{"id":5661,"date":"2020-09-24T16:01:11","date_gmt":"2020-09-24T19:01:11","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=5661"},"modified":"2020-09-24T16:01:11","modified_gmt":"2020-09-24T19:01:11","slug":"as-contribuicoes-de-nei-costa-para-o-radio-ponta-grossense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/as-contribuicoes-de-nei-costa-para-o-radio-ponta-grossense\/","title":{"rendered":"As contribui\u00e7\u00f5es de Nei Costa para o r\u00e1dio ponta-grossense"},"content":{"rendered":"\n<h4><strong>Entrevista: Jo\u00e3o Quacquio | Edi\u00e7\u00e3o: Nadine Sansana<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A entrevista com o radialista Nei Costa foi realizada, em 2005, pelo ent\u00e3o estudante de gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo, Jo\u00e3o Quacquio, como parte do seu trabalho de conclus\u00e3o de curso.<\/p>\n\n\n\n<p>Nei Costa trabalhou no exterior, cobrindo v\u00e1rias copas do mundo de futebol, e recebeu v\u00e1rios pr\u00eamios. Ele trouxe para Ponta Grosa algo do jeito de fazer r\u00e1dio dos grandes centros. \u201cEu sou muito saudosista\u201d, diz. Seus relatos ajudam a compreender sobre os tempos em que mandar uma not\u00edcia a uma emissora era um pouco mais dif\u00edcil do que a realidade vivenciada com a internet. Nei Costa faleceu no dia 11 de julho de 2019, aos 74 anos. O Cultura Plural tamb\u00e9m teve a oportunidade de entrevist\u00e1-lo, em 2016, voc\u00ea pode conferir <a href=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=3908\">clicando aqui.<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 quantos anos voc\u00ea trabalha no r\u00e1dio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu comecei a trabalhar no r\u00e1dio com 16 anos, em 1961. Ent\u00e3o, eu tenho, automaticamente, 42 para 43 anos de of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Come\u00e7ou a trabalhar em qual emissora?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu comecei na R\u00e1dio Difusora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Passou por outras emissoras?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Passei por todas. Passei pela Clube, Central, Difusora, que eram as tr\u00eas da \u00e9poca. Da\u00ed, eu fui para Curitiba, para a R\u00e1dio Guairac\u00e1. Depois da Guairac\u00e1, eu fui pra PRB 2, quando eu tinha 20 anos, em 1965. Em 1969, j\u00e1 fora de Ponta Grossa, na PRB 2, fiz a primeira excurs\u00e3o de futebol. Era locutor de futebol e disc j\u00f3quei [DJ]. A primeira excurs\u00e3o de futebol \u00e0 Europa do Paran\u00e1. Fui o primeiro locutor da hist\u00f3ria do r\u00e1dio paranaense a transmitir da Europa em 1969. Eu transmiti de 18 pa\u00edses pela excurs\u00e3o do Coritiba.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ent\u00e3o foi fazer uma cobertura esportiva?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Isso. Transmiti de 18 pa\u00edses em 1969 e eu era locutor esportivo e fazia disc j\u00f3quei ao mesmo tempo. E depois da minha volta da excurs\u00e3o do Coritiba, eu fui contratado pela R\u00e1dio Tupi do Rio de Janeiro. Fui locutor esportivo desta emissora. Eu fiz o Campeonato Brasileiro, que naquele tempo era o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, e as primeiras transmiss\u00f5es da loteria esportiva nos estados de todo o Brasil. A\u00ed j\u00e1 era 1970.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>J\u00e1 que o senhor trabalhou com jornalismo esportivo na d\u00e9cada de 1960, poderia falar um pouco do cotidiano, do dia a dia do r\u00e1dio na \u00e9poca?