{"id":5926,"date":"2020-12-16T09:16:33","date_gmt":"2020-12-16T12:16:33","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=5926"},"modified":"2020-12-16T09:16:33","modified_gmt":"2020-12-16T12:16:33","slug":"o-esporte-nas-radios-de-ponta-grossa-pela-voz-do-narrador-joel-brasilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/o-esporte-nas-radios-de-ponta-grossa-pela-voz-do-narrador-joel-brasilia\/","title":{"rendered":"O esporte nas r\u00e1dios de Ponta Grossa pela voz do narrador Joel Brasilia"},"content":{"rendered":"\n<p>\n\nEntrevista: Nadine Sansana<br>Edi\u00e7\u00e3o: Jessica Grossi e Matheus Gaston\n\n<\/p>\n\n\n\n<p>A entrevista com Joel Oliveira foi realizada em abril de 2019 na R\u00e1dio Difusora, em Ponta Grossa, pela estudante de gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Nadine Bianca Sansana, como pesquisa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>Natural de Ponta Grossa, Joel Bras\u00edlia, como \u00e9 conhecido, s\u00f3 come\u00e7ou a atuar nas r\u00e1dios da cidade em 2005. Passou pela CBN, pela MZ, Difusora e T. Atualmente \u00e9 apresentador, narrador e trabalha no departamento comercial da R\u00e1dio Lagoa Dourada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Poderia falar rapidamente da tua trajet\u00f3ria profissional, onde e quando come\u00e7ou a trabalhar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu sempre tive gosto pelo r\u00e1dio e sempre sonhei em trabalhar no r\u00e1dio. Meu pai era palmeirense e ele escutava os jogos na antiga R\u00e1dio Bandeirantes de S\u00e3o Paulo. Quando ele ia para a varanda no s\u00e1bado ou domingo \u00e0 tarde escutar os jogos do Palmeiras, a gente sentava do lado e ningu\u00e9m podia conversar pra ele prestar aten\u00e7\u00e3o em tudo o que o locutor falava. Eu ficava escutando com ele atentamente. A\u00ed pensei: um dia eu vou ser igual esse cara.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed vida vai, vida vem, e nem tudo \u00e9 como a gente quer. Acabei trilhando outros caminhos: fui militar, fui para o Ex\u00e9rcito, fui cabo do Corpo de Bombeiros. No Corpo de Bombeiros eu fazia os boletins para as r\u00e1dios. Pela manh\u00e3, anunciava a guarni\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, as ocorr\u00eancias. Eu fui pegando gosto. A\u00ed o tempo foi passando e eu sempre busquei uma oportunidade dentro do r\u00e1dio. Nunca consegui. Na \u00e9poca, as pessoas falavam que n\u00e3o tinha vaga, que era dif\u00edcil e que n\u00e3o dava.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi passando o tempo, quando em 1990 a vida mudou. Fui montar uma pastelaria na praia, l\u00e1 em Itapo\u00e1 e comecei a trabalhar. Na \u00e9poca, abriu uma r\u00e1dio comunit\u00e1ria na cidade. Fui l\u00e1 na r\u00e1dio e falei com o propriet\u00e1rio que era o Lemoni e ele me disse que tudo bem: \u201cEu te arrumo meia hora pra voc\u00ea fazer esporte aqui na r\u00e1dio, mas eu n\u00e3o posso te pagar\u201d. Eu falei que n\u00e3o precisava, s\u00f3 pedi que ele me desse a liberdade de eu anunciar o meu com\u00e9rcio e vender um outro cliente qualquer. Ele me disse que eu poderia vender quantos eu quisesse, mas ele n\u00e3o poderia me pagar. Eu falei que estava \u00f3timo. Pois olha, em tr\u00eas meses eu faturava mais que ele, ent\u00e3o virou uma febre na cidade o meu programa. Na \u00e9poca, o r\u00e1dio era muito forte, as crian\u00e7as se reuniam pra escutar o programa, os meninos que jogavam futebol. A\u00ed apareceu a decis\u00e3o do campeonato amador, que era um campeonato muito forte. Eles iam buscar jogador em Joinville, que \u00e9 ali pertinho [de Itapo\u00e1] e