{"id":5493,"date":"2020-07-21T22:46:06","date_gmt":"2020-07-22T01:46:06","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=5493"},"modified":"2020-07-21T22:46:06","modified_gmt":"2020-07-22T01:46:06","slug":"lima-barreto-por-que-me-encara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/lima-barreto-por-que-me-encara\/","title":{"rendered":"Lima Barreto, por qu\u00ea me encara?"},"content":{"rendered":"\n<p>Do lado direito da mesa um livro sobre o escritor Lima Barreto descansa de forma horizontal. Na capa, sua face ilustrada com tons terrosos, com tons de canela, com tons de azeitona. Possui cabelos labir\u00ednticos, olhos borocox\u00f4s e p\u00e1lpebras vexadas. Esse rosto tristonho, mas, amotinado: interroga-me. Como se tivesse um ralador engasgado na garganta e suas palavras n\u00e3o passassem do mais puro sangue misturado com parati. A pintura empalhada em uma capa, em um livro pousado na mesa de um casebre, em um bairro pobre no interior do Paran\u00e1, enquanto toca rap no celular, em pleno per\u00edodo pand\u00eamico, convida-me a descamar-me, migrar-me, exilar-me, despossuir-me. \u00c9 a leitura e literatura como alteridade radical, paradoxalmente, produzindo um reconhecimento comum.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para esse Ogum encarnado que al\u00e7ava voos nos escombros da modernidade republicana; conjurando corpos febris, corpos dilatados por cassetetes policiais, corpos espremidos na ponta dos coturnos, corpos marcados pelo olhar colonizador, corpos vitimados pelas pandemias da \u00e9poca e obrigados violentamente a serem vacinados para protegerem a sa\u00fade dos ricos, corpos que constituem a Bruzundanga e constantemente s\u00e3o despejados. Mas, o nosso representante das quebradas da primeira Rep\u00fablica, possu\u00eda um meio para trabalhar a tristeza e, a partir dela, a feitura da sua resist\u00eancia, ou seja: o meio liter\u00e1rio. Mais especificamente, a literatura militante, como batizara com a tinta da caneta enquanto exercia sua fun\u00e7\u00e3o de amanuense. Para quem odiava o futebol, a literatura era o seu esporte de combate.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto ou\u00e7o rap e leio as linhas do Lima, muitas frases se completam e expressam sentido. Em meio as suas linhas que pareceram forjadas por giletes e em meio \u00e0s m\u00fasicas do Criolo, Racionais Mc\u2019s, Emicida e Eduardo Taddeo. Os corpos cantados s\u00e3o semelhantes. Os corpos que sofrem viol\u00eancia policial, que s\u00e3o marcados, que n\u00e3o tem acesso digno \u00e0 sa\u00fade, s\u00e3o descritos de forma comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Trago a leitura, como o Lima tragara sua aguardente nalgum bar suburbano do Rio de Janeiro com seus companheiros de bo\u00eamia at\u00e9 esquecerem quem s\u00e3o. As mortes, as calamidades, os assassinatos, os desempregados, entristece-me e n\u00e3o posso fazer nada. Mas, de qualquer modo, parafraseando o escritor Marcelino Freire; \u201cescrevo para me vingar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Juliano Lima Schualtz<\/strong>, 21 anos, acad\u00eamico do curso licenciatura em Hist\u00f3ria da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). <\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do lado direito da mesa um livro sobre o escritor Lima Barreto descansa de forma horizontal. Na capa, sua face ilustrada com tons terrosos, com tons de canela, com tons de azeitona. Possui cabelos labir\u00ednticos, olhos borocox\u00f4s e p\u00e1lpebras vexadas. Esse rosto tristonho, mas, amotinado: interroga-me. Como se tivesse um ralador engasgado na garganta e&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":524,"featured_media":5086,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[34,18],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5493"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/users\/524"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5493"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5493\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5493"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5493"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5493"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}