{"id":4767,"date":"2019-11-13T20:57:25","date_gmt":"2019-11-13T23:57:25","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=4767"},"modified":"2019-11-13T20:57:25","modified_gmt":"2019-11-13T23:57:25","slug":"uma-vida-dedicada-a-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/uma-vida-dedicada-a-educacao\/","title":{"rendered":"Uma vida dedicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p> Por Hellen Caroline Scheidt <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Imbituva j\u00e1 foi subordinada \u00e0 cidade de Ponta Grossa no s\u00e9culo XVIII, na \u00e9poca, era denominada de Santo Ant\u00f4nio de Imbituva. Em 1881, os dois munic\u00edpios foram desmembrados e a regi\u00e3o mudou sua categoria para vila. O status de cidade veio apenas em 1910 e, dezenove anos depois, perdeu a denomina\u00e7\u00e3o religiosa e passou a se chamar apenas Imbituva.  <\/p>\n\n\n\n<p>Ponta Grossa e Imbituva s\u00e3o cidades com poucas caracter\u00edsticas socioecon\u00f4micas em comum. A diferen\u00e7a mais f\u00e1cil de se observar \u00e9 o tamanho e, consequentemente, o n\u00famero de habitantes. A primeira possui 348 mil pessoas morando na cidade, segundo estimativas do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) para o ano de 2018. Imbituva tem dez vezes menos, 30 mil habitantes segundo censo do IBGE de 2013. Mas por acaso, duas ruas s\u00e3o paralelamente semelhantes nas duas cidades. Em ambas, a Rua Sete de Setembro \u00e9 paralela \u00e0 Rua Santos Dumont, e a coincid\u00eancia ocorre a 62 km de dist\u00e2ncia. Em Imbituva, entre essas duas ruas, fica o Col\u00e9gio Estadual Santo Ant\u00f4nio onde Mariza Bittencourt Gomes trabalha desde 1981.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos 38 anos que atua no Col\u00e9gio, foi professora, diretora e, atualmente, \u00e9 pedagoga na institui\u00e7\u00e3o. Natural do munic\u00edpio de Rebou\u00e7as, que fica a 50 km de dist\u00e2ncia de Imbituva, Mariza nasceu no mesmo ano que o Col\u00e9gio foi constru\u00eddo. Em 1912, um edif\u00edcio foi constru\u00eddo na mesma avenida, mas em outro terreno, para abrigar a escola na \u00e9poca chamada de Escola Dr. Franco Vale, que ofertava apenas ensino prim\u00e1rio. Em 1951, o pr\u00e9dio foi constru\u00eddo no local onde a institui\u00e7\u00e3o funciona desde ent\u00e3o, foi necess\u00e1ria a amplia\u00e7\u00e3o para um edif\u00edcio maior porque a escola passou a ofertar ensino prim\u00e1rio e secund\u00e1rio. Em 1980, por meio de um decreto estadual, a institui\u00e7\u00e3o passou a ser denominada Col\u00e9gio Estadual Santo Ant\u00f4nio, oferecendo de 6\u00ba ao 9\u00ba ano do Ensino Fundamental e o Ensino M\u00e9dio.  <\/p>\n\n\n\n<p>Mariza nasceu em 22 de novembro de 1951, mas s\u00f3 se mudou para Imbituva 24 anos depois, quando se casou em 1975. Quando estava terminando seus estudos, em 1969, fez os dois cursos profissionalizantes ofertados na \u00e9poca, Contabilidade e Magist\u00e9rio. Por tamb\u00e9m ter realizado o curso de Contabilidade, trabalhou por um curto per\u00edodo de tempo em um banco, mas ciente de que se identificava mais com o trabalho de professora, fez concurso p\u00fablico para trabalhar na \u00e1rea.  <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Sem-t\u00edtulo.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4768\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>  <em>Mariza Bittencourt Gomes em frente ao Col\u00e9gio Estadual Santo Ant\u00f4nio, em Imbituva. | Foto: Hellen Scheidt<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\n\t\u201cSer\nalfabetizadora marca e fica na vida das pessoas\u201d. Em\n1979, passou em um concurso para trabalhar em Guamiranga, quando o\nmunic\u00edpio ainda era um distrito de Imbituva (apenas em 1995\nGuamiranga foi desmembrado de Imbituva e elevado \u00e0 categoria de\nmunic\u00edpio). Foi seu primeiro emprego como professora de 1\u00aa a 4\u00aa\ns\u00e9ries, trabalhou por alguns meses l\u00e1 e, em 1881, foi aprovada em\num concurso para trabalhar no Col\u00e9gio Estadual Santo Ant\u00f4nio.