{"id":4496,"date":"2019-10-09T18:36:51","date_gmt":"2019-10-09T21:36:51","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=4496"},"modified":"2019-10-09T18:36:51","modified_gmt":"2019-10-09T21:36:51","slug":"a-marcante-carreira-artistica-de-orli-santos-a-primeira-rainha-do-operario-ferroviario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/a-marcante-carreira-artistica-de-orli-santos-a-primeira-rainha-do-operario-ferroviario\/","title":{"rendered":"A marcante carreira art\u00edstica de Orli Santos, a primeira Rainha do Oper\u00e1rio Ferrovi\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por C\u00edcero Goytacaz <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Vivemos tempos de ascens\u00e3o da luta feminina por seu espa\u00e7o na sociedade. No futebol, especificamente, acompanhamos neste ano a primeira transmiss\u00e3o da Copa do Mundo Feminina de Futebol na TV aberta, marcando o crescimento da categoria do esporte e conquistando a torcida. Em aspecto regional, o Oper\u00e1rio Ferrovi\u00e1rio Esporte Clube, de Ponta Grossa, organizou em 2019 um concurso para a escolha da musa do time, representando a figura feminina nas arquibancadas que cresce a cada ano. Para falar mais sobre isso, nada melhor que ouvir da primeira rainha do Oper\u00e1rio Ferrovi\u00e1rio, Orli Goitacaz Santos, para conhecer suas experi\u00eancias e o espa\u00e7o conquistado por ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Orli tem 74 anos, \u00e9 professora aposentada e mora em Ponta Grossa. Antes da vida docente, construiu uma breve carreira art\u00edstica no estado, participando de programas de r\u00e1dio, de televis\u00e3o, atuando como cantora e apresentadora. Ter sido a primeira musa do Oper\u00e1rio foi um grande marco desse per\u00edodo de sua vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Admira\u00e7\u00e3o de inf\u00e2ncia<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda pequena, Orli passou a gostar do esporte. Era uma admira\u00e7\u00e3o de torcedora, gostava do ambiente dos jogos e de estar na torcida. \u201cEu sempre gostei do Oper\u00e1rio, inclusive meu pai jogou no Oper\u00e1rio antigo, mas acho que nem era profissional, era amador s\u00f3 e eu sempre ia desde crian\u00e7a com ele nos jogos\u201d, conta, relembrando de suas primeiras experi\u00eancias em um est\u00e1dio de futebol, no meio da torcida. Ela relata tamb\u00e9m a diferen\u00e7a no acesso ao est\u00e1dio, principalmente no que diz respeito \u00e0 presen\u00e7a feminina que, segundo ela, era bem restrita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o era toda mo\u00e7a que ia aos jogos. N\u00e3o havia grupinhos de torcedoras, as mulheres sempre estavam acompanhadas de seus pais, ou seus maridos, e sempre com roupas mais sociais, vestidos mais longos, era assim\u201d, relembra, fazendo rela\u00e7\u00e3o com os dias atuais: \u201cHoje \u00e9 bem diferente, a mulher conquistou uma liberdade maior, porque \u00e9 aquela hist\u00f3ria n\u00e9: lugar de mulher \u00e9 onde ela quer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Escolha da Rainha<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, o Oper\u00e1rio Ferrovi\u00e1rio realizou um concurso para eleger a \u201cMusa do Oper\u00e1rio\u201d, vencido por Ana Lu\u00edza Javorski, em uma forma de homenagear e representar a torcida feminina nos est\u00e1dios, que vem crescendo muito nos \u00faltimos anos. No entanto, na \u00e9poca em que Orli representou o Oper\u00e1rio como \u201cRainha\u201d do clube, a escolha foi diferente. \u201cEu fui Rainha do Oper\u00e1rio em 1969. Na \u00e9poca, at\u00e9 muita gente n\u00e3o sabia que eu era a rainha porque n\u00e3o houve concurso\u201d, relata.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEnquanto eu aguardava a nomea\u00e7\u00e3o de professora, fui trabalhar na sede do Oper\u00e1rio, no escrit\u00f3rio social do clube. Naquela \u00e9poca, dois executivos do Rio Grande do Sul, Arnaldo Gauer e Wilson Moreira, cheios da grana, vieram para Ponta Grossa com o intuito de vender t\u00edtulos patrimoniais do Oper\u00e1rio, prometendo melhorias para o clube\u201d, explica. Orli observa que, nesta \u00e9poca, n\u00e3o se ouvia falar sobre rainhas e musas do time. \u201cSimplesmente, o Arnaldo chegou para mim e perguntou se eu queria ser a \u2018Rainha do Oper\u00e1rio\u2019, e eu respondi que n\u00e3o, n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00e3o