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Olha, era diferente de hoje, porque t\u00e1 tudo sintetizado, computadorizado. N\u00f3s t\u00ednhamos dificuldades de fazer transmiss\u00f5es internacionais. N\u00e3o tinha essa instantaneidade que tem a TV e o r\u00e1dio via sat\u00e9lite hoje em dia. Ent\u00e3o, se eu transmitia diretamente da Bulg\u00e1ria, na transmiss\u00e3o esportiva, eu transmitia simplesmente de S\u00f3fia [capital da Bulg\u00e1ria] e eu n\u00e3o sabia se a transmiss\u00e3o havia chegado. A Bulg\u00e1ria \u2013 e pa\u00edses comunistas, que eu andei muito \u2013 n\u00e3o tinha essa instantaneidade. Voc\u00ea transmitia e ficava esperando um telegrama do Brasil, para ver se a nossa transmiss\u00e3o tinha chegado. As transmiss\u00f5es nacionais, por exemplo, na Bahia, eram muito dif\u00edceis&#8230; No interior, em Alagoinhas, at\u00e9 menos, em Salvador, porque a gente tinha a R\u00e1dio Naus. A Embratel veio a partir de 1969, 1970. Com o advento da Embratel, tudo foi ficando mais f\u00e1cil. As transmiss\u00f5es esportivas de hoje s\u00e3o realizadas com tremenda facilidade. O advento das comunica\u00e7\u00f5es foi a partir de 1970. A primeira Copa do Mundo ao vivo para o Brasil aconteceu neste ano [1970]. Eu transmiti cinco copas do mundo pela R\u00e1dio Bandeirantes. Quando eu vim contratado pela Bandeirantes de S\u00e3o Paulo, eu j\u00e1 tinha feito a Copa da Alemanha, em 1974. E tinha feito excurs\u00f5es em 1973, em Moscou, toda a Escandin\u00e1via, pa\u00edses da \u00c1frica&#8230; E nessas transmiss\u00f5es, a partir de 1973, voc\u00ea j\u00e1 conseguia falar: \u201cAl\u00f4, Embratel. Al\u00f4, Brasil\u201d, da Su\u00e9cia, da Finl\u00e2ndia, da Noruega, em Oslo, em Helsinque&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para a transmiss\u00e3o era usada a telefonia como base?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9, voc\u00ea j\u00e1 fazia uma transmiss\u00e3o usando a telefonia como base. N\u00e3o tinha o n\u00famero de emissoras que tem hoje nacionalmente. Quem conseguia transmitir era, no m\u00e1ximo, quatro, cinco, dez emissoras. Tinha, por exemplo, uma dificuldade na \u00c1frica, por Richard Nixon estar usando o sat\u00e9lite e voc\u00ea ia transmitir diretamente de Argel, na Arg\u00e9lia ou da Tun\u00edsia. O que acontecia em Tunis? N\u00f3s t\u00ednhamos uma dificuldade porque est\u00e1vamos usando sat\u00e9lite. Ent\u00e3o, n\u00f3s \u00edamos via Genebra, na Su\u00ed\u00e7a. Ent\u00e3o, a transmiss\u00e3o tinha algumas sa\u00eddas e, \u00e0s vezes, n\u00e3o. Mas, a partir de 1973, 1974, tudo se modificou. Na Copa da Alemanha, n\u00f3s alugamos uma casa e a linha era direta. Dois telefones e linha instant\u00e2nea para falar com a tua casa, depois que voc\u00ea transmitia as not\u00edcias. Hoje, todo mundo fala com a casa. \u201cAl\u00f4. Liga para a minha casa\u201d, depois da transmiss\u00e3o e fala pra todo mundo que t\u00e1 l\u00e1. Galv\u00e3o [Bueno], que \u00e9 meu colega, trabalhou comigo. O Luciano do Valle fazia copa comigo. S\u00e3o todos meus contempor\u00e2neos. N\u00f3s fizemos, juntos, todas as copas do mundo: 1974, 1978, na Argentina, 1982, na Espanha, 1986, no M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Entrevista.