{"id":6271,"date":"2021-06-30T17:18:07","date_gmt":"2021-06-30T20:18:07","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=6271"},"modified":"2021-06-30T17:18:07","modified_gmt":"2021-06-30T20:18:07","slug":"debate-sobre-politicas-publicas-marca-pre-parada-lgbtqia-dos-campos-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/debate-sobre-politicas-publicas-marca-pre-parada-lgbtqia-dos-campos-gerais\/","title":{"rendered":"Debate sobre pol\u00edticas p\u00fablicas marca Pr\u00e9-Parada LGBTQIA+ dos Campos Gerais"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align:right\"><em>Por Kathleen Schenberger e L\u00edvia Souza Santos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nesta ter\u00e7a-feira (29), a segunda noite da Pr\u00e9-parada LGBTQIA+ dos Campos Gerais\u00a0realizou uma discuss\u00e3o sobre pol\u00edticas p\u00fablicas\u00a0em parceria com o 7\u00ba Col\u00f3quio Mulher e Sociedade. Neste ano, a Pr\u00e9-parada tem como tema \u201cInclus\u00e3o e Diversidade\u201d. Em fun\u00e7\u00e3o da pandemia, o evento ocorre de maneira online, sendo transmitido ao p\u00fablico pelas redes sociais. Para este encontro, as tem\u00e1ticas da mesa foram \u201cPol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade LGBTQIA+\u201d, com o pesquisador Rodrigo Moretti, \u201cViv\u00eancias da comunidade LGBTQIA+\u201d, com a ativista Debora Lee Comassetto, e \u201cLiga Brasileira de L\u00e9sbicas do Paran\u00e1\u201d, com a professora Dayana Brunetto.<\/p>\n\n\n\n<p>A estudante de jornalismo na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Val\u00e9ria Laroca, deu in\u00edcio ao evento e mediou a participa\u00e7\u00e3o dos convidados durante a&nbsp;<em>live<\/em>. Nesta noite, os convidados trouxeram suas viv\u00eancias e an\u00e1lises sobre a situa\u00e7\u00e3o das minorias na atual conjuntura do Brasil. O pesquisador na \u00e1rea de Ci\u00eancias Sociais em Sa\u00fade Coletiva, Rodrigo Moretti, destaca que as pessoas LGBTQIA+ adoecem com muita facilidade em raz\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es que passam ao longo da vida. E, segundo Moretti, as pol\u00edticas p\u00fablicas devem ultrapassar o campo da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e precisam combater as desigualdades que prejudicam a sa\u00fade dessas pessoas. \u201cN\u00e3o basta s\u00f3 ter pol\u00edticas p\u00fablicas, as medidas precisam ser operacionais e chegar a quem precisa\u201d, frisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sequ\u00eancia, a&nbsp;ativista e coordenadora da ONG Renascer, Debora Lee Comassetto falou de suas viv\u00eancias como travesti. Ela relata que as pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o insuficientes e, muitas vezes, os direitos s\u00e3o adquiridos somente com muito empenho da comunidade, citando como exemplo sua pr\u00f3pria luta: foi uma das primeiras mulheres trans a entrar com processo contra a Universidade Estadual de Ponta Grossa, ao ser negado seu direito de usar seu nome social. Ao ganhar o processo, n\u00e3o apenas ela foi beneficiada pela medida, como toda uma rede educacional, j\u00e1 que a medida tamb\u00e9m foi aplicada em escolas da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Debora destaca a Portaria n\u00ba 1.820 como uma vit\u00f3ria para a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+, que permitiu o uso do nome social no cart\u00e3o SUS de pessoas transexuais e travestis (TT). Ela ressalta que medidas como esta facilitam o acesso \u00e0 sa\u00fade dessas pessoas. Debora tamb\u00e9m fala sobre o aumento da vulnerabilidade social deste grupo durante a pandemia. \u201cA falta de pol\u00edticas p\u00fablicas leva \u00e0 vulnerabilidade social das mulheres TT\u201d, explica. Por fim, a ativista refor\u00e7ou a necessidade de uni\u00e3o dentro da comunidade para lutar por direitos e pela visibilidade das pessoas&nbsp;LGBTQIA+.&nbsp;\u201cSomos uma popula\u00e7\u00e3o muito perseguida\u201d, analisa Debora.