{"id":4076,"date":"2019-09-06T09:50:56","date_gmt":"2019-09-06T12:50:56","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=4076"},"modified":"2019-09-06T09:50:56","modified_gmt":"2019-09-06T12:50:56","slug":"das-traves-da-santa-maria-ao-milagre-do-futebol-amador-o-metalurgico-que-mudou-o-patamar-do-vila-velha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/das-traves-da-santa-maria-ao-milagre-do-futebol-amador-o-metalurgico-que-mudou-o-patamar-do-vila-velha\/","title":{"rendered":"Das traves da Santa Maria ao milagre do futebol amador: o metal\u00fargico que mudou o patamar do Vila Velha"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando tinha apenas sete anos de idade, Carlos Pepe costumava assistir \u00e0s partidas do time que representava o bairro no cen\u00e1rio amador do futebol local. Nascido e criado por entre as ruas de terra da Santa Maria, o garoto sonhava alto com a bola nos p\u00e9s. A vida parecia mais leve a cada chute, a cada dividida e a cada drible.<\/p>\n\n\n\n<p>O destino quis que Pepe trilhasse seus primeiros passos no mundo da bola de um jeito um pouco diferente. Foi em um dos jogos da Santa Maria que o goleiro titular entregou a ele a camiseta n\u00famero um, ap\u00f3s uma partida memor\u00e1vel diante de todo o bairro. Para Carlos, era como se o uniforme desgastado fosse um verdadeiro manto que carregava todo o peso de uma hist\u00f3ria. A partir daquele momento, o menino tinha uma miss\u00e3o a honrar. \u201cA partir daquele dia, eu soube que queria ser goleiro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A primeira chance<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A mesma crian\u00e7a que mantinha os olhos fixos em toda e qualquer partida de futebol, cresceu. Conforme os anos avan\u00e7avam, aumentava a habilidade debaixo das traves e tamb\u00e9m as responsabilidades. O tempo passou. Carlos come\u00e7ou a trabalhar como metal\u00fargico aos 19 anos, profiss\u00e3o que o acompanha at\u00e9 hoje. Casou-se aos 24 e hoje \u00e9 pai de duas filhas. Os amigos que antes desbravavam os campinhos da cidade ao seu lado, aos poucos se distanciaram daquilo que amavam e, consequentemente, de sua ess\u00eancia. A fam\u00edlia, o trabalho e as obriga\u00e7\u00f5es. Pepe seguia o caminho contr\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por amor ou por loucura, o jovem nunca abandonou seu ideal. Proteger a baliza se tornara um v\u00edcio. Continuava treinando os reflexos em arenas de v\u00e1rzea da regi\u00e3o. Era como se esperasse um momento, um \u00fanico momento que talvez nunca chegasse. O sonho de Pepe ia al\u00e9m da gl\u00f3ria. Configurava-se paix\u00e3o, que aumentava cada vez que a bola tocava suas antigas luvas suadas. \u201cFoi em um desses bate-bolas que o Vila Velha me recrutou\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Rumo ao in\u00edcio de mais uma temporada da Liga de Futebol Amador de Ponta Grossa, a modesta equipe do Vila Velha buscava refor\u00e7os para a competi\u00e7\u00e3o. Com desfalques importantes no setor defensivo, o time comandado pelo t\u00e9cnico Acir Portela viu no arqueiro de 37 anos, uma esperan\u00e7a. A experi\u00eancia de Pepe seria importante em um elenco recheado de jovens atletas. Com um reflexo absurdo e soberania na sa\u00edda do gol, n\u00e3o demorou muito para que Carlos ganhasse espa\u00e7o na equipe. \u201cEra meu primeiro ano disputando o campeonato amador. Por conta do trabalho na metal\u00fargica, nunca havia tido oportunidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os alviverdes haviam ca\u00eddo no grupo mais dif\u00edcil da competi\u00e7\u00e3o. Ypiranga, Am\u00e9rica e Uni\u00e3o Campo Alegre possu\u00edam maior investimento e se classificaram de maneira tranquila. O sistema defensivo do Vila Velha custava a se ajustar. O time perdeu pontos importantes contra o Palmeiras, advers\u00e1rio direto na briga pelo 4\u00ba lugar do grupo. No entanto, o time de Pepe avan\u00e7ou \u00e0s quartas de final com nove pontos somados ap\u00f3s vencer o Galdinos por 3 a 1. A equipe possu\u00eda a pior campanha dentre os oito classificados.