tinha um time l\u00e1 que se chamava Fortaleza, porque um rapaz que morou na cidade jogou no Fortaleza. O Fortaleza n\u00e3o tinha dinheiro para pagar ele totalmente e eu paguei um uniforme pra ele e mais seis uniformes completos do Fortaleza. A\u00ed ele montou um time do Fortaleza com aqueles uniformes e fez uma parceria com os jogadores pra eles pagarem um pouco pra ele, pra ele n\u00e3o ficar totalmente no preju\u00edzo. A\u00ed ia acontecer a decis\u00e3o do campeonato que juntava um n\u00famero de pessoas muito grande e eu pensei: vou transmitir esse jogo. Porque eu gostava de brincar de fazer futebol, de narrar futebol. Cheguei no dono da r\u00e1dio e propus pra gente narrar esse jogo. Ele falou: \u201cJoel, \u00e9 dif\u00edcil. Quem vai narrar o jogo?\u201d Eu falei: \u201cEu!\u201d Ele n\u00e3o concordou e disse s\u00f3 se eu trouxesse uma pessoa de fora. Liguei para algumas pessoas e n\u00e3o consegui contratar o narrador pra fazer esse jogo. A\u00ed um camarada que trabalhava dentro da r\u00e1dio, chamava-se Max, tinha uma voz bonita, um vozeir\u00e3o, ele falou assim: \u201cEu fa\u00e7o pra voc\u00ea\u201d. Eu concordei, mas veja s\u00f3 que a dificuldade era t\u00e3o grande que a r\u00e1dio era num sobrado que tinha dois pavimentos e a r\u00e1dio era no pavimento de cima. N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos equipamentos pra transmitir o jogo, o que a gente fez: arrumamos um cabo de microfone enorme, grande, pegamos l\u00e1 da r\u00e1dio e passamos por cima da rua, pelo poste, por cima da igreja, porque o campo era atr\u00e1s da igreja e colocamos o microfone l\u00e1 em cima de um caminh\u00e3o. A\u00ed pegamos uma mesa, fizemos a escala\u00e7\u00e3o, aquela coisa toda e o rep\u00f3rter junto. Quando chegou a hora de narrar o jogo, o cara n\u00e3o sabia narrar o jogo, ele n\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o. Porque \u00e0s vezes a pessoa \u00e9 um \u00f3timo apresentador, um \u00f3timo locutor noticiarista ou musical, mas pra narrar o jogo tem que ter todo um jeito, as palavras apropriadas e ele n\u00e3o conseguiu. O jogo virou um grande coment\u00e1rio. A\u00ed os patrocinadores, que n\u00f3s t\u00ednhamos vendido para o jogo, n\u00e3o quiseram pagar. Eu voltei em todos eles, n\u00f3s t\u00ednhamos vendido dez patrocinadores para o jogo, eu voltei e falei assim: \u201cGente [porque era a primeira decis\u00e3o, da\u00ed tinha a segunda decis\u00e3o, porque era um jogo c\u00e1, outro l\u00e1], vai acontecer a decis\u00e3o final e voc\u00eas n\u00e3o precisam pagar esse, mas voc\u00eas pagam a outra\u201d. Da\u00ed eu cheguei e falei para o dono da emissora que eu ia narrar o jogo e ele perguntou se eu estava brincando, eu disse que n\u00e3o, que iria sim narrar o jogo. Ele disse: \u201cS\u00f3 vou dizer uma coisa pra voc\u00ea, qualquer coisa que saia errado, n\u00e3o precisa nem voc\u00ea aparecer aqui mais\u201d. E eu concordei. Fui l\u00e1 e fiz o jogo, narrei o jogo. A\u00ed fui atr\u00e1s dos patrocinadores: \u201cNossa que legal, cara! Eu n\u00e3o sabia que voc\u00ea sabia! Foi bom!\u201d E come\u00e7ou ali a minha carreira, em 1990.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A r\u00e1dio teve dificuldades e tamb\u00e9m vai ficando pequeno pra voc\u00ea. A\u00ed eu fui para Paranagu\u00e1, trabalhar na [emissora] Litoral Sul. L\u00e1, procurei espa\u00e7o. Mas as pessoas queriam vender o hor\u00e1rio. A\u00ed eu vendi meu carro novo e paguei tr\u00eas meses adiantado para a r\u00e1dio. Quando cheguei em casa a minha mulher queria que eu sumisse do mapa! Da\u00ed falei que daria certo. Fui trabalhando, trabalhando e quando chegou dois meses eu estava totalmente no vermelho. Com isso me questionei se daria conta. Quando chegou no terceiro m\u00eas, mais ou menos equilibrou, no quarto m\u00eas foi indo\u2026 At\u00e9 que foi. Foram cinco anos em Paranagu\u00e1, da\u00ed fui para Curitiba onde trabalhei na R\u00e1dio Cidade, na R\u00e1dio Globo e na Independ\u00eancia. Em 2005 vim para Ponta Grossa.