{"id":5589,"date":"2020-09-16T13:02:22","date_gmt":"2020-09-16T16:02:22","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=5589"},"modified":"2020-09-16T13:02:22","modified_gmt":"2020-09-16T16:02:22","slug":"a-historia-do-radio-em-ponta-grossa-a-partir-das-vivencias-de-aldo-mikaelli","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/a-historia-do-radio-em-ponta-grossa-a-partir-das-vivencias-de-aldo-mikaelli\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria do r\u00e1dio em Ponta Grossa a partir das viv\u00eancias de Aldo Mikaelli"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: left\"><strong>Entrevista: Jo\u00e3o Quacquio | Edi\u00e7\u00e3o: Nadine Sansana<\/strong><\/h4>\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A entrevista com o radialista Aldo Mikaelli foi realizada, em 2005, pelo ent\u00e3o estudante de gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Jo\u00e3o Quacquio, como parte do seu trabalho de conclus\u00e3o de curso.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2006, Aldo Mikaelli escreveu o livro&nbsp;<em>Hist\u00f3ria do r\u00e1dio AM<\/em>&nbsp;<em>de Ponta Grossa<\/em>, documento que traz mais detalhes sobre a mem\u00f3ria radiof\u00f4nica da cidade. Ele come\u00e7ou a fazer plant\u00e3o esportivo na R\u00e1dio Clube Pontagrossense entre 1959-1960. Mikaelli faleceu em 12 de mar\u00e7o de 2018.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Como iniciou sua carreira no r\u00e1dio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca [final da d\u00e9cada de 1950 e in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960], comecei a trabalhar como caixa no Banco Mercantil de S\u00e3o Paulo. Apareceram umas duplicatas da R\u00e1dio Sant\u2019Ana e eu mandava chamar algu\u00e9m da emissora. Da\u00ed, aparecia um dos diretores, o Iraci Tranvisani Rosa. E eu lhe perguntei que r\u00e1dio era essa. Ele me respondeu que era uma r\u00e1dio que estava inaugurando em Ponta Grossa. E eu comentei que queria fazer um teste na r\u00e1dio. Fui aprovado nesse teste, pois j\u00e1 tinha uma experi\u00eancia na R\u00e1dio Clube Pontagrossense e na Rede de Alto-falantes Campos Gerais. Essa rede foi a Escola de Locutores de Ponta Grossa. 99% dos locutores come\u00e7aram l\u00e1. Ela tinha os est\u00fadios na avenida Vicente Machado e tinha as cornetas da avenida, da Pra\u00e7a Jo\u00e3o Pessoa, ali na Esta\u00e7\u00e3o Saudade de Ponta Grossa [antigo complexo ferrovi\u00e1rio, constru\u00eddo no fim do s\u00e9culo XIX no centro da cidade. Tombado, em 1990, como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico do Paran\u00e1], e essas cornetas, dependendo do vento, levavam o som at\u00e9 Olarias. Havia 12 alto-falantes, 12 cornetas espalhadas. Esse sistema come\u00e7ou por volta de 1942, com Carlos Buch. Ali, eu comecei a fazer o&nbsp;<em>Falando Alto sobre Esporte<\/em>&nbsp;e comecei a fazer o&nbsp;<em>Rosas de Tango<\/em>, aos domingos \u00e0 noite, patrocinado pela Casas Sauer Alfaiataria Pacheco. Tudo isso nos idos de 1959, 1960, quando comecei a adquirir experi\u00eancia. A\u00ed fui participar da fase pr\u00e9-inaugural da Sant\u2019Ana.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Como eram os programas radiof\u00f4nicos no in\u00edcio da sua carreira?