{"id":5846,"date":"2020-11-27T14:13:12","date_gmt":"2020-11-27T17:13:12","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=5846"},"modified":"2020-11-27T14:13:12","modified_gmt":"2020-11-27T17:13:12","slug":"alci-ayres-marca-a-presenca-da-mulher-no-radio-ponta-grossense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/alci-ayres-marca-a-presenca-da-mulher-no-radio-ponta-grossense\/","title":{"rendered":"Alci Ayres marca a presen\u00e7a da mulher no r\u00e1dio ponta-grossense"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align:right\"><em>Entrevista: Nadine Sansana<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><em>Edi\u00e7\u00e3o: Jessica Grossi e Matheus Gaston <\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Alci-Ayres.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>A entrevista com Alcidina Ayres\nRodrigues foi\nrealizada em abril de 2019, na R\u00e1dio Sant\u2019Ana, em Ponta Grossa, pela estudante\nde gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG),\nNadine Bianca Sansana, como parte da sua pesquisa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>Alcidina Ayres Rodrigues nasceu em 1968 na cidade de Itaporanga, em S\u00e3o\nPaulo. Veio para Ponta Grossa na d\u00e9cada de 1990, a convite do radialista Erondi\nMill\u00e9o. Atualmente, Alci Ayres, como \u00e9 conhecida, atua como locutora na R\u00e1dio\nSant\u2019Ana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Poderia falar rapidamente da tua trajet\u00f3ria profissional, onde e\nquando come\u00e7ou a trabalhar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu tenho contato com o\nr\u00e1dio a vida inteira, desde a barriga da minha m\u00e3e, porque em casa s\u00f3 se ouvia\nr\u00e1dio e naquela \u00e9poca, quando nasci, n\u00e3o tinha a TV em casa. Ent\u00e3o, acordava\nouvindo r\u00e1dio e dormia ouvindo r\u00e1dio. Era apaixonada por aquele mundo\nimagin\u00e1rio, ficava imaginando como era dentro do r\u00e1dio, bem coisa de crian\u00e7a e\nque as crian\u00e7as de hoje n\u00e3o tem. E a paix\u00e3o foi crescendo, sempre sonhava. E,\nenquanto as minhas amigas queriam brincar de casinha, de boneca, fazer\ncomidinha, e os meus amigos queriam jogar bola, eu queria brincar de circo, de\nr\u00e1dio, queria dan\u00e7ar, cantar, falar, apresentar. E a\u00ed eu fazia um acordo com\neles: brincava um pouco com eles, pra eles depois se tornarem meu p\u00fablico.\nEnt\u00e3o eu fazia um showzinho debaixo da \u00e1rvore, pegava as coisas da minha m\u00e3e\n(ela ficava muito brava), pegava os cintos dela e amarrava em alguma coisa pra\nfazer de microfone. Enfim, j\u00e1 eram as minhas brincadeiras de crian\u00e7a. Sempre\ngostei de ouvir os comunicadores da \u00e9poca e sempre gostei mais do entretenimento\nno r\u00e1dio. Ou seja, levar as boas not\u00edcias, a descontra\u00e7\u00e3o, a boa m\u00fasica e o\nesporte tamb\u00e9m. Gosto muito at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a\u00ed eu fui por outros\ncaminhos: fui ser bab\u00e1 com 9 anos, perdi meu pai ainda cedo e ele era\ncaminhoneiro. Trabalhei de bab\u00e1 por uns sete anos, at\u00e9 um pouco antes dele\nfalecer. Eu fui para o r\u00e1dio porque eu era apaixonada. At\u00e9 a mulher para quem\neu trabalhava dizia impressionada de como eu gostava de r\u00e1dio, pois eu amava\nficar ouvindo