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5662\" \/><figcaption> Nei Costa, apresentador e narrador esportivo, nos est\u00fadios da R\u00e1dio Clube | Foto:\u00a0 Site &#8220;O r\u00e1dio e a televis\u00e3o do Paran\u00e1&#8221; (Bas\u00edlio J\u00fanior)<br><br> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>O departamento esportivo era forte j\u00e1 na d\u00e9cada de 1970 no r\u00e1dio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim. O departamento esportivo sempre foi o mais forte, porque o futebol \u00e9 a chama viva no cora\u00e7\u00e3o do torcedor do Brasil. E o futebol era muito mais do que era hoje. Porque esse advento da televis\u00e3o estragou o futebol brasileiro para o p\u00fablico. Se voc\u00ea pegar a estat\u00edstica, o Campeonato Brasileiro teve, nesse ano [2005], 7.900 pessoas por jogo num est\u00e1dio. Quando eu fui ao Rio de Janeiro, em 1969, em 1970, ao Maracan\u00e3, vi partidas decisivas, com 130, 140 150 mil torcedores&#8230; \u00c9 s\u00f3 voc\u00ea voltar em 1971, 1972&#8230; Volte \u00e0 hist\u00f3ria, pegue todas as Gazetas Esportivas, que voc\u00ea vai ver que estou falando a verdade. O dia do Santos x Milan&#8230; O famoso Santos x Milan, do Amarildo, em 1962, em que o Pel\u00e9 n\u00e3o jogou, eu abri a porta do sexto andar do Maracan\u00e3 e me arrepiei, porque tinha 159 mil pessoas dentro do est\u00e1dio. Ent\u00e3o, naquele tempo, a gente tinha campeonato com mais de 100 mil. E hoje a gente tem uma m\u00e9dia de 7.900 por partida. Culpa da televis\u00e3o, culpa da Record, culpa da Globo. Dia de quarta-feira, quando tem futebol, n\u00e3o vai ningu\u00e9m! Facilitou para o cara que fica em casa tomando cerveja. Mas o futebol s\u00f3 perdeu. E n\u00e3o sei como vai continuar. Veja: na Europa n\u00e3o \u00e9 assim. Voc\u00ea \u00e9 obrigado a comprar a carteirinha do Milan o ano inteiro. Vai pegar a camisa do Kak\u00e1, vai vender 100 mil camisas l\u00e1, em d\u00f3lares ou euros, seja l\u00e1 o que for, vai pegar o Ronaldinho do Barcelona ou o do Real Madrid, e esse jogador paga tudo, porque a torcida faz com que esse jogador venda 100 mil camisas. O futebol virou empresa! Por isso que se gasta milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos maiores locutores do futebol brasileiro era Pedro Luiz e Edson Leite da R\u00e1dio Bandeirantes. E eu vim de uma outra era. Eu tinha um amigo muito bom chamado Osmar Santos, que hoje t\u00e1 doente. Eu era amigo do Osmar e n\u00f3s transmit\u00edamos juntos. Aquela excurs\u00e3o para a R\u00fassia, aquela por 18 pa\u00edses, n\u00f3s estivemos juntos. O Osmar \u00e9 muito meu amigo. N\u00f3s estivemos juntos em Moscou. Era o meu estilo&#8230; O mesmo do Osmar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O senhor chegou a trabalhar com futebol aqui em Ponta Grossa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu fiz futebol aqui em Ponta Grossa com o Barros J\u00fanior. Ele foi um grande locutor. No audit\u00f3rio aqui atr\u00e1s do est\u00fadio [da R\u00e1dio Clube], o Barros J\u00fanior comandava a nossa equipe e eu comecei com ele. Com uns 15, 16 anos eu j\u00e1 trabalhava com Barros J\u00fanior. Irradiava, mas n\u00e3o como ele. Fiz muitas partidas, por tr\u00eas anos. \u00c9 que eu fui para Curitiba narrar futebol.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como era a expectativa criada em torno das not\u00edcias da Guerra Fria? Elas eram aguardadas pelo r\u00e1dio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A guerra funcionou no r\u00e1dio desde 1945. Tudo funcionou pelo r\u00e1dio. A televis\u00e3o se abriu mesmo depois de 1970. O r\u00e1dio era o porta-voz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O senhor passou pelo per\u00edodo da ditadura militar. Chegou a sofrer alguma censura? Como sentia o clima da ditadura?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o. A ordem da dire\u00e7\u00e3o da r\u00e1dio era para a gente n\u00e3o se meter em pol\u00edtica. Alguns locutores que chegavam a criticar o regime foram presos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como voc\u00eas faziam o&nbsp;<em>Grande Jornal Falado<\/em>?