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<em>Rosas de Tango&nbsp;<\/em>era um programa em que eu recebia muitas cartas. Come\u00e7ava com o som das turbinas de um avi\u00e3o decolando rumo a Argentina e eu falava: \u2018Al\u00f4, senhores passageiros com destino \u00e0s terras do tango, queiram ocupar os seus lugares porque a nossa aeronave decolar\u00e1 dentro de instantes&#8230; J\u00e1 em solo portenho, n\u00f3s tomamos o nosso t\u00e1xi ao centro da cidade: \u201cT\u00e1xi, por favor, ao centro da capital. Rrrrrrrr&#8230;\u201d Entrava o carro. E a\u00ed, eu desenvolvia o programa: tinha as cartas, ia atendendo muitas mulheres que escreviam, os homens pouco escreviam, mas as mulheres escreviam bastante. Dava uma hora de programa, uns oito tangos por programa. E eu tinha uma certa facilidade pra ler as poesias dentro do programa. Eu lia as homenagens, anivers\u00e1rios dos ouvintes, enfim&#8230; o que pintava, n\u00e9? Na R\u00e1dio Sant\u2019Ana eu lancei o&nbsp;<em>Retalhos de Serenata<\/em>, um programa \u00e0s segundas, quartas e sextas, e o&nbsp;<em>Rosas de Tango<\/em>&nbsp;tamb\u00e9m era nas segundas, quartas e sextas. Tinha os programas da Sant\u2019Ana que eu posso citar:&nbsp;<em>Nossa discoteca \u00e0s suas ordens<\/em>, que era um programa muito solicitado, porque come\u00e7ou com os pedidos musicais, que a r\u00e1dio atendia na hora, no momento. A discotec\u00e1ria estava l\u00e1, a pessoa pedia a m\u00fasica, a discotec\u00e1ria selecionava e j\u00e1 entregava. A\u00ed come\u00e7ou ent\u00e3o essa agilidade no atendimento ao ouvinte. Tinha o&nbsp;<em>Postal de Melodias<\/em>, que o Ilson Rosa recebia muita correspond\u00eancia.&nbsp;<em>Acerte e ganhe o disco<\/em>, que a gente fazia tamb\u00e9m.&nbsp;<em>Voc\u00ea \u00e9 quem faz o programa<\/em>, esse programa tinha tanta carta que voc\u00ea tinha que entrar na fila. As pessoas esperavam at\u00e9 um m\u00eas, j\u00e1 que esse programa atendia muita gente. Tinha um programa sobre o cinema:&nbsp;<em>Falando sobre cinema<\/em>. Esse programa dava a cota\u00e7\u00e3o dos filmes, a nota, a censura, o elenco.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Sente saudades da \u00e9poca em que come\u00e7ou a trabalhar no r\u00e1dio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Naquela \u00e9poca, o r\u00e1dio era muito valorizado. Voc\u00ea andava na rua e as pessoas te reconheciam: \u201cOlha l\u00e1, o Aldo, aquele \u00e9 o Barros J\u00fanior, aquele ali \u00e9 o Frederico\u201d. Hoje em dia, qualquer p\u00e9-de-chinelo est\u00e1 fazendo r\u00e1dio. Eu vejo l\u00e1 na R\u00e1dio Central, um cara que nunca pisou num est\u00fadio, est\u00e1 l\u00e1 fazendo programa. N\u00e3o se tem hoje um padr\u00e3o de voz, um padr\u00e3o de qualidade, como, por exemplo, mant\u00e9m hoje a R\u00e1dio Ga\u00facha, de Porto Alegre, a R\u00e1dio Gua\u00edba, elas mant\u00eam uma qualidade de locutores, um padr\u00e3o de voz, que eles procuram fazer tudo igual \u00e0s vozes. Aqui n\u00e3o. Aqui qualquer um \u00e9 locutor. Ent\u00e3o, essa \u00e9poca era mais gostosa. Eram mais dif\u00edceis as coisas. Os gravadores eram grandes, tinha que carregar os gravadores. Hoje, tem essas \u2018coisinhas\u2019 que \u00e9 tecnologia. Antigamente voc\u00ea tinha que pedir licen\u00e7a pra r\u00e1dio dizendo: \u201cOlha, eu vou fazer a inaugura\u00e7\u00e3o da Jo\u00e3o Vargas de Oliveira e preciso de um gravador\u201d. Ent\u00e3o tinha que pedir permiss\u00e3o, porque s\u00f3 tinha um aparelho na r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Qual \u00e9 a sua inspira\u00e7\u00e3o para fazer os programas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu comecei sempre ouvindo a R\u00e1dio Nacional do Rio. E ali tinha programas memor\u00e1veis:&nbsp;<em>Gente que brilha<\/em>, programa do Manuel Barcelos, do C\u00e9sar de Alencar, do Paulo Gracindo. Eu nunca sa\u00ed desse padr\u00e3o de serestas, de m\u00fasica antiga, tango. Ainda hoje eu toco um tango no meu programa. Esses dias uma senhora ligou e disse: \u201cPuxa, o senhor n\u00e3o toca mais tango?