{"id":6545,"date":"2021-10-21T14:49:08","date_gmt":"2021-10-21T17:49:08","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=6545"},"modified":"2021-10-21T14:49:08","modified_gmt":"2021-10-21T17:49:08","slug":"a-era-do-bond-de-daniel-craig-o-matador-que-aprendeu-a-amar-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/a-era-do-bond-de-daniel-craig-o-matador-que-aprendeu-a-amar-parte-ii\/","title":{"rendered":"A era do Bond de Daniel Craig: o matador que aprendeu a amar \u2013 Parte II"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Quantum of Solace (2008), uma tr\u00e9gua com a ferida (e com a qualidade)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo os moldes de \u201cA\nSupremacia Bourne\u201d (2004), \u201cQuantum of Solace\u201d tenta oferecer a Bond um consolo\npara os efeitos dos eventos que provocaram a morte de Jesper. O filme foi\nprejudicado pela <a href=\"https:\/\/www.wga.org\/news-events\/news\/connect\/2-12-21\/today-in-guild-history-the-end-of-the-07-08-strike\">greve\ngeneralizada dos roteiristas de Hollywood da \u00e9poca<\/a>, o que for\u00e7ou a produ\u00e7\u00e3o\na se escorar demais em cenas de a\u00e7\u00e3o para disfar\u00e7ar o roteiro raso. Isso n\u00e3o\nseria um problema j\u00e1 que elas s\u00e3o mais do que esperadas nesse tipo de filme,\nmas a dire\u00e7\u00e3o inexperiente de Marc Foster no g\u00eanero faz elas parecerem um caos\ninintelig\u00edvel na maioria das vezes. <\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, da metade para o final o\nlonga cresce ao focar, ainda que superficialmente, nos ecos da trag\u00e9dia que\nencerrou o filme anterior. Ao deter os planos imperialistas da organiza\u00e7\u00e3o\nQuantum, 007 descobre como se perdoar e perdoar Vesper pelo que ocorreu\nanteriormente. Liberto do peso e raiva do luto, Bond abandona seu lado rebelde\ne compulsivo para focar em suas responsabilidades sob o comando de M. <\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo sendo decepcionante quando\ncomparado ao filme anterior, Quantum of Solace ainda vale a investida por\nprosseguir, ainda que a passos de formiga, com o arco de Bond e por ser\nocasionalmente divertido. E como b\u00f4nus, o longa ainda usa como pano de fundo\npara a est\u00f3ria as pr\u00e1ticas nocivas do imperialismo estadunidense na Am\u00e9rica Latina,\nheran\u00e7a direta da mentalidade da guerra fria. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Skyfall (2012), o \u00e1pice de Craig<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um dos grandes charmes da era\nCraig \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o de amor e \u00f3dio entre 007 e M. Sendo a superiora de Bond e sua\ndefensora perante as press\u00f5es externas no MI6 quando este se excede ou falha, M\nfrequentemente assume o papel de m\u00e3e adotiva para James. Em Skyfall tal rela\u00e7\u00e3o\n\u00e9 testada quando M toma uma decis\u00e3o arriscada, que acaba sacrificando Bond, para\nimpedir que informa\u00e7\u00f5es de agentes infiltrados sejam divulgadas. <\/p>\n\n\n\n<p>Bond, oficialmente morto, se\nsente perdido frente a suposta trai\u00e7\u00e3o de M em uma aposentadoria que, h\u00e1 alguns\nanos, teria sido o seu grande sonho ap\u00f3s se afastar da espionagem. Por\u00e9m, sem\nJesper, tal realiza\u00e7\u00e3o do sonho n\u00e3o faz mais sentido. Vendo que o MI6 est\u00e1 sob\nataques sistem\u00e1ticos de um cyber terrorista, e que o alvo principal \u00e9 M, Bond retorna\n\u00e0 a\u00e7\u00e3o para tentar entender e salvar uma das \u00fanicas conex\u00f5es genu\u00ednas que fez\nem toda a sua vida. <\/p>\n\n\n\n<p>Dirigido pelo ganhador do \u00d3scar\nSam Mendes, Skyfall \u00e9 a mais completa e instigante entrada de Craig na\nfranquia. O filme explora toda a natureza e hist\u00f3ria de Bond para humaniz\u00e1-lo\nsem sacrificar o ritmo \u00e1gil ou cenas de a\u00e7\u00e3o elaboradas e originais. <\/p>\n\n\n\n<p>Descobrindo a origem de \u00f3rf\u00e3o do\nagente, entendemos seu apego de filho com M. Todo o esfor\u00e7o dentro das miss\u00f5es &#8211;\nainda que camuflado como patriotismo ou como jornadas de autoflagela\u00e7\u00e3o como em\nQuantum of Solace &#8211; sempre foi direcionado a relutantemente conseguir a\naprova\u00e7\u00e3o e estima de M. <\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3pria diretora do MI6 sempre\ntratou James como sua prole. Seja sendo compreensiva passando a m\u00e3o em sua\ncabe\u00e7a quando ele cometia excessos producentes ou sendo en\u00e9rgica e punitiva\nquando ele apenas passava dos limites. Em Skyfall tal considera\u00e7\u00e3o atinge o\n\u00e1pice quando ela usa de toda a sua posi\u00e7\u00e3o para faz\u00ea-lo passar nos testes &#8211; e\nassim ser readmitido no MI6 &#8211; e quando faz quest\u00e3o de dizer, em seus \u00faltimos\nmomentos e \u00e0 sua maneira, que Bond \u00e9 o expoente de seu legado que mais lhe\norgulha. <\/p>\n\n\n\n<p>Vendo as consequ\u00eancias do passado\nde sua matriarca voltarem para assombr\u00e1-la na forma do vil\u00e3o Silva (Javier\nBarden), Bond entende melhor os sacrif\u00edcios e frieza necess\u00e1rios para a boa\npr\u00e1tica do cargo de responsabilidade que ela, e a agencia como um todo, tem\nperante a seguran\u00e7a mundial. Algo que apenas faz crescer sua admira\u00e7\u00e3o por M.<\/p>\n\n\n\n<p>Por um breve momento, Bond atinge\nseus objetivos conscientes e inconscientes na franquia: O de exercer em\nplenitude sua tarefa de espi\u00e3o e o de fazer parte de uma fam\u00edlia adotiva dentro\ndo MI6. Contudo, o vil\u00e3o Silva, que tamb\u00e9m possu\u00eda uma rela\u00e7\u00e3o de m\u00e3e e filho mal\nresolvida com M, lhe rouba esse senso de realiza\u00e7\u00e3o ao final do filme ao\nmat\u00e1-la. Mas diferente do abatimento visto em Cassino Royale, Bond mergulha\nfundo em sua dedica\u00e7\u00e3o ao que faz para honrar o legado de M.<\/p>\n\n\n\n<p>Fechando o filme com um 007 mais\nmaduro, o longa traz a vers\u00e3o mais completa do Bond de Craig. Todos os\nmaneirismos, aliados e particularidades cl\u00e1ssicas da franquia ganham sua vindoura\nmatura\u00e7\u00e3o, de forma org\u00e2nica, dentro do universo estabelecido em Cassino\nRoyale. <\/p>\n\n\n\n<p>Mendes e os roteiristas conseguiram\ncriar a t\u00e3o esperada ponte entre a origem do personagem e a vers\u00e3o que todos\nconhecemos com eleg\u00e2ncia &#8211; m\u00e9ritos tamb\u00e9m do design de produ\u00e7\u00e3o de Dennis Gassner\ne do cinematografo Roger Deakins -, agilidade e um final comovente.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Confira a <a href=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=6530\">primeira parte<\/a> e a continua\u00e7\u00e3o\nno Cultura Plural.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quantum of Solace (2008), uma tr\u00e9gua com a ferida (e com a qualidade) Seguindo os moldes de \u201cA Supremacia Bourne\u201d (2004), \u201cQuantum of Solace\u201d tenta oferecer a Bond um consolo para os efeitos dos eventos que provocaram a morte de Jesper. 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