{"id":7197,"date":"2022-05-25T11:07:45","date_gmt":"2022-05-25T14:07:45","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=7197"},"modified":"2022-05-25T11:07:45","modified_gmt":"2022-05-25T14:07:45","slug":"memorias-jornalisticas-ao-sul-do-equador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/memorias-jornalisticas-ao-sul-do-equador\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias (jornal\u00edsticas) ao Sul do Equador"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Livro conta a hist\u00f3ria de jornalistas, migrantes italianos, que atuaram na regi\u00e3o do Rio da Prata entre 1827 e 1860. Pesquisa \u00e9 tese doutoral do historiador Eduardo Scheidt<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Como chegaram \u00e0 regi\u00e3o Platina e o que fizeram os italianos Pedro de Angelis (N\u00e1poli, 29\/06\/1784 \u2013 Buenos Aires, 10\/02\/1859), Gian Battista Cuneo\u00a0(Oneglia, 1809 \u2013 Floren\u00e7a, 18\/12\/1875), Tito L\u00edvio Zambeccari (Bolonha, 3\/06\/1802 \u2013 Bolonha, 2\/12\/1862) e Luigi Rossetti (G\u00eanova, 1800 \u2013 Viam\u00e3o\/RS, 24\/11\/1840) em terras \u2018hermanas\u2019? Ao chegar no Rio de Janeiro, fugindo das persegui\u00e7\u00f5es do ent\u00e3o governo italiano, entre as d\u00e9cadas de 1820 e 40, os quatro profissionais atuaram como \u2018publicistas\u2019 editoriais em peri\u00f3dicos que defendiam causas nacionalistas e democr\u00e1ticas, circulando entre Buenos Aires, Montevid\u00e9u, Porto Alegre e as duas \u2018capitais\u2019 dos farroupilhas no interior do Rio Grande do Sul: Piratini e depois Ca\u00e7apava.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale destacar aqui o migrante que teve a vida interrompida pelo envolvimento militar em uma batalha farroupilha, durante ataque do ex\u00e9rcito imperial, na localidade de Setembrina (atual munic\u00edpio de Viam\u00e3o, regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre), em 24 de Novembro de 1840: Luigi Rossetti.<\/p>\n\n\n\n<p>Rossetti passa a integrar o movimento \u2018Jovem It\u00e1lia\u2019 (comandada por Giuseppe Mazzini, a partir de Londres, tamb\u00e9m exilado) ainda quando estudante de Direito, quando enfrentou o primeiro ex\u00edlio em Malta (1821). A vinda ao Brasil acontece em 1827, no Rio de Janeiro, onde milita junto aos imigrantes italianos na organiza\u00e7\u00e3o de um n\u00facleo da mesma Giovine It\u00e1lia\u2019, quando conhece Garibaldi.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao desembarcar no porto de Montevid\u00e9u, junto com Garibaldi, Rossetti vai a Piratini, capital da Rep\u00fablica Farroupilha, onde chega em 7\/04\/1937, integra-se ao movimento e passa a pensar na cria\u00e7\u00e3o de um jornal. Em cartas a Batista Cuneo, Rossetti informa os preparativos e antecipa que deve assumir a reda\u00e7\u00e3o do peri\u00f3dico, que circula com a primeira edi\u00e7\u00e3o em 01\/09\/1938:&nbsp;<em>O Povo<\/em>, jornal oficial do governo republicano, que tem por lema uma orienta\u00e7\u00e3o mazziniana (Giuseppe Mazzini, criador do movimento \u2018Jovem It\u00e1lia\u2019): \u201cLiberdade \u2013 Igualdade \u2013 Humanidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a cuidadosa pesquisa de Eduardo Scheidt, em todas edi\u00e7\u00f5es,&nbsp;<em>O Povo<\/em>&nbsp;circula com a ep\u00edgrafe \u201co poder que dirige a revolu\u00e7\u00e3o tem que preparar os \u00e2nimos dos Cidad\u00e3os aos sentimentos de fraternidade, de mod\u00e9stia, igualdade e desinteressado e ardente amor da P\u00e1tria. (Jovem It\u00e1lia. Vol.V.)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Rossetti dirige&nbsp;<em>O Povo<\/em>&nbsp;at\u00e9 a edi\u00e7\u00e3o 47, quando deixa o cargo e se junta \u00e0s tropas militares, que rumam \u00e0 Santa Catarina, onde tomam Laguna e criam a Rep\u00fablica Juliana, em Julho de 1939, que dura poucos meses, e retornam \u00e0s batalhas no RS. Quando em SC, Rossetti envia textos para O Povo, que s\u00e3o assinados com o pseud\u00f4nimo de Joaquim Teixeira Nunes, como \u2018rep\u00f3rter\u2019 e militante farroupilha. Em seu curto per\u00edodo de exist\u00eancia, O Povo circula \u00e0s quartas e s\u00e1bados, a partir de Piratini, e depois do n\u00famero 46, de Ca\u00e7apava, que passa a funcionar como \u2018capital\u2019 dos farrapos. A partir do in\u00edcio de maio de 1840, Gian Batista Cuneo assume a reda\u00e7\u00e3o. Poucas semanas depois, em um ataque das for\u00e7as imperiais \u00e0 gr\u00e1fica, j\u00e1 em Ca\u00e7apava,&nbsp;<em>O Povo<\/em>&nbsp;deixa de circular no final de maio de 1840 e o ex-diretor retorna a Montevid\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ser mortalmente ferido pelo ataque das for\u00e7as imperiais, em novembro de 1840, Rossetti tinha apenas 40 anos de idade. A personagem \u00e9 uma das figuras que remetem \u00e0 mem\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha (1835-1845), principalmente pelo trabalho como jornalista e tamb\u00e9m pela amizade com Giuseppe Garibaldi, que o considerava um \u2018irm\u00e3o\u2019 na luta e vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo trabalho de Rossetti, bem como dos demais jornalistas migrantes, \u00e9 poss\u00edvel conhecer um pouco das lutas pol\u00edticas travadas na regi\u00e3o Platina, ao longo do s\u00e9culo XIX, bem como identificar algumas contradi\u00e7\u00f5es, limites e trai\u00e7\u00f5es do movimento farroupilha, que deixou milhares de mortos e marcou um momento t\u00edpico de guerras civis em que a conta sobra(va) habitualmente aos pobres, soldados ou n\u00e3o, pe\u00f5es, negros, mulheres e crian\u00e7as que vivenciam os horrores dos desmandos de elites que empunham bandeiras na defesa de interesses particulares \u00e0s custas das maiorias silenciosas. Na guerra dos farrapos, guardadas as propor\u00e7\u00f5es, as trag\u00e9dias tamb\u00e9m se repetem!<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, para conhecer a trajet\u00f3ria dos demais jornalistas italianos que se envolveram em causas pol\u00edticas na Regi\u00e3o Platina no s\u00e9culo XIX, fica a sugest\u00e3o da leitura do livro de Eduardo Scheidt. Vale o tempo e a aposta!<\/p>\n\n\n\n<p>Livro:&nbsp;<em>Carbon\u00e1rios no Rio da Prata<\/em>&nbsp;\u2013 jornalistas italianos e a circula\u00e7\u00e3o de ideias na Regi\u00e3o Platina (1827- 1860). Autor: Eduardo Scheidt. Rio de Janeiro: Apicuri, 2008. 196p.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro conta a hist\u00f3ria de jornalistas, migrantes italianos, que atuaram na regi\u00e3o do Rio da Prata entre 1827 e 1860. 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