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ah, n\u00e3o tinha nada de computador. O gravador era desse tamanho [grande]. Era a casa de not\u00edcias. Mas era mais artesanal. Aqui no est\u00fadio era eu e ele [o operador da mesa de som]. Transmitia um desfile de l\u00e1 e o Barros J\u00fanior entrava: \u201cAl\u00f4, Nei Costa, fala da avenida, desfile de 15 de setembro\u201d. \u201cAl\u00f4, Barros&#8230;\u201d, e a gente trocava&#8230; Eu aqui e ele l\u00e1. Era uma coisa muito diferente. O material era o microfone, voc\u00ea levava a maleta para o est\u00e1dio. A maleta era&#8230; Como chamava a maleta? N\u00e3o me lembro do nome da maleta. Maleta grande. Dentro da R\u00e1dio Tupi, em 1970, eu levava para Florian\u00f3polis, para o Cear\u00e1, Recife. E n\u00e3o tinha operador. Eu instalava a maleta \u2013 eu era o locutor \u2013 e o microfone e chamava: \u201cAl\u00f4. Al\u00f4, Central de Recife, tudo bem? Aqui \u00e9 Nei Costa. Eu estou no Mund\u00e3o do Arruda\u201d. No Rio, na Tupi. Todo mundo era da R\u00e1dio Nacional, da Tupi&#8230; E a gente transmitia ali, com o microfone direto, que n\u00f3s mesmos carreg\u00e1vamos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O equipamento era muito pesado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muito pesado. Na Europa eu carreguei porque eu n\u00e3o tinha reposi\u00e7\u00e3o. Putz&#8230; Eu carreguei tr\u00eas maletas na Europa. Eu andava magrinho. Eu era muito magro. Tinha uns 100 metros de fio para poder transmitir. Acontecia alguma coisa com a maleta ou se eu n\u00e3o tivesse condi\u00e7\u00e3o de arrum\u00e1-la, eu passava pra outra. Eu ia ficar tr\u00eas meses na Europa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As emissoras tinham operadores, mas como era quando se precisava viajar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>And\u00e1vamos sozinhos. Na excurs\u00e3o de 1973, algumas emissoras levavam operadores s\u00f3 para instalar o material. Na Copa do Mundo da Alemanha, todo mundo j\u00e1 levava operador. E hoje todo mundo anda de operador. A gente n\u00e3o instala nada. Na Globo, por exemplo, o cara vai com um operador, um cara especializado em fazer abertura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hoje tudo \u00e9 mais funcional, n\u00e3o \u00e9? Cada um faz a sua parte?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Claro. O cara te chama: \u201cNei, t\u00e1 pronto. Pode entrar\u201d. E a\u00ed voc\u00ea entra: \u201cBoa tarde, Brasil, estamos falando diretamente da \u00c1frica\u201d. Sen\u00e3o, voc\u00ea tem muita dificuldade. Antes, tudo era muito dif\u00edcil. Voc\u00ea ia sem saber o que poderia acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E em Ponta Grossa, como chegavam as not\u00edcias?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por tel\u00e9grafo. A gente fazia e redigia o jornal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00eas tinham como \u201cespelho\u201d o estilo de narrar dos grandes centros? Como voc\u00eas narravam?