{"id":6258,"date":"2021-06-29T19:15:02","date_gmt":"2021-06-29T22:15:02","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=6258"},"modified":"2021-06-29T19:15:02","modified_gmt":"2021-06-29T22:15:02","slug":"pre-parada-dos-campos-gerais-celebra-o-dia-do-orgulho-lgbtqia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/pre-parada-dos-campos-gerais-celebra-o-dia-do-orgulho-lgbtqia\/","title":{"rendered":"Pr\u00e9-Parada dos Campos Gerais celebra o Dia do Orgulho LGBTQIA+"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align:right\"><em>Por Manuela Roque, Sara Dalzotto, Heloisa Ribas Bida e Quiara Camargo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro dia da Pr\u00e9-Parada LGBTQIA + dos Campos Gerais, que acontece em conjunto com o 7\u00ba Col\u00f3quio Mulher e Sociedade, ocorreu na noite de ontem (28), \u00e0s 19h. O evento, que aconteceu na mesma data em que se comemora o Dia Mundial do Orgulho LGBTQIA +, teve como temas&nbsp;principais&nbsp;&#8220;Como entender a diversidade? Debate sobre equidade e inclus\u00e3o&#8221;, com o doutor em Bioqu\u00edmica pela UFRN, Giulian C\u00e9sar S\u00e1, e \u201cCen\u00e1rios de Inclus\u00e3o LGBTQIA+\u201d, com a advogada e coordenadora municipal da Alian\u00e7a LGBTQIA+ de Ponta Grossa, Tha\u00eds Boamorte.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O evento iniciou com uma apresenta\u00e7\u00e3o do professor Vin\u00edcius Biazotti, que prestou uma homenagem \u00e0s tr\u00eas v\u00edtimas de viol\u00eancia contra a comunidade LGBTQIA + na \u00faltima semana: Ana Paula Campestrini, assassinada pelo ex marido num crime de lesbofobia; Gabriel Garcia, tamb\u00e9m assassinado com um tiro na cabe\u00e7a, em que o crime j\u00e1 se qualifica como homic\u00eddio por homofobia; e Roberta Silva, uma moradora de rua, negra e travesti que teve 40% do seu corpo queimado vivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua fala, Biazotti enfatizou que, somente no ano de 2020, mais de 230 pessoas LGBTQIA+ morreram no Brasil por preconceito e viol\u00eancia: \u201cN\u00f3s somos um grupo em completa vulnerabilidade social. E \u00e9 por isso que estamos aqui hoje, segurando esta bandeira, para a gente poder n\u00e3o somente falar do orgulho em si, mas tamb\u00e9m para refor\u00e7ar a nossa luta, porque ela precisa ser todos os dias.\u201d O professor tamb\u00e9m fez o convite para o p\u00fablico acompanhar a Parada LGBTQIA+ dos Campos Gerais, a ser realizada no pr\u00f3ximo domingo (04), a partir das 16h. Mais informa\u00e7\u00f5es sobre o evento est\u00e3o dispon\u00edveis no<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/paradalgbtpg\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;Instagram da Parada<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O doutor em Bioqu\u00edmica Giulian C\u00e9sar S\u00e1 foi o primeiro painelista da noite. Em sua fala, Giulian apontou como principais pilares para entender a luta da comunidade LGBTQIA+ os conceitos de diversidade (amplia\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias, culturas e perspectivas), equidade (compreens\u00e3o de que todos devem ter a possibilidade de falar, atuar e ser ouvidos de maneira justa, igualit\u00e1ria e respeitosa) e inclus\u00e3o (possibilitar a participa\u00e7\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o de ideias e caracter\u00edsticas de todas as pessoas). Para o doutor, reconhecer essa diversidade e incluir todas as manifesta\u00e7\u00f5es feitas pelas pessoas LGBTQIA+ \u00e9 um primeiro passo para uma sociedade mais igualit\u00e1ria. \u201cN\u00e3o basta s\u00f3 aceitar essas pessoas, n\u00e3o basta s\u00f3 ouvir o que elas t\u00eam a dizer, temos que nos preparar para inclu\u00ed-las dentro do nosso dia a dia, dentro do nosso contexto, e dentro de todos os setores da sociedade civil\u201d, frisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Giulian tamb\u00e9m trouxe para o debate a no\u00e7\u00e3o de lugar de fala na sociedade. \u201cQual o nosso \u201clugar\u201d na sociedade? Esse assunto condiz com a minha realidade? Precisamos refletir sobre isso e, quando percebemos, muitas vezes n\u00e3o \u00e9 nosso lugar de fala em diversos aspectos. Discursos espec\u00edficos pedem por pessoas espec\u00edficas, que vivem os problemas na pele, que t\u00eam ent\u00e3o um lugar de fala. O que devemos fazer ent\u00e3o \u00e9 sentar para entender essas pessoas e reconhecer esse sofrimento sentido por elas\u201d, explica. O painelista ainda citou a import\u00e2ncia de cada um conhecer os privil\u00e9gios dados pela sociedade, os quais geralmente n\u00e3o est\u00e3o presentes na realidade dos membros da comunidade LGBTQIA+: \u201cN\u00e3o \u00e9 sobre ter privil\u00e9gios. \u00c9 sobre o que fazer com eles. Saber us\u00e1-los e traz\u00ea-los de modo \u00fatil para a sociedade. E voc\u00ea n\u00e3o precisa abrir m\u00e3o dos seus privil\u00e9gios, mas sim us\u00e1-los para ajudar