{"id":5741,"date":"2020-10-21T14:29:47","date_gmt":"2020-10-21T17:29:47","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=5741"},"modified":"2020-10-21T14:29:47","modified_gmt":"2020-10-21T17:29:47","slug":"a-evolucao-dos-equipamentos-de-radio-pela-perspectiva-do-tecnico-julio-cesar-alves-pires","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/a-evolucao-dos-equipamentos-de-radio-pela-perspectiva-do-tecnico-julio-cesar-alves-pires\/","title":{"rendered":"A evolu\u00e7\u00e3o dos equipamentos de r\u00e1dio pela perspectiva do t\u00e9cnico Julio Cesar Alves Pires"},"content":{"rendered":"\n<p>Entrevista: Nadine Sansana<strong><br><\/strong>Edi\u00e7\u00e3o: Jessica Grossi e Matheus Gaston<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A entrevista com Julio Cesar Alves Pires foi realizada em abril de 2019 na R\u00e1dio CBN, em Ponta Grossa, pela estudante de gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo, Nadine Bianca Sansana, como parte da sua pesquisa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>Pires nasceu em 1956 e iniciou seus trabalhos como operador no r\u00e1dio com 13 anos. Passou pela R\u00e1dio Central do Paran\u00e1 e pela R\u00e1dio Vila Velha, hoje Sociedade Pitangui de Comunica\u00e7\u00e3o Ltda., a R\u00e1dio CBN. Seus relatos t\u00eam como base a d\u00e9cada de 1970. Atualmente, Julio Cesar Alves Pires continua atuando como operador na R\u00e1dio CBN, em Ponta Grossa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Poderia falar rapidamente da sua trajet\u00f3ria profissional, onde e quando come\u00e7ou a trabalhar? Quais eram as condi\u00e7\u00f5es de trabalho? Quais eram as dificuldades com rela\u00e7\u00e3o aos equipamentos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A primeira vez que entrei no r\u00e1dio em Ponta Grossa foi no ano de 1969, na R\u00e1dio Central do Paran\u00e1, que hoje \u00e9 FM. Era em cima do Cine \u00d3pera e o trabalho que eu fiz l\u00e1 foi, primeiramente, a sonoplastia, e realmente era uma \u00e9poca muito dif\u00edcil porque n\u00e3o t\u00ednhamos todos os equipamentos que n\u00f3s temos hoje. N\u00f3s rod\u00e1vamos os comerciais em acetato de alum\u00ednio, que de repente voc\u00eas n\u00e3o conhecem, mas o acetato de alum\u00ednio \u00e9 o pr\u00f3prio disco, s\u00f3 que em alum\u00ednio. E o toca disco da \u00e9poca tinha um el\u00e1stico, onde ele fazia as tr\u00eas rota\u00e7\u00f5es: o 33, o 45 e o 78. De repente, tu estavas l\u00e1 com o locutor e ele chamava o comercial e voc\u00ea estava com o 33 e o comercial era em 78, porque o acetato de alum\u00ednio s\u00f3 rodava na rota\u00e7\u00e3o em 78. Dava aquele rolo voc\u00ea colocar o dedo e de repente enroscar no el\u00e1stico e no motorzinho. Mas enfim, foi uma \u00e9poca muito boa. Na primeira vez que eu entrei dentro do r\u00e1dio, gostei, fiquei e estou at\u00e9 hoje. Tenho mais ou menos quarenta ou quarenta e cinco anos dentro do r\u00e1dio de Ponta Grossa.<\/p>\n\n\n\n<p>Da R\u00e1dio Central do Paran\u00e1 fui para a R\u00e1dio Vila Velha que hoje \u00e9 a Sociedade Pitangui de Comunica\u00e7\u00e3o Ltda., onde estou h\u00e1 catorze anos, a R\u00e1dio CBN. J\u00e1 existia a \u201ckasseteira\u201d, que rodava os comerciais e tamb\u00e9m m\u00fasicas no ar. Pegava-se a fita K7, cortava-se trinta segundos, quarenta e cinco, at\u00e9 um minuto, cortava essas fitas, ent\u00e3o o comercial ia no tempo correto dentro dessa fita K7. Ent\u00e3o, rodava ela, ela terminava, voltava no ponto do come\u00e7o e assim a gente fazia o comercial da \u00e9poca. Era a chamada \u201ckasseteira\u201d. Disso, n\u00f3s passamos para o mini disk. Na \u00e9poca, j\u00e1 se tornou algo bem mais sofisticado dentro do r\u00e1dio. N\u00e3o s\u00f3 em Ponta Grossa, como tamb\u00e9m em todo o Brasil. O