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os primeiros milagres de Carlos j\u00e1 haviam aparecido em alguns momentos chave da primeira fase do certame. O arqueiro demonstrava seguran\u00e7a e frieza, que aos poucos parece ter sido transmitida para o restante dos jogadores. Parte da miss\u00e3o estava cumprida. O Vila Velha tinha nos p\u00e9s a chance de fazer hist\u00f3ria, mas para isso teria de eliminar o l\u00edder do grupo A. \u201cA partida de volta contra o Unibox, quando seguramos o resultado debaixo de muita chuva, foi o jogo mais marcante da temporada para mim. Eles eram amplamente favoritos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O primeiro duelo entre as duas equipes foi, talvez, a melhor partida alviverde em todo o campeonato. A vit\u00f3ria por 3 a 1 no Est\u00e1dio do Bambu, casa do Vila, foi convincente e jogou toda a responsabilidade para o Unibox, que teria de vencer por tr\u00eas gols de diferen\u00e7a para garantir a classifica\u00e7\u00e3o. Era poss\u00edvel sonhar de novo. Parte desse sonho passaria pelos punhos cerrados de Pepe.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o elenco refor\u00e7ado, os mandantes pressionaram o Vila Velha desde os primeiros minutos. Em um gramado escorregadio por conta da forte chuva, o goleiro deveria estar atento a toda e qualquer mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o da bola. N\u00e3o parecia problema para Pepe. O defensor fez pelo menos nove defesas dif\u00edceis naquela manh\u00e3 de domingo, incluindo finaliza\u00e7\u00f5es a queima-roupa e de longa dist\u00e2ncia. Carlos freou um dos melhores ataques do campeonato. Auxiliado pelo consolidado sistema defensivo montado por Acir Portela e impulsionado por contra-ataques em velocidade, o Vila arrancou o empate em 1 a 1 naquela partida e avan\u00e7ou \u00e0s semifinais pela primeira vez na hist\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fim do jogo, os companheiros de equipe enalteceram Pepe em uma comemora\u00e7\u00e3o digna de t\u00edtulo. Aquele jovem arqueiro que um dia recebeu a miss\u00e3o de proteger a baliza a todo o custo, agora potencializava o sonho da gl\u00f3ria m\u00e1xima do futebol amador local. O desafio nas semifinais era diante do Ypiranga, equipe tradicional da cidade de Palmeira. Derrubar mais um gigante seria necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os alvirrubros tinha uma campanha quase impec\u00e1vel na competi\u00e7\u00e3o, fruto de um excelente trabalho da comiss\u00e3o t\u00e9cnica. No entanto, era necess\u00e1rio mais do que treinos incessantes para vencer a barreira intranspon\u00edvel que havia se erguido em frente ao gol do Vila Velha. O empate em 0 a 0 no est\u00e1dio do Bambu levou a decis\u00e3o para a casa do Ypiranga. O segundo jogo era imprevis\u00edvel. Atletas do Vila alugaram um micro-\u00f4nibus para a viagem at\u00e9 Palmeira. Era um feito in\u00e9dito na hist\u00f3ria do clube.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O fim do conto de fadas e o recome\u00e7o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Logo nos primeiros minutos de jogo, os alviverdes abriram o placar em falha defensiva advers\u00e1ria. O grito de gol dos torcedores da casa ficava entalado a cada milagre de Carlos Pepe. Foram necess\u00e1rias tr\u00eas defesas de puro reflexo para que todo o est\u00e1dio permanecesse em sil\u00eancio por alguns segundos. As estat\u00edsticas e os n\u00fameros, por muito tempo, n\u00e3o expressavam o que se via em campo. O Vila Velha lutava para se manter vivo diante da forte press\u00e3o do Ypiranga. Nem tudo s\u00e3o flores, o empate veio ainda no fim do primeiro tempo. Foi necess\u00e1rio um gol contra do zagueiro para que o sonho alviverde come\u00e7asse a cair por terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisando marcar, a equipe de Carlos Pepe deixava espa\u00e7os na defesa conforme avan\u00e7ava para o campo de ataque. O terceiro gol foi quest\u00e3o de tempo. Sob o comando do experiente goleiro, os visitantes diminu\u00edram a vantagem. Era tarde demais. A equipe do Vila Velha n\u00e3o conseguiu dar sequ\u00eancia ao conto de fadas, que chegara ao fim de maneira melanc\u00f3lica. Pepe, que tanto sonhava em desbravar os campos de v\u00e1rzea, foi pe\u00e7a chave da constru\u00e7\u00e3o de um sonho. \u201cO futuro est\u00e1 em aberto. Adoraria ficar no Vila Velha, foi o clube que acreditou em mim desde o in\u00edcio. Recebi v\u00e1rias propostas ao fim do campeonato\u201d.&nbsp; Atualmente, Pepe est\u00e1 emprestado para a equipe do Ypiranga, onde se prepara para a disputa da Liga Campolarguense de Futebol Amador. \u201cAcredito que essa experi\u00eancia em outro clube pode me fazer evoluir. Sei que posso e preciso evoluir muito\u201d. Se o futebol amador produz her\u00f3is, sem d\u00favida Carlos Pepe foi um deles nesta temporada.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando tinha apenas sete anos de idade, Carlos Pepe costumava assistir \u00e0s partidas do time que representava o bairro no cen\u00e1rio amador do futebol local. 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