r\u00e1dio. Ela era professora e ele era advogado e, na \u00e9poca, foram\num dos primeiros acionistas da r\u00e1dio que foi montada na minha cidade de\nItaporanga, no estado de S\u00e3o Paulo, uma cidade pequena, na \u00e9poca, de 30 mil\nhabitantes. R\u00e1dio ali era uma novidade e eu fiquei encantada quando eles\nfalaram assim pra mim: \u201cvoc\u00ea v\u00e1 l\u00e1 e d\u00ea uma olhada porque vai sair uma r\u00e1dio\naqui na cidade\u201d. E nessa \u00e9poca eu j\u00e1 tinha sa\u00eddo da casa deles, tentado um\noutro trabalho fora, pois j\u00e1 estava com 18 anos, mas n\u00e3o deu certo. Ent\u00e3o fui\ntrabalhar em uma farm\u00e1cia. Nunca consegui ficar em casa [sem trabalhar] e as\npessoas iam atr\u00e1s de mim. Por coincid\u00eancia, essa farm\u00e1cia era quase na esquina\nde onde estava sendo montada a r\u00e1dio. O doutor Acir, que na \u00e9poca tamb\u00e9m era\npatr\u00e3o da minha m\u00e3e, chegou e disse assim: \u201cent\u00e3o, vai trabalhar na r\u00e1dio?\u201d\nIsso prova que meu ex-patr\u00e3o j\u00e1 tinha falado com eles. Eu falei assim: \u201ceu,\ntrabalhar em uma r\u00e1dio?\u201d A\u00ed fui falar com outro diretor, o majorit\u00e1rio, o\nsenhor Arnoldo, que tamb\u00e9m j\u00e1 tinha sido patr\u00e3o da minha m\u00e3e. Cheguei l\u00e1, vi\naquilo e pensei assim comigo: \u201ceu vou limpar essa r\u00e1dio, mas eu vou estar\ntrabalhando nela!\u201d E era isso que me importava, na \u00e9poca eu ainda era\nestudante, tinha parado de estudar no segundo grau. E n\u00e3o estava nem\nacreditando, uma r\u00e1dio na minha cidade! Me falaram que eu ia trabalhar com eles\ne come\u00e7aram a me ensinar a fazer a parte t\u00e9cnica, a parte de discoteca e eu\nfiquei maravilhada com aquilo, pra mim era um sonho, eu n\u00e3o estava nem\nacreditando. Claro que eu larguei a farm\u00e1cia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a r\u00e1dio entrou no\nar, eu estava l\u00e1, fazendo mesa. Logo me ensinaram a fazer locu\u00e7\u00e3o. Os primeiros\nprogramas que eu fiz eram gravados, fazia tipo uma parada musical e eu fazia\nmesa pra mim mesma. Eu fazia a t\u00e9cnica e colocava a minha voz. Naquela \u00e9poca\nera toca-discos. Se voc\u00ea me perguntar qual que era mais legal, antes ou agora,\nantes era muito mais legal. Apesar de toda a tecnologia, hoje \u00e9 diferente,\nparece que antes era mais interessante, parece que exigia mais da gente e \u00e9 bom\nquando a gente \u00e9 mais exigido, a gente se doa mais e \u00e9 mais capaz. Hoje eu acho\nque est\u00e1 muito pronto, tanto \u00e9 que esses DJs de agora que a gente v\u00ea que \u00e9\nlegal, mas est\u00e1 tudo pronto. Antigamente a gente tinha que fazer o som com a\nm\u00e3o, com o disco, e era muito divertido. Ent\u00e3o aprendi a fazer a t\u00e9cnica, a\nlocu\u00e7\u00e3o, fiz programas de todos os tipos com participa\u00e7\u00f5es, programas\nsertanejos, de madrugada fazia personagens, j\u00e1 participei de novelas tamb\u00e9m,\napresentei jornal, mas meu gosto maior mesmo \u00e9 pelo entretenimento. Fiz muita\nfofoca de novela no r\u00e1dio e foi uma das coisas que mais me fez conhecida no\nr\u00e1dio. Era muito melhor fazer r\u00e1dio antigamente. Acho que todos os profissionais\nda \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o que trabalham hoje v\u00e3o concordar comigo. Porque a gente\ntinha que ir atr\u00e1s das coisas e quem conseguia a melhor informa\u00e7\u00e3o, tinha a\naudi\u00eancia garantida e conquistava uma determinada refer\u00eancia. Hoje n\u00e3o tem mais\ngra\u00e7a, a tua vizinha fica sabendo antes de voc\u00ea que trabalha no r\u00e1dio, por\ncausa da internet. Ent\u00e3o \u00e9 estranho essa tecnologia, essa modernidade, hoje\nparece que ficou muito f\u00e1cil. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, parece s\u00f3, \u00e9 mais dif\u00edcil ainda,\npor que: como sair na frente com uma informa\u00e7\u00e3o? <\/p>\n\n\n\n<p>Eu sou do tempo do r\u00e1dio\nque quando voc\u00ea estava na rua e voc\u00ea via um acidente, voc\u00ea ligava para a r\u00e1dio\ne passava a informa\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea entrava em primeira m\u00e3o com a not\u00edcia, parava tudo\nna r\u00e1dio pra voc\u00ea entrar: n\u00e3o importava aonde voc\u00ea estava, quem era voc\u00ea, mas\nse voc\u00ea trabalhasse na r\u00e1dio a gente tinha essa ideia, tinha algumas ordens,\npor exemplo, que poderia ser at\u00e9 a mulher do caf\u00e9, se ela visse alguma coisa\nera pra ligar para a r\u00e1dio, trazer a informa\u00e7\u00e3o porque a gente tinha que\ndivulgar em primeira m\u00e3o. Hoje n\u00e3o \u00e9 mais assim, mesmo com o WhatsApp. At\u00e9\nmesmo por causa das fake news, como acreditar? Como confiar? Antigamente voc\u00ea\npodia confiar mais nas pessoas. Mas enfim, r\u00e1dio \u00e9 maravilhoso, \u00e9 uma paix\u00e3o,\neu amo fazer r\u00e1dio, gosto muito. J\u00e1 s\u00e3o 32 anos de caminhada.<\/p>\n\n\n\n<p>Comecei em uma AM, depois\neu vim para o Paran\u00e1. Chegando aqui eu vim trabalhar na R\u00e1dio Sant\u2019Ana.\nTrabalhei dois anos aqui e depois eu fui pra r\u00e1dio Tropical, que hoje \u00e9 a R\u00e1dio\nT. Fiquei muitos anos l\u00e1 e, depois, por um tempo, vim trabalhar na Sant\u2019Ana,\nque era AM na \u00e9poca. Eu trabalhava de manh\u00e3 aqui e \u00e0 tarde l\u00e1. Depois fiquei s\u00f3\ntrabalhando na R\u00e1dio Sant\u2019Ana. J\u00e1 faz quase 15 anos que eu estou por aqui e\nagora a Sant\u2019Ana \u00e9 um ano de FM. Agora com FM todo mundo pode sintonizar nos aparelhos\nmodernos, o som de uma FM tamb\u00e9m \u00e9 melhor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em\nque ano voc\u00ea veio para Ponta Grossa? E por que veio para c\u00e1?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu vim aqui para Ponta\nGrossa nos anos 1990. Na \u00e9poca eu trabalhava naquela primeira r\u00e1dio, e o chefe\nmajorit\u00e1rio tinha parentes aqui em Ponta Grossa, no caso o Erondi Mill\u00e9o. E o\nErondi foi dirigir a r\u00e1dio na minha cidade. Conheci ele e sempre me falava das\nr\u00e1dios do Paran\u00e1. Ele ent\u00e3o me convidou para participar de um encontro de\nradialistas promovido pelo saudoso, j\u00e1 falecido, Aldo Mikaelli. Quando eu\ncheguei aqui, fiquei apaixonada pela cidade, naquela \u00e9poca voc\u00ea podia andar no\nmeio da rua, porque n\u00e3o tinha perigo e a cidade era muito calma. Mas de repente\nela foi crescendo e hoje n\u00e3o d\u00e1 mais pra andar no meio da rua. Mas enfim, a\u00ed\nviemos todos morar pra c\u00e1, eu trouxe a minha m\u00e3e e minhas irm\u00e3s. Acabei me\ncasando aqui e tenho um casal de filhos. Convites n\u00e3o me faltaram para ir para\noutros