{"id":6550,"date":"2021-10-22T20:06:36","date_gmt":"2021-10-22T23:06:36","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=6550"},"modified":"2021-10-22T20:06:36","modified_gmt":"2021-10-22T23:06:36","slug":"a-era-do-bond-de-daniel-craig-o-matador-que-aprendeu-a-amar-parte-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/a-era-do-bond-de-daniel-craig-o-matador-que-aprendeu-a-amar-parte-iii\/","title":{"rendered":"A era do Bond de Daniel Craig: o matador que aprendeu a amar \u2013 Parte III"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Spectre (2015), uma grande derrapada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Depois do sucesso e do efeito\nrenovador de Skyfall para o personagem, a franquia tinha uma tarefa dif\u00edcil:\nComo melhorar a partir do que foi estabelecido? Com o retorno garantido de Mendes\ne dos roteiristas de Skyfall a expectativa para Spectre era gigantesca. <\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o t\u00e9rmino da sequ\u00eancia de\nabertura no dia dos mortos na Cidade do M\u00e9xico filmada com todo o zelo\nposs\u00edvel, a promessa era a de que o filme honraria o legado de Skyfall. Por\u00e9m,\nessa promessa gradualmente \u00e9 estirpada do p\u00fablico conforme o filme progride. <\/p>\n\n\n\n<p>Spectre soa como uma terapia para\nBond. Pela primeira vez ele \u00e9 for\u00e7ado a confrontar verbal, psicol\u00f3gica e\nfisicamente sua condi\u00e7\u00e3o de assassino institucional. Com a ajuda de Madeleine\n(Lea Seydux) e a interfer\u00eancia do vil\u00e3o Blofeld (Christoph Waltz) James Bond \u00e9\nobrigado a perceber os padr\u00f5es de viol\u00eancia, v\u00edcios, dor e fuga que delimitaram\nsua vida at\u00e9 ent\u00e3o. Ao final, 007 opta por deixar o servi\u00e7o secreto, o qual\nainda participava movido pelo luto por M e a Vesper, e perseguir novamente o\nseu sonho de viver em um lugar paradis\u00edaco junto a algu\u00e9m que pode amar\nincondicionalmente e sem remorsos.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim como uma terapia, esse\nprocesso \u00e9 saud\u00e1vel e libertador para a psique de quem a faz. Infelizmente,\npara aqu\u00e9m assiste, tal processo \u00e9 um grande engodo quando manejado de forma\npedestre. Ao que tudo indica, tal sentimento <a href=\"https:\/\/www.indiewire.com\/2019\/12\/sam-mendes-bashes-directing-bond-films-no-victory-1202197636\/\">era\nreciproco nos bastidores do filme<\/a>. Chega a transbordar de ironia que a\nmesma equipe que fez a melhor parcela de Craig na franquia seja respons\u00e1vel por\nfazer tamb\u00e9m a mais fraca. <\/p>\n\n\n\n<p>A fotografia lavada de Hoyte Van\nHoytema junto com a condu\u00e7\u00e3o morosa e protocolar de Mendes faz com que qualquer\nsenso de risco, emo\u00e7\u00e3o ou adrenalina seja drenado do filme. &nbsp;A obra se torna um exerc\u00edcio de humaniza\u00e7\u00e3o contra\nprodutivo pelo fato do roteiro, escrito por quatro pessoas diferentes, ser\npobre na constru\u00e7\u00e3o e resolu\u00e7\u00e3o das cenas e relaxado no uso de seu vil\u00e3o,\noutrora ic\u00f4nico na franquia. O que resulta em toda a amea\u00e7a da, supostamente\nimplac\u00e1vel organiza\u00e7\u00e3o secreta S.P.E.C.T.R.E., parecer um mero country club de\npoderosos mesquinhos. <\/p>\n\n\n\n<p>O filme concede a James Bond o\nque ele sempre almejou, mas faz pouco esfor\u00e7o para nos fazer entender e sentir o\nqu\u00e3o incr\u00edvel isso \u00e9 para o personagem. Isso n\u00e3o s\u00f3 cria uma experi\u00eancia\nma\u00e7ante para o espectador como ainda minimiza os desdobramentos do desfecho de\nSkyfall.