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A gente tinha uma refer\u00eancia, o que a gente fazia era copiar o r\u00e1dio. Nessa \u00e9poca, em Ponta Grossa, voc\u00ea tinha um r\u00e1dio grande. Se voc\u00ea pegasse um&nbsp;<em>Rep\u00f3rter Esso<\/em>, do Rio de Janeiro, voc\u00ea tinha tudo. Voc\u00ea gravava o&nbsp;<em>Rep\u00f3rter Esso<\/em>. Gravava Eron Domingues: \u201cAl\u00f4, al\u00f4, R\u00e1dio Nacional do Rio de Janeiro, s\u00e3o 13 horas\u201d, \u201cAl\u00f4, al\u00f4,&nbsp;<em>Rep\u00f3rter Esso<\/em>\u201d. O&nbsp;<em>Rep\u00f3rter Esso&nbsp;<\/em>entrava no ar e dizia: \u201cO pre\u00e7o da gasolina subiu. O presidente Get\u00falio Vargas deu um tiro no peito\u201d. Voc\u00ea botava num gravador antigo antiquado (sic), n\u00e3o desse m\u00ednimo que voc\u00ea tem a\u00ed, mas voc\u00ea batia [mostrando o procedimento] assim e copiava. Voc\u00ea ficava na m\u00e1quina de escrever e, em 10 minutos, voc\u00ea tava com o notici\u00e1rio do Rio de Janeiro, pronto. Quem n\u00e3o tava ouvindo a R\u00e1dio Nacional, ia ouvir a mesma not\u00edcia em Ponta Grossa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os radialistas sempre faziam aquele trabalho de estar sempre com o \u201couvido grudado\u201d nas emissoras nacionais?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida. \u201cO papa t\u00e1 morrendo\u201d. \u201cAten\u00e7\u00e3o: o papa morreu\u201d. A R\u00e1dio Nacional dava no Rio de Janeiro, a R\u00e1dio Record dava em S\u00e3o Paulo, em dois minutos se dava a not\u00edcia aqui.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com o advento da televis\u00e3o as coisas foram mudando?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim. Hoje, com o advento da televis\u00e3o, as coisas foram mudando. O sat\u00e9lite hoje&#8230; Se voc\u00ea for ali no est\u00fadio agora \u2013 n\u00f3s temos um conv\u00eanio com a Bandeirantes, que era a minha r\u00e1dio \u2013 se voc\u00ea cair do ar aqui, tiver algum problema, a R\u00e1dio Bandeirantes t\u00e1 ali. Pode ir l\u00e1. Colocam um plug e fica passando a programa\u00e7\u00e3o da Bandeirantes. Eles mandam a programa\u00e7\u00e3o. A Ga\u00facha manda, a Jovem Pan manda. Todas elas t\u00eam um sat\u00e9lite desde 1987. Eu sei porque eu estava em S\u00e3o Paulo, na Bandeirantes e inaugurei o sat\u00e9lite.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando&nbsp;a recep\u00e7\u00e3o de transmiss\u00e3o via sat\u00e9lite entrou na r\u00e1dio Clube? Foi em 1987?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acho que a Clube tem faz um tr\u00eas ou quatro anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quanto \u00e0 publicidade, pode-se dizer que ela sempre esteve ao lado do r\u00e1dio, principalmente na fase \u00e1urea, com as radionovelas. O pr\u00f3prio&nbsp;<em>Rep\u00f3rter Esso&nbsp;<\/em>seguia essa linha, aliando uma marca ao nome do programa. \u00c9 isso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O r\u00e1dio hoje depende exclusivamente de patroc\u00ednio. O problema \u00e9 que est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil conseguir patrocinador, devido ao n\u00famero de emissoras de r\u00e1dio. S\u00e3o milhares no Brasil hoje. Se voc\u00ea juntar r\u00e1dios AM e FM, t\u00eam emissoras em toda a parte. Tem que selecionar, porque da\u00ed, as empresas de publicidade, as ag\u00eancias, colocam publicidade nas emissoras que possuem maior audi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como se fazia para conseguir&nbsp;<\/strong><strong>patrocinadores naquela \u00e9poca, na d\u00e9cada de 1960, 1970?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tinha que ir atr\u00e1s, buscar, visitar. O Barros J\u00fanior&#8230; Todos n\u00f3s. Hoje ainda. Com o meu patrocinador aqui houve uma terceiriza\u00e7\u00e3o. O patrocinador vem pra mim, eu trago, a r\u00e1dio ganha e eu tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O r\u00e1dio na d\u00e9cada de 1940, 1950, n\u00e3o sei se tamb\u00e9m em anos posteriores, quando o senhor come\u00e7ou a trabalhar,&nbsp;<\/strong><strong>era encarado mais como um&nbsp;<em>hobby<\/em>. Porque n\u00e3o era uma profiss\u00e3o fixa ou