{"id":6619,"date":"2021-11-15T10:27:49","date_gmt":"2021-11-15T13:27:49","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=6619"},"modified":"2021-11-15T10:27:49","modified_gmt":"2021-11-15T13:27:49","slug":"49-fenata-encerra-com-adaptacao-de-o-beijo-no-asfalto-de-nelson-rodrigues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/49-fenata-encerra-com-adaptacao-de-o-beijo-no-asfalto-de-nelson-rodrigues\/","title":{"rendered":"49\u00b0 Fenata encerra com adapta\u00e7\u00e3o de \u201cO beijo no asfalto\u201d de Nelson Rodrigues"},"content":{"rendered":"\n<p>O \u00faltimo dia de mostra presencial da 49\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival Nacional de Teatro (Fenata) trouxe para o palco do Cine Teatro \u00d3pera a pe\u00e7a \u201cO beijo no asfalto\u201d, adapta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria criada pelo escritor e teatr\u00f3logo brasileiro Nelson Rodrigues. A obra, publicada em 1960, foi apresentada para o p\u00fablico ponta-grossense pela Companhia Teatral Independente (CTI), do Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria inicia em uma delegacia, na qual o jornalista Amado Ribeiro relata ao delegado Cunha ter presenciado dois homens se beijando na rua ap\u00f3s um deles ser atropelado. Enquanto isso, Apr\u00edgio chega na casa de sua filha Selminha onde tamb\u00e9m est\u00e1 D\u00e1lia, sua filha mais nova, para inform\u00e1-las que o marido da mais velha, Arandir, est\u00e1 a caminho da delegacia para ser testemunha do atropelamento. O pai ent\u00e3o insinua para a filha que o marido possa ser homossexual, uma vez que foi Arandir quem beijou o homem atropelado. A partir de ent\u00e3o, a pe\u00e7a mostra as repercuss\u00f5es do ato de Arandir na sociedade e a forma como os demais personagens reagem \u00e0 situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra gira em torno dos pontos de vistas diferentes sobre uma singela forma de afeto: o beijo entre Arandir e o morto. Para o jornalista Amado Ribeiro, o ato de Arandir \u00e9 digno de capa de jornal, e em busca de um furo ele convence o delegado Cunha do potencial da hist\u00f3ria tanto para a pol\u00edcia como para a imprensa. J\u00e1 Selminha custa a acreditar que seu marido tenha beijado outro homem e busca alegar das mais diversas formas para o jornalista e delegado o qu\u00e3o \u201chomem\u201d Arandir \u00e9. D\u00e1lia, por outro lado, tenta conquistar o amor de Arandir, e para isso aceita o feito do cunhado em busca de t\u00ea-lo apenas para si.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMG_6657-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6629\" \/><figcaption>O jornalista Amado Ribeiro convence o delegado Cunha do potencial de contar a hist\u00f3ria do &#8216;Beijo no asfalto&#8217;. Foto: Manuela Roque.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com um enredo simples e de f\u00e1cil entendimento, a obra de Nelson Rodrigues pode ser considerada uma trag\u00e9dia contempor\u00e2nea surpreendente. Para quem n\u00e3o conhece a hist\u00f3ria, a reviravolta final, na qual se descobre que Apr\u00edgio, pai de Selminha, era na verdade apaixonado por Arandir, e por isso nunca se deu bem com o genro, choca qualquer espectador. Ao final da pe\u00e7a, Apr\u00edgio mata Arandir ap\u00f3s declarar para ele seu amor n\u00e3o correspondido.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto, mesmo escrito h\u00e1 mais de cinquenta anos, n\u00e3o poderia ser mais atual. Ao discutir temas como preconceito, homofobia, rela\u00e7\u00f5es familiares conturbadas, corrup\u00e7\u00e3o, sensacionalismo midi\u00e1tico, machismo, objetifica\u00e7\u00e3o da mulher, abuso sexual e viol\u00eancia, \u201cO beijo no asfalto\u201d atravessa gera\u00e7\u00f5es e conversa com dilemas e quest\u00f5es que ainda se perpetuam e que, em muitos casos, tamb\u00e9m podem ocorrer na vida real. Al\u00e9m de todo um arco narrativo pautado pelo preconceito contra homossexuais, um dos momentos mais fortes da pe\u00e7a ocorre quando o jornalista Amado Ribeiro e o delegado Cunha invadem a casa de Selminha para realizar um interrogat\u00f3rio a respeito do desaparecimento de Arandir, e quando ela alega n\u00e3o saber onde o marido est\u00e1, os personagens se aproveitam de seu momento de vulnerabilidade e a estupram.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o diretor da pe\u00e7a, Ribamar Ribeiro, o grupo encena o texto de Nelson Rodrigues h\u00e1 mais de oito anos. \u201cEm 2013 a CTI ganhou um edital em que pod\u00edamos escolher uma pe\u00e7a do Nelson Rodrigues para encenar e escolhemos \u2018O beijo no asfalto\u2019 por ser uma pe\u00e7a atemporal, e estamos at\u00e9 hoje fazendo essa montagem contempor\u00e2nea, com velocidade, com pulsa\u00e7\u00e3o e que conversa com esse imediatismo da gera\u00e7\u00e3o atual\u201d. Ribamar ainda destaca que um dos principais desafios foi fazer em pouco tempo a remontagem da pe\u00e7a: o grupo teve seis ensaios ao longo de um m\u00eas para recriar com um novo elenco a montagem para o Fenata.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMG_6889.