{"id":4761,"date":"2019-11-13T20:22:41","date_gmt":"2019-11-13T23:22:41","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=4761"},"modified":"2019-11-13T20:22:41","modified_gmt":"2019-11-13T23:22:41","slug":"documentario-apresenta-raizes-de-religioes-afro-brasileiras-em-ponta-grossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/documentario-apresenta-raizes-de-religioes-afro-brasileiras-em-ponta-grossa\/","title":{"rendered":"Document\u00e1rio apresenta ra\u00edzes de religi\u00f5es Afro-Brasileiras em Ponta Grossa"},"content":{"rendered":"\n<p>Na \u00faltima quinta-feira (07), o Canal Histori\u00f4 apresentou o audiovisual \u201cAg\u00f4: minha cidade tem sarav\u00e1\u201d, com intuito de dar visibilidade \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es religiosas afro-brasileiras existentes em Ponta Grossa, o candombl\u00e9 e a umbanda. A exibi\u00e7\u00e3o aconteceu no Museu Campos Gerais e contou com a presen\u00e7a de umbandistas e candomblecistas entre o p\u00fablico. O document\u00e1rio foi produzido por Juliana Gelbcke, Felipe Soares e Guilherme Marcondes, que foram contemplados na seletiva de apoio a projetos de cinema, fotografia e v\u00eddeo pelo Fundo Municipal de Cultura de Ponta Grossa e pela Prefeitura Municipal de Ponta Grossa.<\/p>\n\n\n\n<p>O document\u00e1rio mostra entrevistas de praticantes, sacerdotes, simpatizantes e estudiosos das religi\u00f5es candombl\u00e9 e umbanda. Os entrevistados pedem por respeito \u00e0 cultura afro-brasileira, em suas falam acrescentam que as religi\u00f5es t\u00eam uma presen\u00e7a pouco percept\u00edvel e reconhecida.<\/p>\n\n\n\n<p>O v\u00eddeo apresenta os enfrentamentos e dificuldades que essas manifesta\u00e7\u00f5es religiosas passam em Ponta Grossa. De acordo com Juliana Gelbkce, produtora do document\u00e1rio e professora de Hist\u00f3ria, o audiovisual prop\u00f5e um debate em torno dos preconceitos que muitas pessoas t\u00eam sobre as religi\u00f5es afro-brasileiras e assim conscientizar a popula\u00e7\u00e3o. \u201cO intuito \u00e9 quebrar um pouco do estere\u00f3tipo que a gente tem, especialmente em tempos em que terreiros e express\u00f5es da cultura afrodescendente e afro-brasileira, de uma forma geral, vem sendo atacadas\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos produtores do v\u00eddeo, Felipe Soares, relata que ao inscreverem o audiovisual no edital de apoio a projetos de cinema, fotografia e v\u00eddeo da Prefeitura, o prop\u00f3sito foi desconstruir paradigmas e preconceitos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s religi\u00f5es de matriz africana. A palavra \u201cag\u00f4\u201d na l\u00edngua Uruba, base das religi\u00f5es afro, significa com licen\u00e7a. \u201cFoi no sentido de pedir licen\u00e7a \u00e0 cidade para mostrar que as religi\u00f5es africanas n\u00e3o s\u00f3 existem, como resistem em Ponta Grossa\u201d, observa o produtor. Religi\u00f5es como umbanda e candombl\u00e9 s\u00e3o v\u00edtimas de preconceitos, de dogmas, viol\u00eancias simb\u00f3licas e f\u00edsicas. O document\u00e1rio \u00e9 uma forma de alterar a vis\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e de pedir o respeito \u00e0 diversidade de cren\u00e7as religiosas.&nbsp; Felipe tamb\u00e9m conta que a cria\u00e7\u00e3o do Canal Histori\u00f4 surgiu da tentativa de publicizar temas hist\u00f3ricos de Ponta Grossa, a ideia \u00e9 falar sobre cultura, personagens e hist\u00f3rias da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Natiely Fernanda Batista, iniciante no candombl\u00e9, acredita que a sua religi\u00e3o \u00e9 resist\u00eancia desde o in\u00edcio, com a chegada dos negros no Brasil. \u201cPara eu poder sair caracterizada como candomblecista na rua hoje, muitos negros sofreram\u201d, observa. Existe uma hierarquiza\u00e7\u00e3o entre os membros da religi\u00e3o, por estar no in\u00edcio da pr\u00e1tica religiosa, Natiely \u00e9 chamada de Abian ou Abi\u00e3, que quer dizer novata, pois n\u00e3o \u00e9 iniciada no santo ainda.&nbsp; Quando acontecer sua inicia\u00e7\u00e3o ela passar\u00e1 a ser Ia\u00f4, que significa filha de santo, em seguida Babalorix\u00e1 que \u00e9 m\u00e3e de santo. Ela aponta que \u00e9 de grande import\u00e2ncia a exibi\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio, pelo fato de dar evid\u00eancia \u00e0 religi\u00e3o. Gra\u00e7as ao candombl\u00e9 e seus Orix\u00e1s, aconteceu uma transforma\u00e7\u00e3o em sua vida, diz Natiely.<\/p>\n\n\n\n<p>Brian Schutz de Assis tem 12 anos de idade e foi um dos entrevistados para a produ\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio. Brian explica que o document\u00e1rio mostra as suas caracter\u00edsticas particulares, quem ele \u00e9 e como funciona sua cren\u00e7a. Nos prim\u00f3rdios da religi\u00e3o no Brasil, o candombl\u00e9 passou por um per\u00edodo em que os praticantes precisam se esconder e disfar\u00e7ar seus conceitos, fingir que acreditavam em algumas coisas que na verdade n\u00e3o faziam parte da religi\u00e3o. Por conta disso, Brian afirma ter orgulho de fazer parte da religi\u00e3o: \u201c\u00e9 gratificante saber que \u00e9 uma religi\u00e3o t\u00e3o antiga e que resiste at\u00e9 os dias de hoje\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Adriana Kisielewicz, professora de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, \u00e9 participante do movimento Sorriso Negro dos Campos Gerais e esteve presente na exibi\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio. A professora ressalta a necessidade da uni\u00e3o das minorias, entre negros e os movimentos religiosos para que possa haver a luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o e intoler\u00e2ncia. \u201cDentro do grupo Sorriso Negro lutamos pelo resgate do que os negros perderam ao longo da hist\u00f3ria. Assim como as quest\u00f5es de racismo e preconceito que s\u00e3o consideradas crime, \u00e9 necess\u00e1rio que exista uma a\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a para esses casos\u201d, destaca Adriana.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Felipe Soares, existem algumas centenas de terreiros de umbanda e candombl\u00e9 em Ponta Grossa, mas grande parte encontra-se na ilegalidade e irregularidade. Os praticantes ainda t\u00eam medo de expressar livremente ambas as religi\u00f5es por conta dos preconceitos inseridos na sociedade. \u00c9 necess\u00e1rio fomentar e expandir o conhecimento sobre as religi\u00f5es afrodescendentes para que se acabem os preconceitos. O document\u00e1rio ficar\u00e1 dispon\u00edvel no canal Histori\u00f4, no Youtube, a partir desta semana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O canal Histori\u00f4 exibe \u201cAg\u00f4: Minha cidade tem Sarav\u00e1\u201d como atividade do m\u00eas da consci\u00eancia negra do Museu Campos Gerais<\/p>\n","protected":false},"author":553,"featured_media":4763,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5,7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4761"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/users\/553"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4761"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4761\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4761"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4761"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4761"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}