\n\u201cAchava bem estressante a dificuldade de aprendizado, mas muito\ngratificante ver a transforma\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a. A alfabetiza\u00e7\u00e3o\ndemora, o primeiro semestre parece que ningu\u00e9m est\u00e1 aprendendo\nnada, mas quando \u2018despertam\u2019 \u00e9 muito bonito de ver\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\nEla\nlembra que deu aula para a mesma turma que tinha alfabetizado alguns\nanos mais tarde e notou a mudan\u00e7a que causou na vida dos alunos.\n\u201cEsses dias encontrei uma foto, eu de guarda p\u00f3 ali na \u00e1rea com\numa turminha de alunos. Era a turma de uma mo\u00e7a que trabalha na\nfarm\u00e1cia. E levei a foto para ela ver. Ela estava tentando lembrar o\nnome dos colegas, porque marca um ano inteiro juntos\u201d, recorda com\ncarinho.<\/p>\n\n\n\n<p>\n\tAp\u00f3s\ntrabalhar como professora por sete anos no Col\u00e9gio,\nse tornou diretora. Atuou entre os anos de 1988 a 1993 e de 1995 a\n2002 (e mais alguns anos como diretora suplente). Recorda que o\ntrabalho na dire\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio n\u00e3o terminava ao fim do expediente\ne que sempre possu\u00eda algo para resolver fora do hor\u00e1rio de servi\u00e7o.\nEm 1995, se formou em Pedagogia pela Universidade Estadual de Ponta\nGrossa e passou a atuar na \u00e1rea quando seu mandato terminou.<\/p>\n\n\n\n<p>\n\tSeus\ntr\u00eas filhos estudaram no Col\u00e9gio enquanto era diretora. Nenhum\ndeles quis fazer Magist\u00e9rio na \u00e9poca que estavam no Ensino M\u00e9dio.\nMas seu filho mais novo, Carlos Eduardo Bittencourt, alguns anos\ndepois se formou professor de Artes e voltou para a institui\u00e7\u00e3o\ncomo docente, desde 2016 \u00e9 diretor do Col\u00e9gio. Como m\u00e3e, ela acha\ngratificante ver o filho exercendo o mesmo cargo que ela j\u00e1 ocupou\nanos atr\u00e1s. \u201cEle gostava de me ver como diretora. Geralmente os\nfilhos n\u00e3o querem ter a profiss\u00e3o dos pais\u201d. Mariza lembra com\norgulho que, quando o filho ainda era estudante no Col\u00e9gio, dava\nideias de coisas que queria ver diferente no lugar. \n<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Sem-t\u00edtulo-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4769\" \/><figcaption> <br><br> <em>Mariza trabalha atualmente como pedagoga no Col\u00e9gio. | Foto: Hellen Scheidt<\/em> <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p> <\/p>\n\n\n\n<p>\n\tMariza\n\u00e9 a funcion\u00e1ria efetiva que trabalha h\u00e1 mais tempo no Col\u00e9gio.\nAp\u00f3s 40 anos dedicados \u00e0 \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o, ela consegue perceber\ncomo o Col\u00e9gio faz parte da hist\u00f3ria da cidade e das fam\u00edlias, com\no passar dos anos muitas gera\u00e7\u00f5es estudaram na institui\u00e7\u00e3o.\n\u201cMuitos pais v\u00eam assinar o boletim dos filhos e dizem: quando eu\nestudei aqui, a senhora era diretora\u201d. Em Imbituva, \u00e9 o \u00fanico\ncol\u00e9gio de ensino p\u00fablico que possui ensino m\u00e9dio. Por esse\nmotivo, a maioria dos jovens da cidade passa por ele. \u201cDe manh\u00e3\ntem mais de 600 jovens estudando no Col\u00e9gio, \u00e9 a juventude de\nImbituva inteira aqui\u201d. Na parte da manh\u00e3, h\u00e1 duas turmas de\nEnsino Fundamental e 16 de Ensino M\u00e9dio e \u00e0 noite, 11 turmas de\nEnsino M\u00e9dio. Como pedagoga, Mariza trabalha no turno matutino e\nnoturno e atende cerca de 900 alunos todos os dias.