{"id":554,"date":"2011-12-26T21:46:58","date_gmt":"2011-12-26T21:46:58","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=554"},"modified":"2011-12-26T21:46:58","modified_gmt":"2011-12-26T21:46:58","slug":"atitude-na-hora-de-gravar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/atitude-na-hora-de-gravar\/","title":{"rendered":"Atitude na hora de gravar"},"content":{"rendered":"<div class=\"stx\">\n<div class='embed-container'><iframe loading=\"lazy\" title=\"Hip Hop PG\" width=\"1333\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dH7UJ476qQI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p>Servi\u00e7o: Programa HipHop PG<br \/>\nTodos os s\u00e1bados 18 horas<br \/>\nTV Educativa (Canal 58 UHF e 7 na TV \u00e0 Cabo)<br \/>\nReprises no site <span class=\"link-external\"><a href=\"http:\/\/hiphoppg.com.br\/\">http:\/\/hiphoppg.com.br<\/a><\/span><\/p>\n<p>Holofotes, pessoas no est\u00fadio, muito cuidado com maquiagem. L\u00e1 vem a claquete e&#8230; Luz, C\u00e2mera, A\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este \u00e9 pensamento de muitas pessoas quando imaginam como \u00e9 a grava\u00e7\u00e3o de um programa de TV. Por\u00e9m, a realidade \u00e9 muito diferente quando falamos de produtores independentes. Um exemplo destes \u00e9 o da dupla MC Gueg e MC P\u00e1, que sozinhos tocam o programa de TV Hip Hop PG. O programa \u00e9 apresentado todos os s\u00e1bados na TV Educativa de Ponta Grossa. Por sinal, a produ\u00e7\u00e3o do Hip Hop PG nem passa perto do pr\u00e9dio da tradicional emissora p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u00c9 quarta-feira, 14 horas. MC Gueg vai aproveitar o dia de folga para gravar o programa da semana. Al\u00e9m de ser cantor, apresentador de TV e produtor musical, ele dirige uma empilhadeira em uma f\u00e1brica de Ponta Grossa por cinco dias da semana.<\/p>\n<p>Eu havia conversado ao telefone com ele para verificar a possibilidade de acompanhar a grava\u00e7\u00e3o do programa. Como jornalista, imaginei que a coisa poderia ser profissional. Com pauta, fontes, espelho, script e todas outras \u201cbobageiras\u201d que jornalistas insistem em ter para um programa. Tamb\u00e9m imaginei que iria a algum est\u00fadio da TV Educativa. Afinal, Gueg havia pagado uma quantia razo\u00e1vel para manter o programa na TV aberta da cidade. Sonho realizado gra\u00e7as a um edital do governo federal.<\/p>\n<p>Quando soube que a grava\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria na TV e sim na casa dele (no bairro da Ronda), comecei a desconfiar que as grava\u00e7\u00f5es do programa n\u00e3o eram t\u00e3o organizadas assim. E l\u00e1 estou eu, junto a duas colegas da universidade rumo ao local onde \u00e9 produzido o Hip Hop PG. A miss\u00e3o era encontrar uma casa verde de esquina na Rua Chile. O detalhe \u00e9 que no local quase todas as casas de esquina eram verdes. Este fato tornava o est\u00fadio que eu imaginava cada vez mais normal.<\/p>\n<p>Quase no fim da rua, enxergo Gueg \u00e0 frente da casa. O nosso astro de TV estava vestido da forma mais comum poss\u00edvel. Camiseta, suor no rosto por causa dos mais de 30 graus que fazia no dia e bermuda.<\/p>\n<p>&#8211; Ohh. Pensei que voc\u00ea n\u00e3o viria. Pera\u00ed que preciso ir tomar um banho.<\/p>\n<p>Ficamos na varanda da casa. Al\u00e9m das caracter\u00edsticas descritas no telefone, a casa era de madeira e al\u00e9m de Gueg e P\u00e1, um simp\u00e1tico cachorro vira-lata ficava no p\u00e1tio. Uma casa comum em um bairro comum de Ponta Grossa. Quem passasse \u00e0 frente jamais imaginaria que l\u00e1 era feito um programa de TV.<\/p>\n<p>Enquanto Gueg tomava a \u201cchuveirada\u201d, o convidado do programa Hip Hop PG havia chegado. Era o B-Boy Andrey. A ideia do dia \u00e9 gravar uma apresenta\u00e7\u00e3o dele e do grupo de amigos que dan\u00e7am Brake. Por\u00e9m, nenhum dos amigos ainda havia chegado para gravar. Come\u00e7o a conversar com o garoto, que aparenta n\u00e3o ter mais de 18 anos, sobre o programa de TV.<\/p>\n<p>&#8211; Eu sempre participo do Hip Hop PG. Depois que o programa foi ao ar, aumentou muito o n\u00famero de pessoas que procuram aulas de Brake comigo.<\/p>\n<p>&#8211; E o que vai rolar hoje?<\/p>\n<p>&#8211; Tem que ver com o Gueg. Os rapazes n\u00e3o est\u00e3o atendendo aos telefonemas. Mas se n\u00e3o der para gravar todo mundo, eu mesmo gravo. A gente vai l\u00e1 ao local onde eu dou aula.