{"id":544,"date":"2011-11-09T21:43:25","date_gmt":"2011-11-09T21:43:25","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=544"},"modified":"2011-11-09T21:43:25","modified_gmt":"2011-11-09T21:43:25","slug":"tartufo-irretocavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/tartufo-irretocavel\/","title":{"rendered":"Tartufo: irretoc\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<div class=\"stx\">\n<p>Para quem assistiu ao espet\u00e1culo \u201cTartufo\u201d, encenado pelo grupo Farsa, de Porto Alegre (RS), na noite de ter\u00e7a-feira (8), no palco \u00c1lvaro Augusto Cunha Rocha do Cine-Teatro \u00d3pera: esque\u00e7a certos detalhes de, por exemplo, tentar identificar se eram realistas ou farsescos certos momentos da apresenta\u00e7\u00e3o, ou se algum ator ou atriz n\u00e3o articulou bem uma fala ou outra. Isso efetivamente aconteceu. Mas o que s\u00e3o essas filigranas diante da grandeza de outro espet\u00e1culo (al\u00e9m de \u201cSer T\u00e3o Grande\u201d, apresentado no domingo, 6) que se imp\u00f4s, nesta edi\u00e7\u00e3o do Fenata, pela excel\u00eancia da montagem? Ninharias. O que se viu nessa noite foi um espet\u00e1culo que, no conjunto, se resume a uma \u00fanica palavra: irretoc\u00e1vel.<\/p>\n<p>Segunda montagem de um total de tr\u00eas que o grupo deseja realizar dentro da trilogia \u201cAs Tr\u00eas Batidas de Moli\u00e8re\u201d (que come\u00e7ou com \u201cO Avarento\u201d, em 2008, ganhador dos pr\u00eamios de melhor espet\u00e1culo pelo j\u00fari popular e melhor ator para Marcos Chaves, entre outros, no 38\u00ba Fenata, no ano passado, e que ser\u00e1 finalizada com \u201cO Doente Imagin\u00e1rio\u201d, em 2012), \u201cTartufo\u201d aborda \u2013 comicamente, \u00e9 claro \u2013 as rela\u00e7\u00f5es humanas que envolvem aqueles que utilizam a f\u00e9 para adquirirem o poder e a ascens\u00e3o social. Bem, isso \u00e9 algo que n\u00e3o mudou muito de 1664 \u2013 ano em que a pe\u00e7a foi encenada pela primeira vez \u2013 para c\u00e1. E \u00e9 justamente na atualiza\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a de Moli\u00e8re \u2013 uma das mais sofisticadas e engra\u00e7adas da l\u00edngua francesa de todos os tempos \u2013 que o grupo d\u00e1 o seu tom. Com direito a banda ao vivo, encena\u00e7\u00e3o de um culto religioso ca\u00e7a-n\u00edquel, como se v\u00ea tantos por a\u00ed, principalmente pela televis\u00e3o, e cenas absolutamente impag\u00e1veis.<\/p>\n<p>Todo o elenco est\u00e1 afinado, da interpreta\u00e7\u00e3o \u00e0s coreografias e cantos. O figurino \u00e9 de encher os olhos e as cenas, principalmente com a presen\u00e7a da personagem Dorina, s\u00e3o hil\u00e1rias. Ali\u00e1s, a interpreta\u00e7\u00e3o de Ariane Guerra deveria ser tombada pelo patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, de t\u00e3o pontual, exata, eficaz e muito, muito engra\u00e7ada. De quebra, o elenco se d\u00e1 o direito de fazer cacos metaling\u00fc\u00edsticos, como na cena em que Orgon (Marcos Chaves) quer conversar a s\u00f3s com a filha Mariana (Tefa Polidoro), mas Dorina n\u00e3o quer deixar. Marcos olha para o fundo da plateia e diz: \u201cIluminador, me ajuda aqui\u201d \u2013 e uma luz foca neles, enquanto outra, bem fraca, delineia Dorina. A brincadeira \u00e9 que eles n\u00e3o podem sair da luz. Outro caco \u00e9 quando Tartufo (Elison Couto) \u00e9 desmascarado e o policial (Bruno Hyp\u00f3lito) mostra um cartaz de \u201cprocura-se\u201d com a fotografia do ator como Harpag\u00e3o, de \u201cO Avarento\u201d. Um pouco antes, o mesmo Elison, ap\u00f3s Tefa e Ariane terem passado com potes pela plateia para arrecadar dinheiro para o culto de Tartufo, aparece no centro do palco com uma moeda e diz, ir\u00f4nico, olhando para o p\u00fablico: \u201cDepois, eu que sou o avarento, n\u00e9?\u201d. Tais cenas d\u00e3o mostra do quanto a montagem \u00e9 inteligente e do quanto a encena\u00e7\u00e3o, nesses momentos, fisga a plateia para n\u00e3o largar mais.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas diretores do espet\u00e1culo \u2013 Marcos Chaves (que fez a dire\u00e7\u00e3o musical e realizou um trabalho vocal e musical fant\u00e1stico com o elenco), Jo\u00e3o Pedro Madureira (assist\u00eancia) e principalmente Gilberto Fonseca (dire\u00e7\u00e3o geral) \u2013 est\u00e3o de parab\u00e9ns. Gilberto \u00e9 danado e sempre surpreende com uma carta na manga. \u00c9 dele, por exemplo, a ideia do terno vermelho de Tartufo, quase no final do espet\u00e1culo. Um achado. Todo o elenco tamb\u00e9m est\u00e1 de parab\u00e9ns. \u00c9 muito raro ver uma homogeneidade assim.<\/p>\n<p>Mais uma vez, o grupo Farsa trouxe excelente teatro a Ponta Grossa. Que venha \u201cO Doente Imagin\u00e1rio\u201d. A plateia n\u00e3o aguenta mais esperar pelo final da trilogia.<\/p>\n<p>Bravo! Superbe!<\/p>\n<p><strong>*Helcio Kovaleski<\/strong><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span>\u00e9 cr\u00edtico de teatro desde 2000, quando come\u00e7ou a escrever para o site<span class=\"apple-converted-space\">\u00a0Convoy<\/span>. Desde 2001, publica regularmente cr\u00edticas sobre os espet\u00e1culos do<span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><strong><em>Fenata<\/em><\/strong><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span>no jornal<span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><strong><em>Di\u00e1rio dos Campos<\/em><\/strong>. Tamb\u00e9m j\u00e1 publicou cr\u00edticas de espet\u00e1culos que vieram a Ponta Grossa em outros per\u00edodos do ano.\u00a0Entre 2002 e 2004, escreveu cr\u00edticas de cinema no jornal<span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><strong><em>d\u2019pontaponta<\/em><\/strong><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><span class=\"Apple-style-span\">e, entre 2005 e 2006, cr\u00edticas de televis\u00e3o no jornal cultural<\/span><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><strong><em>Grimpa<\/em><\/strong><span class=\"Apple-style-span\">.<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para quem assistiu ao espet\u00e1culo \u201cTartufo\u201d, encenado pelo grupo Farsa, de Porto Alegre (RS), na noite de ter\u00e7a-feira (8), no palco \u00c1lvaro Augusto Cunha Rocha do Cine-Teatro \u00d3pera: esque\u00e7a certos detalhes de, por exemplo, tentar identificar se eram realistas ou farsescos certos momentos da apresenta\u00e7\u00e3o, ou se algum ator ou atriz n\u00e3o articulou bem uma&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":524,"featured_media":550,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[14,20],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/544"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/users\/524"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=544"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/544\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=544"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=544"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=544"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}