{"id":839,"date":"2017-02-18T22:15:15","date_gmt":"2017-02-18T22:15:15","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=839"},"modified":"2017-02-18T22:15:15","modified_gmt":"2017-02-18T22:15:15","slug":"cinco-decadas-de-um-vozeirao-inesquecivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/cinco-decadas-de-um-vozeirao-inesquecivel\/","title":{"rendered":"Cinco d\u00e9cadas de um \u2018vozeir\u00e3o\u2019 inesquec\u00edvel"},"content":{"rendered":"<div class=\"stx\">\n<p>Houve um tempo em que os radialistas n\u00e3o eram simplesmente profissionais da comunica\u00e7\u00e3o. O p\u00fablico os encarava como verdadeiros astros. Suas vozes marcantes encantavam n\u00e3o s\u00f3 pelo timbre, mas pela simpatia e carisma que expressavam aos ouvintes. Essa \u00e9 umas das caracter\u00edsticas que resumem a era de ouro do r\u00e1dio no Brasil, tempo em que o ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o tinha toda a magia de um meio \u00e1gil e ao mesmo tempo fascinante.<\/p>\n<p>O radialista ponta-grossense Ney Costa \u00e9 um exemplo vivo dessa \u00e9poca em que somente quem tinha voz diferenciada poderia falar aos microfones. Um personagem tranquilo, que se veste de maneira simples. Cidad\u00e3o antenado, l\u00ea as not\u00edcias do dia e comenta com seus ouvintes. Quem o v\u00ea pelas esquinas da Rua XV, onde fica seu local de trabalho, jamais pode imaginar a riqueza de hist\u00f3rias que ele tem pra contar.<\/p>\n<p>Nascido em 3 de Abril de 1945 \u00e9 um profissional respeitado no meio jornal\u00edstico. Iniciou sua carreira com apenas 16 anos na r\u00e1dio clube de Ponta Grossa, a mais antiga do Paran\u00e1. \u201cEu sempre quis trabalhar em r\u00e1dio, minha m\u00e3e ouvia a R\u00e1dio Nacional do Rio. As emissoras tinham ondas curtas e tinham novelas. Com dez anos eu pulei numa caminhonete de som e falei para o motorista que queria ser radialista, a partir da\u00ed nunca mais parei\u201d.<\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas de Ney Costa, assim como de outros radialistas da \u00e9poca era a rela\u00e7\u00e3o com ouvinte. Suas palavras expressam alegria, emo\u00e7\u00e3o e entusiasmo, sobretudo nos programas de entretenimento. A partir de 1975 ingressou na R\u00e1dio Bandeirantes de S\u00e3o Paulo e foi com o programa \u2018As mais mais\u2019 que Ney Costa consagrou-se no meio radiof\u00f4nico. \u201cNa Bandeirantes eu apresentava \u2018As mais mais\u2019, que era m\u00fasica e coment\u00e1rio, com as paradas de sucesso da \u00e9poca. Fiquei l\u00e1 at\u00e9 1991 quando voltei para Ponta Grossa e continuo com o programa at\u00e9 hoje\u201d.<\/p>\n<p>Nesses anos que considera como o auge da sua carreira, conheceu artistas famosos do meio cultural brasileiro e teve contato com grandes nomes da nossa m\u00fasica. \u201cEu lancei muitos famosos. Alcione, Lu\u00eds Air\u00e3o e Belchior. Tamb\u00e9m fui jurado no programa do Chacrinha, fui amigo dele e do Bolinha. Os anos 1970 e 80 foram \u00e1ureos\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do entretenimento, Ney Costa deixou seu legado na \u00e1rea do jornalismo esportivo. Ele cobriu quatro Copas do Mundo (1974, 1978, 1982 e 1986) e participou de uma excurs\u00e3o pela Europa com o <em>Coritiba Football Club.