{"id":6203,"date":"2021-06-09T12:08:02","date_gmt":"2021-06-09T15:08:02","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=6203"},"modified":"2021-06-09T12:08:02","modified_gmt":"2021-06-09T15:08:02","slug":"celebracoes-religiosas-online-como-as-comunidades-estao-mantendo-a-fe-em-meio-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/celebracoes-religiosas-online-como-as-comunidades-estao-mantendo-a-fe-em-meio-a-pandemia\/","title":{"rendered":"Celebra\u00e7\u00f5es religiosas online: como as comunidades est\u00e3o mantendo a f\u00e9 em meio \u00e0 pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p> Com o isolamento que restringe a circula\u00e7\u00e3o, algumas pessoas se agarram a f\u00e9, outras encontram dificuldade com as novas tecnologias<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o deste ano, completamos um ano de recomenda\u00e7\u00e3o de isolamento social e consecutivos decretos de restri\u00e7\u00e3o ou flexibiliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio. Em Ponta Grossa, algumas comunidades e templos religiosos precisaram se adaptar, tendo em vista que em determinados momentos n\u00e3o poderiam abrir seus templos. De acordo com o decreto em vig\u00eancia desde o dia 15 de maio, as igrejas podem promover atividades presenciais como determina o artigo 15. Segundo o texto, \u201c[o]s templos de qualquer culto devem observar a Resolu\u00e7\u00e3o n.\u00ba 221, de 26 de fevereiro de 2021, da Secretaria de Estado da Sa\u00fade do Paran\u00e1, com ocupa\u00e7\u00e3o m\u00e1xima do espa\u00e7o em 30%.\u201d A SESA recomenda que os l\u00edderes religiosos e a popula\u00e7\u00e3o realizem os atos de forma n\u00e3o presencial. Fi\u00e9is de diferentes credos precisaram se adaptar, assim como os espa\u00e7os de atividades religiosa. Uma das principais dificuldades encontrada pelos templos \u00e9 a tecnologia e aspectos t\u00e9cnicos. Os pontos positivos apontados foram a maior dissemina\u00e7\u00e3o da f\u00e9 em diferentes lugares.<\/p>\n\n\n\n<p>Celebra\u00e7\u00f5es que est\u00e3o acontecendo no formato h\u00edbrido<\/p>\n\n\n\n<p>A sinagoga Anussim Brasil j\u00e1 realizava algumas celebra\u00e7\u00f5es online desde 2015 para acamados e moradores da \u00e1rea rural que n\u00e3o tinham o acesso ao local. Com a pandemia, o uso das transmiss\u00f5es foi ampliado, mas tamb\u00e9m foi necess\u00e1rio um processo radical de adapta\u00e7\u00e3o dentro da comunidade judaica. Shemuel Zakai, representante da Anussim Brasil de Ponta Grossa, conta que a primeira transmiss\u00e3o feita durante a pandemia foi em 2020, feita pela Comunidade Israelita Paulista (CIP). A comunica\u00e7\u00e3o focava os doentes da covid-19 no hospital Albert Einstein em S\u00e3o Paulo. \u201cFoi o primeiro experimento online que a comunidade fez no Shabat\u201d. Zakai explica que, principalmente, os grupos ortodoxos evitam o uso de internet no Shabat. \u201cDepois dessa transmiss\u00e3o, outras comunidades utilizaram essa ferramenta [a internet], quebrando um tabu.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Zakai descreve a internet como um instrumento que possibilita alcan\u00e7ar as pessoas de diferentes locais. Mas a rede dificulta as celebra\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que a maior parte das pr\u00e1ticas judaicas t\u00eam um modo pr\u00f3prio de ser feito. As rezas do Shabat e a refei\u00e7\u00e3o que o acompanha exigem um qu\u00f3rum m\u00ednimo de dez homens com idade m\u00ednima de 13 anos. O cortejo da Tor\u00e1 aos s\u00e1bados de manh\u00e3 tamb\u00e9m \u00e9 prejudicado. \u201cS\u00e3o liturgias diferentes em diferentes hor\u00e1rios e boa parte delas acompanha uma pr\u00e1tica que n\u00e3o se transfere online, ent\u00e3o a comunidade sente.