{"id":1115,"date":"2021-05-27T23:52:34","date_gmt":"2021-05-27T23:52:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/?p=1115"},"modified":"2021-07-05T22:15:41","modified_gmt":"2021-07-05T22:15:41","slug":"araucaria-na-narrativa-de-saint-hilaire","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/araucaria-na-narrativa-de-saint-hilaire\/","title":{"rendered":"Arauc\u00e1ria na narrativa de Saint-Hilaire."},"content":{"rendered":"<p><em>Araucaria angustifolia<\/em> \u00e9 uma esp\u00e9cie arb\u00f3rea de gimnosperma pertencente \u00e0 fam\u00edlia\u00a0<em>Araucariaceae<\/em>\u00a0e \u00e9 encontrada em maior quantidade nos estados de Santa Catariana, Rio Grande do Sul e Paran\u00e1. Ela pode, contudo, ser identificada tamb\u00e9m nas regi\u00f5es situadas mais ao sul de Minas Gerais e tamb\u00e9m no Estado de S\u00e3o Paulo. Em seu artigo intitulado <em>Distribui\u00e7\u00e3o e habitat natural do pinheiro do Paran\u00e1<\/em> o professor Kurt Hueck (1953, p. 5) destaca que a arauc\u00e1ria foi descrita \u201cpela primeira vez em 1819, por Bertoloni, sob o nome de <em>Colymbea angustifolia. <\/em>Em 1822, desconhecendo a descri\u00e7\u00e3o anterior, Richard deu-lhe o nome de <em>Araucaria brasiliana<\/em>, sob o qual hoje \u00e9 bastante conhecida\u201d.<strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>Em sua viagem aos Campos Gerais no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, o bot\u00e2nico franc\u00eas Auguste de Saint-Hilaire se deparou com uma paisagem repleta de aspectos singulares que compunham um bioma para ele at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido e, pelas suas descri\u00e7\u00f5es, muito fascinante: a Floresta com Arauc\u00e1rias. Em seu relato ele apresentou caracter\u00edsticas da vegeta\u00e7\u00e3o que se distinguiam das at\u00e9 ent\u00e3o observadas por ele em outras regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para Saint-Hilaire, os Campos Gerais constitu\u00edam umas das regi\u00f5es mais bonitas por ele j\u00e1 visitadas no Brasil; e dentre os aspectos das paisagens repletas de campos e depress\u00f5es uma elegante \u00e1rvore lhe despertou muita aten\u00e7\u00e3o: a arauc\u00e1ria. Ela surgia de forma agrupada e, \u00e0s vezes, isolada. Em certas passagens de sua narrativa o franc\u00eas registrou as diferentes tonalidades de cores das arauc\u00e1rias, com destaque para a \u201ccor sombria de sua folhagem\u201d (SAINT-HILAIRE, 1995, p. 43). Em muitos trechos do relato, quando descreveu os Campos Gerais, Saint-Hilaire deixou expl\u00edcita a sua admira\u00e7\u00e3o pela \u00e1rvore:<\/p>\n<p><em>\u00c9 a Araucaria brasiliensis que, por sua altura, pela majestosa eleg\u00e2ncia de suas formas, por sua imobilidade e pelo verde-escuro de suas folhas contribui, particularmente, para dar uma fisionomia caracter\u00edstica aos Campos Gerais.<\/em><\/p>\n<p><em>Em alguns trechos essa pitoresca \u00e1rvore, elevando-se isolada no meio das pastagens, deixa-se admirar em toda a beleza do seu talhe e faz ressaltar, pelos matizes sombrios de suas folhas, o verde tenro da relva que cresce \u00e0 sua sombra <\/em>(p. 13).<\/p>\n<p><em>Algumas vezes a Araucaria se ergue, isolada, no meio dos pastos, exibindo toda a impon\u00eancia do seu porte, mas na maioria das vezes ela se confunde com as outras \u00e1rvores, no meio das matas sombrias que crescem no fundo dos vales e nas margens dos riachos. V\u00eaem-se em v\u00e1rios pontos, no meio das \u00e1rvores, cortinas de \u00e1gua alvas e espumantes, que se precipitam do alto das colinas rumorosas ao fundo dos vales, fazendo ressaltar o verde-escuro das Araucaria <\/em>(p. 40-41).