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando veio para Ponta Grossa, ocupava qual fun\u00e7\u00e3o no r\u00e1dio? Tinha teu programa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sempre tive meu programa desde que comecei. Fui apresentador do programa esportivo e, depois, o narrador sempre. Eu sou ponta-grossense. No final de 2004, eu trabalhava na R\u00e1dio Independ\u00eancia, em Curitiba, que era uma r\u00e1dio grande, uma das maiores da cidade. Em dezembro de 2004, o F\u00e1bio Camargo que era o diretor vendeu para a Can\u00e7\u00e3o Nova. A\u00ed mandaram todo mundo embora. Pra voc\u00ea ter uma ideia, n\u00f3s \u00e9ramos em 18 s\u00f3 na equipe esportiva, mas foi todo mundo embora e eu fiquei desempregado. Recebi um telefonema do Roberto Mongroel que \u00e9 o dono da CBN em Ponta Grossa, para trabalhar na CBN. Vim a Ponta Grossa ele me disse que n\u00e3o tinha dinheiro para me pagar, mas que a gente podia fazer uma parceria: o que a gente vender aqui voc\u00ea tem uma participa\u00e7\u00e3o. Eu fiquei 11 anos ali. 11 anos de CBN, fizemos muito sucesso, trabalhamos muito. Trabalhei at\u00e9 2016. Em 2017 e 2018 trabalhei na MZ e em dezembro o pessoal me convidou pra vir pra c\u00e1 [R\u00e1dio Difusora]. Sou respons\u00e1vel pelo departamento de esportes da r\u00e1dio e tamb\u00e9m trabalho no comercial, porque eu sempre tive essa afinidade em vender o produto.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais eram as condi\u00e7\u00f5es de trabalho quando come\u00e7ou a trabalhar, quanto a equipamentos e estrutura?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca em que comecei a trabalhar no r\u00e1dio os equipamentos eram muito prec\u00e1rios, coisas totalmente improvisadas. Quando comecei era tudo por linha discada. Na \u00e9poca voc\u00ea tinha que pedir linha para a Telepar, \u00e0s vezes eles instalavam, \u00e0s vezes demoravam para instalar e tinha que estar em cima deles, \u00e0s vezes chegava l\u00e1 e ca\u00eda a linha, ligava de volta, era uma dificuldade imensa. Hoje n\u00e3o. Hoje n\u00f3s trabalhamos em um sistema totalmente digital. N\u00f3s aqui da r\u00e1dio somos a \u00fanica emissora de Ponta Grossa que tem o chamado tieline, que \u00e9 um equipamento digital que voc\u00ea tem um no est\u00fadio e outro l\u00e1, ent\u00e3o voc\u00ea codifica, liga e ele j\u00e1 conecta.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>De onde vinham as ideias de pautas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tem que sempre focar no local. Aqui em Ponta Grossa, claro, o prato principal \u00e9 o Oper\u00e1rio. L\u00e1 [em Itapo\u00e1], por exemplo, o principal era o campeonato amador. Ent\u00e3o n\u00f3s inform\u00e1vamos o campeonato amador, tinha o pessoal do surfe, do futebol de areia, v\u00f4lei de praia, do futev\u00f4lei, ent\u00e3o a gente agregava todas aquelas mat\u00e9rias e ia pra l\u00e1 divulgar, promover, chamar o povo e isso foi crescendo e chamando a aten\u00e7\u00e3o. Mesmo o cara que n\u00e3o era da cidade, que ia l\u00e1 passar temporada, acessava a r\u00e1dio pra ver se tinha algum campeonato de final de semana, alguma promo\u00e7\u00e3o. O cara de outra cidade acessava a r\u00e1dio pra ver se tinha alguma