{"id":4885,"date":"2019-12-05T11:34:48","date_gmt":"2019-12-05T14:34:48","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=4885"},"modified":"2019-12-05T11:34:48","modified_gmt":"2019-12-05T14:34:48","slug":"a-luz-e-o-que-me-inspira-a-pintar-diz-saulo-pfeiffer-artista-de-ponta-grossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/a-luz-e-o-que-me-inspira-a-pintar-diz-saulo-pfeiffer-artista-de-ponta-grossa\/","title":{"rendered":"\u201cA luz \u00e9 o que me inspira a pintar\u201d, diz Saulo Pfeiffer, artista de Ponta Grossa"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cEu n\u00e3o tenho uma lembran\u00e7a de como come\u00e7ou o meu desejo pela arte\u201d. Desde crian\u00e7a, o artista Saulo Pfeiffer, de 28 anos, tem um dom para o desenho, o que era apreciado pelos colegas na escola. \u201cNo jardim, as professoras gostavam dos meus desenhos, \u00e0s vezes pediam para eu desenhar nos trabalhos escolares. O desenho pra mim era uma coisa muitfazero natural\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>\tAos 12 anos, fez um curso de pintura a \u00f3leo que o fez despertar para essa t\u00e9cnica e se apaixonar pela arte. \u201cN\u00e3o teve uma decis\u00e3o da minha parte, eu virar um pintor profissional foi bem natural. As pessoas come\u00e7aram a gostar e queriam ter os meus trabalhos e eu vendia. Eu sempre pensei em estudar e&nbsp; outra coisa, mas eu n\u00e3o dava conta de vender as minhas pinturas e estudar ao mesmo tempo\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>\tSaulo gosta de come\u00e7ar o dia bem cedo para trabalhar, aproveitar a manh\u00e3 para desenvolver os seus projetos e deixar a tarde para outros trabalhos que exijam menos tempo.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estudos e profiss\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\tO artista pensou muitas vezes em fazer uma gradua\u00e7\u00e3o em alguma \u00e1rea de Exatas, mas desde sempre soube que era o desenho que ele mais tinha afinidade. Se ele n\u00e3o fosse pintor, gostaria de ser um projetista ou algo que fosse relacionado ao desenho t\u00e9cnico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\t\u201cEu tentei v\u00e1rias coisas na \u00e1rea da Engenharia, eu gosto bastante. At\u00e9 que me dava bem em Matem\u00e1tica. Comecei a fazer automa\u00e7\u00e3o industrial, parei e comecei a fazer outros cursos nessa \u00e1rea t\u00e9cnica, sempre que envolvia desenho eu gostava mais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\tO artista n\u00e3o tem forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, come\u00e7ou a estudar na UEPG e teve outra oportunidade de trabalhar no exterior em uma \u00e1rea n\u00e3o relacionada \u00e0 arte. Acabou deixando o curso, trabalhou, n\u00e3o gostou do trabalho e quando voltou para Ponta Grossa&nbsp;n\u00e3o teve vontade de voltar ao curso.<\/p>\n\n\n\n<p>\t\u201cEu queria fazer algo mais aprimorado, um curso de Belas Artes talvez, mas como aqui em Ponta Grossa n\u00e3o tem, eu optei por estudar sozinho. Comprei livros, importei livros de fora, tive que traduzir pra poder entender o conhecimento. Eu sempre fui muito rigoroso em rela\u00e7\u00e3o aos artistas que me inspiram, fui muito seletivo, ent\u00e3o tem muitos artistas do exterior que inspiram meu trabalho, \u00e9 deles que eu busco informa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\tO trabalho de Saulo come\u00e7ou a agradar as pessoas e ele come\u00e7ou a fazer exposi\u00e7\u00f5es. As pessoas come\u00e7aram a comprar e sempre que ele come\u00e7ava a pensar em seguir outra carreira t\u00e9cnica, na \u00e1rea da automa\u00e7\u00e3o, sempre algu\u00e9m queria comprar uma de suas obras. \u201cFicava sem tempo de procurar emprego, porque estava atendendo os clientes\u201d, diz o artista.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Inspira\u00e7\u00e3o do artista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\tSaulo se inspira sempre que sai de casa para passear. Tudo o que ele v\u00ea sempre o faz lembrar da pintura.