{"id":5749,"date":"2020-10-28T18:05:44","date_gmt":"2020-10-28T21:05:44","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=5749"},"modified":"2020-10-28T18:05:44","modified_gmt":"2020-10-28T21:05:44","slug":"o-radio-ponta-grossense-na-perspectiva-de-lourival-graxaim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/o-radio-ponta-grossense-na-perspectiva-de-lourival-graxaim\/","title":{"rendered":"O r\u00e1dio ponta-grossense na perspectiva de Lourival Graxaim"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align:right\"><em>Entrevista: Nadine Sansana<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><em>Edi\u00e7\u00e3o: Jessica Grossi e Matheus Gaston<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio alignleft\"><audio controls src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Lourival-Graxaim.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>A entrevista com Ant\u00f4nio Lourival dos Santos foi realizada em junho de 2019, na R\u00e1dio Princesa, em Ponta Grossa, pela estudante de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Nadine Sansana, como parte da sua pesquisa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>Santos nasceu em 1953 no munic\u00edpio de Iva\u00ed. Iniciou seus trabalhos como locutor no r\u00e1dio em 1982, em Ponta Grossa. Passou pela R\u00e1dio Sant\u2019Ana, R\u00e1dio Central, R\u00e1dio Clube, Difusora e pela r\u00e1dio comunit\u00e1ria Princesa. Mais conhecido como Lourival Graxaim, o radialista trabalha, atualmente, na R\u00e1dio T.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Onde e quando come\u00e7ou a trabalhar? Quais eram as condi\u00e7\u00f5es de trabalho? Quais eram as dificuldades com rela\u00e7\u00e3o aos equipamentos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estou com 66 anos de idade. Eu vim para Ponta Grossa com 12. No come\u00e7o, quando ainda estava no s\u00edtio, eu ia para a escola e depois para a ro\u00e7a. L\u00e1 na ro\u00e7a, eu lembrava das r\u00e1dios, porque eu ouvia r\u00e1dio. Era garoto, tinha uns sete ou oito anos e ouvia a R\u00e1dio Difusora de Ponta Grossa, de Guarapuava. Com isso eu fazia um programa na cabe\u00e7a, na minha ideia eu j\u00e1 tinha que um dia seria radialista. Fui para a cidade e comecei a tocar em programas de r\u00e1dio aqui em Ponta Grossa, viajando para o interior tocando em festa e em baile. Em 1982 comecei no r\u00e1dio e estou at\u00e9 hoje. Vivo do r\u00e1dio, isso aqui \u00e9 a minha vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de come\u00e7ar no r\u00e1dio, eu era m\u00fasico. Comecei como m\u00fasico, viajava tocando em baile, em festa. Comecei com a minha dupla, cantando nas r\u00e1dios. A primeira r\u00e1dio que eu conheci foi a R\u00e1dio Difusora. Hoje \u00e9 FM, mas antes era AM. Comecei na Central em 1982. Em 1980, comecei a aprender o r\u00e1dio. Comprei o hor\u00e1rio na R\u00e1dio Central, aos domingos, das 6 \u00e0s 8. O Nilson de Oliveira, que era da Difusora, foi para a R\u00e1dio Central do Paran\u00e1 e como eu estava l\u00e1, pensei que a partir daquele momento estaria fora do r\u00e1dio. Pelo contr\u00e1rio, ele me chamou em 1982 e me registrou em carteira. Nunca mais sa\u00ed do r\u00e1dio. Daquele momento, passei a ser profissional do r\u00e1dio. Aqui na R\u00e1dio Princesa faz oito anos que eu estou. Aqui fa\u00e7o um programa diferenciado para todas as classes. E hoje em dia todo mundo ouve r\u00e1dio: adulto ouve r\u00e1dio, crian\u00e7a ouve r\u00e1dio, jovem ouve r\u00e1dio. Ent\u00e3o fa\u00e7o um programa bem cl\u00e1ssico, levando m\u00fasica raiz, m\u00fasica ga\u00facha, m\u00fasica universit\u00e1ria. E tamb\u00e9m informa\u00e7\u00f5es que o pov\u00e3o que levanta cedo e que gosta do r\u00e1dio quer ouvir. Informa\u00e7\u00f5es sobre o que est\u00e1 acontecendo na cidade. Ent\u00e3o \u00e9 um programa bem variado, levando aquilo que o povo gosta e tamb\u00e9m aquilo que \u00e9 de utilidade p\u00fablica, porque at\u00e9 nota de falecimento eu trago. Tem um quadro que eu apresento em homenagem aos caminhoneiros e tamb\u00e9m tem a cota\u00e7\u00e3o do mercado agr\u00edcola, o hor\u00e1rio que fa\u00e7o \u00e9 voltado para o homem do campo. Como eu vim do campo, da lavoura, do  s\u00edtio, homenageio o homem do campo. J\u00e1 estou com trinta e poucos anos no r\u00e1dio, mas continuo porque eu gosto muito do r\u00e1dio. Minha segunda fam\u00edlia, depois de casa, \u00e9 o r\u00e1dio. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como foi a sua trajet\u00f3ria pelas r\u00e1dios aqui em Ponta Grossa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00e1dio Central foi a primeira r\u00e1dio que eu comecei a minha vida profissional. Eu tocava no programa dele [Luiz Alberto, Nh\u00f4 Jeca, que j\u00e1 \u00e9 falecido], aos domingos com a minha dupla. Teve uma vez que ele foi para o Rio de Janeiro, ficou um m\u00eas l\u00e1 e eu assumi o programa dele. S\u00f3 dando a hora certa e apresentando os cantores. A partir daquele momento, eu comecei a gostar do r\u00e1dio. Ele voltou e eu entreguei o programa pra ele e continuei participando como m\u00fasico. Em 1982, o Nilson de Oliveira veio para a Central e me registrou em carteira. Trabalhei na R\u00e1dio Sant\u2019Ana, na R\u00e1dio Central, R\u00e1dio Clube, na Difusora, fiquei 20 anos trabalhando na R\u00e1dio Difusora, cheguei a me aposentar na Difusora, mas continuo trabalhando at\u00e9 hoje no r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais as diferen\u00e7as dos equipamentos da \u00e9poca quando o senhor entrou trabalhar no r\u00e1dio para os dias de hoje?