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sem tempo para morrer<\/strong><strong> (2021), o encontro do amor, a reden\u00e7\u00e3o, o\nfim e o futuro de Bond<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s quase dois anos de adiamento\ndevido a pandemia, chegou aos cinemas no \u00faltimo dia 30, o novo e \u00faltimo\nembarque de Daniel Craig como 007 nos cinemas. Com a sa\u00edda de Sam Mendes da\ndire\u00e7\u00e3o, a responsabilidade de encerrar a saga de Craig recaiu sobre os ombros\ndo prolifico Cary Jodi-Fukunaga. <\/p>\n\n\n\n<p>O tom do filme, primeiro a ter produ\u00e7\u00e3o\ndo pr\u00f3prio Craig, desde o in\u00edcio denota que os cineastas optaram por,\nfelizmente, se distanciar o m\u00e1ximo poss\u00edvel da abordagem anterior. A monotonia\nde Spectre d\u00e1 lugar a cores vivas e o tom oscilante entre tens\u00e3o, humor e drama\nfazem essa sequ\u00eancia ser uma das mais divertidas da era Craig. <\/p>\n\n\n\n<p>Talvez divertida at\u00e9 demais. Tal\nexplos\u00e3o de \u00e2nimo e positividade por vezes soa pouco caracter\u00edstico para o\npersonagem. Acostumamos a ver por tanto tempo um Bond marrento e sisudo &#8211; aspectos\ncl\u00e1ssicos dos her\u00f3is complexos do cinema ocidental p\u00f3s-11 de setembro &#8211; que soa\ncurioso v\u00ea-lo demonstrando, e expressando, facetas mais suaves como gratid\u00e3o,\namizade e arrependimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez por isso Sem Tempo para\nMorrer soa como uma leitura de testamento. Aqui Bond tem a chance der ser\nalgu\u00e9m que nunca foi, mas que Craig gostaria que ele fosse ap\u00f3s tanto tempo\nrecluso na concha emocional que moldou para si mesmo. <\/p>\n\n\n\n<p>Com a vinda da paternidade, Bond \u00e9\nmotivado pelo amor e n\u00e3o pela fuga, a construir um legado do qual, como Madeleine\nfaz ao final do filme, mere\u00e7a ser contado e passado para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. Abdicando\nda exposi\u00e7\u00e3o do hedonismo machista que tanto marcou a franquia, Fukunaga opta\npor fazer com que a \u00faltima investida de Craig seja marcada pela supera\u00e7\u00e3o de tudo\nisso em prol de uma heran\u00e7a genuinamente construtiva: o personagem se despe de\nsua arrog\u00e2ncia, necessidade de autopreserva\u00e7\u00e3o e se motiva a salvar o mundo\npara que sua filha possa viver em um lugar melhor e em um ambiente familiar\nfuncional. <\/p>\n\n\n\n<p>Bond enfim encontra um meio termo\nque concilia o que sua vida foi e o que ele almejava que ela pudesse ser. Infelizmente\nn\u00e3o sobrevive para ver seus sonhos se realizarem. <\/p>\n\n\n\n<p>O filme pode n\u00e3o alcan\u00e7ar os\nfeitos espetaculares de Cassino Royale e Skyfall, visto que o terceiro ato \u00e9\nenfraquecido pela falta de tens\u00e3o e pelo vil\u00e3o ser mais uma caricatura dentro\nda s\u00e9rie. Mas nem por isso deixa de ser especial ao seu pr\u00f3prio modo por\narriscar ser diferente e \u00fanico dentro de toda a franquia. <\/p>\n\n\n\n<p>O longa tamb\u00e9m n\u00e3o deixa de ser\nmelanc\u00f3lico ao delimitar que esta foi a \u00faltima apari\u00e7\u00e3o de 007 como o\nconhecemos. Encerrando a saga de forma eficiente, ainda que um pouco p\u00e1lida\nquando comparada \u00e0s melhores entradas de Craig, o filme cumpre seu dever de fechar\no arco do personagem ao deixa-lo de uma forma completamente diferente de quando\no conhecemos em 2006. <\/p>\n\n\n\n<p>Onde havia rebeldia, cresceu a serenidade. Onde havia frieza, ganhou-se calor humano e onde havia vazio e desmotiva\u00e7\u00e3o, houve amor e a realiza\u00e7\u00e3o de fazer feitos t\u00e3o grandiosos que nem a morte f\u00edsica poder\u00e1 apagar. &nbsp;Que o pr\u00f3ximo escolhido(a) a carregar o manto de James Bond continue tendo o privil\u00e9gio de mexer e renovar a franquia t\u00e3o bem quanto Craig o fez.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Confira a <\/em><a href=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=6545\"><em>segunda parte<\/em><\/a><em> no Cultura Plural <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Spectre (2015), uma grande derrapada Depois do sucesso e do efeito renovador de Skyfall para o personagem, a franquia tinha uma tarefa dif\u00edcil: Como melhorar a partir do que foi estabelecido? Com o retorno garantido de Mendes e dos roteiristas de Skyfall a expectativa para Spectre era gigantesca. 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