{"id":6926,"date":"2022-03-04T18:13:26","date_gmt":"2022-03-04T21:13:26","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=6926"},"modified":"2022-03-04T18:13:26","modified_gmt":"2022-03-04T21:13:26","slug":"belfast-e-a-perspectiva-infantil-da-vida-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/belfast-e-a-perspectiva-infantil-da-vida-real\/","title":{"rendered":"Belfast e a perspectiva infantil da vida real"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Belfast<\/em>, longa do diretor Kenneth Branagh, \u00e9 um dos favoritos para a temporada das premia\u00e7\u00f5es de cinema e conquistou in\u00fameras indica\u00e7\u00f5es para o Oscar de 2022, incluindo a de melhor filme e melhor roteiro original. Atrav\u00e9s de Buddy, interpretado por Jude Hill, a produ\u00e7\u00e3o apresenta as dificuldades e as peculiaridades de se viver na Irlanda do Norte durante a d\u00e9cada de 1960, a partir da perspectiva de uma fam\u00edlia de protestantes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O filme se demonstra forte esteticamente desde o come\u00e7o, em que uma sequ\u00eancia recheada de cores se transforma em um mundo em preto e branco que estava escondido atr\u00e1s de um muro. A narrativa tamb\u00e9m acompanha essa transforma\u00e7\u00e3o quando, logo nos primeiros minutos da hist\u00f3ria, brincadeiras de crian\u00e7a nas ruas irlandesas s\u00e3o interrompidas por uma rebeli\u00e3o violenta, realizada por protestantes que rejeitam seus vizinhos cat\u00f3licos. A religi\u00e3o, inclusive, \u00e9 um t\u00f3pico forte dentro do longa, e \u00e9 apresentada de maneira quase divertida: uma crian\u00e7a de nove anos tem que aprender a reagir \u00e0 dramaticidade de um discurso religioso, vivendo com o espanto da possibilidade da morte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O grande destaque da narrativa \u00e9 a possibilidade de acompanhar de perto a din\u00e2mica de uma fam\u00edlia que, mesmo no meio de dificuldades financeiras e de expectativas de um futuro incerto, n\u00e3o perde o afeto e nem a esperan\u00e7a. As intera\u00e7\u00f5es de Buddy com todos ao seu redor d\u00e3o uma leveza necess\u00e1ria para o filme que, por muitas vezes, parece estar preso em um ciclo sem fim. Em longas sequ\u00eancias, o p\u00fablico consegue observar as conversas entre os personagens, seus momentos de lazer e o que sentem um pelo outro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio de problemas econ\u00f4micos, rebeli\u00f5es e guerrilhas, discuss\u00f5es sobre Deus e as diferen\u00e7as entre religi\u00f5es, a morte e a vida, Branagh faz um roteiro expositivo, praticamente explicativo, para que a inser\u00e7\u00e3o pessoal do p\u00fablico seja feita de maneira mais autom\u00e1tica. Isso n\u00e3o \u00e9 prejudicial, nesse caso, pois a curta dura\u00e7\u00e3o do longa permite que seu ritmo seja um pouco mais acelerado. De modo contradit\u00f3rio, enquanto somos bombardeados com informa\u00e7\u00f5es sobre a fam\u00edlia, ainda conseguimos ter a sensa\u00e7\u00e3o de rotina, como se acord\u00e1ssemos e dorm\u00edssemos ao lado daquelas pessoas, sabendo de todos os seus problemas e qualidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A trilha sonora de <em>Belfast<\/em> faz um excelente trabalho ao ditar o tom do filme, passando de sentimental e melanc\u00f3lico para esperan\u00e7oso e alegre em poucos minutos. \u201cDown to Joy\u201d, can\u00e7\u00e3o original de Van Morrison indicada ao Oscar, traduz bem o que o filme representa: a gratid\u00e3o de ter a possibilidade de criar uma nova hist\u00f3ria a partir dos sonhos que temos e apesar de todas as pessoas e coisas que perdemos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Belfast<\/em> \u00e9 bem sucedido ao conseguir fazer com que grande parte do p\u00fablico, mesmo aqueles que n\u00e3o nasceram nem estiveram na Irlanda do Norte, tenham uma identifica\u00e7\u00e3o pessoal com alguma das figuras retratadas. Crian\u00e7as curiosas e cheias de sonhos, m\u00e3es preocupadas e corajosas que atravessariam mundos e rebeli\u00f5es para proteger os filhos e pais que se v\u00eaem constantemente presos em uma luta entre o certo e o errado. \u00c9 um filme familiar, que acalenta o cora\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo que o destr\u00f3i, e faz com que reconhe\u00e7amos o quanto o mundo \u00e0 nossa volta e a realidade em que fomos criados pode afetar a maneira como enxergamos a vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 uma boa aposta para aqueles que preferem enredos mais simples e, mesmo assim, carregados de simbologias e significados ideol\u00f3gicos. <em>Belfast<\/em> se mostra, de alguma maneira, como o <em>Jojo Rabbit<\/em> da temporada: mesmo que n\u00e3o conquiste todas as estatuetas, conquista um lugar especial na grande estante de filmes formada na cabe\u00e7a de todo cin\u00e9filo.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Belfast, longa do diretor Kenneth Branagh, \u00e9 um dos favoritos para a temporada das premia\u00e7\u00f5es de cinema e conquistou in\u00fameras indica\u00e7\u00f5es para o Oscar de 2022, incluindo a de melhor filme e melhor roteiro original. 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