{"id":5723,"date":"2020-10-15T12:22:14","date_gmt":"2020-10-15T15:22:14","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=5723"},"modified":"2020-10-15T12:22:14","modified_gmt":"2020-10-15T15:22:14","slug":"a-experiencia-de-erondi-milleo-na-construcao-da-historia-radiofonica-de-ponta-grossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/a-experiencia-de-erondi-milleo-na-construcao-da-historia-radiofonica-de-ponta-grossa\/","title":{"rendered":"A experi\u00eancia de Erondi Mill\u00e9o na constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria radiof\u00f4nica de Ponta Grossa"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Entrevista: Nadine Sansana<br>Edi\u00e7\u00e3o: Jessica Grossi e Matheus Gaston  <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A entrevista com o radialista Jos\u00e9 Erondi Mill\u00e9o foi realizada em abril de 2019, na R\u00e1dio Sant\u2019Ana, pela estudante de gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Nadine Sansana, como parte da sua pesquisa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Erondi Mill\u00e9o nasceu em 1947 em Pira\u00ed do Sul, no Paran\u00e1. Iniciou seus trabalhos no r\u00e1dio com 16 anos. Passou por Santa Catarina, S\u00e3o Paulo e algumas cidades do Paran\u00e1, especialmente Ponta Grossa. Atualmente, Mill\u00e9o apresenta tr\u00eas programas na R\u00e1dio Sant\u2019Ana.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Como foi o seu primeiro contato com o r\u00e1dio? Poderia me falar rapidamente da trajet\u00f3ria profissional, onde e quando come\u00e7ou a trabalhar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu tinha uma paix\u00e3o pelo r\u00e1dio, porque eu acompanhava na \u00e9poca as emissoras de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro. Eu gostava muito do jornalismo, acompanhava os famosos apresentadores dos jornais falados, porque no r\u00e1dio a gente denomina radiojornalismo, quem faz jornalismo s\u00e3o os jornais, agora no r\u00e1dio, n\u00f3s unimos o r\u00e1dio com o jornalismo. Comecei em Pira\u00ed do Sul em 1963, eu tinha 16 anos, fazia programas populares e na \u00e9poca n\u00e3o existia um jornalismo din\u00e2mico como existe hoje e as condi\u00e7\u00f5es eram muito prec\u00e1rias. N\u00f3s t\u00ednhamos que pegar um gravadorzinho, ficar com ele em frente ao r\u00e1dio e pegar algumas informa\u00e7\u00f5es e da\u00ed passava para os ouvintes. N\u00e3o existia jornal na cidade, que era pequena na \u00e9poca. T\u00ednhamos uma emissora que era veterana, acredito que era uma das principais emissoras do Paran\u00e1 na \u00e9poca. Era uma boa r\u00e1dio, tinha entretenimento para as pessoas que n\u00e3o tinham televis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas eu fui me apegando ao jornalismo porque eu ouvia algumas not\u00edcias, passava algumas informa\u00e7\u00f5es. O cinema era o forte, no cinema tinha um document\u00e1rio que passava antes dos filmes e aqueles document\u00e1rios mostravam algumas coisas relacionadas \u00e0s informa\u00e7\u00f5es do Brasil e do mundo. Eu dei dois furos de reportagem na \u00e9poca, foi uma coisa que eu gravei at\u00e9 hoje na minha mem\u00f3ria, porque a nossa mem\u00f3ria \u00e9 um baita de um computador. Foi uma not\u00edcia triste, que pra mim foi um furo pelas condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias que n\u00f3s t\u00ednhamos. Eu consegui gravar, como expliquei, e passar a not\u00edcia para os ouvintes. Na \u00e9poca mexeu com o Brasil todo e com o mundo todo, que em novembro foi o assassinato do presidente dos Estados Unidos, John Kennedy. Em Dallas, atiraram nele e eu consegui a not\u00edcia atrav\u00e9s do Rep\u00f3rter Esso, equivalente ao que hoje \u00e9 o Jornal Nacional, da Globo. N\u00e3o \u00e9 que eu fiquei feliz com o que aconteceu, ningu\u00e9m poderia ficar, mas \u00e9 porque eu consegui, com a precariedade que eu tinha no meu trabalho, de passar aquela informa\u00e7\u00e3o. E a outra foi as not\u00edcias que foram circulando e em 1964 eu acompanhei todo aquele processo que