{"id":571,"date":"2011-11-14T21:52:14","date_gmt":"2011-11-14T21:52:14","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=571"},"modified":"2011-11-14T21:52:14","modified_gmt":"2011-11-14T21:52:14","slug":"sobre-a-melancolia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/sobre-a-melancolia\/","title":{"rendered":"Sobre a melancolia"},"content":{"rendered":"<div class=\"stx\">\n<p>Pela segunda vez neste 39\u00ba Fenata, o grupo campineiro Os Geraldos se apresentou na mostra adulta. A primeira foi na segunda-feira (7), com o espet\u00e1culo \u201cHay Amor!\u201d. Na noite de quarta-feira (9), tr\u00eas atrizes e dois atores do grupo apresentaram \u201cN\u00fameros\u201d, dirigido por Roberto Mallet.<\/p>\n<p>Conforme a sinopse do espet\u00e1culo, constante do programa do festival, trata-se de uma com\u00e9dia em que um grupo de artistas mambembes se multiplica em diversas fun\u00e7\u00f5es para apresentar uma s\u00e9rie de n\u00fameros inspirados na tradi\u00e7\u00e3o circense. \u201cUm espet\u00e1culo que traduz o amor do artista pelo seu p\u00fablico e que, apostando no talento humano para realizar essa alquimia que transforma a pobreza de recursos materiais em arte, torna-se uma met\u00e1fora n\u00e3o apenas da situa\u00e7\u00e3o do artista hoje, mas do pr\u00f3prio povo brasileiro\u201d, termina a sinopse.<\/p>\n<p>\u00c9 um grande mote, sem d\u00favida, e mostrado em uma proposta diferente, bastante fragmentada e que remete a um certo \u201cproto-teatro\u201d que era praticado entre o final do s\u00e9culo 19 e o in\u00edcio do 20 nos pa\u00edses da Europa. Essa \u00e9 a refer\u00eancia mais imediata da montagem. Lembra muito o famoso \u201cteatro de atra\u00e7\u00f5es\u201d russo, que fez parte da forma\u00e7\u00e3o do cineasta Sergei Eisenstein. Ali\u00e1s, \u00e9 uma das principais refer\u00eancias da sua teoria da montagem.<\/p>\n<p>\u00c0 maneira de clowns revisitados, os cinco atores se revezam em n\u00fameros circenses, cada um mais nonsense que o outro. S\u00e3o impag\u00e1veis, por exemplo, as entradas em cena da lhama (Julia Cavalcanti). A performance de Gustavo Valezi com a cadeira, no in\u00edcio espet\u00e1culo, um tour de force respeit\u00e1vel. Mas quem ganha todas as cenas \u00e9 mesmo Douglas Novais, como C\u00edcero e seu acorde\u00e3o. \u00c9 um clown profundamente triste e melanc\u00f3lico em sua forma rid\u00edcula e nervosa de se comunicar com o p\u00fablico. O fato \u00e9 que a sua performance acaba timbrando as dos outros personagens. E fica-se na expectativa de se saber porqu\u00ea o p\u00fablico responde quase que instintivamente ao espet\u00e1culo. Simples. Porque fala do rid\u00edculo humano, das suas imperfei\u00e7\u00f5es. E a\u00ed reside a for\u00e7a do espet\u00e1culo, porque toca no universal.<\/p>\n<p>E j\u00e1 que se falou de cinema, \u00e9 digna de nota a sonoplastia, que inclui os temas dos filmes \u201cCantando na Chuva\u201d, \u201cO M\u00e1gico de Oz\u201d e \u201c&#8230; E o Vento Levou\u201d. Chega a ser uma covardia colocar trechos dessas m\u00fasicas no espet\u00e1culo, de t\u00e3o deslumbrantes que elas s\u00e3o, ainda mais contrastando com o nonsense das cenas.<\/p>\n<p>Um \u00fanico ponto a destacar. \u00c9 latente que o elenco \u00e9 muito bom e que d\u00e1 aos espectadores aquilo a que se prop\u00f4s. Mas talvez seja um espet\u00e1culo que tenha ainda mais for\u00e7a se representado na rua. \u00c9 um questionamento e uma sugest\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>*Helcio Kovaleski<\/strong><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><span class=\"apple-style-span\">\u00e9 cr\u00edtico de teatro desde 2000, quando come\u00e7ou a escrever para o site<\/span><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0Convoy<\/span><span class=\"apple-style-span\">. Desde 2001, publica regularmente cr\u00edticas sobre os espet\u00e1culos do<\/span><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><strong><em>Fenata<\/em><\/strong><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><span class=\"apple-style-span\">no jornal<\/span><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><strong><em>Di\u00e1rio dos Campos<\/em><\/strong><span class=\"apple-style-span\">. Tamb\u00e9m j\u00e1 publicou cr\u00edticas de espet\u00e1culos que vieram a Ponta Grossa em outros per\u00edodos do ano.\u00a0Entre 2002 e 2004, escreveu cr\u00edticas de cinema no jornal<\/span><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><strong><em>d\u2019pontaponta<\/em><\/strong><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><span class=\"apple-style-span\">e, entre 2005 e 2006, cr\u00edticas de televis\u00e3o no jornal cultural<\/span><span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><strong><em>Grimpa<\/em><\/strong><span class=\"apple-style-span\">.<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela segunda vez neste 39\u00ba Fenata, o grupo campineiro Os Geraldos se apresentou na mostra adulta. A primeira foi na segunda-feira (7), com o espet\u00e1culo \u201cHay Amor!\u201d. Na noite de quarta-feira (9), tr\u00eas atrizes e dois atores do grupo apresentaram \u201cN\u00fameros\u201d, dirigido por Roberto Mallet. 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