<\/em> \u201cFui o primeiro locutor do Paran\u00e1 a viajar pela continente europeu cobrindo esporte. Foi em 1969, quando acompanhei o time do Coritiba por 18 pa\u00edses da Europa. Depois fui para a R\u00e1dio Tupi do Rio de Janeiro, onde narrava desfiles de carnaval e em seguida para a R\u00e1dio Sociedade da Bahia em 1972, j\u00e1 cobrindo Copas do Mundo\u201d.<\/p>\n<p>Em uma dessas coberturas, Ney relembra um fato curioso que ocorreu enquanto narrava um jogo em Sophia, na Bulg\u00e1ria. \u201cEu fiz uma transmiss\u00e3o onde que eu n\u00e3o sabia se a fala tinha chegado \u2013 \u2018Al\u00f4 Brasil. Boa tarde senhoras e senhores. Estamos falando do est\u00e1dio Almenz\u00e1 na Bulg\u00e1ria. Obrigado pela audi\u00eancia\u2019 \u2013, eu irradiava sem saber se as ondas tinham chegado e ficava na expectativa\u201d.<\/p>\n<p>Em 1996 voltou para a R\u00e1dio Clube onde trabalha at\u00e9 hoje. Um local modesto em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s outras empresas onde trabalhou. Durante 50 anos de r\u00e1dio, Ney Costa acompanhou diversas fases de transforma\u00e7\u00e3o na comunica\u00e7\u00e3o, sobretudo a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica dos ve\u00edculos informativos. Um avan\u00e7o que segundo ele, facilita muito o trabalha dos jornalistas. \u201cA evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica foi maravilhosa. N\u00f3s trabalh\u00e1vamos com gravadores antigos e microfones que pareciam verdadeiras latas velhas. Nos anos 60 n\u00e3o era locutor quem n\u00e3o tivesse uma boa voz. Mas hoje \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil, t\u00e3o moderno. Principalmente quando a Embratel nasceu para suprir a necessidade de comunica\u00e7\u00f5es internacionais eu peguei esse momento de avan\u00e7os\u201d.<\/p>\n<p>Com o advento da tecnologia a produ\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o do conte\u00fado radiof\u00f4nico ficaram mais r\u00e1pidas e eficientes. Por\u00e9m, para Ney Costa essa transforma\u00e7\u00e3o fez com que o r\u00e1dio perdesse um pouco do prest\u00edgio que tinha em \u00e9pocas anteriores. Isso se deve principalmente a prolifera\u00e7\u00e3o de outros ve\u00edculos comunicativos. Mas para o veterano radialista, o r\u00e1dio jamais poder\u00e1 ser substitu\u00eddo.<\/p>\n<p>\u201cA tecnologia trouxe uma nova dimens\u00e3o, as pessoas vivem uma outra era. N\u00e3o estamos mais naquele tempo em que o r\u00e1dio consagrava grandes locutores. Eles eram considerados deuses perante o p\u00fablico que os ouvia. Os homens e mulheres que tem hoje entre 60 e 70 anos achavam aquilo uma coisa maravilhosa. Os locutores das radionovelas eram como o gal\u00e3 e a mocinha das telenovelas de hoje. A voz era uma coisa fant\u00e1stica que encantava a todos\u201d.<\/p>\n<p>Com uma poesia interpretada no improviso sobre a hist\u00f3ria do r\u00e1dio, Ney Costa despede-se e finaliza a entrevista com uma frase marcante: \u201cO r\u00e1dio nunca ser\u00e1 alcan\u00e7ado pela televis\u00e3o, pois s\u00f3 ele mant\u00e9m o imediatismo associado \u00e0 capacidade de imagina\u00e7\u00e3o do p\u00fablico\u201d.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Houve um tempo em que os radialistas n\u00e3o eram simplesmente profissionais da comunica\u00e7\u00e3o. O p\u00fablico os encarava como verdadeiros astros. Suas vozes marcantes encantavam n\u00e3o s\u00f3 pelo timbre, mas pela simpatia e carisma que expressavam aos ouvintes. 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