dizem que foi ditadura, mas n\u00e3o foi ditadura, foi golpe militar. Mas a gente trabalhava naquela \u00e9poca e foi acompanhando e divulgando as informa\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Passados alguns anos e que n\u00e3o demorou muito, eu vim para Ponta Grossa, porque n\u00f3s \u00e9ramos uma fam\u00edlia numerosa e viemos em busca de melhores dias, e aqui tamb\u00e9m n\u00e3o era f\u00e1cil, apesar de ser uma cidade um pouco maior, tudo era muito complicado. Mas eu tive oportunidades, por exemplo, consegui entrar no r\u00e1dio, batendo em emissoras que j\u00e1 t\u00ednhamos aqui: J2, Difusora, Central, fui batendo de porta em porta, mas n\u00e3o tinha trabalho, porque o pessoal que estava l\u00e1 n\u00e3o largava, porque o trabalho era complicado. Mas eu tinha uma paix\u00e3o pelo r\u00e1dio e sempre acreditei que um dia eu chegaria l\u00e1. At\u00e9 que um dia surgiu uma oportunidade de eu ir para a R\u00e1dio Sant\u2019Ana<strong>.<\/strong> O que eu comecei a fazer aqui na R\u00e1dio Sant\u2019Ana: comecei a fazer jornalismo. Eu n\u00e3o era jornalista. N\u00e3o era porque n\u00e3o tinha uma faculdade de Jornalismo. Tinha em Curitiba, mas as dificuldades financeiras eram grandes, se eu precisava de emprego, de onde eu ia arrumar dinheiro, vindo de uma fam\u00edlia pobre, estudar em Curitiba? Mas eu aprendi o jornalismo na pr\u00e1tica. Comecei a trabalhar aqui [na R\u00e1dio Sant\u2019Ana] e foram me passando trabalhos. Como o amor \u00e9 grande por aquilo que voc\u00ea denomina voca\u00e7\u00e3o, que \u00e9 aquilo que est\u00e1 no teu sangue, fui fazendo o meu trabalho e fui aprendendo a ser rep\u00f3rter, a redigir. Passei por Ponta Grossa por dois respeit\u00e1veis estabelecimentos de ensino que \u00e9 o Regente Feij\u00f3 e o S\u00e3o Luis. Me formei no Sepam em contabilidade; n\u00e3o existia o Jornalismo. E na r\u00e1dio continuei fazendo o meu trabalho, porque era a minha paix\u00e3o. Na \u00e9poca, o jornalismo tornou-se bastante din\u00e2mico.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Confirmar.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5730\" width=\"508\" height=\"335\" \/><figcaption>Erondi Mill\u00e9o iniciou seus trabalhos no r\u00e1dio aos 16 anos | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Facebook<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Mas da\u00ed as coisas foram surgindo com o tempo e o que aconteceu: sa\u00ed de Ponta Grossa por um tempo e fui trabalhar em Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria. Aqui em Ponta Grossa, trabalhei na R\u00e1dio Central do Paran\u00e1, fiz um pouco de jornalismo, fui diretor da r\u00e1dio. Trabalhei 11 anos em S\u00e3o Bento do Sul em Santa Catarina. Trabalhei tamb\u00e9m em Itaporanga, no interior de S\u00e3o Paulo. Trabalhei em Mangueirinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Sou locutor h\u00e1 56 anos. Mas tamb\u00e9m j\u00e1 fui rep\u00f3rter, fazia entrevistas. Sou sincero falar pra voc\u00ea, isso foi muito bom, porque fazia contato com as pessoas, voc\u00ea se torna conhecido, mas n\u00e3o por vaidade, \u00e9 porque voc\u00ea gosta. Voc\u00ea sente que est\u00e1 sendo \u00fatil, est\u00e1 passando informa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o pense nessa profiss\u00e3o, se voc\u00ea entrar nela, que voc\u00ea vai ganhar dinheiro. N\u00e3o vai. Tem o teu sal\u00e1rio, claro. Aproveitei a \u00e9poca da juventude, agora estou aposentado aqui na R\u00e1dio Sant\u2019Ana. Aqui eu fa\u00e7o <em>freelancer<\/em>. \u00c9 dif\u00edcil, depois que voc\u00ea entra neste campo de trabalho, no r\u00e1dio, no jornal, voc\u00ea fica gostando.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu acho que hoje em dia falta muito o trabalho de reportagem, de ir fazer entrevistas com as pessoas. O trabalho de rep\u00f3rter, que era policial, eu fazia e amava isso. Mesmo na \u00e9poca dos militares, que a exig\u00eancia era muito grande, a gente precisava saber at\u00e9 o que perguntar, mas eu fazia com o maior prazer, sempre era muito bem recebido.