n\u00e3o era encarado como uma profiss\u00e3o mesmo. \u00c0s vezes, havia um narrador, um locutor especial, um radialista, que trabalhava em banco e que tamb\u00e9m exercia sua fun\u00e7\u00e3o na r\u00e1dio. O senhor chegou tamb\u00e9m a fazer isso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Olha, muita gente fez isso. Primeiro, porque ele n\u00e3o era um r\u00e1dio profissional, como voc\u00ea disse. Ent\u00e3o, os grandes locutores faziam \u201cbico\u201d. At\u00e9 ganhavam um cach\u00ea do patrocinador aqui. O r\u00e1dio veio na d\u00e9cada de 1920, no Rio de Janeiro, na r\u00e1dio de Roquette-Pinto. Eu tinha um livro de hist\u00f3ria do r\u00e1dio, n\u00e3o sei onde \u00e9 que eu coloquei&#8230; Paulo Roberto era m\u00e9dico e era um grande apresentador; Manoel Barcelos, comerciante. At\u00e9 os 1950, quando se tornou profissionalismo. Ent\u00e3o, mesmo os pais n\u00e3o deixavam as filhas trabalharem na novela. \u201cO que? Voc\u00ea vai trabalhar no r\u00e1dio?!\u201d, era uma coisa feia. \u201cMas, voc\u00ea vai naquele audit\u00f3rio ver aquela r\u00e1dio!\u201d, era vergonhoso. Era como se fosse um pouco de prostitui\u00e7\u00e3o fazer uma novela.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Talvez, naquela \u00e9poca, se via como uma profiss\u00e3o mesmo ser um m\u00e9dico, um advogado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Exatamente. Os filhos eram todos formados para isso. N\u00e3o existe radialista. \u201cRadialista&#8230; Voc\u00ea t\u00e1 maluco ser radialista!\u201d. Mas radialista acabou se tornando uma profiss\u00e3o. Jornalista foi em 1970. Eu era radialista em 1961, 1965, e nunca tive diploma. Todos os radialistas da \u00e9poca foram provisionados. \u201cVoc\u00eas que s\u00e3o radialistas agora est\u00e3o provisionados pelo sindicato\u201d. Da\u00ed come\u00e7ou a existir a faculdade de Jornalismo. N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos isso. N\u00e3o existia profiss\u00e3o. Passou a existir h\u00e1 uns 35 anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algo da hist\u00f3ria da R\u00e1dio Clube foi preservado em grava\u00e7\u00f5es ou at\u00e9 mesmo documentos que mostrem os propriet\u00e1rios da emissora ao longo do tempo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00e1dio Clube tem uma hist\u00f3ria muito bonita. Uma pessoa que voc\u00ea pode conseguir algo \u00e9 o Aldo Mikaelli. Ele tem tudo. O Aldo Mikaelli \u00e9 o maior acervo do r\u00e1dio em Ponta Grossa. Ele faz a Festa do Radialista todo ano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como o p\u00fablico reagia ao fen\u00f4meno r\u00e1dio na d\u00e9cada de 1960?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Reagia muito mais. Dez mil vezes mais do que hoje. Porque o r\u00e1dio era novidade e o n\u00famero de televis\u00f5es era muito menor. A divers\u00e3o era o r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As fam\u00edlias chegavam a se reunir em torno de um receptor de r\u00e1dio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ah, claro. Para acompanhar a novela. Todo mundo. Voc\u00ea [como radialista] era recebido nos bailes. O radialista tinha um valor extraordin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E quanto aos artistas locais?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eram deuses! A voz do camarada era uma voz linda! Os radialistas eram deuses!