{"id":6026,"date":"2021-03-08T17:45:44","date_gmt":"2021-03-08T20:45:44","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=6026"},"modified":"2021-03-08T17:45:44","modified_gmt":"2021-03-08T20:45:44","slug":"por-que-ler-jane-eyre-no-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/por-que-ler-jane-eyre-no-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"Por que ler Jane Eyre no s\u00e9culo XXI?"},"content":{"rendered":"\n<p>No m\u00eas de mar\u00e7o, dedicado \u00e0s mulheres, \u00e9 essencial disseminar exemplos de figuras femininas, sejam elas fict\u00edcias ou reais e, nesse caso, ambas. Jane Eyre \u00e9 a obra de estreia da renomada escritora inglesa, Charlotte Bront\u00eb, publicada em 1847. Bront\u00eb cria Jane Eyre, uma personagem forte e destemida em um contexto opressor, um exemplo de hero\u00edna. A autora publica seu livro na Era Vitoriana, meados do s\u00e9culo XIX, causando indigna\u00e7\u00e3o na sociedade patriarcal e regrada da \u00e9poca. A obra se faz extremamente compat\u00edvel com a realidade atual, mesmo com o passar de quase dois s\u00e9culos, pois as mulheres ainda precisam se provar hero\u00ednas para viver com liberdade. <\/p>\n\n\n\n<p><br> A criadora da Jane Eyre, Charlotte Bront\u00eb, nasceu em 1816 e cresceu em Haworth, no condado de Yorkshire, na Inglaterra. Ela perdeu a m\u00e3e e duas irm\u00e3s mais velhas, crescendo, portanto, com o pai, duas irm\u00e3s mais novas, Emily Bront\u00eb e Anne Bront\u00eb, e o irm\u00e3o Branwell. Os irm\u00e3os cresceram inseridos em um cen\u00e1rio g\u00f3tico, uma regi\u00e3o fria, \u00famida e com vento constante, que originou mentes criativas e o h\u00e1bito da escrita. As irm\u00e3s Bront\u00eb, em 1946, publicaram uma cole\u00e7\u00e3o de poemas sob os pseud\u00f4nimos, o que era comum \u00e0s mulheres na \u00e9poca, de Currer, Ellis e Acton Bell. Em seguida, sob os mesmos pseud\u00f4nimos, publicaram os romances \u201cJane Eyre\u201d, de Charlotte, \u201cO Morro dos Ventos Uivantes\u201d, de Emily Bront\u00eb, e \u201cAgnes Grey\u201d, de Anne Bront\u00eb. Elas iniciam suas carreiras de escritoras com nomes masculinos e, apenas depois de terem o trabalho reconhecido, revelam as reais identidades.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A personagem de Charlotte, Jane Eyre, perde os pais quando beb\u00ea, e \u00e9 criada pela esposa do tio, que tamb\u00e9m morreu. \u00c9 retratada nos primeiros cap\u00edtulos uma constante humilha\u00e7\u00e3o para a personagem, pois s\u00e3o impostos a ela comportamentos e valores que n\u00e3o s\u00e3o do seu car\u00e1ter. A consideram uma crian\u00e7a maldosa e sem um futuro digno por n\u00e3o conseguir conter supostos impulsos maliciosos de sua alma. Conhecemos, assim, o primeiro e mais marcante desafio da hero\u00edna, muito atual para as mulheres de qualquer s\u00e9culo: necessidade de autoafirma\u00e7\u00e3o constante. <\/p>\n\n\n\n<p><br>\u201cN\u00e3o sou um p\u00e1ssaro, e n\u00e3o fui presa em uma armadilha. Sou um ser humano livre com minha vontade independente\u201d. Essa \u00e9 uma frase escrita por Bront\u00eb para Jane, que mostra duas caracter\u00edsticas da personagem. A primeira, \u00e9 que n\u00e3o se identifica com a vitimiza\u00e7\u00e3o. A segunda, sua consci\u00eancia de que seus sentimentos, vontades e objetivos devem ser levados em considera\u00e7\u00e3o sem que sejam anteriormente impostos a ela, mas originados de si pr\u00f3pria.  <\/p>\n\n\n\n<p><br>As mulheres precisam provar \u00e0 sociedade constantemente que a luta contra o patriarcado n\u00e3o \u00e9 vitimiza\u00e7\u00e3o e, quando querem impor suas vontades e desejos, devem provar n\u00e3o s\u00f3 para a sociedade, mas para si mesmas que essas vontades s\u00e3o pertencentes a elas. Isso porque as imposi\u00e7\u00f5es e falas resultantes de valores patriarcais s\u00e3o t\u00e3o normalizados que contraria-los parece imposs\u00edvel. O machismo \u00e9 intr\u00ednseco na sociedade de forma que as mulheres precisam praticar a autocr\u00edtica e policiamento de seus comportamentos e desejos constantemente para compreender em que momento est\u00e3o reproduzindo atitudes t\u00f3xicas. E, depois desse processo, precisam explicar tudo aos homens. Jane \u00e9 uma mulher que enfrenta r\u00f3tulos e suposi\u00e7\u00f5es sobre seu car\u00e1ter com coragem, honestidade, senso de justi\u00e7a e franqueza. A leitura do romance traz uma jornada de autoconhecimento de uma personagem feminina incomum no contexto da \u00e9poca, gerando uma mudan\u00e7a significativa na fic\u00e7\u00e3o produzida no per\u00edodo. <\/p>\n\n\n\n<p><br>\u00c9 relembrado o fato de Jane Eyre ser uma figura feminina incomum, mas a jornada interior tra\u00e7ada por ela \u00e9, na realidade, comum. O espanto dos leitores da Era Vitoriana \u00e9 advindo da narrativa em primeira pessoa de uma personagem feminina, que conta como foi seu processo de crescimento e evolu\u00e7\u00e3o, como ela estudou, trabalhou e influenciou pessoas sendo ela mesma, tra\u00e7ando o pr\u00f3prio destino e lutando por aquilo que acreditava.  A rea\u00e7\u00e3o ao romance pode n\u00e3o ser a mesma no s\u00e9culo XXI, mas ainda assim \u00e9 uma obra revolucion\u00e1ria. Isso porque \u00e9, ainda, novidade para as mulheres a ideia de que \u00e9 poss\u00edvel determinar o pr\u00f3prio destino e lutar para conquista-lo. A independ\u00eancia e autossufici\u00eancia para as mulheres ainda \u00e9 algo novo. <\/p>\n\n\n\n<p><br>No m\u00eas de mar\u00e7o \u00e9 preciso que as mulheres lembrem da for\u00e7a que t\u00eam para encarar seus desafios. O dia 8 nunca foi, ou ser\u00e1, esquecido por marcar a luta por direitos, por marcar como hero\u00ednas existem na vida real. A hero\u00edna fict\u00edcia Jane Eyre ensina que ser livre \u00e9 fazer as pr\u00f3prias escolhas a partir das pr\u00f3prias vontades. A hero\u00edna n\u00e3o-fict\u00edcia, Charlotte Bront\u00eb, ensina que acreditar em si, na pr\u00f3pria capacidade e compet\u00eancia, \u00e9 um ato revolucion\u00e1rio. Mulheres, sejam todos os dias revolucion\u00e1rias!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No m\u00eas de mar\u00e7o, dedicado \u00e0s mulheres, \u00e9 essencial disseminar exemplos de figuras femininas, sejam elas fict\u00edcias ou reais e, nesse caso, ambas. Jane Eyre \u00e9 a obra de estreia da renomada escritora inglesa, Charlotte Bront\u00eb, publicada em 1847. 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