mini disk, um disquetezinho, \u00e9 um disco dentro de uma capa, onde vai no mini disk e ali a gente grava faixa por faixa, como \u00e9 gravado o CD atual. Como era tamb\u00e9m o lowplay, o disco de seis faixas lado A e seis faixas lado B, ent\u00e3o o mini disk tamb\u00e9m faz a mesma fun\u00e7\u00e3o. Ainda tem algumas emissoras que t\u00eam ele guardado e tamb\u00e9m t\u00eam os disquetes. Essa foi uma fase bem mais f\u00e1cil de trabalhar porque programava-se o comercial n\u00famero 5, n\u00famero 38, n\u00famero 46, ou n\u00famero 100, uma chamada no n\u00famero 90 e aquilo rodava normalmente e o locutor tamb\u00e9m tirava um descanso enquanto estava rodando o comercial.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes da fase da kasseteira, n\u00f3s trabalh\u00e1vamos com o dek. O dek seria um gravador, s\u00f3 que com fita K7. Ele existiu de um tamanho, digamos, n\u00e3o tem uma metragem dele, nunca coloquei isso na cabe\u00e7a. Mas uma metragem de 20 por 20, de 20 cent\u00edmetros ou at\u00e9 menos, que cabia a fita K7. Voc\u00ea colocava ele no ombro, pra fazer reportagens de rua. Tinha tamb\u00e9m o gravador Akai, que \u00e9 fita de rolo que n\u00f3s us\u00e1vamos muito na \u00e9poca, que era o gravador que a gente gravava o comercial, gravava as entrevistas e fazia as edi\u00e7\u00f5es dentro desse aparelho que seria o gravador Akai ou quatro mil DX. Depois de tudo isso veio o computador. Essa facilidade que \u00e9 hoje o computador, eu at\u00e9 brinco muitas vezes com os colegas mais antigos que a gente passou a ser meio pregui\u00e7oso, porque voc\u00ea programa, senta e deixa que ele rode. Embora essa m\u00e1quina tamb\u00e9m, \u00e0s vezes, d\u00ea problema, porque ela tem que ser manipulada pelo ser humano, sen\u00e3o ela n\u00e3o vai.<\/p>\n\n\n\n<p>Da reportagem, por exemplo, de um K7, de um gravador de rolo, hoje voc\u00ea pega um telefone e grava direto no computador, onde j\u00e1 tem todo o aparato pra voc\u00ea, de repente, equalizar a voz da pessoa, mudar o tom de voz, voc\u00ea quer fazer como fazem muito na televis\u00e3o, mudar. Ent\u00e3o, a evolu\u00e7\u00e3o de l\u00e1 pra c\u00e1 \u00e9 muito grande. E a gente est\u00e1 a\u00ed cada vez progredindo mais, porque o r\u00e1dio hoje, do AM para o FM, tem a facilidade de voc\u00ea pegar o programa e colocar dentro do computador e trabalhar em rede, como muitas emissoras fazem hoje, trabalham em rede e o disparo \u00e9 feito l\u00e1 pela emissora. Se eu quiser fazer hoje com a CBN S\u00e3o Paulo, que n\u00f3s trabalhamos, eles fazem o disparo por l\u00e1 e aqui simplesmente eu s\u00f3 fico olhando o disparo comercial meu. Saiu a vinheta do programa l\u00e1, terminou, vai acionar o meu computador aqui, ent\u00e3o \u00e9 muito mais f\u00e1cil hoje.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como foi o seu primeiro contato com o r\u00e1dio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um falecido tio tinha um programa de r\u00e1dio na Central do Paran\u00e1, l\u00e1 na \u00e9poca, em 1969, e era um programa evang\u00e9lico e eu fui l\u00e1 com ele pra ver como \u00e9 que funcionava, como \u00e9 que faz, pois eu ficava ouvindo em casa e o cara soltava uma m\u00fasica, um hino e eu fui l\u00e1 pra ver como \u00e9 que funcionava. Eu fiquei vendo o operador. O operador fazendo todo aquele trabalho, todo aquele aparato, tira disco, coloca disco, abre microfone, aumenta volume e eu me empolguei com isso. Gostei e meu tio na \u00e9poca perguntou se eu gostaria de fazer aquilo e trabalhar no r\u00e1dio. Ele falou com o diretor da r\u00e1dio e no dia seguinte, \u00e0s seis da manh\u00e3, eu estava l\u00e1 junto com o operador. Estamos at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como foi a aceita\u00e7\u00e3o pelos profissionais do r\u00e1dio e ouvintes da transi\u00e7\u00e3o do AM para o FM?