coisa importante pra fazer l\u00e1 e isso tamb\u00e9m foi crescendo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Joel-Brasilia1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5930\" \/><figcaption> Narra\u00e7\u00e3o esportiva \u00e9 o foco da atua\u00e7\u00e3o de Joel Bras\u00edlia. | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Facebook<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hoje em dia, a gente v\u00ea que os programas de not\u00edcias t\u00eam bastante liga\u00e7\u00e3o com o que sai no impresso. Muitas vezes a not\u00edcia do impresso \u00e9 lida integralmente no r\u00e1dio. N\u00e3o tem aquela produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria para r\u00e1dio. As suas transmiss\u00f5es tinham alguma liga\u00e7\u00e3o com o impresso? Voc\u00ea fazia alguma releitura do impresso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/JOEL_1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>Eu j\u00e1 li. Mas eu procuro fazer. Antes, muita gente fazia isso. Em 1990, o camarada que era colunista esportivo passava na banca ler o jornal e chegava na r\u00e1dio com um jornal debaixo do bra\u00e7o. Ou ent\u00e3o, a r\u00e1dio j\u00e1 tinha uma assinatura pra isso. Agora n\u00e3o, agora \u00e9 diferente: voc\u00ea tem muitos contatos, as redes sociais te fornecem as informa\u00e7\u00f5es. Aqui, por exemplo, n\u00f3s temos tr\u00eas rep\u00f3rteres que buscam a informa\u00e7\u00e3o, que falam ao vivo de l\u00e1. Ent\u00e3o, hoje a coisa ficou muito mais f\u00e1cil do que era. Antigamente era mais dif\u00edcil. At\u00e9 o plant\u00e3o esportivo de antigamente voc\u00ea ligava de uma r\u00e1dio pra perguntar quanto o jogo estava l\u00e1, porque n\u00e3o tinha internet. N\u00e3o tinha a r\u00e1dio na internet pra voc\u00ea ouvir, hoje tem at\u00e9 aplicativos que te d\u00e3o em tempo real. A facilidade hoje \u00e9 muito grande, naquela \u00e9poca era muito dif\u00edcil.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O senhor tinha companheiros que te ajudavam a preparar a programa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio eu tinha um parceiro, que tamb\u00e9m gostava de r\u00e1dio. Eu apresentava e ele trazia as informa\u00e7\u00f5es. Quando comecei o programa l\u00e1 na r\u00e1dio, nunca tinha trabalhado numa r\u00e1dio, s\u00f3 tinha feito boletins para uma r\u00e1dio. Ent\u00e3o a\u00ed o camarada chegou, terminou o programa e eu pensei que ele ia ficar operando a mesa ali pra mim. S\u00f3 que ele terminou, deu boa tarde, e disse que em seguida come\u00e7aria o programa esportivo e falou pra mim que eu poderia come\u00e7ar. A sorte minha que eu sempre procurei ser ligado com as coisas, ent\u00e3o o que eu fiz: fui na mesa, vi onde fechava o microfone. No primeiro programa n\u00f3s n\u00e3o usamos nenhuma vinheta, porque eu n\u00e3o sabia, n\u00e3o tinha nenhum controle. S\u00f3 cheguei, abri o microfone e falei. Ent\u00e3o aprendi meio na necessidade da coisa, n\u00e3o tive essa oportunidade de aprender. Depois, quando eu estava em Curitiba, fui dois anos na faculdade, mas n\u00e3o conclu\u00ed. Fazia faculdade particular, tive dificuldades com dinheiro, era casado. Ent\u00e3o acabei fazendo dois anos s\u00f3. Agora em 2015, eu fui no Minist\u00e9rio do Trabalho e fiz o requerimento do meu MTE, que \u00e9 o documento de jornalista, mas por profiss\u00e3o. Saiu em 2017. Eles mandam voc\u00ea levar um monte de documentos, os artigos que voc\u00ea fez, o que escreveu, blog muito acessado. Quando eu conheci a Ana [esposa], h\u00e1 15 anos, eu n\u00e3o tinha vontade fazer uma faculdade. Ela se interessou pelo jornalismo e eu perdi a oportunidade de cursar junto com ela.