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00faltima convidada da noite foi a doutora e professora de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da UFPR, Dayana Brunetto. Representando a Liga Brasileira de L\u00e9sbicas e a Rede Nacional de Ativistas e Pesquisadoras L\u00e9sbicas e Bissexuais do Brasil (Rede LesBi Brasil), a professora iniciou sua fala destacando que a vulnerabilidade e o isolamento social da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ n\u00e3o s\u00e3o novidades no pa\u00eds, mas potencializaram-se durante a pandemia do novo coronav\u00edrus. Segundo registros da Liga Brasileira de L\u00e9sbicas, desde mar\u00e7o de 2020 foram atendidos pela organiza\u00e7\u00e3o 89 casos de viol\u00eancia contra LGBTQIA+ no Paran\u00e1; dentre eles, lesbofobia, estupros corretivos, racismo, bifobia, transfobia e homofobia. Dayana tamb\u00e9m reafirmou as a\u00e7\u00f5es da Liga para com a popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel durante a pandemia, citando como exemplo a distribui\u00e7\u00e3o de tr\u00eas toneladas de cestas b\u00e1sicas, deixando claro que este \u00e9 um dever do poder p\u00fablico, que parece ignorar corpos marginalizados, como os LGBTQIA+. Al\u00e9m disso, frisou a import\u00e2ncia da coletividade e do apoio da sociedade na luta por direitos b\u00e1sicos: \u201cA luta \u00e9 coletiva, e ela \u00e9 pol\u00edtica, porque os nossos corpos s\u00e3o pol\u00edticos\u201d, diz Brunetto.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora relacionou sua fala, ainda, \u00e0 tem\u00e1tica de pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade integral para a popula\u00e7\u00e3o LGBT, citando a luta do movimento de l\u00e9sbicas desde a d\u00e9cada de 70 para a cria\u00e7\u00e3o de um protocolo de atendimento espec\u00edfico para essas mulheres, que ainda n\u00e3o existe. Ademais, focando em sua \u00e1rea de estudo, comentou sobre como grande parte da popula\u00e7\u00e3o foi privada do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, e como n\u00e3o houve uma pol\u00edtica p\u00fablica para facilit\u00e1-lo durante a pandemia. Segundo Brunetto, a viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ est\u00e1 diretamente relacionada a essa falha no sistema educacional brasileiro. \u201cPara que a gente mude a pr\u00e1tica da LGBTfobia, precisa de forma\u00e7\u00e3o; por isso a educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 uma pol\u00edtica extremamente importante porque ela \u00e9 uma ferramenta na luta contra todos os tipos de viol\u00eancias\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, os painelistas responderam uma s\u00e9rie de questionamentos enviados pelo p\u00fablico. Rodrigo, al\u00e9m de frisar a import\u00e2ncia de cada um reconhecer seus pr\u00f3prios privil\u00e9gios, citou a frase \u201cningu\u00e9m solta a m\u00e3o de ningu\u00e9m\u201d, destacando a import\u00e2ncia de uma milit\u00e2ncia conjunta e que englobe todes, sem deixar nenhum corpo LGBTQIA+ de lado e considerando as particularidades de cada um. Dayana, por sua vez, prop\u00f4s uma reflex\u00e3o acerca da atual situa\u00e7\u00e3o do Brasil, afirmando que n\u00e3o basta observar, \u00e9 necess\u00e1rio posicionamento. A mensagem final, como um todo, transmitiu a ideia de uni\u00e3o na luta contra todo tipo de preconceito: \u201cnem um a menos, at\u00e9 que todo mundo seja livre\u201d, nas palavras da professora Dayana Brunetto.<\/p>\n\n\n\n<p>O 7\u00b0 Col\u00f3quio Mulheres e Sociedade encerra suas atividades nesta quarta-feira, 30, com eventos pela manh\u00e3, \u00e0 tarde e \u00e0 noite. O evento \u00e9 organizado pelo Grupo de Pesquisa Jornalismo e G\u00eanero do Mestrado em Jornalismo e o projeto de extens\u00e3o ELOS \u2013 Jornalismo, Direitos Humanos e Forma\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), em parceria com o Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade de Bras\u00edlia (UNB) e apoio da Parada LGBTQIA+ dos Campos Gerais.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00faltimo dia da Pr\u00e9-Parada LGBTQIA+ dos Campos Gerais ser\u00e1 nesta quarta-feira, \u00e0s 19h, e contar\u00e1 com a presen\u00e7a da pesquisadora Bruna Iara, falando sobre \u201cPol\u00edticas de Inclus\u00e3o LGBTQIA+\u201d e do jornalista Nilson de Paula J\u00fanior, no painel \u201cA Marginalidade na Comunidade LGBTQIA+\u201d. O evento ser\u00e1 transmitido na p\u00e1gina do\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/uepgELOS\/?ref=page_internal\" target=\"_blank\">Facebook do Projeto de Extens\u00e3o ELOS<\/a>\u00a0 e em seu canal do\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC34v_NUIlngy1KI2A7vr-CA\" target=\"_blank\">YouTube<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Kathleen Schenberger e L\u00edvia Souza Santos Nesta ter\u00e7a-feira (29), a segunda noite da Pr\u00e9-parada LGBTQIA+ dos Campos Gerais\u00a0realizou uma discuss\u00e3o sobre pol\u00edticas p\u00fablicas\u00a0em parceria com o 7\u00ba Col\u00f3quio Mulher e Sociedade. Neste ano, a Pr\u00e9-parada tem como tema \u201cInclus\u00e3o e Diversidade\u201d. 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