\u201d, e respondi: \u201cToco. Ent\u00e3o, vai um tango a\u00ed\u201d. Eu sempre estou tocando tango.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Poderia contar, brevemente, sobre a hist\u00f3ria da R\u00e1dio Sant\u2019Ana?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00e1dio Sant\u2019Ana foi inaugurada no dia 10 de maio de 1962. Era um s\u00e1bado chuvoso. A torre ficava no Jardim Am\u00e9rica. L\u00e1 foi realizada a ben\u00e7\u00e3o dos transmissores. Estavam l\u00e1 o professor de desenho, Nilo Gasparetto, o padre Paulo Xavier Machado, que era o diretor, o Mesomo, que era um dos diretores do Expresso Princesa dos Campos, o dom Geraldo Pelanda, que era o diretor-presidente da r\u00e1dio, o Luis Fernando Ferderger e o dom Ant\u00f4nio Mazzarotto, bispo, o deputado \u00c9der Macedo e o Clemente Vieder, que era gerente da loja Hermes Macedo (HM). Na programa\u00e7\u00e3o do primeiro anivers\u00e1rio da emissora, em 1963, eu fiz o&nbsp;<em>Reino de Strauss<\/em>, o&nbsp;<em>Hist\u00f3ria do folclore<\/em>, o&nbsp;<em>Retrato musical do Brasil<\/em>. Esse dia come\u00e7ou \u00e0s 6 da manh\u00e3 e foi at\u00e9 as 8 e meia. Desse hor\u00e1rio passava a transmitir do Cine \u00d3pera. Todo ano a r\u00e1dio fazia um show monumental de anivers\u00e1rio. As outras r\u00e1dios nunca fizeram isso. Trazia Miltinho, Edith Veiga, Moacir Franco, Agnaldo Raiol. Aldo ainda mostra outras imagens de seu \u00e1lbum. Outros artistas que vieram a Ponta Grossa:&nbsp;<em>Os Dem\u00f4nios da Garoa<\/em>. Quando esses artistas se apresentavam na cidade, o \u00d3pera sempre lotava, com autoridades, prefeito, todo mundo apoiando, n\u00e9? Nenhuma r\u00e1dio fazia isso a\u00ed. S\u00f3 a Sant\u2019Ana fazia essa festa, porque eles tinham poder, era o clero, n\u00e9? E todo o com\u00e9rcio investindo maci\u00e7amente, porque era uma r\u00e1dio que mantinha a lideran\u00e7a de todas elas. De 1962 a 1966, ela foi l\u00edder absoluta. Depois desse per\u00edodo, eu j\u00e1 me desliguei da emissora, fui pra R\u00e1dio Difusora. E a Sant\u2019Ana se mudou, pois estava instalada no Col\u00e9gio S\u00e3o Luiz, provisoriamente, durante cinco anos. Em 1967, ela passou a possuir sede pr\u00f3pria, ali na pra\u00e7a Marechal Floriano Peixoto, onde ela est\u00e1 hoje. E ali a equipe se renovou, outras pessoas entravam, outros locutores. Da\u00ed, passei a viajar. Trabalhei durante dez anos num laborat\u00f3rio de medicamento, e precisava viajar pelo Paran\u00e1 todo. Da\u00ed, comecei a fazer r\u00e1dio esporadicamente, nos fins de semana.<\/p>\n\n\n\n<p>A Sant\u2019Ana foi uma emissora que apareceu totalmente diferente das demais. Com isso, ela alcan\u00e7ou uma audi\u00eancia impressionante. Foi a fase de ouro da Sant\u2019Ana: de 1962 at\u00e9 1966.