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na sua opini\u00e3o, o r\u00e1dio tem alguma fun\u00e7\u00e3o social?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/JOEL_2.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>Eu acho que o r\u00e1dio ele \u00e9 muito importante. Ele tem muitas fun\u00e7\u00f5es sociais, por exemplo: quando eu era menino, voc\u00ea arrumava emprego pelo r\u00e1dio, eram transmitidas as vagas de emprego que tinha, naquela \u00e9poca n\u00e3o era ag\u00eancia do trabalhador, era ag\u00eancia de emprego, ent\u00e3o era uma fun\u00e7\u00e3o social extremamente importante e at\u00e9 hoje tem. Outra coisa, o camarada quer vender um produto porque tem uma necessidade de arrumar um dinheiro, ele vai l\u00e1 [no r\u00e1dio] pede pra algu\u00e9m, vende, troca por outro, ele doa, \u00e0s vezes, ele limpa o espa\u00e7o dele e serve a quem precisa. Ent\u00e3o o r\u00e1dio ele \u00e9 multissocial, tem v\u00e1rias formas de ver ele como fun\u00e7\u00e3o social.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O senhor veio para Ponta Grossa, em 2005, atrav\u00e9s do contato com o dono da CBN. Como foi esse contato?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ele tinha a inten\u00e7\u00e3o de montar uma equipe esportiva na CBN Ponta Grossa. Como eu era daqui e algumas pessoas que trabalhavam aqui me conheciam l\u00e1 de Curitiba, porque eu cheguei a fazer algumas narrativas para as r\u00e1dios daqui. E como eu fiquei desempregado, ele [o dono] ficou sabendo e me ligou e nos acertamos.<\/p>\n\n\n\n<p>O r\u00e1dio n\u00e3o me deu dinheiro, eu me mantenho bem, mas nunca ganhei dinheiro. Poderia ter feito outras coisas que me dariam dinheiro, porque eu sou um grande vendedor, fiz mais de 30 cursos de marketing e isso faz com que eu venda hoje. Eu estou aqui hoje no grupo T justamente pelo meu lado profissional e tamb\u00e9m pelo meu lado comercial. Trabalhei desde os anos 1990 at\u00e9 2018 terceirizado. Sempre dependi da minha venda. Fui o \u00fanico cronista jornalista esportivo de Ponta Grossa que fez todos os jogos do Oper\u00e1rio em todos os campeonatos que ele participou desde janeiro de 2005 e isso custa dinheiro. Fui em 2017 na s\u00e9rie D do campeonato brasileiro. Teve jogo que eu fui sozinho, s\u00f3 estava eu de imprensa l\u00e1. Desde que cheguei em Ponta Grossa, sempre houve uma pesquisa, agora n\u00e3o tem mais, at\u00e9 acabou, foi uma coisa que as entidades sociais faziam. Elas faziam uma pesquisa pra ver quem se destacava em determinada fun\u00e7\u00e3o e eu sempre ganhei todos na minha \u00e1rea. \u00c0s vezes \u00e9 uma coisa que nem vale, mas a gente se sente bem e pra mim \u00e9 um orgulho.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como foi a tua experi\u00eancia na transi\u00e7\u00e3o do AM para o FM? Como voc\u00ea percebeu a aceita\u00e7\u00e3o dos profissionais da r\u00e1dio e do p\u00fablico com essa mudan\u00e7a?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Comecei numa r\u00e1dio FM comunit\u00e1ria l\u00e1 em Itapo\u00e1. Depois fui para Paranagu\u00e1, tamb\u00e9m FM. Depois quando fui pra Curitiba, eu trabalhei em uma r\u00e1dio AM. A r\u00e1dio AM tem algumas dificuldades e foi ganhando dificuldades ao longo do tempo porque foram aparecendo celulares e outros fatores que acabaram interferindo no sinal dela e foi perdendo a for\u00e7a. Muitos lugares tinha dificuldade de pegar, tinha muita chiadeira. No come\u00e7o dela, ela era muito forte porque n\u00e3o tinha essas interfer\u00eancias, tanto \u00e9 que n\u00f3s sintoniz\u00e1vamos a r\u00e1dio