<\/p>\n\n\n\n<p>\nEla\nobserva que a principal diferen\u00e7a entre os turnos est\u00e1 na idade dos\nalunos. \u201c\u00c0 noite a maioria dos alunos s\u00e3o adultos e trabalham,\nchegam cansados no Col\u00e9gio, mas t\u00eam muita vontade de terminar os\nestudos\u201d. E percebe que, embora muitos busquem terminar o Ensino\nM\u00e9dio, em Imbituva a maioria n\u00e3o pensa em fazer faculdade, devido\n\u00e0s despesas de deslocamento, os jovens que possuem condi\u00e7\u00f5es\necon\u00f4micas buscam realizar o Ensino Superior em Ponta Grossa ou\nIrati, que s\u00e3o as cidades mais pr\u00f3ximas que possuem faculdade. Em\nImbituva, a \u00fanica oferta de curso superior existente s\u00e3o os cursos\nparticulares \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>\n\t\u201cCom\no passar dos anos mudou bastante a quantidade de alunos\u201d. Quando\ncome\u00e7ou a trabalhar no Col\u00e9gio, ele ofertava as s\u00e9ries iniciais\n(pr\u00e9-escola), da 1\u00aa a 4\u00aa s\u00e9ries e cursos profissionalizantes, com\ncerca de 35 alunos por turma. Alguns anos depois, a institui\u00e7\u00e3o\nabriu tr\u00eas turmas de Ensino M\u00e9dio, atendendo em per\u00edodo matutino e\nvespertino. Atualmente, o Col\u00e9gio conta com cerca de 1.500 alunos,\nsomando os tr\u00eas turnos. Ela observa que a demanda de alunos s\u00f3\naumenta. \u201cS\u00f3 n\u00e3o tem mais turmas porque n\u00e3o tem salas de aula\u201d.\nRecorda que nas duas gest\u00f5es como diretora, ainda antes dos anos\n2000, foi necess\u00e1ria a constru\u00e7\u00e3o de mais seis salas de aula, dois\nbanheiros e um laborat\u00f3rio. Mariza percebeu o aumento da procura\nap\u00f3s a d\u00e9cada de 80, quando o estudo passou a ser obrigat\u00f3rio no\nBrasil. \u201cMas muitos ainda n\u00e3o veem como necess\u00e1rio e fazem apenas\nat\u00e9 o ensino m\u00e9dio\u201d. \n<\/p>\n\n\n\n<p>\n\tEla\nidentifica que h\u00e1 uma contraposi\u00e7\u00e3o, muitos pais est\u00e3o\nvalorizando o papel da educa\u00e7\u00e3o e fazendo com que seus filhos v\u00e3o\npara a escola. Mas, segundo ela, tamb\u00e9m existem respons\u00e1veis que\nn\u00e3o acompanham a vida escolar dos jovens e n\u00e3o reconhecem a\nimport\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o. \u201cOs pais dos alunos est\u00e3o vendo um\ncaminho atrav\u00e9s do estudo. A escola contribui bastante para a\nmelhoria dos jovens, para construir um futuro que tenham condi\u00e7\u00f5es\nde exercer um trabalho com uma boa forma\u00e7\u00e3o\u201d. Para Mariza, al\u00e9m\ndo aprendizado formal, o Col\u00e9gio tamb\u00e9m \u00e9 um espa\u00e7o de\ncompartilhar viv\u00eancias. \u201cO mundo hoje precisa que as pessoas\nsaibam conviver. N\u00e3o apenas se preocupar em aprender uma profiss\u00e3o,\nmas tamb\u00e9m que cidad\u00e3o ele vai ser\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\n\tEla\nreconhece que com o passar dos anos a constru\u00e7\u00e3o de muros tamb\u00e9m\nfoi necess\u00e1ria. \u201cA viol\u00eancia invadiu todos os espa\u00e7os\u201d. At\u00e9\nos anos 90 os muros do Col\u00e9gio eram baixos, mas a partir desse\nmomento foi preciso deix\u00e1-los mais altos para garantir a seguran\u00e7a\ndos alunos e dos servidores do local. \u201cO trabalho pedag\u00f3gico\ntamb\u00e9m ficou mais dif\u00edcil\u201d. Ela sente que os estudantes mais\njovens t\u00eam mais dificuldade em aceitar suas instru\u00e7\u00f5es e\naconselhamentos como pedagoga.<\/p>\n\n\n\n<p>\n\tAo\nser questionada se depois de se aposentar pretende continuar\ntrabalhando, a resposta \u00e9 direta: \u201cN\u00e3o, s\u00f3 passear\u201d, responde\nem tom humorado. \u201cComo professora voc\u00ea tem contato com as turmas,\ntem bastante trabalho. Por isso tem que ter mais valoriza\u00e7\u00e3o do\nprofessor. \u00c9 uma profiss\u00e3o desgastante\u201d. Mariza finaliza\nressaltando a necessidade da aposentadoria especial para os\nprofessores. Desde 1881, a atividade de professor deixou de ser\nconsiderada como especial e passou a ser um benef\u00edcio por tempo de\ncontribui\u00e7\u00e3o (25 anos para as mulheres e 30 para os homens), n\u00e3o\nmais classificada como uma aposentadoria especial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Hellen Caroline Scheidt Imbituva j\u00e1 foi subordinada \u00e0 cidade de Ponta Grossa no s\u00e9culo XVIII, na \u00e9poca, era denominada de Santo Ant\u00f4nio de Imbituva. Em 1881, os dois munic\u00edpios foram desmembrados e a regi\u00e3o mudou sua categoria para vila. 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