<strong>&nbsp;<\/strong>Ela dominou completamente todas as emissoras daqui, porque ela tinha uma programa\u00e7\u00e3o diferenciada, muito boa, e tinha tamb\u00e9m uma qualidade de som, com os equipamentos todos novos \u2013 os transmissores eram&nbsp;<em>Telefunken<\/em>&nbsp;<strong>&#8211;<\/strong>,ent\u00e3o dava aqueles baixos das m\u00fasicas. Era gostoso de se ouvir. Todos os anos a R\u00e1dio Sant\u2019Ana fazia os shows de anivers\u00e1rio no Cine-Teatro \u00d3pera e quem vinha animar esses anivers\u00e1rios era o M\u00e1rio Vendramel, de Curitiba, da R\u00e1dio Clube Paranaense e eu fazia os comerciais.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Como funcionava a R\u00e1dio Clube?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Clube tinha um audit\u00f3rio que dava inveja a qualquer emissora de r\u00e1dio do Brasil. Era tudo com cortina de veludo. A emissora tinha dez filiais, que formavam a Rede Paranaense de Emissoras. Antigamente, as not\u00edcias eram captadas por tel\u00e9grafo. A emissora tinha um departamento de not\u00edcias. Hoje, n\u00e3o. Os caras pegam o jornal, que eu tenho visto muito por a\u00ed, e leem todas as not\u00edcias. Isso \u00e9 uma falta de respeito. Ou ent\u00e3o pegam not\u00edcias do computador. A R\u00e1dio Central faz isso tamb\u00e9m. Antes, era mais dif\u00edcil dar uma not\u00edcia. \u00c0s vezes, ela chegava com um dia de atraso, mas mesmo assim as emissoras transmitiam, considerando aquilo que era importante.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/FOTOS-CP-960-X-640.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5629\" width=\"558\" height=\"372\" \/><figcaption> Aldo Mikaelli foi um dos principais profissionais que ajudaram a construir a hist\u00f3ria do r\u00e1dio em Ponta Grossa | Foto: Facebook Aldo Mikaelli<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Como era realizada a cobertura esportiva?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quase todo locutor come\u00e7ava fazendo plant\u00e3o esportivo. E comigo n\u00e3o foi diferente. Eu comecei na R\u00e1dio Clube Pontagrossense, em 1960, juntamente com Jo\u00e3o Gualberto Gaspar. Eu come\u00e7ava aos domingos e faziao apanhado dos resultados. Ficava a tarde inteira na R\u00e1dio Clube acompanhando os resultados: Campeonato Portugu\u00eas, Campeonato Franc\u00eas, Campeonato Paranaense, Paulista e assim por diante. \u00c0s 19 horas, n\u00f3s sent\u00e1vamos em frente aos microfones da Clube e faz\u00edamos o&nbsp;<em>Pinga-fogo<\/em>, mostrando todos os resultados desses campeonatos. Fic\u00e1vamos a tarde inteira acompanhando tudo e apresent\u00e1vamos a&nbsp;<em>Grande resenha esportiva PRJ 2<\/em>. Os resultados eram aguardados com muita ansiedade pela popula\u00e7\u00e3o masculina, que gostava de futebol. Era ali que todo mundo se baseava, porque n\u00e3o tinha televis\u00e3o. Na segunda-feira, tamb\u00e9m t\u00ednhamos um programa \u00e0s 6 e meia, o&nbsp;<em>Antarctica nos esportes<\/em>, onde tinha o coment\u00e1rio muito aguardado do Barros J\u00fanior. Esse coment\u00e1rio chamava-se&nbsp;<em>Deixa que eu chuto, doa a quem doer<\/em>. Ele fazia seus coment\u00e1rios, criticando \u2013 cr\u00edticas construtivas ou elogiando tamb\u00e9m \u2013 dirigentes, jogadores, enfim, tudo que dizia respeito ao futebol.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia o basquete tamb\u00e9m, com sua fase de ouro em Ponta Grossa, com Mair, Almir, Monta, Chaia. Esses times que vinham de fora: S\u00e3o Paulo, Campinas, jogavam basquete aqui e a R\u00e1dio Clube era a \u00fanica a fazer as transmiss\u00f5es, com Barros J\u00fanior, Roberto Busato, que em 2005 era o presidente nacional da OAB, tinha o deputado Edmar Luis Costa, falecido, que tamb\u00e9m transmitia basquete e futebol.