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Nas quest\u00f5es t\u00e9cnicas, quais eram as dificuldades que tinham quando come\u00e7ou a trabalhar no r\u00e1dio para agora? Digo na quest\u00e3o de equipamentos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em quest\u00e3o de equipamento, os gravadorzinhos eram a pilha. \u00c0s vezes voc\u00ea estava entrevistando algu\u00e9m e a pilha ia fraquejando, da\u00ed a entrevista n\u00e3o sa\u00eda boa. Tinha os gravadorzinhos que tinham fitas, de repente a fita escapava e voc\u00ea perdia as reportagens. N\u00e3o t\u00ednhamos condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Na \u00e9poca os diretores de r\u00e1dio diziam pra ir l\u00e1 e fazer, n\u00e3o davam condi\u00e7\u00f5es. Mas eu dava um jeito e fazia. Pense que dif\u00edcil que era porque hoje n\u00f3s temos a internet e antes n\u00e3o tinha. Na \u00e9poca existia telex, onde passava a folha e voc\u00ea ia lendo aquela folha de not\u00edcias que eles captavam. Mas era muito escasso, voc\u00ea tinha que ir atr\u00e1s da not\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1-BLOCO.mp3\"><\/audio><figcaption>Mill\u00e9o fala sobre a cobertura radiojornal\u00edstica no setor policial durante a ditadura militar<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No setor policial eu ia ali pr\u00f3ximo a catedral, que era a delegacia de pol\u00edcia. Voc\u00ea chegava e os policiais te passavam o chamado livro capa preta. Da\u00ed voc\u00ea pegava aquilo que podia e interessava e depois passava para a m\u00e1quina de escrever. Tinha a m\u00e1quina Hermes, pequenininha, n\u00e3o tinha computador. Era dif\u00edcil. \u00c0s vezes tinha que colocar o carbono e \u00e0s vezes tinha dois ou tr\u00eas apresentadores e acabava se equivocando na pressa pra come\u00e7ar o jornal e colocava o papel carbono do lado avesso e n\u00e3o sa\u00eda nada. Ent\u00e3o era muito complicado. No setor policial que a gente ia, alguns atendiam a gente bem, outros n\u00e3o. Era muito dif\u00edcil, voc\u00ea tinha que entrar com muito cuidado. E depois que veio o golpe militar voc\u00ea tinha que colocar a fonte ali, com o nome, data de nascimento e RG. E eu gostava porque eu gosto das coisas disciplinadas. Tinha que ter tamb\u00e9m 90 dias de arquivo. Voc\u00ea tirava os pap\u00e9is porque, \u00e0s vezes, tinha fiscaliza\u00e7\u00e3o. Hoje j\u00e1 nem arquiva muito porque hoje tem internet.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando fui para Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria eu tinha 19 anos, porque a r\u00e1dio de l\u00e1 pertencia a nossa. Era uma rede: Sant\u2019Ana R\u00e1dio Educadora de Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria. O radialista \u00e9 como um artista. Antes se dava um valor muito grande para o radialista, hoje o jovem n\u00e3o est\u00e1 muito ligado nessas coisas por causa das redes sociais, mudou tudo. Antes parece que voc\u00ea sabia que estava sendo ouvido, hoje precisa das pesquisas. Mas fazendo um comparativo ontem [antigamente] e hoje [atualmente] sobre as dificuldades de antes e as coisas f\u00e1ceis de hoje, \u00e9 diferente, mas pra mim foi mais gostoso o que ficou pra tr\u00e1s. N\u00e3o que eu n\u00e3o goste do hoje, porque eu continuo ouvindo o r\u00e1dio. Eu tenho tr\u00eas programas da R\u00e1dio Sant\u2019Ana. Gravo todos eles e ou\u00e7o depois, pra poder fazer minha autocr\u00edtica. Porque eu sempre defendi a autocr\u00edtica. Se voc\u00ea est\u00e1 lendo um jornal, uma revista ou ouvindo um programa de r\u00e1dio, voc\u00ea est\u00e1 aprendendo e voc\u00ea que est\u00e1 escrevendo e falando, est\u00e1 ensinando.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>O senhor ia fazer as mat\u00e9rias, as reportagens, ia atr\u00e1s. E na hora da apresenta\u00e7\u00e3o, tinha alguma not\u00edcia que era lida dos jornais impressos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aqui em Ponta Grossa j\u00e1 tinham bons jornais impressos<strong>. <\/strong>Normalmente, aqui tamb\u00e9m existia o gilete press, que era quando voc\u00ea pegava o jornal, recortava alguma not\u00edcia e grampeava numa folha de papel. Isso era usada como fonte, como falei pra voc\u00ea, que eram exigidos 90 dias de arquivo. Usei bastante isso. J\u00e1 as reportagens que eram gravadas, eu usava um gravadorzinho e depois ficava ouvindo.