lugares, mas eu acabei me acomodando, porque primeiro gostei daqui e\ndepois porque eu pensava nas crian\u00e7as. Surgiram algumas oportunidades, mas eu\npreferi ficar. E n\u00e3o me arrependo, gosto de evangelizar no r\u00e1dio. Ali\u00e1s, desde\nque eu comecei a fazer r\u00e1dio eu sempre falei de Deus. E estou feliz e\nrealizada. Amo o que eu fiz. E eu sempre falo para os meus filhos, paras os\nmeus amigos e ouvintes: fa\u00e7a como profiss\u00e3o aquilo que voc\u00ea faria de gra\u00e7a e\nvoc\u00ea vai agradecer por estar ganhando por fazer o que voc\u00ea gosta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea\ncomentou que quando come\u00e7ou a trabalhar era voc\u00ea quem comandava os equipamentos.\nComo eram esses equipamentos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 eu voltar pra\ntrabalhar na R\u00e1dio Sant\u2019Ana, eu operava os equipamentos. Depois n\u00e3o fiz mais\nporque aqui a gente tem o operador. E \u00e9 bom porque a gente tem mais tempo pra\nse dedicar ao programa, pra interagir mais com os ouvintes, \u00e9 gostoso tamb\u00e9m.\nMas por muitos anos, desde a AM l\u00e1 em S\u00e3o Paulo, eu j\u00e1 fazia mesa pra mim,\nporque na verdade l\u00e1 eles resolveram inovar, na \u00e9poca ela era a primeira AM\nest\u00e9reo do interior do Brasil, ent\u00e3o as inova\u00e7\u00f5es que eles levaram l\u00e1, uma dela\nera justamente colocar mulheres como operadora de som. Naquela \u00e9poca era uma\ninova\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tinha mulheres DJs, fazendo mesa, s\u00f3 os meninos que faziam. Era\ndif\u00edcil, claro, mas depois que voc\u00ea aprende \u00e9 maravilhoso. Na \u00e9poca j\u00e1 aprendi\na montar os cartuchos, porque tinha as cartucheiras. A\u00ed tinha que montar os\ncartuchos com as fitas, colar, botar numa r\u00e9gua, todo aquele processo. Ent\u00e3o\naprendi a fazer grava\u00e7\u00e3o comercial naquelas m\u00e1quinas de antigamente, agora \u00e9\ntudo por computador e tudo diferente. Mas naquele tempo era assim, voc\u00ea tinha\nque gravar uma vinheta, tinha que falar tr\u00eas vezes o nome da r\u00e1dio, pra depois\nseparar, tirar bem certinho no som pra montar. Hoje n\u00e3o, o locutor fala uma vez\ne pronto, e colocam v\u00e1rios efeitos. Essa \u00e9 a vantagem de hoje: mais facilidade,\nmenos pessoas trabalhando no r\u00e1dio. Antigamente tinha muita gente: quando eu\ncomecei tinha diretor art\u00edstico, era aquele que fazia o espelho da r\u00e1dio, tinha\no diretor financeiro, tinha o diretor que cuidava das grava\u00e7\u00f5es comerciais,\ntinha discotec\u00e1rio, programador. Agora as coisas mudaram tudo, est\u00e1 tudo\ndiferente, foram diminuindo as pessoas. Os equipamentos foram se modernizando,\ndepois veio o CD. Mas agora est\u00e1 tudo mais f\u00e1cil com o computador.<\/p>\n\n\n\n<p>Os riscos de antigamente\neram assim: quantas vezes pegavam o disco riscado. Depois tinha a fita, que\nenrolava, a\u00ed vieram as cartucheiras, depois veio o CD que tamb\u00e9m riscava, era\nmelhor, mas ainda riscava. Agora n\u00e3o, s\u00f3 se o computador travar ou dar uma\nqueda de luz. Mas agora os riscos s\u00e3o bem menores. As r\u00e1dios ficam mais tempo\nno ar tamb\u00e9m, antigamente era muito f\u00e1cil um transmissor sair do ar. Eu j\u00e1\ncheguei a trabalhar em uma r\u00e1dio que ficou a semana inteira fora do ar porque o\ntransmissor n\u00e3o estava funcionando. Hoje \u00e9 muito mais moderno, em poucos minutinhos\neles arrumam. Mas vale a pena, sempre vale a pena. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como\nera a participa\u00e7\u00e3o dos ouvintes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antes a gente recebia\nmuita carta dos ouvintes, hoje \u00e9 s\u00f3 pelo WhatsApp. S\u00f3 que voc\u00ea tem contato com\nmais pessoas. Porque antes as pessoas vinham at\u00e9 a r\u00e1dio ver voc\u00ea e o m\u00e1ximo\nque tinha era o telefone. Hoje n\u00e3o, elas continuam vindo te conhecer, ver a\nr\u00e1dio, como funciona e para participar. Elas continuam ligando no telefone\nfixo, no celular, a\u00ed tem o WhatsApp da r\u00e1dio, as redes sociais e e-mail, mas \u00e9\nmuito bom saber que tem bastante gente ouvindo. Antigamente as pessoas\nescreviam muita carta e davam presentes para os locutores tamb\u00e9m. E at\u00e9 hoje\nganhamos as coisas, \u00e0s vezes ganhamos um bolo, pudim, flor, enfeites, ainda\ncontinuam sendo muito carinhosos com a gente. O radialista \u00e9 um amigo do r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea\ncomentou que j\u00e1 apresentou um jornal. Como eram feitas as apura\u00e7\u00f5es dessas\nnot\u00edcias?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Normalmente com os mesmos\ncrit\u00e9rios de hoje, tem que ter a fonte, ouvir as partes, para depois informar.\nEu penso assim que era mais f\u00e1cil, por\u00e9m voc\u00ea tinha que correr atr\u00e1s, por\nexemplo, voc\u00ea tinha que deixar os est\u00fadios e ir atr\u00e1s da not\u00edcia. As not\u00edcias\nque eu apresentava, geralmente algu\u00e9m j\u00e1 tinha feito. Mas eu j\u00e1 fui rep\u00f3rter\npolicial, de ir na delegacia, pegar aquelas folhinhas amarelas de ocorr\u00eancia.\nTinha que decifrar a letra do escriv\u00e3o, de quem escreveu a ocorr\u00eancia. Era um\ndesafio muito grande, tinha que entrevistar o delegado e \u00e0s vezes ou ele n\u00e3o\nqueria falar ou n\u00e3o falava declaradamente, a\u00ed a gente sofria bastante pra\npassar aquela informa\u00e7\u00e3o para o ar. Mas quando voc\u00ea pegava uma situa\u00e7\u00e3o onde o\nentrevistado falava bem, nossa a gente ficava muito feliz. Era gostoso, mas\nainda n\u00e3o era a minha \u201cpraia\u201d, porque eu gosto de fazer uma coisa mais\ndivertida no r\u00e1dio. Fiz esporte tamb\u00e9m e coment\u00e1rio de futebol, reportagem de\ncampo. Sempre tinha rep\u00f3rteres trabalhando nas r\u00e1dios, principalmente\nestagi\u00e1rios. O legal \u00e9 que voc\u00ea vai aprendendo no dia a dia com as pessoas, mas\nprecisa ter vontade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Atualmente,\nno seu programa, voc\u00ea tamb\u00e9m tem alguns momentos de informa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, na verdade as\ninforma\u00e7\u00f5es do meu programa s\u00e3o mais no sentido do que est\u00e1 acontecendo nas\nigrejas, no caso, por exemplo, as atividades que a igreja promove. Eu recebo\nessas informa\u00e7\u00f5es pela Pascom [Pastoral da Comunica\u00e7\u00e3o]. Tem tamb\u00e9m os convites\npara eventos, mas o informativo mesmo eu n\u00e3o fa\u00e7o, isso fica com o pessoal do\njornal. No meu programa tem algumas participa\u00e7\u00f5es. Por