<\/p>\n\n\n\n<p>No basquete destacava-se a dupla Mair e Almir, o primeiro mora em Ponta Grossa, o segundo, foi supervisor do Corinthians, do Fluminense, do Coritiba, \u00e9 lembrado&nbsp;<em>in memorian<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Como funcionava a cobertura no futebol?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ponta Grossa come\u00e7ou a profissionaliza\u00e7\u00e3o do futebol em 1955. At\u00e9 ent\u00e3o s\u00f3 existia o futebol amador, com Oper\u00e1rio, Guarany, Palmeira, Cruzeiro, Am\u00e9rica, Cer\u00e2mica 12 de Outubro, Blue Star, Mariano, S\u00e3o Jos\u00e9. Com a vinda do futebol profissional, despontaram Oper\u00e1rio e Guarany. O futebol amador tornou-se um futebol \u00e0 parte. Em Tel\u00eamaco Borba, tinha o Cama \u2013 Clube Atl\u00e9tico Monte Alegrense.<\/p>\n\n\n\n<p>O p\u00fablico comparecia em peso ao est\u00e1dio. Quando o Oper\u00e1rio ganhava havia desfiles com tocha \u00e0 noite. Se o Guarany ganhasse havia desfile de carros, com foguet\u00f3rio. O povo vibrava realmente com o Oper\u00e1rio x Guarany, era o tradicional \u201cOpegua\u201d. O Oper\u00e1rio sempre liderava, at\u00e9 porque sempre tinha um bom esquadr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No est\u00e1dio havia uma acanhada cabine de r\u00e1dio, onde cabia umas duas ou tr\u00eas emissoras, embora somente a Clube transmitisse as partidas. Depois a R\u00e1dio Central, fundada em 1\u00ba de maio de 1959, tamb\u00e9m passou a transmitir futebol, com Luis Fernando Ferderger, D\u00e1cio de Souza. Mas quem manteve mesmo o futebol na Princesa foi a R\u00e1dio Clube, com Barros J\u00fanior e seus rep\u00f3rteres de campo, o Jos\u00e9 Elve Berger. O Roberto Busato come\u00e7ava, o Edmar Luis Costa e M\u00e1rio Lazarotto de Oliveira eram comentaristas. O futebol se desenvolvia de uma maneira gostosa naquela \u00e9poca, porque n\u00e3o havia televis\u00e3o. O r\u00e1dio absorvia todo o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Quem foi Barros J\u00fanior?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Barros J\u00fanior chegou em Ponta Grossa em 1942 e ele come\u00e7ou a trabalhar como profissional em r\u00e1dio em 1947. Ele foi trazido pelas m\u00e3os de um grande esportista, o Borel du Vernay, temos at\u00e9 um gin\u00e1sio em homenagem a ele. Trouxeram o Barros de Catanduvas, lugar onde nasceu. De l\u00e1, ele foi guindado a S\u00e3o Paulo, onde aprendeu r\u00e1dio e veio a Ponta Grossa para jogar basquete. Mas ele come\u00e7ou na R\u00e1dio Clube Pontagrossense e come\u00e7ou a se destacar, sendo diretor durante 40 anos. Meia vida ele deu \u00e0 R\u00e1dio Clube Pontagrossensse. Foi um homem muito capaz. Ele fazia coment\u00e1rios pol\u00edticos, esportivos, programas de audit\u00f3rio. Ele abrangia todos os esquemas da r\u00e1dio. Depois foi para o Canal 4, fazer coment\u00e1rios de futebol, l\u00e1 em Curitiba, porque a R\u00e1dio Clube teve o problema da transi\u00e7\u00e3o de venda. Da\u00ed, ele trabalhou um pouco na Difusora, na Vila Velha, que naquela \u00e9poca era do Pedro Wosgrau Filho, e a\u00ed ele foi guindado \u00e0 capital do estado. Ele come\u00e7ou a trabalhar como comentarista na TV Igua\u00e7u, no Canal 4. Ele \u00e9 considerado por todos um mestre no r\u00e1dio. Ele era respeitado. Ele conquistava patroc\u00ednios, por exemplo, o da Cia. Antarctica, durante 25 Anos, ininterruptamente, sem quebrar esse contrato. Teve tamb\u00e9m a Hermes Macedo que patrocinava o&nbsp;<em>Grande Jornal Falado HM<\/em>, durante 20, 30 anos, sem quebrar o contrato. Ent\u00e3o, Barros J\u00fanior sempre foi um l\u00edder.