{"id":6468,"date":"2021-09-23T17:16:24","date_gmt":"2021-09-23T20:16:24","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=6468"},"modified":"2021-09-23T17:16:24","modified_gmt":"2021-09-23T20:16:24","slug":"15a-primavera-dos-museus-abre-com-painel-sobre-historia-oral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/15a-primavera-dos-museus-abre-com-painel-sobre-historia-oral\/","title":{"rendered":"15\u00aa Primavera dos Museus abre com painel sobre hist\u00f3ria oral"},"content":{"rendered":"\n<p>Na segunda-feira (20), o Museu Campos Gerais deu in\u00edcio \u00e0 programa\u00e7\u00e3o da 15\u00aa Primavera dos Museus. O evento, promovido todos os anos\u00a0nacionalmente pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) traz como tema em 2021 \u201cMuseus: Perdas e Recome\u00e7os\u201d, com o intuito de despertar uma reflex\u00e3o sobre a import\u00e2ncia dos espa\u00e7os culturais em momentos de infort\u00fanios ao longo da hist\u00f3ria, mas que deixaram a miss\u00e3o de recome\u00e7o para a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>O painel de abertura da semana de palestras, debates, oficinas e mostras promovidas pelo MCG foi dividido em dois momentos: no primeiro, ocorreu o lan\u00e7amento da Rede Estadual de Museus Universit\u00e1rios do Paran\u00e1, grupo in\u00e9dito para unir for\u00e7as entre os espa\u00e7os culturais de acervo e exposi\u00e7\u00e3o presentes no estado, e no segundo foi apresentado o painel \u201cMuseus e Hist\u00f3ria Oral: Di\u00e1logos Poss\u00edveis\u201d, ministrado pelo professor Dr. Robson Laverdi, do Departamento de Hist\u00f3ria da UEPG.<\/p>\n\n\n\n<p>O evento, mediado pelo jornalista Ismael Freitas, contou com uma fala inicial do representante da Superintend\u00eancia de Ci\u00eancia, Tecnologia e Ensino Superior do Paran\u00e1 (Seti), Professor Aldo Bona, seguido do assessor de Cultura e Museus da Seti, Rene Ramos. Ambos destacaram a import\u00e2ncia do surgimento do grupo para o fortalecimento da cultura paranaense. Em seguida, o reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Miguel Sanches Neto, deu in\u00edcio ao lan\u00e7amento da Rede Estadual de Museus enfatizando o mais novo projeto da universidade: o Museu do Oper\u00e1rio Ferrovi\u00e1rio, a ser discutido em mesa redonda durante a Primavera dos Museus na sexta-feira (24). &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o lan\u00e7amento, foram convocados representantes de cada universidade integrante ao grupo para discursar sobre a rede: Edina Schimanski, pr\u00f3-reitora de Extens\u00e3o e Assuntos Culturais da UEPG; Debora de Mello Sant\u2019ana, pr\u00f3-reitora de Extens\u00e3o e Cultura da&nbsp; Universidade Estadual de Maring\u00e1 (UEM); &nbsp;Lucelia Souza, pr\u00f3-reitora de Extens\u00e3o e Cultura da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro); James Rios, diretor de Cultura da Universidade Estadual do Norte do Paran\u00e1 (UENP); Ana Paula Peters, professora de Museologia da Universidade Estadual do Paran\u00e1 (Unespar); Terezinha Saldanha, do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o e Mem\u00f3ria das universidades do Paran\u00e1; Edineia Ribeiro, diretora do Museu Hist\u00f3rico de Londrina e Niltonci Batista Chaves, diretor geral do Museu Campos Gerais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda parte do evento, o Professor Doutor Robson Laverdi trouxe apontamentos sobre a import\u00e2ncia da hist\u00f3ria oral na constru\u00e7\u00e3o da sociedade. \u201cHist\u00f3ria \u00e9 registro da mem\u00f3ria e da cultura ordin\u00e1ria, nos museus n\u00f3s as armazenamos, e mesmo que os acervos j\u00e1 tenham sido produzidos, \u00e9 pela hist\u00f3ria oral que \u00e9 poss\u00edvel gerar novos documentos a serem arquivados para a posterioridade atrav\u00e9s da linguagem\u201d, diz. Segundo Robson, mais do que produzir e guardar documentos, os museus e seus organizadores devem buscar construir acervos que operem como imagens comunicantes, ou seja, que consigam conversar com o p\u00fablico e ajudar a construir sua realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHist\u00f3ria oral n\u00e3o existe para dar voz para as pessoas, elas j\u00e1 tem sua voz, mas sim criar condi\u00e7\u00f5es de escuta e espa\u00e7os de armazenamento que podem se beneficiar da inscri\u00e7\u00e3o de significados trazidos por ela, a hist\u00f3ria oral agrega saberes por ser um m\u00e9todo socioconstitutivo, n\u00e3o \u00e9 apenas uma fala, mas sim construtora de uma realidade\u201d, observa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Robson, o coletivismo dentro dos museus \u00e9 criado por meio da metodologia de di\u00e1logos ativos da hist\u00f3ria oral. Isso significa que os espa\u00e7os culturais, enquanto se propuserem a compreender