<\/p>\n\n\n\n<p>\t\u201cQuando eu saio e vou fazer um passeio, a minha cabe\u00e7a est\u00e1 sempre voltada para a pintura, ent\u00e3o eu sempre estou vendo quando uma luz est\u00e1 sendo projetada na parede, ou como as nuvens ficam num dia nublado. A natureza propriamente dita me inspira, e dentro disso \u00e9 a luz. A luz \u00e9 que vai dar as cores da cidade, o brilho, o reflexo. O que me inspira a pintar \u00e9 reproduzir a luz que eu vejo nas telas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\tPara o pintor, a arte \u00e9 algo pessoal, mas a partir do momento que o artista produz uma obra, ela deve ser para os outros analisarem. \u201cA opini\u00e3o dos outros me influencia, quando a rea\u00e7\u00e3o \u00e9 negativa, isso me ajuda para mudar e, quando \u00e9 positiva, me entusiasma a continuar e a melhorar o que eu tenho feito. Quanto mais eu trabalho minha t\u00e9cnica, a rea\u00e7\u00e3o das pessoas fica mais positiva\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\tO mais importante do trabalho de Saulo \u00e9 a quest\u00e3o da luz. Para ele, a luz d\u00e1 a ideia do real, do diferente. \u201cQuando eu vejo uma cena urbana ou de natureza, ou mesmo animais em que existe uma luz legal batendo nela, eu procuro colocar na tela. Eu j\u00e1 fiz v\u00e1rios lugares de Ponta Grossa, a ideia era pegar um lugar conhecido, onde a luz estivesse se comportando de maneira interessante, e colocar na tela\u201d.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Processo da Pintura<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\tDepois de ter um motivo para pintar, ou por inspira\u00e7\u00e3o, ou por encomenda de algum cliente, Saulo analisa a complexidade do trabalho. As telas por encomenda &#8211; de pinturas de cenas militares, ou uma cena hist\u00f3rica, \u00e0s vezes b\u00edblica &#8211; s\u00e3o mais complexas, ent\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio fazer projetos, esbo\u00e7os no papel, para depois passar para a tela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\tA tela \u00e9 um tecido que tem um revestimento que \u00e9 feito com uma tinta a base de \u00e1gua, depois Saulo passa uma tinta de cor mais escura acinzentada e por cima faz o desenho e os tra\u00e7os que v\u00e3o determinar os elementos que v\u00e3o estar na tela. Dependendo do caso, \u00e9 preciso parar o processo da pintura para esperar a tinta secar, o que \u00e9 o caso das pinturas mais detalhadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\t\u201cGeralmente, eu come\u00e7o pelo c\u00e9u. \u00c9 ele que vai determinar as cores que eu vou colocar no resto, depois os objetos mais no fundo e, por fim, eu vou trazendo elementos mais pra frente na imagem. No final, eu coloco as tintas mais claras, as luzes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o trabalho \u00e9 de uma pintura mais simples, como uma paisagem, o artista faz em um processo s\u00f3, chamado de Alla Prima. Alla Prima \u00e9 uma express\u00e3o em italiano que significa primeira, uma t\u00e9cnica de pintura, originalmente a \u00f3leo e praticada a partir do s\u00e9culo XVII, na qual a tinta \u00e9 aplicada diretamente na base escolhida, e o resultado final \u00e9 atingido ap\u00f3s essa \u00fanica aplica\u00e7\u00e3o do pigmento.<\/p>\n\n\n\n<p>\tO artista n\u00e3o segue um processo \u00fanico para cada pintura, ele escolhe o processo de acordo com a pintura em si e do tempo de produ\u00e7\u00e3o da obra. Quando \u00e9 adicionado um produto, a tinta a \u00f3leo demora em m\u00e9dia um dia para secar, quando a tinta seca naturalmente, sem nenhum produto, demora em m\u00e9dia de 4 a 7 dias para secar. Quando a pintura est\u00e1 pronta, o artista assina a tela e passa o verniz.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Arte em Ponta Grossa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\tSaulo avalia a popula\u00e7\u00e3o ponta-grossense como conservadora, portando uma arte mais conservadora tende a agradar mais o p\u00fablico da cidade do que artes contempor\u00e2neas ou abstratas.<\/p>\n\n\n\n<p>\t\u201cPor arte conservadora eu quero dizer a que tenha forma, que a pessoa identifica os elementos da tela. As imagens que eu coloco na tela podem ser identificadas como forma, como elemento, \u00e9 uma arte mais conservadora, ent\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o acaba gostando mais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\tO pintor atualmente consegue se sustentar somente com a sua arte e relata que a sua vida gira em torno da venda das suas obras, o que segundo ele exige estrat\u00e9gia. \u201cO ponto chave para conseguir vender as pinturas \u00e9 a divulga\u00e7\u00e3o; quanto mais bem divulgado, mais f\u00e1cil de vender\u201d.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEu n\u00e3o tenho uma lembran\u00e7a de como come\u00e7ou o meu desejo pela arte\u201d. Desde crian\u00e7a, o artista Saulo Pfeiffer, de 28 anos, tem um dom para o desenho, o que era apreciado pelos colegas na escola. \u201cNo jardim, as professoras gostavam dos meus desenhos, \u00e0s vezes pediam para eu desenhar nos trabalhos escolares. 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