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Quais nomes tamb\u00e9m s\u00e3o considerados \u00edcones do r\u00e1dio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Normando Ferreira Lopes foi considerado o maior animador de programas de audit\u00f3rio. T\u00ednhamos tamb\u00e9m o Raul Zanoni, que tinha uma voz bonita e poderosa. Ele acabou indo para o Rio de Janeiro, onde trabalhou na R\u00e1dio Tamoyo durante muitos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00ednhamos o Luis Frederico Daistchmann, conhecido como Nh\u00f4 Fid\u00eancio. Ele tamb\u00e9m foi uma lenda no r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Brasil Borba, que trabalhou em Florian\u00f3polis, na R\u00e1dio Guaruj\u00e1, na R\u00e1dio Clube Paranaense, a B2, e tamb\u00e9m fez hist\u00f3ria aqui em Ponta Grossa.<\/p>\n\n\n\n<p>O Nh\u00f4 Fid\u00eancio usava um badalo que abria o cinzeiro. Ele abria o programa badalando e gritando: \u201cOlha a hora, olha a hora, vamo acorda\u201d (sic). Acordava todo mundo com um programa alegre, sertanejo. Ele tinha um linguajar pr\u00f3prio do sertanejo, mesmo n\u00e3o sendo sertanejo, mas ele j\u00e1 tinha o linguajar pr\u00f3prio para o programa dele. Nasceu em Curitiba, come\u00e7ou a trabalhar em Paranagu\u00e1, numa afiliada da R\u00e1dio Clube Pontagrossense, da\u00ed ele foi para S\u00e3o Paulo, trabalhar na R\u00e1dio Panamericana, na R\u00e1dio S\u00e3o Paulo. E da\u00ed ele acabou voltando aqui pra \u201cterra\u201d e trabalhou a\u00ed nas emissoras: R\u00e1dio Clube, Central e, quando ele faleceu, trabalhava na R\u00e1dio Sant\u2019Ana, fazendo o programa&nbsp;<em>Al\u00f4, amigos<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Qual sua opini\u00e3o sobre o r\u00e1dio ap\u00f3s o surgimento das primeiras emissoras de TV?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o surgimento da televis\u00e3o, o r\u00e1dio foi un\u00e2nime. Todo mundo ouvia o r\u00e1dio: em casa, no carro, no bar, onde estivesse, se tivesse carpindo, na ch\u00e1cara, na fazenda, era o r\u00e1dio. Com o advento da televis\u00e3o, ele perdeu um pouco da sua for\u00e7a, de seu espa\u00e7o. Eu fiz televis\u00e3o e sentia, na rua, os coment\u00e1rios, as indaga\u00e7\u00f5es que a gente ouvia sobre a televis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O r\u00e1dio, na sua \u00e9poca, era, realmente, o maior elo de comunica\u00e7\u00e3o. O radialista era muito respeitado. Na rua, todo mundo sabia que voc\u00ea era homem do r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje voc\u00ea v\u00ea que esses programas do Faust\u00e3o, essas coisas, tudo \u00e9 audit\u00f3rio, c\u00f3pias dos programas do r\u00e1dio. E o r\u00e1dio perdeu espa\u00e7o para a televis\u00e3o, porque a TV \u00e9 imagem e som.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Qual a diferen\u00e7a entre o r\u00e1dio de hoje, 2005, para o r\u00e1dio de quando iniciou sua carreira?