{"id":5459,"date":"2020-06-29T14:58:51","date_gmt":"2020-06-29T17:58:51","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=5459"},"modified":"2020-06-29T14:58:51","modified_gmt":"2020-06-29T17:58:51","slug":"patria-amada-e-idolatrada-ou-dilacerada-e-explorada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/patria-amada-e-idolatrada-ou-dilacerada-e-explorada\/","title":{"rendered":"P\u00e1tria amada e idolatrada ou dilacerada e explorada?"},"content":{"rendered":"\n<p>Al\u00e9m do apoio e torcida pela sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol, os brasileiros e brasileiras s\u00e3o, em geral, pouco patriotas. Embora sejamos filhos e filhas deste solo t\u00e3o gentil que sustenta uma das maiores biodiversidades do planeta e uma riqueza cultural sem igual, em muitos momentos hist\u00f3ricos permanecemos deitados nos ber\u00e7os espl\u00eandidos da passividade. Se continuarmos assim, o Brasil n\u00e3o ser\u00e1 nunca o fulguroso flor\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul iluminado ao sol de um admir\u00e1vel mundo novo. Ao inv\u00e9s disso, ser\u00e1 uma tocha apagada pela atmosfera polu\u00edda, carregada de cinzas provindas das queimadas de matas e florestas que ofuscam toda e qualquer possibilidade de contemplar a beleza que uma vez foi a nossa flora e a nossa fauna.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A nossa terra garrida com uma frequ\u00eancia cada vez maior testemunha angustiada o aniquilamento de seus campos, flores e bosques, que a cada dia s\u00e3o extirpados de seus solos, massacrados e afogados em agrot\u00f3xicos e metais pesados; ou ainda desarraigados de margens e fundos de \u00e1guas pl\u00e1cidas que se transmutam em barragens e rios cada vez mais polu\u00eddos sob um ar cada vez mais quente e seco. Tudo isso em detrimento da cobi\u00e7a, da gan\u00e2ncia, da ignor\u00e2ncia e de embates pol\u00edticos de uma velha pol\u00edtica, h\u00e1 muito caqu\u00e9tica e esclerosada, atrasada e falida.&nbsp; A fl\u00e2mula que deveria iluminar e sustentar os verdes-louros das paisagens, parece, por um lado, que se transformou em tit\u00e2nicas labaredas que fulminam florestas e animais via inc\u00eandios criminosos; e por outro, a vencida fl\u00e2mula se apaga paulatinamente frente aos movimentos da clava forte da justi\u00e7a brasileira &#8211; que age para favorecer grileiros e mineradores, mantendo assim a ordem para o povo e o progresso para a burguesia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta senhora justi\u00e7a, ali\u00e1s, se tem venda nos olhos, no contexto socioambiental brasileiro parece ser somente para fazer vista grossa para que o futuro n\u00e3o espelhe qualquer paz ou grandeza, e que o passado n\u00e3o nos inspire qualquer orgulho ou gl\u00f3ria. Nesse instante hist\u00f3rico, assim como em muitos do passado brasileiro, os raios f\u00falgidos do sol parecem eclipsados pelo penhor da desigualdade social e de energ\u00famenas gest\u00f5es ministeriais. O nosso bra\u00e7o forte j\u00e1 est\u00e1 raqu\u00edtico de tanto nos defendermos de governantes inescrupulosos e bo\u00e7ais que transformam um intenso sonho coletivo em um pesadelo. Aqui no pa\u00eds, as declara\u00e7\u00f5es de amor e de esperan\u00e7a nunca descem realmente \u00e0 terra, \u00e0 realidade, mas estende-se em promessas n\u00e3o cumpridas sob um c\u00e9u cada vez mais polu\u00eddo e menos formoso e l\u00edmpido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Somos uma na\u00e7\u00e3o populosa e de extens\u00f5es geogr\u00e1ficas colossais, de fato gigantes pela pr\u00f3pria natureza. E por isso devemos, como cidad\u00e3os e cidad\u00e3s, sermos mais fortes para que o nosso futuro ainda espelhe a grandiosa biodiversidade de nosso pa\u00eds. Mais imp\u00e1vidos e menos indiferentes \u00e0 diversidade de vida em nossos dom\u00ednios territoriais para que elas n\u00e3o sejam nunca sacrificadas por absurdos pol\u00edticos e por decis\u00f5es mal tomadas. O nosso grito por justi\u00e7a e \u00e9tica deve ecoar pelo Brasil para darmos voz \u00e0 sua majestosa biodiversidade. A sociedade p\u00f3s-covid19 deve aprender de uma vez por todas que a nossa maior riqueza, a biol\u00f3gica, deve ser a principal moeda para os modelos de progresso sustent\u00e1veis que surgem no novo mil\u00eanio. A\u00e7\u00f5es l\u00facidas e cient\u00edficas para evitar novas pandemias, por exemplo, s\u00f3 se concretizam com a manuten\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e fun\u00e7\u00f5es ecossist\u00eamicas dos ambientes naturais.\u00a0 E para despertar novos vislumbres de conhecimento sobre nossa biodiversidade, devemos transcender a densa dimens\u00e3o de decep\u00e7\u00e3o, da degrada\u00e7\u00e3o e da corrup\u00e7\u00e3o, para que possamos conserv\u00e1-la sob a luz da \u00e9tica e da raz\u00e3o, mas tamb\u00e9m com o cora\u00e7\u00e3o. Somente assim podemos fazer com que sejam belos, preservados e luminosos os nossos sonhos de na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p> <em><strong>Rodrigo de Mello <\/strong><\/em> <em>\u2013<\/em> Bi\u00f3logo licenciado e mestre em Ci\u00eancias Ambientais pela Universidade Estadual de Maring\u00e1 (UEM), doutor em Ecologia e Evolu\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG). Al\u00e9m da profiss\u00e3o, se interessa por literatura, m\u00fasica e artes visuais \u2013 e a fotografia tem sido um hobby prazeroso cultivado nos \u00faltimos anos. Atualmente \u00e9 professor colaborador no Departamento de Biologia Geral da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), onde ministra disciplinas de Ecologia e Educa\u00e7\u00e3o Ambiental. <br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m do apoio e torcida pela sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol, os brasileiros e brasileiras s\u00e3o, em geral, pouco patriotas. Embora sejamos filhos e filhas deste solo t\u00e3o gentil que sustenta uma das maiores biodiversidades do planeta e uma riqueza cultural sem igual, em muitos momentos hist\u00f3ricos permanecemos deitados nos ber\u00e7os espl\u00eandidos da passividade. 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