{"id":962,"date":"2013-04-04T22:03:37","date_gmt":"2013-04-04T22:03:37","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=962"},"modified":"2013-04-04T22:03:37","modified_gmt":"2013-04-04T22:03:37","slug":"manifesto-pelas-artes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/manifesto-pelas-artes\/","title":{"rendered":"Manifesto pelas artes"},"content":{"rendered":"<p>A responsabilidade, pela situa\u00e7\u00e3o na qual me encontro comprometido com a Arte, pelos benef\u00edcios que ela me traz, pelas satisfa\u00e7\u00f5es que me proporciona, de respeitar os princ\u00edpios \u00e9ticos de harmonia e sinergia em prol de todas a classe art\u00edsticas.<br \/>\nDesde os prim\u00f3rdios, a Arte \u00e9 baseada em no\u00e7\u00f5es, que de regra, s\u00e3o imut\u00e1veis, mas ao mesmo tempo pass\u00edveis de um processo estrutural e criativo, capaz de proceder com o desenvolvimento evolutivo e natural humano em todos os seus valores. Justi\u00e7a, autonomia responsabilidade, igualdade, benefic\u00eancia e n\u00e3o malefic\u00eancia s\u00e3o princ\u00edpios que devem estar presentes no cotidiano de nossas a\u00e7\u00f5es. Este conjunto comp\u00f5e a dignidade de nossa profiss\u00e3o.<br \/>\nA Arte distingue-se de outras profiss\u00f5es, pois trabalha calcada em par\u00e2metros de ambiguidade cultural de moralidade a desconfian\u00e7as. Por isso a \u00e9tica profissional deve ser o valor intr\u00ednseco a nortear o seu exerc\u00edcio, sigilo e bom senso.<br \/>\nAcredito que a grande miss\u00e3o, nesta vida \u00e9 a busca da felicidade e a harmonia com o meio em que estamos inseridos.<br \/>\nNossa profiss\u00e3o, pela capacidade de modificar rumos, inspirar, acalmar, divertir, levando promo\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, cultura e sa\u00fade, \u00e9 fonte inesgot\u00e1vel de felicidade. Mas \u00e9 dif\u00edcil imaginar como atingir esta meta justamente se o lado profissional nos aflige. Vivemos um tempo de baixa valoriza\u00e7\u00e3o do nosso trabalho, bem como um descaso para com a assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade em nosso of\u00edcio.<br \/>\nNossa profiss\u00e3o est\u00e1 em risco e em xeque est\u00e1 nossa \u00e9tica, pois como um el\u00e1stico est\u00e1 sendo esticada aos limites determinados pela conveni\u00eancia individual e muitas vezes mercantilista. A Arte nos deu e d\u00e1 tanto e o m\u00ednimo que podemos oferecer em troca \u00e9 a defesa de seus princ\u00edpios. Empenhamo-nos em descrever e interpretar um processo s\u00f3cio-cultural complexo crivado de ambiguidade e contradi\u00e7\u00e3o. Devemos \u00e0 sociedade a responsabilidade de uma consci\u00eancia politica pr\u00f3pria, a respeito das idiossincrasias culturais, e individuais.<br \/>\nEstamos vivenciando uma modifica\u00e7\u00e3o da sociedade. A discuss\u00e3o de dilemas morais est\u00e1 cada vez mais presente nos conceitos do p\u00fablico. A Arte como profiss\u00e3o que mais carrega esse tipo de discuss\u00e3o, tamb\u00e9m est\u00e1 mudando. A ideia de que a Arte com o prop\u00f3sito de entretenimento j\u00e1 n\u00e3o satisfaz. Hoje \u00e9 vista como um meio terap\u00eautico, de bem estar e lazer, sobretudo no \u00e2mbito educacional, de aprendizado. Facultando professores e alunos, a qual necessitam novos rumos de comunica\u00e7\u00e3o interpessoal.<br \/>\nEm vista do aparente descredito pelo dessaber geral e a falta de transpar\u00eancia. Pela agress\u00e3o moral imposta pelo modismo da propaganda. Pela clareza de ser uma profiss\u00e3o j\u00e1 reconhecida dentro da sociedade, onde o pagamento pelo servi\u00e7o prestado tem caminhado dos honor\u00e1rios para remunera\u00e7\u00e3o ou sal\u00e1rios, com a tend\u00eancia de lhe ser aplicado a mesma legisla\u00e7\u00e3o trabalhista que de outras profiss\u00f5es. Dessa forma o artista espera o reconhecimento de seus diretos como qualquer outro profissional especialmente em uma l\u00f3gica de mercado que explora o seu conhecimento, suor e sa\u00fade em prol de um lucro financeiro e politico desmedido.<br \/>\nA isso se soma uma das mais frequentes reivindica\u00e7\u00f5es dos Artistas do mundo todo, que tem que formalizar e atualizar sua pr\u00f3pria linguagem art\u00edstica, dar forma e conte\u00fado projet\u00edstico, viabilizar e financiar seus saberes est\u00e9ticos, culturais e materiais, exig\u00eancia necess\u00e1ria para uma aproxima\u00e7\u00e3o ao mercado e das pr\u00e1ticas curatoriais entre outros, muitas vezes longe dos seus princ\u00edpios morais, sem contar o exaustivo processo de cria\u00e7\u00e3o, \u00e9 a falta de espa\u00e7o para os valores humanos nas estruturas econ\u00f4mica e social, que movida por campos mais amplos de hermen\u00eautica, no que diz respeito \u00e0 vis\u00e3o completa do mundo e dos paradoxos que ele conte e das idiossincrasias do pr\u00f3prio meio, mas, sobretudo no de conv\u00edvio familiar, j\u00e1 carentes de informa\u00e7\u00e3o, o que produz um choque direto na afetividade e sensibilidade do individuo, afastando-o muitas vezes da realidade desoladora que o estereotipa e o descrimina e marginaliza e o torna vulner\u00e1vel, temos ainda que mendigar pelo patroc\u00ednio, levar-nos a tapa para ser-nos contemplados em editais.