{"id":6165,"date":"2021-05-25T15:42:37","date_gmt":"2021-05-25T18:42:37","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=6165"},"modified":"2021-05-25T15:42:37","modified_gmt":"2021-05-25T18:42:37","slug":"leia-mulheres-discute-o-conto-da-aia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/leia-mulheres-discute-o-conto-da-aia\/","title":{"rendered":"Leia Mulheres discute \u201cO conto da Aia\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>O Clube de Leitura \u201cLeia Mulheres\u201d realizou o encontro de maio no \u00faltimo dia 15 para debater a obra \u201cO Conto da Aia\u201d, de Margaret Atwood.&nbsp;O romance dist\u00f3pico, escrito em 1985, se passa num futuro muito pr\u00f3ximo do que vivemos e \u00e9 ambientado em&nbsp;Gilead \u2013 antigo Estados Unidos da Am\u00e9rica \u2013 onde foram extintas todas as formas de educa\u00e7\u00e3o e cultura como conhecemos: jornais, revistas, livros, filmes e at\u00e9 mesmo universidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o direito \u00e0 liberdade da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 cerceado, n\u00e3o existem mais advogados para defender aqueles que v\u00e3o contra o regime instaurado. Os cidad\u00e3os considerados criminosos s\u00e3o fuzilados e pendurados em pra\u00e7a p\u00fablica, para servir de exemplo aos demais do que n\u00e3o se pode fazer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No universo teocr\u00e1tico e totalit\u00e1rio criado por Atwood, as mulheres s\u00e3o as principais v\u00edtimas do regime de opress\u00e3o. Sem nenhum tipo de direitos, elas s\u00e3o divididas em categorias com fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, todas com finalidades voltadas aos interesses do Estado. Offred, narradora e protagonista da hist\u00f3ria,&nbsp;pertence \u00e0 categoria de Aia, a qual \u00e9 unicamente designada para a reprodu\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a humana, uma vez que o pa\u00eds sofreu uma cat\u00e1strofe nuclear que tornou est\u00e9ril boa parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os principais assuntos discutidos no encontro, foi ressaltada a aproxima\u00e7\u00e3o entre a nossa realidade e o mundo dist\u00f3pico criado pela autora, al\u00e9m do questionamento se estamos evoluindo ou retrocedendo como sociedade, visto que reflex\u00f5es trazidas em obras como \u201cO Conto da Aia\u201d, \u201c1984\u201d de George Orwell e \u201cAdmir\u00e1vel Mundo Novo\u201d de Aldous Huxley est\u00e3o se tornando cada vez mais palp\u00e1veis. Tamb\u00e9m foram discutidos pontos chave da hist\u00f3ria para o desenvolvimento dos acontecimentos, como a doutrina religiosa sendo a base&nbsp;para a instaura\u00e7\u00e3o do regime, o restabelecimento de uma sociedade patriarcal e opressora e a vis\u00e3o da mulher como um objeto de posse, resumida \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie e \u00e0 fun\u00e7\u00e3o materna na sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O final aberto do livro, que se passa mais de 100 anos ap\u00f3s os \u00faltimos acontecimentos narrados por Offred, ganhou destaque no debate. Mesmo ap\u00f3s a hist\u00f3ria da Aia ser encontrada e estudada por sociedades mais evolu\u00eddas, ainda assim existiram pessoas que questionaram a autenticidade daquilo que foi vivido por ela em Gilead. No debate, foi apontado o quanto a voz da mulher \u00e9 invalidada, e foi ressaltada a import\u00e2ncia de combater todas as situa\u00e7\u00f5es de desvaloriza\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o feminina. Neste contexto, foram trazidas como pauta discuss\u00f5es sobre casos de feminic\u00eddio, diferen\u00e7as de g\u00eanero no mundo e lutas feministas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma curiosidade mencionada no encontro foi o fato da obra ter inspirado a s\u00e9rie hom\u00f4nima \u201cThe Handmaid\u2019s Tale\u201d, produzida pelo canal de streaming Hulu desde 2017. Semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as entre livro e s\u00e9rie tamb\u00e9m foram apontadas no debate, visto que a segunda consegue explorar com ainda mais detalhes a hist\u00f3ria, dando a oportunidade dos f\u00e3s de conhecerem resolu\u00e7\u00f5es alternativas para o universo criado por Atwood.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre o \u201cLeia Mulheres\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O clube realiza encontros mensais de maneira presencial, mas por conta da pandemia de Covid-19 os debates passaram a ocorrer de forma online pela rede social Skype. A mediadora e respons\u00e1vel pelo projeto, Ana Istschuk, conta que os encontros online t\u00eam seu lado positivo, j\u00e1 que permitiram a participa\u00e7\u00e3o de leitoras de outras cidades, e inclusive de autoras dos livros debatidos pelo projeto, como aconteceu no encontro de agosto de 2020 em que a autora Cidinha da Silva participou do debate sobre seu livro \u201cSobreviventes\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O \u201cLeia Mulheres\u201d \u00e9 um clube que l\u00ea exclusivamente obras escritas por mulheres. O projeto \u00e9 desenvolvido em diversas cidades do Brasil, e chegou \u00e0 cidade de Ponta Grossa em 2018. O pr\u00f3ximo livro a ser discutido \u00e9 \u201cTudo nela brilha e queima\u201d de Ryane Le\u00e3o. O encontro est\u00e1 marcado para o dia 19 de junho, \u00e0s 14h. A programa\u00e7\u00e3o completa de leituras de 2021 est\u00e1 dispon\u00edvel no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leiamulherespg\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a>&nbsp;do projeto.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Clube de Leitura \u201cLeia Mulheres\u201d realizou o encontro de maio no \u00faltimo dia 15 para debater a obra \u201cO Conto da Aia\u201d, de Margaret Atwood.&nbsp;O romance dist\u00f3pico, escrito em 1985, se passa num futuro muito pr\u00f3ximo do que vivemos e \u00e9 ambientado em&nbsp;Gilead \u2013 antigo Estados Unidos da Am\u00e9rica \u2013 onde foram extintas todas&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":554,"featured_media":6166,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[11],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6165"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/users\/554"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6165"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6165\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6165"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6165"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}