{"id":4853,"date":"2019-11-27T19:47:35","date_gmt":"2019-11-27T22:47:35","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=4853"},"modified":"2019-11-27T19:47:35","modified_gmt":"2019-11-27T22:47:35","slug":"sou-mas-nao-e-sobre-mim-a-arte-e-sobre-quem-ve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/sou-mas-nao-e-sobre-mim-a-arte-e-sobre-quem-ve\/","title":{"rendered":"Sou, mas n\u00e3o \u00e9 sobre mim. A arte \u00e9 sobre quem v\u00ea"},"content":{"rendered":"\n<p>\n\u201cEu quero a utopia. Eu n\u00e3o tenho medo de busc\u00e1-la e quando perdemos isso, a gente morre\u201d. Dessa utopia, na beleza entre a arte, a educa\u00e7\u00e3o e a comunica\u00e7\u00e3o, Ezequiel Machado Ramos, mais conhecido e carinhosamente chamado de Zek Ramos, construiu seu sonho. Do amor e do afeto, nasceu o projeto Di\u00e1logos Culturais. Mas antes de propagar seus conhecimentos e tentar concretizar um projeto que fosse inteiramente voltado para difundir seus ideais e a arte, o artista interdisciplinar, como se autodenomina, cresceu entre espinhos e pedras.<\/p>\n\n\n\n<p>Nascido em 31 de janeiro de 1984, dividiu sua inf\u00e2ncia entre dois lares. Com a morte da m\u00e3e biol\u00f3gica logo ap\u00f3s seu nascimento, a fam\u00edlia n\u00e3o queria que Zek ficasse com o pai, um homem na casa dos 50 anos, guarda noturno, que tinha problemas relacionados \u00e0 bebida. Ele passou a morar at\u00e9 os quatro anos com a tia Jacira, se mudando posteriormente para a casa da sua prima Joanita.&nbsp; \u201cElas passaram a ser minha v\u00f3 e minha m\u00e3e\u201d, conta Ramos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Morando entre o Centro e o bairro Rio Verde, ele conta que seu pertencimento era inexistente. \u201cEu n\u00e3o pertencia a lugar nenhum\u201d, desabafa. Dentro da sua fam\u00edlia adotiva, as oportunidades eram grandes e desse modo a arte entrou na sua vida. Incentivado pela m\u00e3e que sonhava em ser pianista, Zek come\u00e7ou a aprender piano aos tr\u00eas anos de idade, se firmando na Igreja Batista. Ganhou posi\u00e7\u00e3o como porta voz do coral da igreja, ap\u00f3s se formar em reg\u00eancia coral aos doze anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora tivesse posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a dentro da Igreja, por causa do seu jeito alternativo, fora do comum, come\u00e7ou a se sentir deslocado. Devido aos privil\u00e9gios com sua fam\u00edlia adotiva, se sentia estranho quando visitava o pai na periferia da cidade. Na escola, sofria bullying. \u201cEu chorava por todo canto. Eu sofri muito, mas vejo que isso me fez ver a vida diferente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depois do coral, come\u00e7ou a procurar a arte al\u00e9m da m\u00fasica. \u201cA m\u00fasica n\u00e3o me satisfazia, ent\u00e3o procurei nas outras artes\u201d, destaca Zek. Ele come\u00e7ou a elaborar as pe\u00e7as da Igreja, seus primeiros projetos, e acabou sendo barrado em assuntos que eram contr\u00e1rios \u00e0s cren\u00e7as do ambiente, como sexualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando saiu da igreja, come\u00e7ou a fazer pe\u00e7as para o Est\u00fadio de Dan\u00e7a Fab\u00edola Capri, cantar em casamentos e entrou para o Coro Cidade de Ponta Grossa. Sentiu necessidade do teatro em sua vida e come\u00e7ou a estud\u00e1-lo. Tamb\u00e9m formado em Jornalismo, Zek criou a Di\u00e1logos Culturais em 2017 com o intuito de juntar comunica\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e arte para transmitir cultura e incentivar as pessoas a serem vivas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cA Di\u00e1logos sou eu, mas n\u00e3o \u00e9 sobre mim\u201d. Toda sua personalidade e ideias deram o sistema nervoso desse projeto, mas s\u00e3o as pessoas que o fazem acontecer. A arte \u00e9 estampada em Zek. Como um pai, acolhe seus alunos a fim de ensin\u00e1-los a viver e se expressar atrav\u00e9s da arte.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em seus coletivos, ele assume um papel de l\u00edder, com sentimento de afeto. Carinhosamente recebe cada pessoa sobre sua asa e transmite seus conhecimentos, sempre na posi\u00e7\u00e3o de respeito e disciplina. Enquanto os alunos realizam os exerc\u00edcios propostos, Zek observa seus erros e os conduz a melhorar, como um guia que, sem segurar nas m\u00e3os, ajuda no caminho. Mas n\u00e3o no caminho mais f\u00e1cil, pois a arte \u00e9 complexa e dif\u00edcil e, segundo ele, precisa ser estudada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;  \u201cSe a gente incomoda com a arte, \u00e9 porque a pessoa tem aquilo nela. A arte nunca \u00e9 sobre ela e sim sobre quem v\u00ea\u201d. Ele relata que ao dirigir a pe\u00e7a \u201cSerpente\u201d, em que a protagonista era transsexual, mas sua personagem uma mulher cisg\u00eanero, a maioria das pessoas s\u00f3 sabia perguntar se \u201cera homem ou mulher\u201d, \u201cse tinha p\u00eanis ou vagina\u201d, enquanto a pe\u00e7a falava exclusivamente sobre feminic\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Di\u00e1logos tamb\u00e9m lan\u00e7ou, antes de fazer uma pausa, um projeto contra a gordofobia, apresentando pessoas gordas em pinturas cl\u00e1ssicas, o que mostra o comprometimento do projeto com temas importantes e atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora Zek use o afeto em sua metodologia, ultimamente tem se sentido frustrado quanto a algumas respostas das pessoas. Ele planeja viajar para Bahia, em um hiato de seis meses, para repensar suas metodologias. \u201cEu n\u00e3o me arrependo de nada, de nenhuma frustra\u00e7\u00e3o, mas acho que o que eu sabia, n\u00e3o \u00e9 verdade absoluta, preciso repensar e ver novas coisas\u201d, destaca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEu quero a utopia. Eu n\u00e3o tenho medo de busc\u00e1-la e quando perdemos isso, a gente morre\u201d. Dessa utopia, na beleza entre a arte, a educa\u00e7\u00e3o e a comunica\u00e7\u00e3o, Ezequiel Machado Ramos, mais conhecido e carinhosamente chamado de Zek Ramos, construiu seu sonho. Do amor e do afeto, nasceu o projeto Di\u00e1logos Culturais. 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