{"id":5026,"date":"2020-03-11T10:13:22","date_gmt":"2020-03-11T13:13:22","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=5026"},"modified":"2020-03-11T10:13:22","modified_gmt":"2020-03-11T13:13:22","slug":"a-cidade-que-mudou-a-vida-de-valdomiro-de-oliveira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/a-cidade-que-mudou-a-vida-de-valdomiro-de-oliveira\/","title":{"rendered":"A cidade que mudou a vida de Valdomiro de Oliveira"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Entre as mudan\u00e7as da sua vida pessoal e de Ponta Grossa, o senhor coleciona mem\u00f3rias de onde trabalhou, criou seus filhos e vive at\u00e9 hoje<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\tValdomiro de Oliveira nasceu em 1928 em Teixeira Soares, \u00e9 pai de quatro filhos, av\u00f4 de dez netos, bisav\u00f4 de dez bisnetos, vi\u00favo e morador de Olarias h\u00e1 mais de 60 anos. O idoso veio para Ponta Grossa no dia 1 de maio de 1952 para tentar a vida ap\u00f3s se casar com Alice Gon\u00e7alves de Oliveira no dia 19 de junho. <strong>\u201c<\/strong>Eu queria me casar, no s\u00edtio n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o tinha servi\u00e7o. A vida era dura l\u00e1\u201d. Veio para Ponta Grossa e trabalhou na Marmoraria Vassorim, em frente ao Cemit\u00e9rio Central. Nesta marmoraria fizeram todos os ladrilhos da Igrejinha de Uvaranas, que est\u00e3o l\u00e1 at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Quando se mudou para Ponta Grossa, alugou uma casa em Uvaranas. Depois foi morar em Olarias, onde vive h\u00e1 mais de 60 anos em uma casa de madeira amarela, cor preferida de sua vi\u00fava, cheia de cortinas e fotos da fam\u00edlia, ch\u00e3o com carpete e algumas imagens religiosas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CAMINHADA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Valdomiro veio para a cidade com o intuito de trabalhar com algo que sempre amou: trens. Todas as vezes que cita os trens e sua trajet\u00f3ria na empresa n\u00e3o consegue deixar de expressar como gostava do trabalho que fazia. \u201cEu entrei na Rede Ferrovi\u00e1ria no dia 2 de dezembro do mesmo ano [1952], meu primo entrou no emprego e ap\u00f3s quatro dias foi mandado embora, eu soube da vaga, me candidatei e entrei no lugar dele\u201d. O senhor trabalhou por tr\u00eas anos na esta\u00e7\u00e3o de Uvaranas em Ponta Grossa, foi transferido para a esta\u00e7\u00e3o de Valinhos e trabalhou l\u00e1 por dois anos e meio. Depois disso, foi transferido para a Esta\u00e7\u00e3o de Oficinas, novamente em Ponta Grossa.<\/p>\n\n\n\n<p>Cansado de trabalhar debaixo dos vag\u00f5es fazendo consertos, fez requerimento e come\u00e7ou a trabalhar dentro do escrit\u00f3rio. Por saber ler e escrever foi aceito e trabalhou durante 13 anos com a chefia no almoxarifado. O idoso conta que recebia trem todas as horas do dia, e que era muito puxado dar conta de tudo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com um sal\u00e1rio mais alto, comprou o terreno da casa onde vive at\u00e9 hoje, em Olarias. A casa foi constru\u00edda tijolo por tijolo pelo senhor e sua esposa. Mas o dinheiro sempre foi problema: \u201cnesse meio tempo j\u00e1 tinha dois filhos e minha esposa estava gr\u00e1vida do terceiro, o dinheiro estava curto, por conta da constru\u00e7\u00e3o da casa, e eu tive que procurar um emprego para complementar a renda\u201d, relata. Valdomiro lembra que a jornada de trabalho na rede era de 24 horas seguidas, ent\u00e3o no dia de descanso ele trabalhava como cobrador para fot\u00f3grafos da cidade. \u201cDormia at\u00e9 meio dia, almo\u00e7ava e sa\u00eda com uma pasta debaixo do bra\u00e7o para cobrar as pessoas. Naquela \u00e9poca as fotos eram parceladas pois o pre\u00e7o era muito alto, ent\u00e3o eu sa\u00eda fazer as cobran\u00e7as das parcelas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O senhor tamb\u00e9m trabalhou puxando areia e ajudando na constru\u00e7\u00e3o da Igreja dos M\u00f3rmons no Centro afirmando que \u201cdinheiro sempre \u00e9 bem-vindo quando se tem quatro filhos para criar\u201d. Alice, esposa de Valdomiro, fez curso de corte e costura e, segundo ele, era muito boa no que fazia e se tornou uma refer\u00eancia