<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/2-BLOCO.mp3\"><\/audio><figcaption>Radialista explica como funcionava a coleta de informa\u00e7\u00f5es a partir de jornais impressos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Tinha um grande jornal noticioso aqui em Ponta Grossa, o jornal falado HM da J2, tinha uma grande audi\u00eancia, a cidade inteira ouvia. N\u00f3s t\u00ednhamos aqui na nossa emissora o jornal falado Bamerindus. Como n\u00e3o tinha televis\u00e3o, a not\u00edcia sa\u00eda assim. No nosso tempo n\u00e3o era igual hoje que se acontece alguma coisa ficamos sabendo na hora, antes demorava pra chegar uma informa\u00e7\u00e3o. A base da informa\u00e7\u00e3o naquela \u00e9poca era o Rep\u00f3rter Esso e a gente gravava com o gravadorzinho. Mas, na minha opini\u00e3o, o jornalismo moderno pode melhorar ainda muito mais e precisamos tamb\u00e9m de bons jornalistas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Quanto a participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, quais as diferen\u00e7as de agora pra quando o senhor come\u00e7ou?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico era bem diferente. Era por telefone, muito comum na \u00e9poca em qualquer programa que a pessoa gostasse de participar. Mas era por telefone fixo, que, ali\u00e1s, est\u00e1 se acabando. Mas o fixo era forte, o p\u00fablico participava, com informa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m, gostava de opinar. Tinham programas que a pessoa ligava e fazia reclama\u00e7\u00f5es, pedindo asfalto por exemplo. E eu fiquei sabendo que a prefeitura ouvia esses programas e depois ia l\u00e1 pra verificar o problema. Hoje j\u00e1 n\u00e3o sei como acontece. Parece que est\u00e1 t\u00e3o vago. Naquele tempo a pessoa parece que tinha esse direito. A gente identificava quem estava fazendo a reclama\u00e7\u00e3o, anotava nome e endere\u00e7o. E o r\u00e1dio era mais popular naquela \u00e9poca. Felizmente saiu uma pesquisa agora, que o r\u00e1dio teve uma \u00e9poca que ele era soberano, foi surgindo a televis\u00e3o que na \u00e9poca era novidade, porque via o artista que voc\u00ea gostava e tinha os programas populares, como o Chacrinha. Hoje a televis\u00e3o, como disse pra voc\u00ea, est\u00e1 tudo a mesma coisa, ent\u00e3o o r\u00e1dio foi crescendo novamente. Agora veio a FM, com qualidade melhor. As AMs em alguns bairros n\u00e3o pegavam, as FMs est\u00e3o mais fortes e com boa qualidade. Programas mais musicais e informativos, com entrevistas. Houve uma aceita\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio jovem ouve mais r\u00e1dio por conta da facilidade do celular. Ent\u00e3o o r\u00e1dio est\u00e1 em alta novamente e a pesquisa que saiu est\u00e1 comprovando isso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Jose-Erondi-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5733\" width=\"349\" height=\"349\" \/><figcaption>O radialista trabalhou em cidades de Santa Catarina, S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1 | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Facebook<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o social do r\u00e1dio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu acho que [o r\u00e1dio] tem que fazer tudo aquilo que o p\u00fablico, o ouvinte precisa saber. Na minha opini\u00e3o, o r\u00e1dio tem que ser o defensor das classes mais pobres. Por exemplo, sempre ter um bom comentarista numa emissora, um bom jornalista que escreva para as pessoas que est\u00e3o dentro dessa classe social que hoje est\u00e1 t\u00e3o desprezada no Brasil. Esse trabalho social que o jornalismo faz, merece, deveria merecer um pouco mais de respeito. E como eu falei pra voc\u00ea, na \u00e9poca a gente pegava um gravadorzinho e sa\u00eda pra rua para ouvir as pessoas e ouvir as reclama\u00e7\u00f5es. Porque quem faz o trabalho de representar a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 o r\u00e1dio, \u00e9 o jornal, \u00e9 a televis\u00e3o. Ent\u00e3o acho que o nosso trabalho de comunicador, de jornalista, de radialista \u00e9 muito bom. Eu acho isso fant\u00e1stico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Como foi a aceita\u00e7\u00e3o tanto do p\u00fablico como dos profissionais do r\u00e1dio com rela\u00e7\u00e3o a transi\u00e7\u00e3o do AM para o FM?