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antigamente os programas de r\u00e1dio recebiam centenas de cartas. Hoje ningu\u00e9m mais escreve. Ningu\u00e9m quer escrever cartas mais. Hoje \u00e9 o telefone. A participa\u00e7\u00e3o do ouvinte no r\u00e1dio se d\u00e1 pelo telefone. \u201cAh, eu queria m\u00fasica tal\u201d. A\u00ed o locutor j\u00e1 joga a pessoa no ar, bate um papo. Ent\u00e3o, esse costume de escrever se perdeu no espa\u00e7o e no tempo. Porque antigamente, voc\u00ea ia ao col\u00e9gio e fazia caligrafia. Hoje n\u00e3o tem mais caligrafia. Hoje a gente abrevia para escrever. Hoje ningu\u00e9m quer escrever mais. Hoje \u00e9 tudo na base do computador. Todo mundo digita ali e n\u00e3o escreve mais. Tanto assim que voc\u00ea escreve com letra feia, olha a\u00ed&#8230; Voc\u00ea escreve pouco. Hoje, para voc\u00ea receber cartas, voc\u00ea tem que jogar um teste no ar e dar um pr\u00eamio bom em dinheiro e pedir para as pessoas escreverem. Mesmo assim, o r\u00e1dio ainda possui p\u00fablico. Eu, por exemplo, tenho o meu p\u00fablico, p\u00fablico adulto, p\u00fablico de pessoas maduras, pessoas que viveram a \u00e9poca boa de 1940, 1950. Viveram a \u00e9poca boa do bolero, do tango. Eu tenho essa classe de ouvintes comigo. Embora, hoje tenha ca\u00eddo tudo para o sertanejo. Hoje, o povo quer sertanejo. No meu programa eu tenho um instante sertanejo, que \u00e9 uma m\u00fasica sertaneja em tr\u00eas horas de programa. Sen\u00e3o \u00e9 m\u00fasica popular brasileira, relembrando cantores como Francisco Alves, Orlando Silva, Dalva de Oliveira, Eliseth Cardoso, Silvio Caldas, Carlos Galhardo. Eu sei fazer isso a\u00ed&#8230; Ent\u00e3o eu fa\u00e7o com gosto, porque n\u00e3o adianta fazer m\u00fasica sertaneja se eu n\u00e3o sei fazer.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\" \/>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Mem\u00f3rias da m\u00eddia regional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00e9rie de entrevistas com profissionais que atuaram e atuam no r\u00e1dio pontagrossense \u00e9 fruto do trabalho da estudante Nadine Sansana, orientada pelo professor S\u00e9rgio Gadini, pelo Programa Institucional de Bolsas de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da Universidade Estadual de Ponta Grossa, vigente entre os anos de 2018 e 2019. Sob o t\u00edtulo&nbsp;<em>Mem\u00f3rias de vida e trabalho na m\u00eddia regional dos Campos Gerais do Paran\u00e1<\/em>, o projeto contribui com o acervo memorial\u00edstico radiof\u00f4nico da cidade, tendo em vista a aus\u00eancia de arquivos, registros e documentos sobre a hist\u00f3ria do r\u00e1dio em Ponta Grossa.<\/p>\n\n\n\n<p> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A s\u00e9rie de entrevistas com profissionais que atuaram e atuam no r\u00e1dio pontagrossense \u00e9 fruto do trabalho da estudante Nadine Sansana, orientada pelo professor S\u00e9rgio Gadini, pelo Programa Institucional de Bolsas de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da Universidade Estadual de Ponta Grossa, vigente entre os anos de 2018 e 2019.<\/p>\n","protected":false},"author":539,"featured_media":5590,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[35],"tags":[88,89,27,90,91],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5589"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/users\/539"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5589"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5589\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}