exemplo, tem\nfonoaudi\u00f3loga, depois tem psic\u00f3loga, temos a Pastoral da Sa\u00fade, tem um padre e\ntem a parte comercial. Eu sou mais apresentadora agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando eu fui fazer a\nparticipa\u00e7\u00e3o com eles no esporte, teve uma coisa engra\u00e7ada. Fui v\u00e1rias vezes e\n\u00e9 muito legal fazer reportagem esportiva, s\u00f3 que n\u00e3o pude entrar nos vesti\u00e1rios\npara entrevistar. Fiquei l\u00e1 em cima nas cabines fazendo coment\u00e1rios e anotando\nalgumas coisas. A\u00ed, do meu lado, tinha dois senhores bem de idade, naquela\n\u00e9poca eu tinha 18 pra 19 anos, mais ou menos, e eu estava l\u00e1 anotando. A\u00ed eles\nfalaram assim pra mim: \u201cvoc\u00ea \u00e9 rep\u00f3rter?\u201d Eu falei: \u201ceu era pra ser, mas como\nn\u00e3o posso entrar, fiquei de comentarista.\u201d [Eles falaram: ] \u201ccomentarista? Ah,\nn\u00e3o! Temos que escrever sobre voc\u00ea.\u201d A\u00ed eles come\u00e7aram a anotar meu nome, quem\neu era, tudo, e come\u00e7aram a fazer um monte de pergunta pra mim sobre esporte e\neles falaram que eles eram do jornal Estad\u00e3o, O Estado de S.Paulo. S\u00f3 que eu\nera muito boba, depois que saiu alguma coisa, eu nem fui atr\u00e1s. Eles falaram\nque eu fui a primeira mulher que eles conheceram que estava fazendo coment\u00e1rio\nde futebol. S\u00f3 que pra mim isso era normal. Eu j\u00e1 entrevistei v\u00e1rios artistas\ntamb\u00e9m, como Sandy e Junior, O Rappa, Jo\u00e3o Paulo e Daniel, pessoas que n\u00e3o eram\nartistas [na \u00e9poca] e depois ficaram famosos. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na\ntua opini\u00e3o, o r\u00e1dio tem fun\u00e7\u00e3o social?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, porque nesses anos\ntodos que eu trabalho no r\u00e1dio, ele \u00e9 um amigo para as pessoas. Sempre vai ter\nalgu\u00e9m ali no ar que vai levar alguma coisa que determinada pessoa est\u00e1\nprecisando, desde uma doa\u00e7\u00e3o de sangue at\u00e9 o pedido de uma informa\u00e7\u00e3o. O r\u00e1dio\ntem muita utilidade. Uma promo\u00e7\u00e3o pode te dar o direito de escolher onde voc\u00ea\nvai comprar uma mercadoria, pelo pre\u00e7o. O r\u00e1dio, al\u00e9m de oferecer tudo o que\nvai ao ar, ele tamb\u00e9m oferece fora do ar, porque as pessoas ligam no r\u00e1dio pra\nperguntar e o que a gente pode, a gente faz. \u00c9 quase como se fosse uma\ntelefonista eletr\u00f4nica. Sempre tem alguma informa\u00e7\u00e3o pra dar e se n\u00e3o sabe, vai\natr\u00e1s e fornece a informa\u00e7\u00e3o. Vai desde, por exemplo, de onde eu poderia\ncastrar ou doar meu cachorro, ou desde um buraco na rua. Claro que antigamente\nfoi melhor, porque voc\u00ea ia, falava com as autoridades e muitas coisas eram\nresolvidas. Hoje est\u00e1 mais demorado, acho que aumentou a popula\u00e7\u00e3o, aumentou a\ncidade e aumentaram os problemas. Mas o r\u00e1dio sempre foi utilidade e sempre\nser\u00e1 um amigo com quem voc\u00ea pode contar. E \u00e9 interessante que o r\u00e1dio em si,\npelo menos n\u00f3s aqui, sempre estamos ao vivo, porque hoje em dia tem muita coisa\nenlatada. A TV voc\u00ea tem que parar para assistir. Voc\u00ea ligar uma TV pra\nconseguir uma informa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais dif\u00edcil, no r\u00e1dio \u00e9 muito mais