alguma para isso. Mas ele persistiu e convenceu. Disse: \u2018de hoje em diante, voc\u00ea \u00e9 a Rainha do Oper\u00e1rio! Todas as solenidades que o time promover, voc\u00ea vai representar o Oper\u00e1rio\u2019, e foi assim que aconteceu\u201d, conclui. Orli foi rainha do Oper\u00e1rio durante quatro anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Experi\u00eancias da \u00e9poca<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de estar em um ambiente amplamente masculino, Orli comenta que n\u00e3o sofreu nenhum tipo de preconceito, desrespeito ou ass\u00e9dio no per\u00edodo em que foi rainha do Oper\u00e1rio, mas ressalta as carater\u00edsticas das restri\u00e7\u00f5es ao p\u00fablico feminino. \u201cO traje de rainha era social, n\u00e3o apresentava, como diziam, \u2018esc\u00e2ndalo\u2019 nenhum. Nas solenidades eu sempre comparecia e comigo n\u00e3o tinha aqueles problemas de piadinhas, \u2018cantadinhas\u2019 assim sabe, eu n\u00e3o recebia\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Orli, um dos principais momentos como Rainha do Oper\u00e1rio foi no dia primeiro de maio de 1969, anivers\u00e1rio do clube, quando o Clube Atl\u00e9tico Paranaense realizou um amistoso com o \u201cFantasma\u201d no Est\u00e1dio Germano Kr\u00fcger, em Vila Oficinas. \u201cNaquele tempo, estava jogando no Atl\u00e9tico o jogador Bellini, que foi capit\u00e3o da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira campe\u00e3 da Copa do Mundo de 1958, e eu participei da homenagem feita ao jogador, o presenteei com um ramalhete de flores e o fato repercutiu muito na ocasi\u00e3o, at\u00e9 estampou a capa do jornal Di\u00e1rio dos Campos\u201d, conta emocionada.<\/p>\n\n\n\n<p>\nA \u201cRainha do Oper\u00e1rio\u201d acompanhava o time nos jogos pelo estado. Orli relembra com alegria dessas viagens, destacando o ambiente de festa da torcida, que sempre trilhava os caminhos ao lado do time do cora\u00e7\u00e3o. \u201cEu me divertia muito. \u00c0s vezes meu pai n\u00e3o ia ao jogo, pois ele viajava muito, a\u00ed eu ia com minha irm\u00e3 menor, pequena, que n\u00e3o gostava muito de ir, pois ela n\u00e3o via atrativo nenhum. A\u00ed eu prometia que se ela fosse comigo, eu compraria muitos doces, refrigerantes, tudo isso para convenc\u00ea-la, para despertar interesse nela\u201d, recorda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEra divertido tamb\u00e9m porque a torcida do Oper\u00e1rio era muito fan\u00e1tica, apaixonada de verdade. Inclusive quando ia jogar contra o Caramuru, em Castro, lotava vag\u00f5es e vag\u00f5es de torcedores\u201d, relata Orli. Ela diz que a viagem de trem era bem cansativa, mas todos mantinham a anima\u00e7\u00e3o durante o percurso. \u201cA chegada \u00e0 esta\u00e7\u00e3o ent\u00e3o era a maior festa, pois tinha aqueles que n\u00e3o podiam ir ao jogo e recepcionavam os que foram e tamb\u00e9m os jogadores do Oper\u00e1rio, que voltavam juntos. Era muito legal\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Carreira art\u00edstica<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\nA viv\u00eancia art\u00edstica de Orli Santos \u00e9 muito grande. Quando jovem, participou de a\u00e7\u00f5es sociais, atra\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, sempre presente em muitos eventos locais. \u201cTenho uma foto, com dois anos, cantando na concha ac\u00fastica aqui da Pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco\u201d, conta. \u201cDepois continuei em programas infantis, participei com o Luis Frederico Deitman, que era um grande incentivador naquela \u00e9poca de programas assim, posteriormente fui vocalista de uma banda aqui de Ponta Grossa\u201d, completa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A atua\u00e7\u00e3o como cantora proporcionou a ela suas primeiras experi\u00eancias como apresentadora, pelo canal 12 de Curitiba, que pertencia \u00e0 Rede Globo. Integrou a primeira fanfarra feminina de Ponta Grossa, pelo Instituto de Educa\u00e7\u00e3o: \u201c\u00c9ramos convidadas em outras cidades, desfil\u00e1vamos em Curitiba, participamos dos anivers\u00e1rios de Pira\u00ed do Sul, de Jaguaria\u00edva. Infelizmente fiquei sabendo que fanfarra exclusivamente feminina acabou, era uma sensa\u00e7\u00e3o na \u00e9poca\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Feliz, compartilha uma das melhores oportunidades que bateram \u00e0 sua porta: ganhou um concurso na d\u00e9cada