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa transi\u00e7\u00e3o do AM para o FM, principalmente aqui em Ponta Grossa, j\u00e1 esper\u00e1vamos acredito h\u00e1 uns cinco ou seis anos. Em especial n\u00f3s aqui da Sociedade Pitangui de Comunica\u00e7\u00e3o Ltda., porque onde tem uma CBN, ela tem AM e FM, as duas. S\u00f3 que depois veio a lei para que pass\u00e1ssemos o AM para o FM e fic\u00e1ssemos s\u00f3 com o FM. Para Ponta Grossa, essa aceita\u00e7\u00e3o, com certeza, foi muito grande. Porque todos os empres\u00e1rios de Ponta Grossa esperavam a CBN em FM. Porque no AM, n\u00e3o \u00e9 que seja ruim, apesar de o povo gostar muito para o futebol e gostar daquele chiadinho que existe no AM, a FM j\u00e1 \u00e9 o som mais limpo, j\u00e1 \u00e9 bem mais s\u00e9rio. Realmente para Ponta Grossa a aceita\u00e7\u00e3o foi muito boa, para o p\u00fablico ouvinte e para o empres\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o social do r\u00e1dio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A fun\u00e7\u00e3o social do r\u00e1dio \u00e9 interagir com o p\u00fablico, \u00e9 levar a m\u00fasica, a informa\u00e7\u00e3o. E ela tem que estar aliada ao jornalismo, \u00e0 m\u00fasica e levar entretenimento ao p\u00fablico. E n\u00e3o deixando de fora nem um e nem o outro: nem o jornalismo nem a m\u00fasica. A gente tem que aliar todos os fatos dentro da fun\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como era e como \u00e9 a intera\u00e7\u00e3o do p\u00fablico?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A intera\u00e7\u00e3o do p\u00fablico sempre foi atrav\u00e9s do telefone. J\u00e1 mesmo do tempo antigo do r\u00e1dio, sempre foi pelo telefone. O ouvinte est\u00e1 l\u00e1 dentro da casa dele e de repente quer ouvir uma m\u00fasica ou quer dar alguma informa\u00e7\u00e3o, quer falar sobre o falecimento de algu\u00e9m. A intera\u00e7\u00e3o sempre foi assim, via telefone.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais eram os requisitos necess\u00e1rios para trabalhar no r\u00e1dio? Como era o processo de contrata\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Para entrar no r\u00e1dio n\u00e3o tinha requisitos, eu entrei pela primeira vez, gostei e fiquei. Hoje n\u00f3s temos alguns jornalistas, outros redatores, mas a maioria do pessoal que entrou no r\u00e1dio algum tempo atr\u00e1s e ainda est\u00e1 entrando, foi como eu. Porque h\u00e1 um ensinamento do pr\u00f3prio pessoal do r\u00e1dio, a gente chegava e o pessoal ensinava a fazer r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00e9rie de entrevistas com profissionais que atuaram e atuam no r\u00e1dio ponta-grossense \u00e9 fruto do trabalho da estudante Nadine Sansana, orientada pelo professor S\u00e9rgio Gadini, pelo Programa Institucional de Bolsas de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da Universidade Estadual de Ponta Grossa, vigente entre os anos de 2018 e 2019. Sob o t\u00edtulo&nbsp;<em>Mem\u00f3rias de vida e trabalho na m\u00eddia regional dos Campos Gerais do Paran\u00e1<\/em>, o projeto contribui com o acervo memorial\u00edstico radiof\u00f4nico da cidade, tendo em vista a aus\u00eancia de arquivos, registros e documentos sobre a hist\u00f3ria do r\u00e1dio em Ponta Grossa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista: Nadine SansanaEdi\u00e7\u00e3o: Jessica Grossi e Matheus Gaston A entrevista com Julio Cesar Alves Pires foi realizada em abril de 2019 na R\u00e1dio CBN, em Ponta Grossa, pela estudante de gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo, Nadine Bianca Sansana, como parte da sua pesquisa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. 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