{"id":4703,"date":"2019-11-12T17:12:48","date_gmt":"2019-11-12T20:12:48","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=4703"},"modified":"2019-11-12T17:12:48","modified_gmt":"2019-11-12T20:12:48","slug":"cronicas-lendas-urbanas-da-cultura-popular-na-regiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/cronicas-lendas-urbanas-da-cultura-popular-na-regiao\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nicas &amp; lendas urbanas da Cultura Popular na Regi\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<h2><strong>Um (outro) lobisomem na Ronda (2)<\/strong><br><\/h2>\n\n\n\n<p>A lenda urbana de Ponta Grossa de que existe um lobisomem na Ronda, um dos bairros mais antigos da Cidade, n\u00e3o possui uma \u00fanica vers\u00e3o. Pela tradi\u00e7\u00e3o \u2013 e n\u00e3o est\u00e1 em jogo aqui se existe comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de exist\u00eancia \u2013 o Lubi pode ser visto em noite de lua cheia e serve de alerta para que as pessoas n\u00e3o arrisquem sair de casa ou ficar expostas, principalmente sozinhas, para curtir os encantos noturnos do clar\u00e3o lunar.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das vers\u00f5es pontagrossenses do Lubi pintada em detalhes por Osiris Guimar\u00e3es (2004). Na criativa interpreta\u00e7\u00e3o do Osires, a origem do Lobisomem na Ronda estaria associada ao caminho dos tropeiros que, vinham do Sul rumo \u00e0 feira de Sorocaba (SP), e paravam na regi\u00e3o. O artista tamb\u00e9m sugere que a personagem manteve, por mais de um s\u00e9culo, a tarefa de apavorar a crian\u00e7ada, mas que j\u00e1 n\u00e3o era exclusividade de uma faixa et\u00e1ria, dado a import\u00e2ncia da lenda. E \u00e9 exatamente a\u00ed que mora o perigo!<\/p>\n\n\n\n<p>Em vers\u00f5es mais recentes, o Lubi desliza bem \u00e0 vontade na regi\u00e3o e desenvolveu uma simpatia crescente pelos pr\u00e9dios p\u00fablicos localizados no bairro. Da\u00ed em diante, o dito cujo tamb\u00e9m cultiva alguns v\u00edcios, em geral semelhante aos registrados em humanos \u2013 eleitos ou n\u00e3o \u2013 que vivem na \u00e1rea e n\u00e3o querem sair de jeito algum. Al\u00e9m das noites de lua cheia, o Lubi n\u00e3o se limita aos tetos escuros e supostamente mal assombrados da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2018Ele\u2019 avan\u00e7ou em h\u00e1bitos que seriam mais complicados do que a simples cordialidade de conviv\u00eancia estima. Servidores de boa \u00edndole asseguram que, em fim de expediente \u2013 inclusive naqueles momentos que restam poucas pessoas nos longos e escuros corredores da municipalidade \u2013 a \u2018figura\u2019 tira as barbas (e pelos) do molho para circular com estranha naturalidade, que preocupa quem precisa alongar no hor\u00e1rio laboral.<\/p>\n\n\n\n<p>Suspeita-se, inclusive, que o Lubi estaria orientando cargos comissionados com uma assessoria de dar inveja aos servidores p\u00fablicos concursados, que mal conseguem garantir o sal\u00e1rio e cobrar os \u00edndices inflacion\u00e1rios, legalmente previstos, mas nem sempre repostos.<\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed porque, ao Lubi, n\u00e3o interessa dialogar com a grande maioria dos trabalhadores do servi\u00e7o p\u00fablico. Ele quer mesmo \u00e9 manter e ampliar as viciadas regalias que o deixam pr\u00f3ximo de quem tem a caneta para nomear, criar outros cargos, assegurar di\u00e1rias especiais ou mesmo passagens a\u00e9reas para negocia\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas internacionais custeadas pelos milhares de honestos pagadores da Prov\u00edncia.<\/p>\n\n\n\n<p>O Lubi tamb\u00e9m n\u00e3o gosta do t\u00e9rreo dos pr\u00e9dios e, diz a vers\u00e3o funcional da lenda, prefere deixar ind\u00edcios de circula\u00e7\u00e3o em salas confort\u00e1veis, onde as chefias garantem fazer os melhores acordos ao interesse do Contriba (Sua Excel\u00eancia).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro, \u2018Ele\u2019 n\u00e3o deixa se fotografar por vaidade e prefere sentar na cadeira especial, em geral na esquerda ou direita mais pr\u00f3xima da chefia. Em momentos de comemora\u00e7\u00e3o de resultado eleitoral para alongar a temporada em pal\u00e1cios da Ronda, Lubi teria inclusive dividido charutos especiais e doses alco\u00f3licas curtidas por 12 ou 18 anos em barris de madeira nobre.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as incont\u00e1veis suspeitas e marcas que o Lubi deixa na Ronda, ao longo das duas d\u00e9cadas recentes, destaca-se a presen\u00e7a mais ousada a cada dois anos, entre agosto e outubro, quando os tais mandantes fazem de (quase) tudo para se (re)eleger e ficar mais alguns anos \u00e0 espreita da oficialidade e da reprodu\u00e7\u00e3o de v\u00edcios que asseguram enriquecimento f\u00e1cil (il\u00edcito ou n\u00e3o) com o dinheiro que os milhares de mortais precisam repassar religiosamente ao caixa p\u00fablico. Nos casuais meses citados, o Lubi, de acordo com informa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se esconde e, por vezes, at\u00e9 apaga a luz antes mesmo de encerrar o expediente da casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, existem outras vers\u00f5es e detalhes que, em breve, devem resultar na primeira biografia n\u00e3o autorizada do Lobisomem da Ronda. Ainda assim,\u00a0 trata-se de uma interpreta\u00e7\u00e3o, que pode ser contestada pelos interlocutores ou humanos que assumem proximidade e simpatia pela imortal personagem que prefere viver na Ronda, ao Sudeste de Ponta Grossa. \u201cNo te lo crees? \u00a1Pero tampoco lo dudes!\u201d<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>S\u00e9rgio Luiz Gadini<\/em><\/strong>, professor, jornalista, pesquisador da cultura popular ao Sul do Ecuador. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um (outro) lobisomem na Ronda (2) A lenda urbana de Ponta Grossa de que existe um lobisomem na Ronda, um dos bairros mais antigos da Cidade, n\u00e3o possui uma \u00fanica vers\u00e3o. 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