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O fator voz era muito valorizado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ah, sim. A concorr\u00eancia dos anos 1960 era maior do que hoje pra contratar um locutor. Hoje n\u00e3o tem essa concorr\u00eancia. Tem, mas \u00e9 rara. N\u00e3o vou dizer que n\u00e3o tem. Antes era: \u201cA R\u00e1dio Sant\u2019Ana vai inaugurar. Tira o Nei Costa, o Rog\u00e9rio Sermann e traz pra c\u00e1\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Havia uma certa disputa entre as emissoras?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Havia entre todas. Havia entre as emissoras e, inclusive, entre os locutores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A segunda emissora instalada em Ponta Grossa foi a Central. O senhor trabalhou l\u00e1 quando?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu comecei na Difusora, depois eu fui pra Clube e pra Central. Tudo entre 1961 e 1965.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Percebia alguma diferen\u00e7a entre as emissoras?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o. Todos eram grandes profissionais. Elas eram orientadas por pessoas vindas de S\u00e3o Paulo. Os maiores locutores de S\u00e3o Paulo vieram pra c\u00e1. O Barros J\u00fanior, que era diretor da Clube, o Luiz Frederico [Daitschmann]&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Barros J\u00fanior veio jogar basquete. Ele j\u00e1 era locutor em S\u00e3o Paulo antes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei. Mas ele veio muito jovem. Tinha uma voz maravilhosa. Tinha tamb\u00e9m o pai da Guta, professora famosa aqui. O Luiz Frederico e a dona Vera, m\u00e3e da Guta, era uma dupla que fazia novela. O Fernando Ribeiro, que dirigia a R\u00e1dio Central, j\u00e1 faleceu. O Fernando Pereira e a Rosemari Lopes Pereira. Ent\u00e3o, cada r\u00e1dio era dirigida por uma dupla.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na d\u00e9cada de 1980, o r\u00e1dio come\u00e7ou a passar por algumas mudan\u00e7as? Como foi?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Passou. Come\u00e7ou a se transformar. Eu acho que para o pior. Eu estava na R\u00e1dio Bandeirantes. Para n\u00f3s, houve uma abertura pol\u00edtica. Do pessoal que tinha ido embora, todo mundo retornou. Sob o aspecto pol\u00edtico, foi muito bom. Mas eu acho que o r\u00e1dio FM prejudicou um pouco. Eu digo o r\u00e1dio como ve\u00edculo, o r\u00e1dio como not\u00edcia. O FM \u00e9 um repetidor de m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Houve outras parcerias com emissoras nacionais no r\u00e1dio em Ponta Grossa, al\u00e9m da Clube com a Bandeirantes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o poucas as emissoras que fazem parcerias. A R\u00e1dio Bandeirantes foi a que inaugurou. Eu estava l\u00e1, em S\u00e3o Paulo, quando ela inaugurou, foi a primeira, em 1987, eu estava l\u00e1 ao lado do seu Jo\u00e3o. O discurso dele eu anunciei, a presen\u00e7a dele enunciou esse monstro que era o transmissor via sat\u00e9lite para todas as emissoras. A Bandeirantes, a Jovem Pan, que s\u00e3o muito noticiosas, em S\u00e3o Paulo, e a CBN, que era Globo, a R\u00e1dio Am\u00e9rica tamb\u00e9m tem, a Ga\u00facha. S\u00e3o poucas. Voc\u00ea vai contar na m\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 oito, dez. Aqui em Ponta Grossa, o sinal da Bandeirantes \u00e9 da Clube, a CBN, ali embaixo, t\u00e1 direto, que usa a programa\u00e7\u00e3o nacional quase em tempo integral, com o espa\u00e7o local \u00e0s 9 da manh\u00e3. N\u00f3s fomos Pan antes da Bandeirantes. A R\u00e1dio Clube come\u00e7ou com o sinal da Jovem Pan.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E isso foi quando?