Eu vou bem feliz quando participo de festival, porque aprendo muito tamb\u00e9m. Tem gente que entende muito, v\u00ea muito. Ent\u00e3o quem v\u00ea muito tem os par\u00e2metros pra assistir. \u00c9 muito valoroso os festivais. Em todas as cidades em que tem festival, o p\u00fablico sabe assistir teatro. \u00c9 muito diferente o p\u00fablico da cidade que tem festival e da cidade que n\u00e3o tem, porque isso \u00e9 que \u00e9 formar plateia: \u00e9 fazer festival e ensinar as pessoas a assistirem. E no cen\u00e1rio do teatro tem muita coisa acontecendo. \u00c9 na quantidade que a gente tira a qualidade. Tem uma quantidade muito boa de coisa acontecendo, mas no meio tem muita coisa que \u00e9 ruim tamb\u00e9m. E o festival \u00e9 bom porque filtra isso. Ele conta o que \u00e9 bom e o que \u00e9 ruim.<\/p>\n<p class=\"western\">\n<p class=\"western\"><strong>A intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico hoje estava bem intensa. \u00c9 sempre assim?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\">Com a \u2018Concessa\u2019, isto est\u00e1 a cada dia melhor. A \u2018Concessa\u2019 vai se apoderando com o tempo e eu deixo isso muito por conta da personagem, do que rola l\u00e1. Fica na m\u00e3o dela e eu deixo ela dar a resposta que vem na cabe\u00e7a dela. \u00c9 um apoderamento da personagem. Est\u00e1 cada dia melhor isso, estou cada vez mais tranq\u00fcila e n\u00e3o sinto que estou fazendo um mon\u00f3logo, porque n\u00e3o tem a quarta parede. Ent\u00e3o se a pessoa espirra, eu digo \u201csa\u00fade\u201d. \u00c9 muito vivo.<\/p>\n<p class=\"western\">\n<p class=\"western\"><strong>Como foi o processo de cria\u00e7\u00e3o deste texto?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\">Este texto \u00e9 meu, mas, como diz o Suassuna, eu vou \u2018catando\u2019. As hist\u00f3rias que acontecem ali nem todas fui eu que inventei. Muita coisa eu escuto, da mesma forma que o Suassuna faz com o cordel, eu fa\u00e7o na rua, no ponto de \u00f4nibus, ouvindo as pessoas. Elas me d\u00e3o muitas hist\u00f3rias. Vou roubando&#8230; ou melhor, como diz minha advogada, eu vou furtando essas hist\u00f3rias, porque n\u00e3o uso viol\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"western\">\n<p class=\"western\"><strong>De onde voc\u00ea tem mais inspira\u00e7\u00e3o para a caracteriza\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\">A caracteriza\u00e7\u00e3o da personagem veio dessa observa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias mulheres. Meu foco s\u00e3o essas mulheres \u2018danadas\u2019, mulher que se apropria mesmo de sua condi\u00e7\u00e3o de mulher, que tem a r\u00e9dia nas suas m\u00e3os. E a caracteriza\u00e7\u00e3o vem de cada uma delas, n\u00e3o peguei uma em especial. Fui catando uma coisinha aqui, uma roupinha ali. Esse bobs eu acho muito engra\u00e7ados, porque o pessoal fala \u201cn\u00e3o existe isso mais\u201d. E eu \u201cah&#8230; n\u00e3o existe? Vai ao interior e sai em um s\u00e1bado de manh\u00e3 na rua e tem um tanto de mulheres de bobs\u201d. E ele \u00e9 meu nariz de palha\u00e7o, com esse len\u00e7o. A partir do momento em que eu coloco ele, me transformo muito. Tudo em mim se transforma.<\/p>\n<p class=\"western\">\n<p class=\"western\"><strong>O texto \u00e9 carregado de aspectos ling\u00fc\u00edsticos com forte influ\u00eancia do caipira. E aqui todos entenderam grande parte do que foi falado. \u00c9 assim em todos os lugares?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\">\u00c9, porque o caipira tem em todo o canto do Brasil. O que varia \u00e9 a m\u00fasica, o sotaque. E a linguagem caipira \u00e9 muito interessante porque tem muita imagem. Mesmo que voc\u00ea nunca tenha ouvido a palavra, essa palavra te traz uma imagem muito forte. A linguagem caipira tem muito disso. Pode reparar: a pessoa fala \u201cfiquei com a perna doce\u201d e voc\u00ea \u201ccomo assim fiquei com a perna doce?\u201d. Voc\u00ea entende que a pessoa est\u00e1 ficando mole. Voc\u00ea entende sem traduzir a palavra, porque a imagem j\u00e1 trouxe uma tradu\u00e7\u00e3o. E nesse texto eu coloquei prov\u00e9rbios. Tem muitos: 24. Eu gosto muito, porque prov\u00e9rbio \u00e9 a sabedoria popular mesmo. Eu tenho um livro, que \u00e9 escrito pela irm\u00e3 do Ziraldo, que \u00e9 um dicion\u00e1rio de prov\u00e9rbios muito bacana. Ent\u00e3o quando eu estava escrevendo, toda a noite eu dava uma lida nos prov\u00e9rbios e dormia. E quando eu fui fazer o texto, vinha o prov\u00e9rbio na minha cabe\u00e7a. Foi uma coisa meio antropof\u00e1gica: eu comi pra depois sair o que tinha que sair. Ele te d\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o, porque quando voc\u00ea n\u00e3o sabe o que dizer, voc\u00ea lan\u00e7a m\u00e3o do prov\u00e9rbio.<\/p>\n<p class=\"western\">por Eduardo Godoy<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cida Mendes \u00e9 mestre em arrancar risos de seu p\u00fablico. Nascida em 1966, em Par\u00e1 de Minas (MG), a pequena Cida j\u00e1 mostrava sua veia c\u00f4mica com a fam\u00edlia e os amigos, com improvisa\u00e7\u00f5es sobre seu modo de ver as pessoas. 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