{"id":5499,"date":"2020-08-06T13:05:54","date_gmt":"2020-08-06T16:05:54","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=5499"},"modified":"2020-08-06T13:05:54","modified_gmt":"2020-08-06T16:05:54","slug":"os-devaneios-da-saudade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/os-devaneios-da-saudade\/","title":{"rendered":"Os devaneios da saudade"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align:right\"> <em>Aline Sviatowski <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\n\nA protagonista n\u00e3o possui um nome que fa\u00e7a diferen\u00e7a para al\u00e9m de leitora. Seria\nposs\u00edvel cham\u00e1-la de Carolina, ou de Ana, ou de Juliana e ainda assim n\u00e3o faria\ndiferen\u00e7a. Levando em considera\u00e7\u00e3o que ela \u00e9 algu\u00e9m que l\u00ea o mundo, como quem l\u00ea um\nlivro, considero uma refer\u00eancia que sustenta a si mesma, que a define. O substantivo\n\u201cleitora\u201d exerce fun\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de adjetivo. Se voc\u00ea pudesse se chamar algo que te\ndefine, o que seria? Dou-me essa liberdade.\nRefeita em retalhos e fragmentos de mem\u00f3rias, impera nela incerteza de ser. A\nleitora recolhe peda\u00e7os do que foi e do que \u00e9. O ontem, o hoje e o talvez coexistem no\nplano da treslouca realidade.\n Sentada em uma beirada de escada, ela ouve m\u00fasicas antigas enquanto\ncontempla seu jardim bem cuidado por sua m\u00e3e, uma primorosa jardineira e amante das\nflores. \u00c9 poss\u00edvel observar na beleza daquele espa\u00e7o o carinho despendido por sua\nprogenitora. Entre as letras musicais, h\u00e1 uma autodescoberta em algum refr\u00e3o musical\nque antes foi ouvido com neutralidade pela leitora, no entanto, agora desperta\npensamentos frescos. Frescor de descoberta. Uma constru\u00e7\u00e3o c\u00edclica de personalidade.\nEnquanto que antes n\u00e3o haveriam refer\u00eancias para compreender uma acep\u00e7\u00e3o do que\npretendeu dizer o artista, agora h\u00e1.\n\u201cTristeza n\u00e3o tem fim, felicidade sim\u201d. \u201cEsse Vin\u00edcius de Moraes, para al\u00e9m de\npoeta, parece profeta\u201d pensou ela. Quem diria que tamanho caos, poria um breve (talvez)\nponto final nos m\u00ednimos e cotidianos prazeres \u00ednfimos de (co)existir em sociedade. O luto.\nO t\u00e9dio. A fome. A morte. O sil\u00eancio. O vazio. Pois bem, a tristeza ainda n\u00e3o tem um fim.\nEntre as tristezas, surge a imperativa \u00e2nsia por fuga. Fugir para onde, se os\nproblemas n\u00e3o abandonam. Sim, para os hobbies. Exato, para o trabalho. Certamente,\npara a medita\u00e7\u00e3o. Em certo ponto, n\u00e3o h\u00e1 mais para o que recorrer. E a leitora tentou\ntodas essas fugas, muitas vezes simultaneamente. Fica a constata\u00e7\u00e3o que ela\nconcatenou: n\u00e3o se foge da tristeza sem distanciar-se ainda mais da felicidade. Enfim, se\no que nos constr\u00f3i \u00e9 a eterna rela\u00e7\u00e3o entre o que nos habita e o que habita o mundo\nexterno, quando h\u00e1 um recorte do mundo externo, tamb\u00e9m \u00e9 recortada a interna\nconstitui\u00e7\u00e3o mental. H\u00e1 rupturas. Fugir n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o, \u00e9 somente um remendo. Ap\u00f3s\nconcluir esse pensamento, outros fen\u00f4menos iniciaram para a leitora.\nOs devaneios da leitora come\u00e7aram por volta da terceira semana de isolamento\nsocial. Foi quando ela olhava para a parede do seu quarto. Surge dentro de seu\npanorama \u00edntimo o enaltecimento de um peda\u00e7o espec\u00edfico \u2013 mas nada material \u2013 do que\nconsidera como marcante para se sentir viva, mem\u00f3rias afetivas. Primeiro, uma \u00ednfima\nluminosidade, depois, crescente luz a invade o sentimento. Pronto. Saudade. Essa\npalavra peculiarmente brasileira que retrata a falta que algo faz de forma t\u00e3o pontual, que\ntalvez seja intraduz\u00edvel em palavras. Sua saudade tinha nome: mar.\n\n<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aline Sviatowski A protagonista n\u00e3o possui um nome que fa\u00e7a diferen\u00e7a para al\u00e9m de leitora. Seria poss\u00edvel cham\u00e1-la de Carolina, ou de Ana, ou de Juliana e ainda assim n\u00e3o faria diferen\u00e7a. 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