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se eu n\u00e3o me engano, foi em 2002. Ficamos por um ano e meio com o sinal da Jovem Pan. O Rog\u00e9rio [Sermann] quando veio trouxe a Bandeirantes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas quem fazia as parcerias era s\u00f3 a Clube?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 a Clube. A R\u00e1dio Sant\u2019Ana deve ter parceria tamb\u00e9m com a Rede Cat\u00f3lica de R\u00e1dio. Essa rede faz missas, transmite notici\u00e1rios tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quanto tempo voc\u00ea trabalhou na&nbsp;<\/strong><strong>Sant\u2019Ana?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 1962 eu trabalhei na Sant\u2019Ana. Quando inaugurou a r\u00e1dio. Trabalhei um ano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como foi trabalhar numa r\u00e1dio administrada pelo bispado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Era um trabalho normal. Mesmo jeito, mesmo estilo. Eles visam o lucro. Mais ainda. A Igreja cat\u00f3lica trabalha muito profissionalmente. A maior r\u00e1dio de Curitiba pertence a eles \u2013 os Irm\u00e3os Maristas, n\u00e3o t\u00eam nada a ver com os padres. A emissora cat\u00f3lica faz o mesmo trabalho das outras, mas dirigida pelo catolicismo. Mas a propaganda \u00e9 a mesma. Veja a Rede Vida de Televis\u00e3o: propagandas de viagem para a Europa, viagem para a It\u00e1lia. A Igreja cat\u00f3lica dirige muitas emissoras: R\u00e1dio Aparecida, tantas emissoras&#8230; A Rede Cat\u00f3lica possui at\u00e9 canal de Televis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que o senhor acha do g\u00eanero&nbsp;<em>all news<\/em>, usado pela CBN?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu acho que toda tend\u00eancia \u00e9 modernizar. O mundo est\u00e1 extremamente modernizado. Eu n\u00e3o sei aonde a gente vai parar. Eu estou me sentindo j\u00e1 um velho decr\u00e9pito da comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 s\u00f3 voc\u00ea olhar para o gravador, para o telefone celular, computador. Eu estou me sentindo um aposentado. A qualidade art\u00edstica eu acho mais baixa do que nos anos 1960. Eu sou saudosista. Acho que a qualidade art\u00edstica do trabalho que se faz hoje, no modernismo, n\u00e3o exige muito do profissional. Se voc\u00ea fosse um profissional de radio do meu tempo teria que aprender portugu\u00eas, ingl\u00eas, franc\u00eas e at\u00e9 latim para entrar numa r\u00e1dio e sair pela Europa, conhecer o mapa do mundo, tudo, tudo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00e9rie de entrevistas com profissionais que atuaram e atuam no r\u00e1dio ponta-grossense \u00e9 fruto do trabalho da estudante Nadine Sansana, orientada pelo professor S\u00e9rgio Gadini, pelo Programa Institucional de Bolsas de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da Universidade Estadual de Ponta Grossa, vigente entre os anos de 2018 e 2019. Sob o t\u00edtulo&nbsp;<em>Mem\u00f3rias de vida e trabalho na m\u00eddia regional dos Campos Gerais do Paran\u00e1<\/em>, o projeto contribui com o acervo memorial\u00edstico radiof\u00f4nico da cidade, tendo em vista a aus\u00eancia de arquivos, registros e documentos sobre a hist\u00f3ria do r\u00e1dio em Ponta Grossa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista: Jo\u00e3o Quacquio | Edi\u00e7\u00e3o: Nadine Sansana A entrevista com o radialista Nei Costa foi realizada, em 2005, pelo ent\u00e3o estudante de gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo, Jo\u00e3o Quacquio, como parte do seu trabalho de conclus\u00e3o de curso. Nei Costa trabalhou no exterior, cobrindo v\u00e1rias copas do mundo de futebol, e recebeu v\u00e1rios pr\u00eamios. 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