<\/p>\n<p><em>At\u00e9 ent\u00e3o eu tinha encontrado matas compostas inteiramente de Araucaria, bem como outras em que essas con\u00edferas aparecem misturadas com \u00e1rvores\u00a0 de diversas fam\u00edlias; naquele dia foi a primeira vez que encontrei pastos onde o pinheiro-do-paran\u00e1 cresce no meio do capim, espalhado aqui e ali (p. 70).<\/em><\/p>\n<p>Em outra passagem, numa localidade chamada Porto do Jaguaria\u00edba,\u00a0 registrou sua vis\u00e3o sobre a margem esquerda do rio que estava por atravessar (o rio Jaguaria\u00edba): \u201cUma mata sombria, formada quase que inteiramente de Araucaria, se elevava&#8230;&#8221; (p. 43). Al\u00e9m da beleza que lhe despertou a \u00e1rvore, Saint-Hilaire identificou as arauc\u00e1rias n\u00e3o somente como \u00e1rvores que enfeitavam os imensos Campos Gerais da 5\u00aa Comarca de S\u00e3o Paulo, propiciando-lhe beleza singular. Ele destacou a import\u00e2ncia dela para a din\u00e2mica de subsist\u00eancia das comunidades as quais cruzou pelo caminho. Elas utilizavam-se tanto da sua madeira para constru\u00e7\u00f5es de casas como tamb\u00e9m das suas sementes para a alimenta\u00e7\u00e3o, tanto a humana quanto a utilizada para o processo de engorda dos animais.<\/p>\n<p>Saint-Hilaire observou algo que se perdeu ao longo do s\u00e9culo XX sobre o bioma: o respeito que os habitantes dos Campos Gerais possu\u00edam pela Floresta com Arauc\u00e1rias. Segundo registrou em sua narrativa, a derrubada da \u00e1rvore s\u00f3 era realizada se houvesse uma real necessidade em carpintaria e marcenaria. \u201cSabedores da enorme utilidade dessa \u00e1rvore, eles a respeitam e n\u00e3o a abatem a n\u00e3o ser em caso de necessidade, o que constituiu talvez um caso \u00fanico em todo o Brasil, que menciono aqui com prazer\u201d ( SAINT-HILAIRE, 1995, p. 15). A ind\u00fastria madeireira que floresceu ao final dos oitocentos e que prosperou ao longo dos novecentos, contudo, n\u00e3o soube respeitar o bioma. Hoje, \u00a0estima-se que \u00a0a floresta de arauc\u00e1rias na regi\u00e3o sul do pa\u00eds ocupe 3% de sua \u00e1rea original (MARASCIULO, 2020).<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>HUECK, Kurt. Distribui\u00e7\u00e3o e habitat natural do Pinheiro do Paran\u00e1 (Araucaria angustifolia).\u00a0<em>Boletim da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras, Universidade de S\u00e3o Paulo. Bot\u00e2nica<\/em>, vol. 10, 1953, p. 5-24.<\/p>\n<p>MARASCIULO, Mar\u00edlia.\u00a0<em>Arauc\u00e1ria pode ser extinta nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas por conta de desmatamento.<\/em> \u00a0Dispon\u00edvel em : &lt;https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/Meio-Ambiente\/noticia\/2020\/09\/araucaria-pode-ser-extinta-nas-proximas-decadas-por-conta-de-desmatamento.html&gt; Acesso em: 10 mai. 2020.<\/p>\n<p>SAINT-HILAIRE, Auguste de. <em>Viagem pela comarca de Curitiba<\/em>. Curitiba: Funda\u00e7\u00e3o Cultural de Curitiba, 1995.<\/p>\n<p><strong>AUTOR<\/strong>:<\/p>\n<p>Rodrigo Karol Voichcoski,<\/p>\n<p>Acad\u00eamico 4\u00ba ano de Licenciatura em Hist\u00f3ria UEPG<\/p>\n<p><strong>ANO<\/strong>: 2021<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Araucaria angustifolia \u00e9 uma esp\u00e9cie arb\u00f3rea de gimnosperma pertencente \u00e0 fam\u00edlia\u00a0Araucariaceae\u00a0e \u00e9 encontrada em maior quantidade nos estados de Santa Catariana, Rio Grande do Sul e Paran\u00e1. Ela pode, contudo, ser identificada tamb\u00e9m nas regi\u00f5es situadas mais ao sul de Minas Gerais e tamb\u00e9m no Estado de S\u00e3o Paulo. 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