{"id":5787,"date":"2020-11-11T15:34:56","date_gmt":"2020-11-11T18:34:56","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=5787"},"modified":"2020-11-11T15:34:56","modified_gmt":"2020-11-11T18:34:56","slug":"o-ressurgimento-do-cinema-drive-in-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/o-ressurgimento-do-cinema-drive-in-na-pandemia\/","title":{"rendered":"O ressurgimento do cinema drive-in na pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p>O\ndrive-in \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o diferente de cinema sobre\nas rodas dos carros, onde o som \u00e9 transmitido pelo r\u00e1dio e as grandes telas\ndeixam tudo mais aconchegante. E foi essa a principal ideia do criador deste\nestilo de assistir filmes, Richard Hollingshead\n(1900-1975), que dizia que sua m\u00e3e reclamava da falta de conforto nas poltronas\ndos cinemas tradicionais. Al\u00e9m disso, outros fatores que impulsionam a cria\u00e7\u00e3o\ne popularidade do drive-in foram a populariza\u00e7\u00e3o dos altos falantes\nmobil\u00edsticos e o desenvolvimento da r\u00e1dio com frequ\u00eancia AM ou FM.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro modelo de cinema drive-in era conhecido como Park-In\nTheater e surgiu nos Estados Unidos em 1933, na cidade de Camden, em Nova\nJersey. Logo se tornou uma tend\u00eancia e um \u00edcone da cultura norte-americana, at\u00e9\nmesmo sendo representado em diversos filmes cl\u00e1ssicos, como no musical\n\u2018Grease\u2019. Contudo a \u201cEra de Ouro\u201d dos drive-in foi nas d\u00e9cadas de 1950 e 1960.\nUm dos maiores que j\u00e1 existiu, o\nJohnny All-Weather Drive-In, localizado na cidade de\nNova York, chegava a comportar 2500 ve\u00edculos, e possu\u00eda restaurantes e\nplaygrounds no espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>O\ndecl\u00ednio da popularidade dos drive-in nos EUA aconteceu nos anos 1970 e 1980,\nmotivado principalmente pelo surgimento das locadoras e pelo aumento do pre\u00e7o\nda terra nos arredores das cidades, onde muitos\ndesses cinemas estavam instalados.<\/p>\n\n\n\n<p>Trazendo\num pouco da hist\u00f3ria dos drive-in para o Brasil, at\u00e9 o ano de 2020 s\u00f3 existia\num espa\u00e7o deste tipo no pa\u00eds, em Bras\u00edlia (DF). Inaugurado em 1973, o local tem\ncapacidade para 500 carros e possui a maior tela do pa\u00eds, com 312 m\u00b2. Com o\nsurgimento da pandemia de COVID-19, os cinemas drive-in se popularizam\nnovamente, como uma forma de assistir filmes de maneira segura, respeitando o\ndistanciamento social.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em Ponta Grossa, os drive-in come\u00e7aram a se popularizar em julho,\ncom a chegada do Dia dos Namorados. O primeiro experimento de cinema a c\u00e9u\naberto teve tanto \u00eaxito na cidade que outros espa\u00e7os come\u00e7aram a surgir desde\nent\u00e3o. Entre as iniciativas, vale citar a sess\u00e3o\nexclusiva realizada em setembro para as fam\u00edlias dos profissionais de sa\u00fade do\nHospital Universit\u00e1rio Regional como homenagem aos que est\u00e3o na linha de frente\ndo combate \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro evento marcante foi a arrecada\u00e7\u00e3o de fundos\npara institui\u00e7\u00f5es sociais de Ponta Grossa atrav\u00e9s da venda de ingressos em um\ndos drive-in do munic\u00edpio, a qual contribuiu para institui\u00e7\u00f5es como Instituto\nDuque de Caxias, Absorvendo Elas, Asilo S\u00e3o Vicente, Arco \u00cdris e Instituto\nBeneficente Xavier de Barros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns estabelecimentos ponta-grossenses tamb\u00e9m\nest\u00e3o incluindo manifesta\u00e7\u00f5es culturais em suas programa\u00e7\u00f5es. Performances e\napresenta\u00e7\u00f5es de teatro tem\u00e1tico dos filmes que s\u00e3o transmitidos na tela do\ncinema drive-in se tornaram presen\u00e7as essenciais, especialmente para as\ncrian\u00e7as, que interagem \u00e0 dist\u00e2ncia com os personagens dos filmes que est\u00e3o\nassistindo, como se estes estivessem \u201csaltando da tela\u201d. Um exemplo foi a\nparticipa\u00e7\u00e3o da companhia de dan\u00e7a, teatro e circo Cia Artheiros na exibi\u00e7\u00e3o de\n\u201cO Rei Le\u00e3o\u201d, com os integrantes caracterizados como os personagens de uma das\nanima\u00e7\u00f5es mais famosas dos Est\u00fadios Disney.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O ressurgimento deste modo de consumir cinema j\u00e1 \u00e9 percebido como\numa forma de investimento para o futuro, uma vez que o modelo dos drive-in\ntamb\u00e9m \u00e9 vi\u00e1vel para outros tipos de evento como formaturas, cultos religiosos\ne shows musicais. Vale lembrar que os eventos drive-in tamb\u00e9m se tornaram uma\ndas poucas op\u00e7\u00f5es que organizadores de espet\u00e1culos e cerim\u00f4nias t\u00eam hoje em dia\npara manter a economia de uma ind\u00fastria que ficou por meses estagnada, a do\nsetor cultural.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Pesquisa de\nPercep\u00e7\u00e3o dos Impactos da Covid-19 nos Setores Cultural e Criativo do Brasil,\nanalisada pelo soci\u00f3logo Rodrigo Amaral, da Faculdade de\nFilosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), os\nsetores cultural e da economia criativa perderam, segundo as organiza\u00e7\u00f5es\ncontempladas no estudo, entre 50% a 100% de seu retorno financeiro nos\nprimeiros meses da emerg\u00eancia sanit\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco se sabe sobre o futuro enquanto a pandemia da COVID-19 ainda\nestiver transcorrendo. Entretanto, os cinemas de todo o pa\u00eds ensaiam\ngradativamente a reabertura de suas portas. Mas enquanto muitos estiverem\nincertos em retornar \u00e0s salas fechadas sem a certeza de uma vacina, a op\u00e7\u00e3o dos\ndrive-in \u00e9 certeira para aqueles que desejam sair de casa com desejo de retomar\nsuas atividades culturais com responsabilidade e seguran\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O drive-in \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o diferente de cinema sobre as rodas dos carros, onde o som \u00e9 transmitido pelo r\u00e1dio e as grandes telas deixam tudo mais aconchegante. 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