\u201d A sinagoga est\u00e1 funcionando de forma h\u00edbrida, de acordo com as indica\u00e7\u00f5es do decreto em vig\u00eancia que possibilita que 30% dos lugares sejam ocupados.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a comunidade judaica de Ponta Grossa que perdeu uma parte importante dos seus ritos com a passagem para o virtual. A igreja Nossa Senhora do Pilar, localizada na Palmeirinha, est\u00e1 realizando os cultos presenciais, respeitando o decreto em vig\u00eancia, e tamb\u00e9m transmitindo as missas online. O padre Clayton Delinsk Ferreira afirma que o que se perde no formato online \u00e9 a materialidade. \u201cA celebra\u00e7\u00e3o perde no sentido de n\u00e3o receber na materialidade. Eu n\u00e3o posso aben\u00e7oar com \u00e1gua benta nem dar o sacramento, que \u00e9 uma gra\u00e7a invis\u00edvel dada por sinais\u201d. Apesar<\/p>\n\n\n\n<p>disso, a internet facilita o acesso. O religioso comenta que o espa\u00e7o limitado de 400 pessoas que ele poderia receber, na internet, \u00e9 expandido. \u201cEu j\u00e1 cheguei a ter transmiss\u00f5es com mais de 2.500 pessoas\u201d. Para o padre, o que se perde tamb\u00e9m \u00e9 a viv\u00eancia comunit\u00e1ria. Sem esta, o fiel corre risco de se alienar das quest\u00f5es que envolvem a coletividade. \u201cSe eu n\u00e3o vejo os problemas da comunidade, eu n\u00e3o me engajo com eles\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Delinsk comenta que esse espa\u00e7o na rede precisava ser ocupado pela igreja at\u00e9 antes mesmo da pandemia. \u201cN\u00f3s padres e outros membros n\u00e3o t\u00ednhamos percebido com muita clareza. A igreja est\u00e1 no mundo e precisa se fazer presente nos espa\u00e7os modernos. A igreja \u00e9 comunicador\u201d. Neste processo, o sacerdote comenta que alguns idosos ficaram de fora. S\u00e3o os chamados analfabetos digitais: pessoas que t\u00eam acesso a aparelhos tecnol\u00f3gicos mas n\u00e3o conseguem utiliz\u00e1-los. Isabela de Andrade Rocha, presidente da Pastoral da Comunica\u00e7\u00e3o (Pascom) da igreja Nossa Senhora do Pilar, comentou que o processo de transi\u00e7\u00e3o foi muito dif\u00edcil no inicio, mas que a Pascom est\u00e1 auxiliando a igreja. \u201cPara que a palavra de Deus chegue mas casas de todos da comunidade\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>As mudan\u00e7as enfrentadas pela Comunidade Evang\u00e9lica Rhema em Ponta Grossa tamb\u00e9m perpassaram os problemas t\u00e9cnicos no in\u00edcio assim como a igreja Nossa Senhora do Pilar. Para contornar estes obst\u00e1culos a comunidade precisou arrecadar equipamentos para as transmiss\u00f5es e pedir ajuda para membros mais familiarizados com as comunica\u00e7\u00f5es em dimens\u00e3o digital. Josilene Machado, Pastora S\u00eanior, conta que no in\u00edcio as transmiss\u00f5es recebiam poucas visualiza\u00e7\u00f5es, mas que agora o n\u00famero est\u00e1 se estabilizando. S\u00e3o promovidos cultos online, dentro das possibilidades do decreto em vigor, para aqueles que n\u00e3o conseguem acompanhar a forma online. Machado tamb\u00e9m explica que alguns fi\u00e9is n\u00e3o quiseram se adaptar ao formato remoto. \u201cAlgumas pessoas se abriram e outras n\u00e3o. Mesmo tendo internet