{"id":437,"date":"2011-11-09T12:00:11","date_gmt":"2011-11-09T12:00:11","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=437"},"modified":"2011-11-09T12:00:11","modified_gmt":"2011-11-09T12:00:11","slug":"o-tempo-e-a-sua-tardanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/o-tempo-e-a-sua-tardanca\/","title":{"rendered":"O tempo e a sua tardan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>O tempo, sempre ele, a pregar pe\u00e7as nas pessoas. A contemporaneidade est\u00e1 t\u00e3o narcotizada pela velocidade da informa\u00e7\u00e3o e pela urg\u00eancia da troca de mensagens em tempo hiper-real que, quando se depara com um espet\u00e1culo teatral que prop\u00f5e suspender tudo isso para propor um jogo que trata da vida, do amor e da morte, mas num tempo condicionado pelo vir-a-ser, mais que pelo ser, ela fica aturdida, quando n\u00e3o em choque.<\/p>\n<p>Bem-vindo choque, no caso de \u201cSer T\u00e3o Grande\u201d, um espet\u00e1culo que j\u00e1 se imp\u00f5e pelo t\u00edtulo e coloca a si mesmo a tarefa extremamente \u00e1rdua de transpor ao palco uma pequena parte da obra do escritor mineiro Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa, um dos maiores nomes da literatura brasileira, sen\u00e3o mundial. Tarefa a que se prop\u00f4s o grupo Arte &amp; Fatos, de Goi\u00e3nia (GO), ao encenar dois contos \u2013 \u201cSarapalha\u201d e \u201cMiguilim\u201d \u2013 e a obra m\u00e1xima de Rosa \u2013 o romance \u201cGrande Sert\u00e3o: Veredas\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve como evitar. Para encenar tal desafio, s\u00f3 mesmo sendo jagun\u00e7o, como Riobaldo, o Tatarana, o Urutu Branco, protagonista de \u201cGrande Sert\u00e3o&#8230;\u201d. Ent\u00e3o, o diretor Danilo Alencar virou jagun\u00e7o, pegou o touro, literalmente, \u00e0 unha e disse: \u201cOu eu acabo com voc\u00ea, ou voc\u00ea acaba comigo\u201d.<\/p>\n<p>Bem, o touro n\u00e3o acabou com Danilo, como se viu na noite deste domingo (6), e o p\u00fablico do 39\u00aa Fenata agradece penhoradamente. Porque o que se viu foi um daqueles espet\u00e1culos que pegam o espectador e o colocam no meio do redemoinho \u2013 para usar uma express\u00e3o e uma cena que s\u00e3o recorrentes na obra. Forte, belo, m\u00e1gico, po\u00e9tico, pungente. E n\u00e3o se trata de adjetivos, mas de substantivos.<\/p>\n<p>Ensaiado exaustivamente durante ano e meio (e n\u00e3o se esperava outra coisa de Danilo), o espet\u00e1culo come\u00e7a com uma das cenas de ambienta\u00e7\u00e3o mais longas de que se tem not\u00edcia. \u00c9 madrugada e o espet\u00e1culo come\u00e7a com um grilinho, depois v\u00eam as corujas, os sapos, os cachorros, para, da\u00ed, os dois personagens em cena come\u00e7arem a falar. Se chama \u201ctardan\u00e7a\u2019 isso. Em resumo, uma espera pelo sil\u00eancio, pelo interdito. Longos dez minutos que n\u00e3o d\u00e3o a impress\u00e3o de passarem, porque o que vem depois \u00e9 um arroubo de imagens po\u00e9ticas, fortes, e todas elas falando de amor e&#8230; morte. A cena de Diadorim morta sendo puxada por uma rede \u00e9 daquelas que j\u00e1 fazem parte da antologia do Fenata.<\/p>\n<p>Com certeza, os mais de 700 espectadores do \u00d3pera levaram \u201cSer T\u00e3o Grande\u201d para casa. E v\u00e3o continuar por um bom tempo com ele. Vida longa ao espet\u00e1culo.<\/p>\n<p><strong>*Helcio Kovaleski<\/strong><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><span class=\"apple-style-span\">\u00e9 cr\u00edtico de teatro desde 2000, quando come\u00e7ou a escrever para o site<\/span><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0Convoy<\/span><span class=\"apple-style-span\">. Desde 2001, publica regularmente cr\u00edticas sobre os espet\u00e1culos do<\/span><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><em><strong>Fenata<\/strong><\/em><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><span class=\"apple-style-span\">no jornal<\/span><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><em><strong>Di\u00e1rio dos Campos<\/strong><\/em><span class=\"apple-style-span\">. Tamb\u00e9m j\u00e1 publicou cr\u00edticas de espet\u00e1culos que vieram a Ponta Grossa em outros per\u00edodos do ano.\u00a0Entre 2002 e 2004, escreveu cr\u00edticas de cinema no jornal<\/span><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><em><strong>d\u2019pontaponta<\/strong><\/em><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><span class=\"apple-style-span\">e, entre 2005 e 2006, cr\u00edticas de televis\u00e3o no jornal cultural<\/span><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><em><strong>Grimpa<\/strong><\/em><span class=\"apple-style-span\">.<\/span><\/p>\n<p><strong>Reportagem de Helcio Kovaleski<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tempo, sempre ele, a pregar pe\u00e7as nas pessoas. 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