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No come\u00e7o, eu trabalhava na r\u00e1dio AM. Hoje em dia \u00e9 tudo FM na cidade. Na AM tinha s\u00f3 o locutor e o operador de som. Eu comecei a praticar, chegava cedo na r\u00e1dio. J\u00e1 que o operador nunca chegava na hora certa, eu decidi a aprender a mexer na mesa e hoje eu opero a mesa e fa\u00e7o tudo: opero a mesa, fa\u00e7o locu\u00e7\u00e3o, tudo sozinho. Tenho tr\u00eas horas de programa di\u00e1rio, eu que apresento o programa e opero a mesa, n\u00e3o dependo de operador. Quando comecei no r\u00e1dio, n\u00e3o tinha computador, era dif\u00edcil, ent\u00e3o era s\u00f3 a mesa e o gravador de fita de rolo. Hoje em dia n\u00e3o, voc\u00ea tem o computador, voc\u00ea tem tudo. Voc\u00ea digita ali e j\u00e1 aparece todos os comerciais, o mapa de programa\u00e7\u00e3o, tudo o que voc\u00ea precisa, ent\u00e3o \u00e9 mais tranquilo. S\u00f3 que tem que aprender a fazer locu\u00e7\u00e3o, fazer a mesa e administrar tudo ali.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na sua opini\u00e3o, qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o social do r\u00e1dio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O brasileiro n\u00e3o vive sem r\u00e1dio. Hoje em dia voc\u00ea est\u00e1 no r\u00e1dio, a pessoa te ouve, ela n\u00e3o te conhece e ela tem aquela curiosidade de te conhecer. A televis\u00e3o voc\u00ea liga e j\u00e1 v\u00ea a imagem da pessoa e reconhece. O r\u00e1dio voc\u00ea liga e tem curiosidade de conhecer o locutor, a pessoa que est\u00e1 apresentando o programa. O r\u00e1dio te traz informa\u00e7\u00f5es, te traz m\u00fasicas, divers\u00e3o, utilidade p\u00fablica, ent\u00e3o \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o completa. Acho que todo mundo gosta de r\u00e1dio. Todas as classes ouvem. At\u00e9 para o com\u00e9rcio ele tamb\u00e9m \u00e9 muito importante, faz 30 anos que tenho anunciantes grandes na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual a diferen\u00e7a da participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico de antes para agora?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antigamente o pessoal participava mais por cartinha. Nos anos 80, na outra emissora, eu recebia muita cartinha e o pessoal ligava bastante no telefone da r\u00e1dio. Agora, hoje em dia, \u00e9 mais pelo WhatsApp mesmo. O pessoal, \u00e0s vezes, vem aqui na r\u00e1dio pra pedir pra divulgar algum evento,  festa, anivers\u00e1rio. As pessoas v\u00eam participar e eu direto recebo pessoas no meu programa, conversamos, fazemos entrevista. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como foi sua experi\u00eancia no processo de transi\u00e7\u00e3o da AM para FM?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu estava trabalhando na R\u00e1dio Difusora. Ainda era AM. Em janeiro de 2011 sa\u00ed da Difusora e em fevereiro j\u00e1 estava na R\u00e1dio Princesa. A transi\u00e7\u00e3o do AM para o FM pra mim foi normal, porque eu h\u00e1 muito tempo trabalho com isso. Antes da Princesa, eu trabalhei na 94 FM, foi em 1997\/98 por a\u00ed, trabalhei na Lagoa Dourada, que hoje \u00e9 a R\u00e1dio T, que tamb\u00e9m j\u00e1 era FM. Ent\u00e3o a Princesa \u00e9 a terceira FM que eu estou trabalhando, j\u00e1 tinha experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00e9rie de entrevistas com profissionais que atuaram e atuam no r\u00e1dio ponta-grossense \u00e9 fruto do trabalho da estudante Nadine Sansana, orientada pelo professor S\u00e9rgio Gadini, pelo Programa Institucional de Bolsas de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da Universidade Estadual de Ponta Grossa, vigente entre os anos de 2018 e 2019. Sob o t\u00edtulo Mem\u00f3rias de vida e trabalho na m\u00eddia regional dos Campos Gerais do Paran\u00e1, o projeto contribui com o acervo memorial\u00edstico radiof\u00f4nico da cidade, tendo em vista a aus\u00eancia de arquivos, registros e documentos sobre a hist\u00f3ria do r\u00e1dio em Ponta Grossa.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista: Nadine Sansana Edi\u00e7\u00e3o: Jessica Grossi e Matheus Gaston A entrevista com Ant\u00f4nio Lourival dos Santos foi realizada em junho de 2019, na R\u00e1dio Princesa, em Ponta Grossa, pela estudante de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Nadine Sansana, como parte da sua pesquisa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. 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