e celular, elas pedem o presencial. \u2018Ah eu n\u00e3o consigo falar com uma m\u00e1quina\u2019 \u00e9 como eles dizem\u201d. Para contornar isso, a pastora explica que promoveram tutoriais e incentivaram o uso das plataformas entre o grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>As dificuldades enfrentadas no formato online, para a religiosa, s\u00e3o que a atmosfera de concentra\u00e7\u00e3o e o ambiente do templo n\u00e3o podem ser replicados em casa. H\u00e1 tamb\u00e9m a falta de contato humano. \u201cTemos diversas senhoras que s\u00e3o vi\u00favas ou mulheres solteiras mesmo que se sentem muito sozinhas. Elas sentem falta de algu\u00e9m para orar com elas. Mesmo que a gente se veja pela tela. N\u00e3o supre esse contato\u201d. Os pontos positivos para ela s\u00e3o que a procura de outros integrantes de outras comunidades aumentou e que n\u00e3o h\u00e1 esse gasto de deslocamento pelos fi\u00e9is que permanecem em suas casas assistindo a celebra\u00e7\u00e3o. Segundo Machado, alguns come\u00e7aram a participar mais no modo remoto, outros j\u00e1 perderam o h\u00e1bito de ir na igreja durante a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 formato online<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns Centros Esp\u00edritas de munic\u00edpios nos Campos Gerais paralisaram totalmente as suas atividades. Agora as atividades promovidas s\u00e3o transmitidas de forma online via Facebook ou outras plataformas. Em Ponta Grossa, est\u00e3o abertas apenas a biblioteca do Centro e um plant\u00e3o de atendimento \u00e0s pessoas que passam por dificuldades. Edson Luiz Wachholz, vice-presidente da Uni\u00e3o Regional Esp\u00edrita da 2\u00aa regi\u00e3o, comenta que a escolha pela paralisa\u00e7\u00e3o foi feita de forma consciente, j\u00e1 que mesmo sem querer o Centro poderia promover a infec\u00e7\u00e3o de frequentadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Wachholz tamb\u00e9m pondera que o contato humano se perde neste formato e que alguns frequentadores sentiram dificuldade em utilizar a internet. Segundo ele, aqueles que sentiam dificuldade com os dispositivos e processos digitais conseguiram se adaptar. De positivo, as reuni\u00f5es t\u00eam agregado mais participa\u00e7\u00f5es e evitado deslocamentos. \u201cO Espiritismo \u00e9 uma doutrina filos\u00f3fica que exige estudo cont\u00ednuo dos seus profitentes. Desta forma, realizamos uma agenda<\/p>\n\n\n\n<p>intensa de cursos a fim de qualificar nossos volunt\u00e1rios. Com a pandemia, precisamos nos adaptar e essa adapta\u00e7\u00e3o para as reuni\u00f5es de estudo on-line possibilitou a participa\u00e7\u00e3o mais efetiva no Brasil todo&#8221;, comenta. Wachholz observa que um obst\u00e1culo relacionado \u00e0s reuni\u00f5es online foi que novos participantes n\u00e3o conseguem ter acesso as atividades. O n\u00famero de ingressantes caiu bastante. Outra dificuldade \u00e9 que alguns palestrantes se sentem t\u00edmidos ou n\u00e3o conseguem dar suas palestras no formato online.<\/p>\n\n\n\n<p> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o isolamento que restringe a circula\u00e7\u00e3o, algumas pessoas se agarram a f\u00e9, outras encontram dificuldade com as novas tecnologias Em mar\u00e7o deste ano, completamos um ano de recomenda\u00e7\u00e3o de isolamento social e consecutivos decretos de restri\u00e7\u00e3o ou flexibiliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio. 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