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o gostei muito da transi\u00e7\u00e3o do AM para o FM. Porque eu trabalhei muitos anos na AM e gostava da AM. Mas entendi que foi uma boa coisa por causa da qualidade de som. J\u00e1 em termos de mudan\u00e7a de programa\u00e7\u00e3o, eu achei que foi um bom neg\u00f3cio. Mas como eu falei pra voc\u00ea, a AM tinha aquele tempo de telefone no ar, de colocar as m\u00fasicas mais antigas na \u00e9poca. Eu acho que a AM atendia todas as classes sociais. Desde os mais velhos, at\u00e9 o mais jovens. J\u00e1 a FM \u00e9 mais para o jovem, n\u00e3o totalmente para as pessoas mais jovens, mas j\u00e1 pegou uma outra faixa que exige mais da programa\u00e7\u00e3o, com m\u00fasicas mais modernas, as coisas mais diferenciadas, no sentido de pensar para o lado mais jovem. Mas eu acho que o jovem fica ligado no celular, e no r\u00e1dio pouco mudou. Houve uma melhora na qualidade de som, de alcance, ficou mais disciplinado. T\u00eam os dois lados: uma minoria que eu acho que n\u00e3o gostou, mas est\u00e1 se adaptando. J\u00e1 os mais jovens precisam se educar no sentido de aceitar, s\u00f3 que da\u00ed que tem que vir das emissoras uma programa\u00e7\u00e3o ecl\u00e9tica, que procure atender todas as idades e todos os gostos. Ent\u00e3o acho que se ganhou. Por exemplo, n\u00f3s aqui na Sant\u2019Ana t\u00ednhamos muitas reclama\u00e7\u00f5es porque a AM em alguns bairros n\u00e3o entrava. J\u00e1 a FM \u00e9 melhor distribu\u00edda, com um alcance maior.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> <strong>Mem\u00f3rias da m\u00eddia regional<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00e9rie de entrevistas com profissionais que atuaram e atuam no r\u00e1dio ponta-grossense \u00e9 fruto do trabalho da estudante Nadine Sansana, orientada pelo professor S\u00e9rgio Gadini, pelo Programa Institucional de Bolsas de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da Universidade Estadual de Ponta Grossa, vigente entre os anos de 2018 e 2019. Sob o t\u00edtulo <em>Mem\u00f3rias de vida e trabalho na m\u00eddia regional dos Campos Gerais do Paran\u00e1<\/em>, o projeto contribui com o acervo memorial\u00edstico radiof\u00f4nico da cidade, tendo em vista a aus\u00eancia de arquivos, registros e documentos sobre a hist\u00f3ria do r\u00e1dio em Ponta Grossa.&nbsp;<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista: Nadine SansanaEdi\u00e7\u00e3o: Jessica Grossi e Matheus Gaston A entrevista com o radialista Jos\u00e9 Erondi Mill\u00e9o foi realizada em abril de 2019, na R\u00e1dio Sant\u2019Ana, pela estudante de gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Nadine Sansana, como parte da sua pesquisa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.&nbsp; Erondi Mill\u00e9o nasceu em 1947 em Pira\u00ed&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":539,"featured_media":5590,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[35],"tags":[100,101,102,90,103,104],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5723"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/users\/539"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5723"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5723\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5723"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5723"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5723"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}