de 60, em Curitiba, no Programa Mario Vendramel, pelo Canal 12. Era um show de calouros e ela cantou uma m\u00fasica da cantora Angela Maria, que estava presente e elogiou sua atua\u00e7\u00e3o, dizendo que a voz de Orli se parecia com a sua. \u201cNo dia, at\u00e9 veio um representante da gravadora Odeon, j\u00e1 com a letra de uma m\u00fasica para que eu gravasse. Ent\u00e3o, a partir de caloura, passei a fazer parte do \u2018cast\u2019 art\u00edstico do Canal 12, e passei a fazer, junto com o Mario Vendramel, shows no literal e apresenta\u00e7\u00f5es em cidades do interior. Infelizmente, apareceram motivos maiores que me afastaram da carreira art\u00edstica\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>A frustra\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a tantas boas hist\u00f3rias, Orli conta que o meio art\u00edstico era muito mal visto naquela \u00e9poca: \u201cComigo teve um problema que, quando fui nomeada professora, no Col\u00e9gio General Os\u00f3rio, a diretora me chamou em seu gabinete e disse assim: \u2018Orli, de hoje em diante, voc\u00ea \u00e9 professora! Esque\u00e7a que voc\u00ea \u00e9 cantora, esque\u00e7a que voc\u00ea \u00e9 artista, porque n\u00e3o fica bem um pai de aluno estar num restaurante, num teatro ou vendo televis\u00e3o e ver a professora do filho dele estar se exibindo!\u2019, ent\u00e3o a\u00ed eu tive que encerrar a carreira\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje eu poderia estar me aposentando como artista. Tenho orgulho de ter seguido carreira de professora, mas na \u00e9poca eu senti bastante, porque gostava muito de cantar\u201d, desabafa. Ela acrescenta que tamb\u00e9m havia a reprova\u00e7\u00e3o de seu pai em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 carreira art\u00edstica: \u201cO meu pai tamb\u00e9m n\u00e3o gostava, ele n\u00e3o queria que eu cantasse. Tanto \u00e9 que uma vez ele me disse \u2018se voc\u00ea tivesse sido artista, hoje voc\u00ea j\u00e1 estaria no quarto ou quinto casamento. Minha m\u00e3e incentivava muito, era o dia mais feliz para ela quando eu me apresentava, j\u00e1 meu pai n\u00e3o. Sabe como \u00e9, descendente de italiano, bem en\u00e9rgico, r\u00edgido, ele n\u00e3o aprovava\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Mensagem final<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Para encerrar, Orli deixa uma reflex\u00e3o para as gera\u00e7\u00f5es mais novas: \u201c\u00c9 aquilo que as pessoas dizem: lutem pelos seus sonhos! Se voc\u00ea gosta de fazer algo, n\u00e3o d\u00ea ouvidos aos outros. Hoje a mulher est\u00e1 cada vez mais conquistando seu espa\u00e7o, chegamos at\u00e9 a ter uma Presidente da Rep\u00fablica, ent\u00e3o por a\u00ed a gente v\u00ea que mudou muito do que a mulher pode fazer e ela pode fazer de tudo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela encerra deixando uma mensagem de incentivo para as mulheres jovens, n\u00e3o apenas no que diz respeito \u00e0 torcida e sua presen\u00e7a no futebol e em outros esportes, mas em qualquer outra \u00e1rea profissional, compartilhando mais uma hist\u00f3ria de sua viv\u00eancia art\u00edstica: \u201c\u00e9 bonito ver cada vez mais mulheres no est\u00e1dio, uma nova \u2018Musa do Oper\u00e1rio\u2019 foi eleita recentemente, que sigam em frente e sejam felizes\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Orli relata que, na \u00e9poca em que participava do meio art\u00edstico, teve oportunidades de ter contato com v\u00e1rios cantores da Jovem Guarda e lembra especialmente de um baile em Ponta Grossa em que o Cantor Tony Campello, irm\u00e3o da Celly Campello, veio se apresentar. Ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o, ele a tirou para dan\u00e7ar, fato registrado em uma foto. \u201cTive experi\u00eancias incr\u00edveis, por isso que \u00e9 preciso aproveitar a vida, viver os momentos e as oportunidades que aparecem, pois a gente n\u00e3o sabe o dia de manh\u00e3. Que vivam o dia de hoje como se fosse o \u00faltimo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por C\u00edcero Goytacaz Vivemos tempos de ascens\u00e3o da luta feminina por seu espa\u00e7o na sociedade. No futebol, especificamente, acompanhamos neste ano a primeira transmiss\u00e3o da Copa do Mundo Feminina de Futebol na TV aberta, marcando o crescimento da categoria do esporte e conquistando a torcida. 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