<br \/>\nUrge a consci\u00eancia de se criar valores justos e proporcionais ao n\u00edvel de complexidade e responsabilidade que o artista pratica, para que a qualidade de sua obra e sua autonomia n\u00e3o seja atacada. Bem como revisamento das leis de incentivo para suprir a falta de praticidade e flexibilidade que encontra-se na capta\u00e7\u00e3o de recursos, que haja isonomia e real distribui\u00e7\u00e3o dos recursos, destinados a cultura.<br \/>\nPela necessidade de espirito de inova\u00e7\u00e3o a maioria dos Artistas em praxe e de forma natural tende a expressar eticamente uma produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e n\u00e3o comercial. Por\u00e9m, manifesta-se de forma hibrida e muitas vezes neof\u00edlica, ao qual, naturalmente contrasta-se com o neofobismo das classes dirigentes atrasando o processo de evolu\u00e7\u00e3o humana e comportamental (lembro que o significado da palavra educar \u00e9, valorizar, compreender, incentivar). Portanto os incentivos deveriam favorecer essa classe de artistas, Sendo que eticamente os \u00f4nus s\u00e3o obtidos exclusivamente por meio do pr\u00f3prio trabalho, sem produ\u00e7\u00e3o, sem nem um tipo de artificio, sob pena de prejudicar nosso ju\u00edzo.<br \/>\nUma das evid\u00eancias de uma vida plena \u00e9 a presen\u00e7a da capacidade de sonhar e de manter a esperan\u00e7a diante das adversidades. Este \u00e9 o primeiro esbo\u00e7o: n\u00e3o perdemos a esperan\u00e7a, at\u00e9 porque outras pessoas dependem desta, como nossos familiares, apreciadores publico, colegas, alunos ou amigos. N\u00e3o podemos nos esquecer de que somos modelos, exemplos, \u00eddolos, para os que nos rodeiam.<br \/>\nA vida sem esperan\u00e7a se torna vazia, sem sentidos, sem prazer. Na verdade quando somos angustiados, perdemos o controle, o sentido de dire\u00e7\u00e3o, tendendo ao desespero e des\u00e2nimos. Inicialmente procuramos um culpado. Empenhamo-nos em descrever e interpretar um processo sociocultural complexo crivado de ambiguidade e contradi\u00e7\u00e3o, alimentando nossa m\u00e1goa, e piorando a situa\u00e7\u00e3o, nos prendendo a certos conceitos que est\u00e3o no passado, dificultando enxergar projetos futuros, nos isolando. Ficamos inconformados, mas sem poder ou objetivos de rea\u00e7\u00e3o, queremos mudar o coletivo, mas n\u00e3o trabalhamos o b\u00e1sico: o individual, que somos n\u00f3s mesmos. Pior quando sabemos da necessidade de muta\u00e7\u00e3o interior e que isolando-nos conseguimos chegar ao que gostar\u00edamos de ver acontecer, perdendo o contato com o mundo exterior. A isso se soma a aspira\u00e7\u00e3o a forma de se viver acima do comunismo, e a press\u00f5es da ideologia mercadol\u00f3gica capitalistas que tamb\u00e9m contaminam a cultura contempor\u00e2nea.<br \/>\nSomos isso! Esta \u00e9 minha vis\u00e3o, ao qual cabe questionamento, mas com certeza tem uma terap\u00eautica j\u00e1 bem comprovada ao longo da hist\u00f3ria da humanidade e da bagagem t\u00e9cnica, cultural e cientifica de todas as viagens pelo mundo a fora, o assimilar de todas as linguagens poss\u00edveis me confere um conte\u00fado global da real situa\u00e7\u00e3o no mundo das Artes e dos artistas.<br \/>\nUni\u00e3o e solidariedade. Se conseguirmos resgatar o espirito de corpo, sem o cooperativismo desmedido e tendencioso, mas onde cada um desenvolve seu papel em prol de uma coletividade, com certeza as ang\u00fastias ser\u00e3o muitos menores. Se cada um tentar resolver seus problemas individualmente, buscando atalhos e sobretudos com mecanismos que passam ao largo da \u00e9tica, aumentaremos ainda mais o des\u00e2nimo e a dist\u00e2ncia. Ao final, todos estamos do mesmo lado com uma profiss\u00e3o desacreditada. Devemos lembrar que o respeito que queremos vem, inicialmente de dentro de cada um de n\u00f3s. Porem somos uma classe heterog\u00eanea, talvez com interesses distintos, mas em comum temos a miss\u00e3o de salvaguardar sonhos para toda humanidade.<\/p>\n<p>Texto de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/search?SearchableText=Mimmo%20Digiorgio\">Mimmo Digiorgio<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A responsabilidade, pela situa\u00e7\u00e3o na qual me encontro comprometido com a Arte, pelos benef\u00edcios que ela me traz, pelas satisfa\u00e7\u00f5es que me proporciona, de respeitar os princ\u00edpios \u00e9ticos de harmonia e sinergia em prol de todas a classe art\u00edsticas. 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