no bairro. Mas o dinheiro que ganhava n\u00e3o era suficiente para ajudar nas contas da casa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PERSPECTIVAS <\/strong><strong>\t<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\tO senhor analisa e lembra com muito carinho tudo que viveu e todas as mudan\u00e7as que presenciou, principalmente no seu bairro, nestes \u00faltimos 67 anos. \u201cAgora est\u00e1 muito diferente do que era antes, eu vi muita coisa mudar, a cidade crescer em lugares que antes era s\u00f3 mato. A popula\u00e7\u00e3o da cidade aumentou muito, o n\u00famero de pr\u00e9dios, de com\u00e9rcio, de \u00f4nibus e linha de \u00f4nibus, de carros\u201d. Valdomiro d\u00e1 \u00eanfase quando comenta sobre o saneamento de Ponta Grossa: \u201choje tem saneamento, \u00e1gua encanada, quando eu vim morar aqui eu tive que fazer um po\u00e7o artesiano com 16 metros de fundura, ele ainda existe, mas est\u00e1 lacrado, com o tanto de chuva dos \u00faltimos dias com certeza ele est\u00e1 cheio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto que o idoso aponta \u00e9 a mudan\u00e7a na pr\u00f3pria vegeta\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. \u201cEu lembro de uma vez que um vag\u00e3o de um trem da rede tombou pr\u00f3ximo aqui de casa. Era um vag\u00e3o com sementes e alguns resqu\u00edcios de vegeta\u00e7\u00e3o vindo do Rio Grande do Sul, isso se espalhou por aqui e o mato come\u00e7ou a crescer diferente, al\u00e9m dos v\u00e1rios tipos de plantas e \u00e1rvores que come\u00e7aram a crescer um tempo depois\u201d. A regi\u00e3o da casa de Valdomiro, pr\u00f3xima \u00e0 garagem da Via\u00e7\u00e3o Campos Gerais, realmente conta com \u00e1rvores que s\u00e3o t\u00edpicas da regi\u00e3o dos pampas ga\u00fachos.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>MUDAN\u00c7AS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O senhor se aposentou em 1983, nesse ponto da vida seus filhos j\u00e1 n\u00e3o moravam mais com ele e sua esposa. Nesta \u00e9poca, investiu nas cadernetas de poupan\u00e7a e fez muito dinheiro. \u201cComprei um carro e aprendi a dirigir sozinho, comecei a viajar com a minha esposa, fomos at\u00e9 para a Bol\u00edvia, conhecemos v\u00e1rias cidades do Brasil e at\u00e9 mesmo alguns pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina\u201d. A esposa de Valdomiro faleceu h\u00e1 dois anos, ele relata que foram tempos dif\u00edceis, pois Alice passou por tr\u00eas tipos de c\u00e2nceres e dez cirurgias em um \u00fanico joelho.<\/p>\n\n\n\n<p>Valdomiro ainda mant\u00e9m a casa como Alice deixou, com uma estante que abriga fotos de todos os filhos, netos e bisnetos, festas da fam\u00edlia e convites de formatura dos netos nas paredes. Alice colecionava im\u00e3s de geladeira, todos est\u00e3o na mesma ordem at\u00e9 hoje e mostram as v\u00e1rias viagens que o casal fez pela Am\u00e9rica Latina. O brilho nos olhos ao falar da vi\u00fava \u00e9 dif\u00edcil de n\u00e3o se notar. Ele conta que Alice sempre amou dan\u00e7ar. \u201cVer minha esposa com tantas doen\u00e7as que n\u00e3o deixavam ela dan\u00e7ar era o que me deixava mais triste, sempre estive do lado dela e sinto muita falta da companhia dela\u201d.<br><\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre as mudan\u00e7as da sua vida pessoal e de Ponta Grossa, o senhor coleciona mem\u00f3rias de onde trabalhou, criou seus filhos e vive at\u00e9 hoje Valdomiro de Oliveira nasceu em 1928 em Teixeira Soares, \u00e9 pai de quatro filhos, av\u00f4 de dez netos, bisav\u00f4 de dez bisnetos, vi\u00favo e morador de Olarias h\u00e1 mais de&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":524,"featured_media":5027,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[36],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5026"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/users\/524"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5026"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5026\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5026"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5026"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5026"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}