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6630\" \/><figcaption>Companhia Teatral Independente (CTI) encena a morte de Arandir em &#8216;O beijo no asfalto&#8217;. Foto: Manuela Roque. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em atividade desde 2003, a Companhia Teatral Independente atua no bairro do Iraj\u00e1, periferia do Rio de Janeiro com um dos menos \u00edndices de desenvolvimento humano do Brasil. O projeto, que tem o intuito de aproximar a cultura do teatro da comunidade, iniciou produzindo cen\u00e1rios e equipamentos de apoio com materiais recicl\u00e1veis e apresentando as pe\u00e7as cl\u00e1ssicas de Shakespeare e de Nelson Rodrigues. At\u00e9 o momento, a CTI j\u00e1 proporcionou a experi\u00eancia de atua\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o teatral para mais de 300 jovens do Rio de Janeiro, e v\u00eam lan\u00e7ando artistas em todas as esferas da cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o diretor, o processo de se reinventar como artista e como ser humano durante a pandemia o fez valorizar ainda mais a cultura e a arte em sua vida. \u201cA pandemia foi muito pesada para n\u00f3s artistas, a primeira coisa que ela fez foi nos afastar do nosso p\u00fablico. N\u00f3s artistas cuidamos da alma das pessoas, ent\u00e3o precisamos desse contato, desse olho no olho, e \u00e0s vezes com as c\u00e2meras que foi a limita\u00e7\u00e3o que tivemos n\u00e3o conseguimos alcan\u00e7ar essas pessoas\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Ribamar finaliza afirmando que subir ao palco do Fenata foi essencial para o grupo se reconectar com o p\u00fablico e avalia o festival como uma casa em que a CTI sempre se sente bem-vinda a retornar. \u201cPercebo que as pessoas est\u00e3o \u00e1vidas por voltar a se encontrar, e pressinto que isso ser\u00e1 uma revolu\u00e7\u00e3o art\u00edstica para todos, em que pessoas v\u00e3o querer viver coisas que nunca viveram antes, e n\u00f3s artistas vamos entender cada vez mais o quanto esse contato \u00e9 importante\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda na quinta-feira (11), o festival exibiu na mostra paralela, transmitida de forma online, a pe\u00e7a \u201cArara, Gralha e Pinh\u00e3o\u201d, do Grupo Flogisto. A apresenta\u00e7\u00e3o retratou a vida na natureza de aves t\u00edpicas brasileiras quando s\u00e3o surpreendidas por um ca\u00e7ador que vende animais atrav\u00e9s da biopirataria. Juntas, as aves lhe d\u00e3o uma li\u00e7\u00e3o sobre gan\u00e2ncia do ser humano e a import\u00e2ncia de preservar o ecossistema do pa\u00eds. J\u00e1 na sexta-feira, o Fenata teve seu encerramento oficial com a transmiss\u00e3o da pe\u00e7a \u201cLune\u201d, do coletivo ponta-grossense Cacareco.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Premia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fenata-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6620\" \/><figcaption> Foto Premia\u00e7\u00e3o Fenata. Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o\/ UEPG. <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Na noite de s\u00e1bado (13), o festival realizou a premia\u00e7\u00e3o de J\u00fari Popular, com trof\u00e9us para as pe\u00e7as vencedoras da Mostra Principal e Mostra Paralela. Neste ano, o p\u00fablico p\u00f4de acompanhar todas as apresenta\u00e7\u00f5es da Mostra Principal tanto presencialmente como online, com transmiss\u00f5es no dia seguinte da encena\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a. J\u00e1 a Mostra Paralela foi exibida apenas pela internet.<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio de um question\u00e1rio liberado ao final de cada pe\u00e7a nas redes sociais da UEPG, o festival totalizou 1277 votos para escolher os dois vencedores. O resultado foi calculado a partir da m\u00e9dia aritm\u00e9tica das notas de cada espet\u00e1culo. Os vencedores das duas categorias do 49\u00aa Fenata foram:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Mostra Paralela \u2013 \u201cLune\u201d, Coletivo Cacareco de Ponta Grossa;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Mostra Principal \u2013 \u201cA Borboleta da Colina\u201d \u2013 Grupo Diphuso de Ponta Grossa;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em sua fala final, a diretora de Assuntos Culturais da UEPG e organizadora do Fenata, professora Sandra Borsoi, destacou a import\u00e2ncia da presen\u00e7a de artistas de todo o Brasil no festival, bem como a representatividade de grupos teatrais da cidade. \u201cEssa presen\u00e7a nos alegra muito e fortalece o Fenata, ent\u00e3o nosso muito obrigada a voc\u00ea que participou e acreditou que estar aqui \u00e9 um momento de frui\u00e7\u00e3o da cultura de Ponta Grossa\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u00faltimo dia de mostra presencial da 49\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival Nacional de Teatro (Fenata) trouxe para o palco do Cine Teatro \u00d3pera a pe\u00e7a \u201cO beijo no asfalto\u201d, adapta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria criada pelo escritor e teatr\u00f3logo brasileiro Nelson Rodrigues. 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