cada vez mais seu p\u00fablico, devem evitar hierarquias e promover a equanimidade, pluralidade e diversidade nesses ambientes. O professor enfatiza que os organizadores devem se desprender do ideal de autoridade compartilhada e focar no compartilhamento de autoridade no sentido de conhecimento, ou seja, no partilhar saberes com o outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto destacado por Robson \u00e9 a import\u00e2ncia do presente para os museus. \u201cEmbora museus sejam espa\u00e7os que armazenem o passado, ele est\u00e1 no presente, e \u00e9 o presente que faz com que a gente ganhe maior aprofundamento da investiga\u00e7\u00e3o do passado para uma melhor constru\u00e7\u00e3o do futuro, \u00e9 o olhar do presente que possibilita construir, pela hist\u00f3ria oral, a mem\u00f3ria\u201d, explica. Neste sentido, ele ainda aborda a import\u00e2ncia do olhar significativo sobre o que \u00e9 registrado dentro de um museu, uma vez que mesmo que os eventos sejam essenciais para a hist\u00f3ria da humanidade, s\u00e3o seus significados que moldam a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor tamb\u00e9m cita o pesquisador Paulo Knauss, que em seu livro \u201cMuseus e Hist\u00f3ria P\u00fablica\u201d (2016) aborda estes centros culturais como locais de encontro de comunidades de sentido e constru\u00e7\u00e3o de conhecimento. \u201c\u00c0s vezes a gente acha que est\u00e1 produzindo algo importante em nossos museus sem interrogar outros itiner\u00e1rios, mas precisamos entender que n\u00e3o temos que produzir s\u00f3 mais conhecimento, mas sim qual conhecimento? Aquele que atinge as pessoas\u201d, afirma. Robson ainda lembra que um museu \u00e9 um lugar de perguntas e n\u00e3o de respostas, ou seja, o museu n\u00e3o deve dar respostas, porque se ele as fornece inteiramente, ele perde a capacidade de se envolver com os p\u00fablicos, que carregam diferentes e infinitas possibilidades de abordagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final do painel, Robson apresentou sugest\u00f5es de pesquisas a serem feitas dentro dos espa\u00e7os de museus no Paran\u00e1: biografar hist\u00f3rias de quem possibilitou registrar o acervo do museu, trazer mais narrativas do que apenas apresentar exposi\u00e7\u00f5es, investigar o processo de percep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, sair do colecionismo e passar a entender as viv\u00eancias que ocorrem dentro do museu, seguir descobrindo novas pe\u00e7as para agregar acervos j\u00e1 existentes, recobrar sentidos do presente, ou seja, investigar constantemente qual desejo move o museu, e possibilitar para o p\u00fablico espa\u00e7os cada vez mais representativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o do professor, o primeiro passo para o futuro dos museus \u00e9 publicizar cada vez mais o espa\u00e7o e seu conte\u00fado para toda a sociedade. \u201cAntes de tudo, \u00e9 preciso que o museu seja visto pela sociedade! Um museu pode nos fazer lembrar, mas um museu pode nos fazer esquecer tamb\u00e9m, ent\u00e3o precisamos refor\u00e7ar sua exist\u00eancia para que o comodismo n\u00e3o nos silencie\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m refor\u00e7a que o museu deve englobar todos os p\u00fablicos, e para isso pode estimular parcerias com os mais diversos grupos sociais, contribuindo diretamente para a populariza\u00e7\u00e3o dos museus, ainda visto por muitos como ambientes elitizados. \u201cMuseu tem que ser conectivo, e rodas de mem\u00f3ria s\u00e3o exemplos de a\u00e7\u00f5es para isso, s\u00e3o momentos de produ\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria oral ou narrativa que geram o ambiente agregador, precisamos buscar conviver com as pessoas! Museus tem que ser espa\u00e7os de conv\u00edvio! Espa\u00e7o do museu n\u00e3o \u00e9 para ir visitar, \u00e9 para conviver, interagir e compartilhar\u201d, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/museu\/museu-campos-gerais-divulga-programacao-na-15a-primavera-dos-museus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A programa\u00e7\u00e3o completa da Primavera dos Museus em Ponta Grossa est\u00e1 dispon\u00edvel no site do MCG.<\/a>&nbsp;O evento \u00e9 online, gratuito e conta com certificados de participa\u00e7\u00e3o. Todos os encontros tamb\u00e9m est\u00e3o dispon\u00edveis para posterior visualiza\u00e7\u00e3o no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC-19G-Rq3PwdcQx0Jtq_eew\/featured\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Youtube do Museu Campos Gerais.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na segunda-feira (20), o Museu Campos Gerais deu in\u00edcio \u00e0 programa\u00e7\u00e3o da 15\u00aa Primavera dos Museus. 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