<\/p>\n<p>Neste meio tempo, Gueg volta do banho. Ele est\u00e1 devidamente vestido para o programa: usa uma camiseta GG escrita Hip Hop PG. P\u00e1 tamb\u00e9m utiliza uma camiseta assim. Ele finalmente nos convida a conhecer o est\u00fadio. Trata-se de uma salinha de 3&#215;3 metros. H\u00e1 um \u201caqu\u00e1rio\u201d com isolamento t\u00e9rmico. No local de 1,5&#215;1,2 metros s\u00e3o gravadas m\u00fasicas dos grupos que se apresentam no programa. Um vidro divide o computador do local com isolamento de som. \u00c9 neste PC que Gueg faz as edi\u00e7\u00f5es do programa de TV. \u00c0 frente do computador ele e P\u00e1 tamb\u00e9m gravam as chamadas para o Hip Hop PG.<\/p>\n<p>O local \u00e9 min\u00fasculo, mas o equipamento \u00e9 de primeira: o computador, o est\u00fadio e a c\u00e2mera que ele utiliza. Por um segundo, pensei em pedir emprestada a infraestrutura do Hip Hop PG para fazer as grava\u00e7\u00f5es de TV. Logo, o momento de inveja passou. At\u00e9 por que havia uma entrevista para fazer.<\/p>\n<p>Pergunto a Gueg o que vai ser gravado para o programa do fim de semana:<\/p>\n<p>&#8211; Tenho umas imagens que gravei em um show de Hip Hop em Londrina. 3 mil pessoas. Cheguei s\u00f3 para gravar. Mas quando fui ver, j\u00e1 tava cantando com os caras no palco. S\u00f3 preciso fazer umas chamadas daqui mesmo e depois vou botar o Andrey para fazer as chamadas da apresenta\u00e7\u00e3o de dan\u00e7a. Depois a gente vai na Casa da Dan\u00e7a para gravar.<\/p>\n<p>Enquanto ele falava, eu comemorava em sil\u00eancio. Cheguei a ter medo de n\u00e3o ter nada para fazer de cobertura sobre o programa de TV. A casa pequena, o local isolado, o momento que vi Gueg. Nada parecia me empolgar. Agora, percebi que iria acompanhar tudo \u201cde camarote\u201d.<\/p>\n<p>Gueg deixa a c\u00e2mera em cima da mesa. A altura do m\u00f3vel \u00e9 programada especialmente para as filmagens. Ele faz uma chamada r\u00e1pida e de improviso, no melhor estilo Hip Hop. Logo chega a vez de Andrey. Gueg pensa em um texto para ele falar e o garoto repete. 1, 2, 3, 4, in\u00fameras tentativas depois&#8230; ele acerta a chamada. \u00c9, nem todo mundo tem o dom do improviso.<\/p>\n<p>Pronto. Faltava a \u00faltima parte da grava\u00e7\u00e3o. Como a casa n\u00e3o tinha espa\u00e7o para Andrey mostrar a dan\u00e7a, o jeito era pegar o Santana velho que estava \u00e0 frente da casa verde e sair para filmar.<\/p>\n<p>Rumo \u00e0 grava\u00e7\u00e3o externa<\/p>\n<p>Fiquei no banco do carona. Quando entrei, bati a porta com o m\u00e1ximo de for\u00e7a poss\u00edvel. Infelizmente a porta n\u00e3o fechava. Ent\u00e3o fui a segurando mesmo. Gueg parecia brigar com o carro ao dirigir. O calor e o tempo que o Santana ficou ao sol tamb\u00e9m n\u00e3o ajudavam. Enquanto derret\u00edamos no carro, Gueg (perito em empilhadeiras) tenta justificar as barbeiragens.<\/p>\n<p>&#8211; Este carro n\u00e3o \u00e9 meu. \u00c9 dif\u00edcil sem dire\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica.<\/p>\n<p>N\u00e3o chego a perguntar qual era o carro dele e porque estava dirigindo aquele carro. Algum tempo depois, descemos do carro. Gueg fala para Andrey esperar. Ele quer gravar a chegada \u00e0 Casa da Dan\u00e7a.<\/p>\n<p>Enquanto Andrey caminha, Gueg corre por diversos \u00e2ngulos para film\u00e1-lo. Enquanto se abaixa e filma o t\u00eanis All-Star do rapaz, ele me conta as ideias para o programa:<\/p>\n<p>&#8211; Vou montar tudo isso em uma cena e colocar uma m\u00fasica. Quem disse que n\u00e3o d\u00e1 para fazer v\u00e1rias c\u00e2meras em uma s\u00f3&#8230; hahaha.<\/p>\n<p>Por fim, mais alguns passos de dan\u00e7a s\u00e3o gravados. O programa da semana est\u00e1 feito. Ou melhor, quase. Gueg ainda vai ter que editar o que filmou no dia. Antes de eu ir embora, ele pede para eu fazer uma chamada para o Cultura Plural. N\u00e3o podia fazer feio na frente dele (que improvisou t\u00e3o bem). Na press\u00e3o, me saio bem na c\u00e2mera e me despe\u00e7o.<\/p>\n<p>J\u00e1 voltando para casa, penso diversas coisas sobre a m\u00eddia. A mais importante delas \u00e9 que n\u00e3o se precisa de muito dinheiro e infraestrutura para fazer um bom programa de TV. Muitas vezes, vontade, amor \u00e0s atividades e um pouco de talento para improvisar ajudam a dar conta do recado. E nem importa se o est\u00fadio est\u00e1 em uma casa verde numa esquina nos confins da periferia da cidade.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Servi\u00e7o: Programa HipHop PG Todos os s\u00e1bados 18 horas TV Educativa (Canal 58 UHF e 7 na TV \u00e0 Cabo) Reprises no site http:\/\/hiphoppg.com.br Holofotes, pessoas no est\u00fadio, muito cuidado com maquiagem. L\u00e1 vem a claquete e&#8230; Luz, C\u00e2mera, A\u00e7\u00e3o. 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