{"id":6988,"date":"2022-03-23T19:30:00","date_gmt":"2022-03-23T22:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=6988"},"modified":"2022-03-23T19:30:00","modified_gmt":"2022-03-23T22:30:00","slug":"panorama-dos-filmes-internacionais-do-oscar-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/panorama-dos-filmes-internacionais-do-oscar-2022\/","title":{"rendered":"Panorama dos filmes internacionais do Oscar 2022"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando se fala sobre a cerim\u00f4nia do Oscar, \u00e9 comum que categorias consideradas como grandes e mais importantes sejam citadas com maior frequ\u00eancia. Como consequ\u00eancia de uma realidade centralizada nas viv\u00eancias estadunidenses, \u00e9 raro que a categoria de Melhor Filme Internacional &#8211; antes denominada \u201cmelhor filme estrangeiro\u201d &#8211; receba a aten\u00e7\u00e3o que merece. Na reta final da cobertura sobre a premia\u00e7\u00e3o deste ano, o Cultura Plural destaca esses candidatos, suas contribui\u00e7\u00f5es para o cinema mundial e seus m\u00e9ritos, que n\u00e3o devem passar despercebidos. Infelizmente, nenhuma obra brasileira foi selecionada para concorrer ao pr\u00eamio este ano. A \u00faltima vez em que isso ocorreu foi em 1998, com <em>Central do Brasil, <\/em>longa dirigido por Walter Salles. Em 2022, a categoria conta com produ\u00e7\u00f5es da It\u00e1lia, Noruega, Dinamarca, But\u00e3o e Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O candidato italiano da categoria, <em>A M\u00e3o de Deus<\/em>, do diretor Paolo Sorrentino, parece caminhar devagar durante sua primeira hora de dura\u00e7\u00e3o. Seguindo a hist\u00f3ria de Fabietto Schisa, jovem morador de N\u00e1poles, o filme consegue capturar diversos t\u00f3picos, como a solid\u00e3o, a fam\u00edlia, o amor pelo futebol e pelo cinema e o luto. Apesar de demorar para come\u00e7ar a convencer seu p\u00fablico, o longa de Sorrentino tem um cora\u00e7\u00e3o pr\u00f3prio, que sangra na frente do espectador, sem esconder um m\u00ednimo detalhe sequer. Diante de uma bela fotografia, performances interessantes e um roteiro digno de destaque, o que chama a aten\u00e7\u00e3o em <em>A M\u00e3o de Deus <\/em>\u00e9 sua crueza torturante. O p\u00fablico \u00e9 convidado a entrar na vida da fam\u00edlia de Fabietto, e logo percebe que n\u00e3o existe uma porta de sa\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Poster-A-Mao-de-Deus.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6990\" \/><figcaption>P\u00f4ster do filme &#8220;A M\u00e3o de Deus&#8221;. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o. <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p> Julie parece ter dificuldades em encontrar quem ela realmente \u00e9. O filme que retrata sua vida, por\u00e9m, sabe bem quem \u00e9 e a que veio. <em>A Pior Pessoa do Mundo<\/em>, pel\u00edcula norueguesa do diretor Joachim Trier, apresenta uma narrativa separada em doze cap\u00edtulos, um pr\u00f3logo e um ep\u00edlogo baseados em Julie e sua busca incessante por si pr\u00f3pria. Em meio a faculdades, carreiras e casos de amor que vem e v\u00e3o, deixando vest\u00edgios que acompanham a personagem durante toda a sua vida, a protagonista tenta sobreviver em um mundo em que ningu\u00e9m parece entend\u00ea-la o suficiente, nem ela mesma. O t\u00edtulo, \u00e9 claro, n\u00e3o poderia estar mais enganado, j\u00e1 que o filme apresenta uma personagem com uma crise de personalidade justific\u00e1vel e cab\u00edvel de uma empatia t\u00e3o intensa que, ao final de sua hist\u00f3ria, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o sentir todas as emo\u00e7\u00f5es junto de Julie.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Poster-A-Pior-Pessoa-do-Mundo.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6991\" \/><figcaption> P\u00f4ster do filme &#8220;A Pior Pessoa do Mundo&#8221;. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o. <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><em>Flee<\/em> (Fugir\/Escape, em tradu\u00e7\u00e3o livre), representante da Dinamarca e \u00fanica anima\u00e7\u00e3o da lista, documenta a hist\u00f3ria do amigo de Jonas Poher Rasmussen, diretor do filme. Amin Nawabi, nome fict\u00edcio do personagem, \u00e9 um homem gay que fugiu do Afeganist\u00e3o ainda na juventude. Agora, aos 30 anos, Amin permite que Rasmussen se torne seu mais caro confidente, e o longa \u00e9 constru\u00eddo como se fosse um desabafo, dando destaque aos momentos mais \u00edntimos e emocionais de uma pessoa que migrou a sua vida toda em busca de for\u00e7a e estabilidade. <em>Flee <\/em>\u00e9 delicado para o p\u00fablico em todas as suas dimens\u00f5es: seu roteiro honesto, tra\u00e7os detalhistas e a paci\u00eancia entre as falas quebram o estere\u00f3tipo de que anima\u00e7\u00f5es devem manter uma narrativa moldada na fic\u00e7\u00e3o para ser aceita. A produ\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m indicada \u00e0s premia\u00e7\u00f5es nas categorias de anima\u00e7\u00e3o e document\u00e1rio, \u00e9 uma forte candidato por todas as suas caracter\u00edsticas fortes e pontuais da contemporaneidade, pautando uma hist\u00f3ria real onde um homem racializado e homossexual \u00e9 o protagonista.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Poster-Flee.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6992\" \/><figcaption> P\u00f4ster do filme &#8220;Flee&#8221;. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Talvez a obra mais simples da categoria, <em>A Felicidade das Pequenas Coisas, <\/em>dirigido por Pawo Choyning Dorji, consegue conquistar em um fator que seus concorrentes n\u00e3o t\u00eam: delicadeza. \u00c9 a primeira indica\u00e7\u00e3o do But\u00e3o, marcando mais uma presen\u00e7a asi\u00e1tica na categoria neste ano. Contando a hist\u00f3ria de Ugyen Dorji, professor que tem o sonho de ser cantor, <em>A Felicidade das Pequenas Coisas <\/em>parece ser um f\u00f4lego para o espectador que assistiu aos outros filmes da categoria e percebeu seus t\u00f3picos e cinematografias carregados. Apesar de acess\u00edvel, consegue se sustentar com um roteiro interessante e uma realidade praticamente desconhecida pelo p\u00fablico ocidental. O relacionamento entre Ugyen Dorji e os alunos carrega a for\u00e7a emocional do longa, e \u00e9 importante para que o p\u00fablico se mantenha interessado at\u00e9 o final.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Poster-A-Felicidade-das-Pequenas-Coisas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6993\" \/><figcaption> P\u00f4ster do filme &#8220;A Felicidade das pequenas coisas&#8221;. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Fechando a lista, temos o candidato japon\u00eas <em>Drive my Car<\/em> (no original <em>Doraibu mai k\u00e2<\/em>) de Ry\u00fbsuke Hamaguchi, que conta como o ator vi\u00favo Yus\u00fbke Kafufu (Hidetoshi Nishijima) enfrenta o luto ao adaptar a pe\u00e7a <em>Tio V\u00e2nia<\/em>, de Anton Tchekov, para o Jap\u00e3o na cidade de Hiroshima. A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o estrangeira da temporada com tr\u00eas indica\u00e7\u00f5es al\u00e9m da de melhor filme internacional (melhor filme, diretor e roteiro adaptado). Ap\u00f3s levar tr\u00eas pr\u00eamios no festival de Cannes e ser real\u00e7ado em premia\u00e7\u00f5es do circuito de associa\u00e7\u00f5es da cr\u00edtica estadunidense, <em>Drive my Car<\/em> chega como franco favorito. O ritmo propositalmente moroso de suas 3 horas de dura\u00e7\u00e3o aliado \u00e0 mundanidade de sua trama podem afastar o espectador m\u00e9dio. Contudo, esse p\u00fablico poder\u00e1 perder um trabalho primoroso de desenvolvimento de personagens em um hist\u00f3ria recheada de humanidade e empatia por aqueles cujos dem\u00f4nios s\u00f3 podem ser expurgados atrav\u00e9s do contato e da compreens\u00e3o de outras pessoas. O longa possui <a href=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=6963\">cr\u00edtica<\/a> no site do Cultura Plural.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Poster-Drive-my-Car.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6994\" \/><figcaption> P\u00f4ster do filme &#8220;Drive my Car&#8221;. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o. <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Por Lilian<\/em> Magalh\u00e3es, <em>Maria Helena Denck e Yuri A.F. Marcinik<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se fala sobre a cerim\u00f4nia do Oscar, \u00e9 comum que categorias consideradas como grandes e mais importantes sejam citadas com maior frequ\u00eancia. Como consequ\u00eancia de uma realidade centralizada nas viv\u00eancias estadunidenses, \u00e9 raro que a categoria de Melhor Filme Internacional &#8211; antes denominada \u201cmelhor filme estrangeiro\u201d &#8211; receba a aten\u00e7\u00e3o que merece. 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