{"id":4971,"date":"2011-09-02T21:51:12","date_gmt":"2011-09-02T21:51:12","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=206"},"modified":"2011-09-02T21:51:12","modified_gmt":"2011-09-02T21:51:12","slug":"fe-popular-em-sao-joao-maria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/fe-popular-em-sao-joao-maria\/","title":{"rendered":"F\u00e9 popular em S\u00e3o Jo\u00e3o Maria"},"content":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria registra a exist\u00eancia de tr\u00eas monges que percorreram os estados da regi\u00e3o Sul do pa\u00eds em \u00e9pocas diferentes, dando origem \u00e0 cren\u00e7a em \u2018S\u00e3o Jo\u00e3o Maria\u2019. Eles estavam sempre envolvidos em contextos sociais de relev\u00e2ncia, realizavam prega\u00e7\u00f5es e milagres atrav\u00e9s das ervas e da \u00e1gua benta.<\/p>\n<p>Pelos registros hist\u00f3ricos, sabe-se que o primeiro monge, Jo\u00e3o Maria de Agostini, passou pelos estados do Sul no per\u00edodo da Guerra dos Farrapos, por volta de 1840. O segundo monge, Jo\u00e3o Maria de Jesus, deixou muitos registros nos estados do Sul, em especial no Paran\u00e1, no final do s\u00e9culo XIX, no per\u00edodo da Revolu\u00e7\u00e3o Federalista. A f\u00e9 popular acreditava se tratar do mesmo indiv\u00edduo e fundiu estes monges em uma \u00fanica personalidade: S\u00e3o Jo\u00e3o Maria.<\/p>\n<p>O terceiro monge a pisar em solo paranaense foi Jos\u00e9 Maria, personagem que esteve \u00e0 frente da Guerra do Contestado, que envolveu os estados do Paran\u00e1 e de Santa Catarina no per\u00edodo de 1912 a 1916. O monge morreu no primeiro conflito com as for\u00e7as policiais, em Irani (Santa Catarina), mas a cren\u00e7a na sua ressurrei\u00e7\u00e3o continuou a reunir in\u00fameros seguidores.<\/p>\n<p>As prega\u00e7\u00f5es destes monges misturavam a f\u00e9 religiosa \u00e0 cr\u00edtica social, o que fez com que conquistassem grande n\u00famero de fieis. Em Ponta Grossa, o \u201cmonge dos exclu\u00eddos\u201d, Jo\u00e3o Maria de Jesus, se instalou em um olho d\u2019\u00e1gua no bairro de Uvaranas, entre o final do s\u00e9culo XIX e os primeiros anos do s\u00e9culo XX. Os registros s\u00e3o imprecisos, mas dizem os relatos orais que ele teria chegado em Ponta Grossa ap\u00f3s ter sido expulso da cidade da Lapa, nos Campos Gerais, pelos chamados \u2018coron\u00e9is\u2019 da \u00e9poca. A gruta onde o monge viveu, na Lapa, \u00e9 local de peregrina\u00e7\u00e3o at\u00e9 os dias de hoje, no Parque Estadual do Monge, que leva este nome pela f\u00e9 no santo popular.<\/p>\n<p>Nos lugares por onde passou, o monge deixou marcas como cruzes, olhos d\u2019\u00e1gua e registros na mem\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o, que atribui a S\u00e3o Jo\u00e3o Maria um n\u00famero incont\u00e1vel de milagres. O eremita realizava ora\u00e7\u00f5es, batismos, casamentos e benzimentos, representando uma forma de religiosidade popular. Foi desse modo que o olho d\u2019\u00e1gua em Ponta Grossa acabou conhecido entre a popula\u00e7\u00e3o como bento e recebeu o nome de \u201cOlho D\u2019\u00c1gua S\u00e3o Jo\u00e3o Maria\u201d.<\/p>\n<p>O monge era conhecido por seu temperamento tranquilo, pelas prega\u00e7\u00f5es e por viver junto \u00e0 natureza. A ele foi atribu\u00edda a realiza\u00e7\u00e3o de milagres, e a lenda que permeia a sua exist\u00eancia faz refer\u00eancia a um santo popular que auxiliava a popula\u00e7\u00e3o carente que encontrava no caminho de suas peregrina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando o monge partiu do olho d\u2019\u00e1gua, as pessoas que o procuravam naquele local passaram a buscar as \u00e1guas dali por crerem que possu\u00edam poder de cura. Desde ent\u00e3o o lugar \u00e9 frequentado por fi\u00e9is que buscam a solu\u00e7\u00e3o de seus problemas e melhoras para suas enfermidades.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de 20 anos a Prefeitura Municipal facilitou o acesso ao lugar, melhorou a infraestrutura e sinalizou as imedia\u00e7\u00f5es com placas. Uma capelinha foi constru\u00edda, sem portas e nem janelas, aberta ao p\u00fablico, com entrada franca. O lugar abriga, al\u00e9m de fotos do santo popular, imagens e fotografias de santos reconhecidos pela igreja cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>Atualmente, aos finais de semana, o Olho D\u2019\u00c1gua S\u00e3o Jo\u00e3o Maria recebe cerca de 300 visitantes, atra\u00eddos pela fama de milagreiro do santo popular. \u00c9 o caso da recepcionista Juliane Dorosxi, que fez uma promessa ao santo. \u201cMeu filho estava doente e eu prometi que se ele ficasse bom, eu viria aqui por 10 finais de semanas seguidos acender uma vela em agradecimento\u201d, conta Juliane.<\/p>\n<p>O aposentado Jo\u00e3o Alaerte de Camargo testemunha a f\u00e9 em S\u00e3o Jo\u00e3o Maria e com frequ\u00eancia visita o local para agradecer as b\u00ean\u00e7\u00e3os recebidas. \u201cTenho f\u00e9 nele, \u00e9 como um profeta. Hoje vim buscar um pouco dessa \u00e1gua para levar para minha neta lavar o cabelo que est\u00e1 caindo\u201d, revela o aposentado que antigamente bebia da \u00e1gua do local, mas parou ap\u00f3s ser informado de que a \u00e1gua n\u00e3o servia para consumo.<\/p>\n<p>S\u00e3o Jo\u00e3o Maria habita o imagin\u00e1rio e a f\u00e9 popular, as \u00e1guas do olho d\u2019\u00e1gua e a capelinha ao ar livre se transformaram em mais um ponto tur\u00edstico da cidade e fazem parte da hist\u00f3ria da peregrina\u00e7\u00e3o do monge.<\/p>\n<div class='embed-container'><iframe loading=\"lazy\" title=\"Santos Populares II: Jo\u00e3o Maria - Cultura Plural\" width=\"1333\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gaqcmeRqcV8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p>Reportagem de Gisele Manjurma<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria registra a exist\u00eancia de tr\u00eas monges que percorreram os estados da regi\u00e3o Sul do pa\u00eds em \u00e9pocas diferentes, dando origem \u00e0 cren\u00e7a em \u2018S\u00e3o Jo\u00e3o Maria\u2019. 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