f\u00e1cil, a\nresposta \u00e9 mais imediata. O r\u00e1dio chega mais r\u00e1pido at\u00e9 a pessoa e voc\u00ea pode\nlevar ele, hoje em dia mais do que nunca com a internet, voc\u00ea leva ele para\nonde quiser. Hoje em dia n\u00e3o tem mais aquela hist\u00f3ria: \u201cah, o r\u00e1dio n\u00e3o pega\naqui\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre\na transi\u00e7\u00e3o do AM para o FM, como foi esse trabalho? Como foi a aceita\u00e7\u00e3o tanto\npara os profissionais do r\u00e1dio como para os ouvintes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a transi\u00e7\u00e3o do AM\npara o FM acho que foi muito bem aceita. Os ouvintes gostaram muito, ficaram\nfelizes, porque o r\u00e1dio pega melhor. O AM tinha um som maravilhoso, mas, \u00e0s\nvezes, voc\u00ea passava perto do r\u00e1dio e ele sa\u00eda do ar. Agora, com uma antena FM,\nvoc\u00ea tem uma programa\u00e7\u00e3o boa, um som melhor, com mais qualidade. Eu ou\u00e7o as\npessoas mais felizes mesmo e eu tamb\u00e9m, pelo fato de que a maior parte das\npessoas n\u00e3o ouvia porque os r\u00e1dios n\u00e3o estavam mais tendo a AM e isso dava uma\ntristeza. Essa migra\u00e7\u00e3o foi muito boa por causa disso. O som \u00e9 outro. A minha\nprograma\u00e7\u00e3o mudou um pouco porque agora a gente tem que tocar mais m\u00fasica do\nque a gente tocava antes e eu tamb\u00e9m mudei de hor\u00e1rio. Antes da FM eu fazia meu\nhor\u00e1rio da manh\u00e3 e agora eu estou no hor\u00e1rio da tarde, de maneira que tenho\nmais tempo pra tocar mais m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p>A\ns\u00e9rie de entrevistas com profissionais que atuaram e atuam no r\u00e1dio\nponta-grossense \u00e9 fruto do trabalho da estudante Nadine Sansana, orientada pelo\nprofessor S\u00e9rgio Gadini, pelo Programa Institucional de Bolsas de Inicia\u00e7\u00e3o\nCient\u00edfica da Universidade Estadual de Ponta Grossa, vigente entre os anos de\n2018 e 2019. Sob o t\u00edtulo <em>Mem\u00f3rias de vida e trabalho na m\u00eddia regional dos\nCampos Gerais do Paran\u00e1<\/em>, o projeto contribui com o acervo memorial\u00edstico radiof\u00f4nico\nda cidade, tendo em vista a aus\u00eancia de arquivos, registros e documentos sobre\na hist\u00f3ria do r\u00e1dio em Ponta Grossa. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista: Nadine Sansana Edi\u00e7\u00e3o: Jessica Grossi e Matheus Gaston A entrevista com Alcidina Ayres Rodrigues foi realizada em abril de 2019, na R\u00e1dio Sant\u2019Ana, em Ponta Grossa, pela estudante de gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Nadine Bianca Sansana, como parte da sua pesquisa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Alcidina Ayres Rodrigues nasceu&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":524,"featured_media":5847,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[35,28],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5846"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/users\/524"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5846"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5846\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5846"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5846"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5846"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}