{"id":6316,"date":"2021-07-15T10:02:42","date_gmt":"2021-07-15T13:02:42","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=6316"},"modified":"2021-07-15T10:02:42","modified_gmt":"2021-07-15T13:02:42","slug":"viuva-negra-otima-construcao-e-amortecida-por-final-protocolar-e-mal-construido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/viuva-negra-otima-construcao-e-amortecida-por-final-protocolar-e-mal-construido\/","title":{"rendered":"Vi\u00fava Negra: \u00f3tima constru\u00e7\u00e3o \u00e9 amortecida por final protocolar e mal constru\u00eddo"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde que apareceu pela primeira vez em \u201cHomem de Ferro 2\u201d (2010) a personagem de Natasha Romanov (Scarlett Johansson) sempre teve dois tra\u00e7os distintos dentro do universo cinematogr\u00e1fico da Marvel. Sua letalidade de ex-espi\u00e3 russa em combate e, principalmente, e seu grande ombro amigo para os companheiros vingadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem muitos detalhes do passado ou vida fora do supergrupo, a personagem de Johansson sempre foi um pilar de sustenta\u00e7\u00e3o, tanto em termos de integridade f\u00edsica quanto emocional e afetiva entre os aliados em seus dez anos de estadia no MCU. Como a personagem foi constru\u00edda a base do arqu\u00e9tipo do espi\u00e3o que muda de lado, o tom de mist\u00e9rio lhe serviu bem enquanto coadjuvante, mas deixou a desejar conforme sua presen\u00e7a foi sendo cada vez mais importante. Afinal, o que movia esse instinto de fam\u00edlia e lealdade em algu\u00e9m formado e habituado a ambientes de viol\u00eancia e interesses amb\u00edguos?<\/p>\n\n\n\n<p>Tentando compensar uma d\u00e9cada de desenvolvimento negligenciado a uma de suas maiores estrelas, a Marvel lan\u00e7a \u201cVi\u00fava Negra\u201d para dar mais peso e conte\u00fado \u00e0 personagem que j\u00e1 havia se despedido desse universo em \u201cVingadores: Ultimato\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Passando-se ap\u00f3s os eventos de \u201cCapit\u00e3o Am\u00e9rica: Guerra Civil\u201d (2015), o longa-metragem acompanha como a foragida Natasha Romanov \u00e9 obrigada a voltar para o local onde a persona da Vi\u00fava Negra foi forjada. Tendo de lidar com seu passado traum\u00e1tico de mentiras e abusos, Natasha busca por sua primeira fam\u00edlia para conseguir definir as bases de seu futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros dois atos do filme nos fazem pensar que estamos diante de uma das melhores produ\u00e7\u00f5es do est\u00fadio de Kevin Feige e cia. Ao melhor estilo \u201cUltimato Bourne\u201d (2006), o roteiro de Eric Pearson e a dire\u00e7\u00e3o de Cate Shortland costuram momentos humanos entre as cenas de a\u00e7\u00e3o para explorar a truncada e simultaneamente doce rela\u00e7\u00e3o de Natasha com a irm\u00e3 Yelena (Florence Pugh), com o pai Alexei (David Harbour) e com a m\u00e3e Melina (Rachel Weiss).<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo sabendo que todos eles desempenharam apenas um papel enquanto fam\u00edlia no passado, eles ainda s\u00e3o apegados a essa din\u00e2mica por ser o mais pr\u00f3ximo que j\u00e1 tiveram de uma de verdade. Vendo essa retrospectiva e acrescentando o hist\u00f3rico de abandono sofrido pela personagem na primeira inf\u00e2ncia, n\u00e3o \u00e9 de se admirar que Romanov seja t\u00e3o empenhada e disposta a formar la\u00e7os de afeto e confian\u00e7a genu\u00ednos com seus companheiros vingadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal din\u00e2mica conflitante rende \u00f3timos momentos que sedimentam o valor e habilidades de Natasha, mas que tamb\u00e9m servem para que reavaliemos tudo que conhecemos sobre ela (a gag recorrente sobre como ela costuma posar \u00e9 \u00f3tima). Se antes ningu\u00e9m ousava afronta-la em uma reuni\u00e3o dos vingadores por estarem falando com a Vi\u00fava Negra, \u00e9 curioso e instigante ver como nesse novo contexto ela \u00e9 \u201capenas\u201d a irm\u00e3 mais velha Nat tentando p\u00f4r ordem na mesa durante um jantar com a m\u00e3e en\u00e9rgica, o pai saudosista e bo\u00e7al e a irm\u00e3 rebelde.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o roteiro sendo desenvolvido ap\u00f3s a erup\u00e7\u00e3o do movimento #MeToo (2017 \u2013 presente), o filme veste essa energia em seu \u00e2mago. O vil\u00e3o, um homem fr\u00e1gil e megaloman\u00edaco que n\u00e3o se importa de usar mentes e corpos de mo\u00e7as indefesas, \u00e9 um claro adendo ao abomin\u00e1vel produtor Harvey Weinstein, o estopim do movimento. A pr\u00f3pria caracteriza\u00e7\u00e3o de Ray Winstone parece ter sido especialmente moldada pelo departamento de arte para emular a figura tit\u00e2nica e ultrajante de Weinstein.<\/p>\n\n\n\n<p>A escolha consciente por parte de Johansson, que tamb\u00e9m atua como produtora executiva da obra, \u00e9 sutil para o contexto da Marvel mas identific\u00e1vel em qualquer outro. Ao incluir tal alegoria a narrativa contribui para que a mensagem positiva de enfrentamento e vit\u00f3ria contra o abuso patriarcal seja potente em seu alcance.<\/p>\n\n\n\n<p>Com tais m\u00e9ritos de desenvolvimento e alus\u00f5es que deixam o filme em di\u00e1logo com seu tempo, \u00e9 uma pena que o terceiro ato seja t\u00e3o pedestre e nocivo a ponto de amortecer tudo at\u00e9 ent\u00e3o bem constru\u00eddo. Pressionada por conven\u00e7\u00f5es do g\u00eanero de a\u00e7\u00e3o que destoam do resto do filme, \u201cShortland\u201d orquestra um espet\u00e1culo grandioso e barulhento, mas de efeito oco por separar e moldar de forma t\u00e3o pobre os v\u00e1rios cl\u00edmaxes que a narrativa pedia. Tal dem\u00e9rito \u00e9 compartilhado com o roteiro visto que algumas batidas das cenas s\u00e3o t\u00e3o mal organizadas, que nem a edi\u00e7\u00e3o poderia salvar.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado final n\u00e3o \u00e9 ruim, \u00e9 apenas amortecido pela queda de qualidade. Como isso ocorre no terceiro ato (o qual o te\u00f3rico da narrativa cinematogr\u00e1fica Robert Mackee argumenta que \u00e9 a raz\u00e3o de existir de um filme), o sentimento de frustra\u00e7\u00e3o \u00e9 amplificado e pesa contra o restante do longa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que tardiamente produzido, o filme solo da Vi\u00fava Negra \u00e9 engajante o suficiente para nos fazer ter a certeza de que a personagem tinha todos os requisitos para ser uma das primeiras a receberem um filme solo. A obra honra a personalidade e habilidades de Natasha assim como o comprometimento de Johansson, mas \u00e9 ineg\u00e1vel que ambas, enquanto encarnes da primeira a hero\u00edna do MCU, mereciam um desfecho melhor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que apareceu pela primeira vez em \u201cHomem de Ferro 2\u201d (2010) a personagem de Natasha Romanov (Scarlett Johansson) sempre teve dois tra\u00e7os distintos dentro do universo cinematogr\u00e1fico da Marvel. 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