{"id":6530,"date":"2021-10-18T17:24:58","date_gmt":"2021-10-18T20:24:58","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=6530"},"modified":"2021-10-18T17:24:58","modified_gmt":"2021-10-18T20:24:58","slug":"a-era-do-bond-de-daniel-craig-o-matador-que-aprendeu-a-amar-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/a-era-do-bond-de-daniel-craig-o-matador-que-aprendeu-a-amar-parte-i\/","title":{"rendered":"A era do Bond de Daniel Craig: o matador que aprendeu a amar \u2013 Parte I"},"content":{"rendered":"\n<p>A personalidade tradicional de\nJames Bond sempre foi fundamentada no arqu\u00e9tipo do espi\u00e3o <em>bon vivant<\/em><a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>.\nEm meio a miss\u00f5es grandiosas, rela\u00e7\u00f5es casuais com as mais variadas beldades\nfemininas e litros de martini batido e n\u00e3o mexido<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>,\nhavia apenas ind\u00edcios da personalidade do espi\u00e3o que apareciam aqui e acol\u00e1\nconforme era conveniente aos roteiros. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E nunca se esperou muito mais que\nisso. O p\u00fablico alvo e os valores de entretenimento tradicionais da s\u00e9rie, para\nbem ou para mal, nunca foram muito diferentes. Como Robert Mackee aponta em <em>Story: Subst\u00e2ncia, Estrutura, Estilo e os\nprinc\u00edpios da escrita de Roteiro<\/em>: &nbsp;\u201cA\nespinha de qualquer filme do James Bond, por exemplo, pode ser fraseada como: <em>derrotar o arquivil\u00e3o<\/em>. James n\u00e3o tem\ndesejos inconscientes: ele apenas quer salvar o mundo\u201d. As \u00fanicas mudan\u00e7as eram\nditadas <a href=\"https:\/\/www.avclub.com\/license-to-steal-8-times-the-james-bond-series-chased-1847783342\">pelas\ntend\u00eancias dos filmes de a\u00e7\u00e3o de cada d\u00e9cada<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, com o fim da era de Pierce\nBrosnan, isso mudou. Para se adaptar ao novo padr\u00e3o de protagonistas complexos com\njornadas internas e externas em seu desenvolvimento &#8211; abordagem popular nos\nanos 2000 como a saga de Jason Bourne, Batman de Christopher Nolan e Matrix &#8211; a\nfranquia teve de alterar o status quo do personagem para continuar relevante e,\nprincipalmente, rent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cassino Royale (2006), reapresentando um \u00edcone<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O 007 de Daniel Craig desde o in\u00edcio\nprometeu ser uma vers\u00e3o diferente de Bond. Ainda que o filme coloque sua\nrebeldia e desconex\u00e3o com tra\u00e7os caracter\u00edsticos de Bond como proto\ncomportamentos que viriam a transform\u00e1-lo no Bond tradicional, Craig \u00e9 o\nprimeiro int\u00e9rprete a ter o privil\u00e9gio de desenvolver tal persona ao inv\u00e9s de\napenas receb\u00ea-la pronta e mant\u00ea-la intocada. <\/p>\n\n\n\n<p>Em Cassino Royale, o diretor\nMartin Campbell renova, mais uma vez<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>,\na franquia com uma linguagem audiovisual mais fren\u00e9tica, direta e menos polida.\nUma abordagem certeira para apresentar o cerne do novo Bond, mais r\u00fastico e\nmenos elegante, e fazer a s\u00e9rie voltar a ser envolvente.<\/p>\n\n\n\n<p>Na trama, Bond precisa justificar\nsua licen\u00e7a 00 para matar. Ap\u00f3s seu ego e impulsividade colocarem uma miss\u00e3o em\nrisco, sua superiora M (Judy Dench) coloca em d\u00favida sua capacidade para o cargo\ne o pressiona para que ele se torne um verdadeiro matador frio e eficiente para\nconseguir capturar o terrorista e apostador Le Chiffre (Mads Mikkelsen).<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, o pre\u00e7o para atingir\nesse objetivo \u00e9 pr\u00f3pria coisifica\u00e7\u00e3o de Bond. O evento mais marcante da\ntrajet\u00f3ria deste James Bond \u00e9 a morte de seu primeiro amor, Vesper Lynd (Eva\nGreen), em circunst\u00e2ncias t\u00e3o tr\u00e1gicas que fazem Bond jurar jamais se permitir\nconfiar ou se apegar a outra mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso muda a chave l\u00f3gica de seu\ncomportamento padr\u00e3o. Tra\u00e7os como a promiscuidade sexual e tend\u00eancia alco\u00f3latra\nde Bond deixam de compor o chamariz hedonista do personagem para se transformarem\nem manifesta\u00e7\u00f5es de seu inconsciente tumultuado e sempre em fuga. A objetifica\u00e7\u00e3o\nfeminina deixa de ser um h\u00e1bito como era at\u00e9 ent\u00e3o para se tornar um mecanismo\nde autoprote\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o, quando conveniente, do tipo trabalho de Bond. J\u00e1 o\nalcoolismo moderado \u00e9 uma extens\u00e3o de sua inclina\u00e7\u00e3o de suprimir qualquer\nmanifesta\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, por medo, consci\u00eancia e remorso, que possa vir\na distra\u00ed-lo em suas miss\u00f5es. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Privado do sonho de seguir uma\nvida normal ao lado de quem ama, Bond ao final do filme \u00e9 o matador idealizado\ne cobrado por M para seguir a vida perigosa e fria da espionagem. Por\u00e9m um que\nfoge do passado com uma ferida que nunca o deixar\u00e1 em paz.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Confira a continua\u00e7\u00e3o no\nCultura Plural.<\/em><br><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a>\nIndividuo bem-humorado, jovial que valoriza os prazeres da vida e sabe goz\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a>\nDrink ic\u00f4nico de Bond.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a>\nCampbell foi respons\u00e1vel por reiniciar a franquia em 1992 com o que \u00e9\nconsiderado o melhor filme da era Pierce Brosnan: Goldeneye.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A personalidade tradicional de James Bond sempre foi fundamentada no arqu\u00e9tipo do espi\u00e3o bon vivant[1]. Em meio a miss\u00f5es grandiosas, rela\u00e7\u00f5es casuais com as mais variadas beldades femininas e litros de martini batido e n\u00e3o mexido[2], havia apenas ind\u00edcios da personalidade do espi\u00e3o que apareciam aqui e acol\u00e1 conforme era conveniente aos roteiros. &nbsp; E&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":570,"featured_media":6531,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[15],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6530"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/users\/570"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6530"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6530\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}