de S\u00e3o Paulo, as pessoas sintonizavam r\u00e1dio do Rio de Janeiro com a maior facilidade. Na minha inf\u00e2ncia era assim, a gente sintonizava com a maior facilidade porque n\u00e3o tinha interfer\u00eancia, mas depois as interfer\u00eancias vieram, a r\u00e1dio AM foi perdendo a for\u00e7a. Outra coisa, o consumidor, o ouvinte, ele vai ficando mais exigente, ent\u00e3o ele quer mais qualidade. Da\u00ed veio a FM, com mais qualidade. At\u00e9 dizem que na Europa, nos pa\u00edses desenvolvidos \u00e9 tudo digital mesmo e o FM j\u00e1 \u00e9 coisa do passado em alguns lugares. Mas foi uma boa, uma evolu\u00e7\u00e3o bacana, claro que muitas coisas ainda est\u00e3o em adapta\u00e7\u00e3o. Porque muita gente veio do AM, onde vendia os comerciais muito baratos e ele veio competir com as r\u00e1dios FM que j\u00e1 estavam em um patamar mais alto. Aumentou tamb\u00e9m a concorr\u00eancia. Eu acho que aqui em Ponta Grossa quem mais perdeu com essa mudan\u00e7a foi a r\u00e1dio Clube, porque ela tinha um ouvinte bem antigo que adorava aquilo, ent\u00e3o se perdeu um pouco. Claro que vai se adaptando e vai melhorando, mas tem o per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de toda essa evolu\u00e7\u00e3o, de toda a tecnologia, o r\u00e1dio sobreviveu. Quando veio a televis\u00e3o, todo mundo dizia que o r\u00e1dio n\u00e3o sobreviveria, mas ele sobreviveu. Agora veio as redes sociais e o r\u00e1dio sobreviveu. Ele se adaptou \u00e0 tecnologia. Hoje n\u00f3s aqui estamos em todas as plataformas. Ent\u00e3o o r\u00e1dio se adaptou e voc\u00ea tem que somar ele \u00e0 tecnologia. Por exemplo, a pr\u00f3pria televis\u00e3o que sentiu uma diferen\u00e7a com as redes sociais, porque hoje voc\u00ea pega o celular e faz uma mat\u00e9ria e solta na rede social. Agora, o r\u00e1dio voc\u00ea alia o som com a imagem, ent\u00e3o ele se adaptou. E n\u00f3s temos procurado a todo momento fazer com que ele se associe a essa tecnologia. Antigamente tinha a r\u00e1dio AM que tinha aquelas frequ\u00eancias que se trocava a faixa de onda, hoje com a internet voc\u00ea tem acesso a qualquer emissora, de qualquer parte do mundo. Ent\u00e3o, o r\u00e1dio se associou a tecnologia e por isso eu acredito que nunca vai acabar. Por exemplo, voc\u00ea est\u00e1 na estrada dirigindo, n\u00e3o tem como voc\u00ea assistir a um filme, mas o r\u00e1dio est\u00e1 ali, voc\u00ea est\u00e1 escutando uma boa m\u00fasica, escutando uma informa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00e9rie de entrevistas com profissionais que atuaram e atuam no r\u00e1dio ponta-grossense \u00e9 fruto do trabalho da estudante Nadine Sansana, orientada pelo professor S\u00e9rgio Gadini, pelo Programa Institucional de Bolsas de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da Universidade Estadual de Ponta Grossa, vigente entre os anos de 2018 e 2019. Sob o t\u00edtulo <em>Mem\u00f3rias de vida e trabalho na m\u00eddia regional dos Campos Gerais do Paran\u00e1<\/em>, o projeto contribui com o acervo memorial\u00edstico radiof\u00f4nico da cidade, tendo em vista a aus\u00eancia de arquivos, registros e documentos sobre a hist\u00f3ria do r\u00e1dio em Ponta Grossa.&nbsp;<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista: Nadine SansanaEdi\u00e7\u00e3o: Jessica Grossi e Matheus Gaston A entrevista com Joel Oliveira foi realizada em abril de 2019 na R\u00e1dio Difusora, em Ponta Grossa, pela estudante de gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Nadine Bianca Sansana, como pesquisa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. 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