os outros a seguir o seu lugar de destino de uma forma mais justa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda painelista da noite foi a advogada Tha\u00eds Boamorte. Em sua trajet\u00f3ria como profissional atuante nas causas LGBTQIA+, Tha\u00eds relata que, mesmo fazendo parte da luta enquanto membra da comunidade, ela entende que, em muitos espa\u00e7os, sua profiss\u00e3o acaba tendo um peso maior do que as falas proferidas por aqueles que fazem parte dos movimentos de milit\u00e2ncia: \u201cUma vez eu ouvi que n\u00f3s, somente por sermos advogados, acabamos abrindo muito mais portas para falar sobre diversidade do que as pr\u00f3prias milit\u00e2ncias. E isso me doeu muito porque eu posso muito bem tratar de todos os avan\u00e7os jur\u00eddicos da comunidade, mas n\u00e3o posso falar por toda ela. Meu local de fala \u00e9 enquanto uma mulher bissexual cisg\u00eanero, o que n\u00e3o engloba todas as letras da sigla LGBTQIA+\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>A advogada tamb\u00e9m apresentou todas as conquistas em leis dos movimentos LGBTQIA + na Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira, listando datas marcantes como o ano de 2011, em que foi garantido por lei o casamento civil homoafetivo; em 2015 o direito \u00e0 ado\u00e7\u00e3o por casais do mesmo sexo; em 2018 que \u00e9 estabelecida a possibilidade do uso do nome social em documentos oficiais pela popula\u00e7\u00e3o transexual, sem precisar da cirurgia de altera\u00e7\u00e3o de sexo; e a mais recente de todas que, na vis\u00e3o da advogada, foi a maior conquista da comunidade at\u00e9 ent\u00e3o: a criminaliza\u00e7\u00e3o da homotransfobia, considerada por lei como crime inafian\u00e7\u00e1vel, imprescrit\u00edvel e hediondo. Para Tha\u00eds, quanto mais forem divulgados os avan\u00e7os jur\u00eddicos da comunidade LGBTQIA+, menos v\u00edtimas da comunidade ser\u00e3o atingidas pelos discursos preconceituosos e intolerantes, ainda enraizados na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro e \u00faltimo momento do encontro foi de perguntas para os painelistas. Ao ser questionado sobre como a sociedade deve trabalhar a inclus\u00e3o dentro do pr\u00f3prio grupo LGBTQIA+, Giulian explicou que ela deve acontecer primeiramente dentro da comunidade: \u201cTodas as letras t\u00eam um porqu\u00ea, e as pessoas precisam entender cada uma delas para podermos trabalhar a inclus\u00e3o. Nenhum grupo da sigla deve sobressair e rela\u00e7\u00e3o ao outro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Tha\u00eds respondeu um questionamento sobre a legisla\u00e7\u00e3o acerca da criminaliza\u00e7\u00e3o da homotransfobia. Para a advogada, o problema est\u00e1 na efetiva\u00e7\u00e3o da lei na sociedade: \u201cSe na hora de fazer o boletim de ocorr\u00eancia voc\u00ea quiser que o escriv\u00e3o coloque que \u00e9 homotransfobia, ele precisa colocar. O que acontece \u00e9 uma falta de informa\u00e7\u00e3o e conhecimento dos profissionais, que acabam registrando no boletim somente como crime de inj\u00faria, o que prejudica no processo de criminaliza\u00e7\u00e3o do ato\u201d. Tha\u00eds ainda relata que a&nbsp;Alian\u00e7a LGBTQIA+ de Ponta Grossa est\u00e1 realizando atualmente um trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o destes profissionais para melhor atender a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ em situa\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n\n\n\n<p>O 7\u00b0 Col\u00f3quio Mulheres e Sociedade \u00e9 uma promo\u00e7\u00e3o do Grupo de Pesquisa Jornalismo e G\u00eanero do Mestrado em Jornalismo e pelo projeto de extens\u00e3o Elos \u2013 Jornalismo, Direitos Humanos e Forma\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 da Universidade Estadual de Ponta Grossa, em parceria com o Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade de Bras\u00edlia e parceria da Parada LGBTQIA+ dos Campos Gerais.&nbsp;Hoje (29), o segundo dia da Pr\u00e9-Parada LGBTQIA + dos Campos Gerais recebe como convidado Rodrigo Moretti, no painel \u201cPol\u00edticas P\u00fablicas de Sa\u00fade LGBTQIA+\u201d. O encontro ocorre \u00e0s 19h e ser\u00e1 transmitido pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/uepgELOS\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">p\u00e1gina do Facebook do Projeto de Extens\u00e3o ELOS<\/a>. Para conferir a programa\u00e7\u00e3o completa do Col\u00f3quio, acesse o&nbsp;<a href=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/coloquio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">site do evento.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Manuela Roque, Sara Dalzotto, Heloisa Ribas Bida e Quiara Camargo O primeiro dia da Pr\u00e9-Parada LGBTQIA + dos Campos Gerais, que acontece em conjunto com o 7\u00ba Col\u00f3quio Mulher e Sociedade, ocorreu na noite de ontem (28), \u00e0s 19h. 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