{"id":1123,"date":"2021-06-28T13:53:36","date_gmt":"2021-06-28T13:53:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/?p=1123"},"modified":"2021-06-28T21:34:19","modified_gmt":"2021-06-28T21:34:19","slug":"clube-treze-de-maio-espaco-de-sociabilidade-cultura-e-resistencia-negra-em-ponta-grossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/clube-treze-de-maio-espaco-de-sociabilidade-cultura-e-resistencia-negra-em-ponta-grossa\/","title":{"rendered":"Clube Treze de Maio: espa\u00e7o de sociabilidade, cultura e resist\u00eancia negra em Ponta Grossa"},"content":{"rendered":"<p>No dia treze de maio de 1888 foi assinada a Lei \u00c1urea no Brasil que assegurava, a partir daquele momento, a total liberta\u00e7\u00e3o dos negros escravizados; entretanto, essa lei n\u00e3o garantiu que os rec\u00e9m-libertos tivessem direitos sociais b\u00e1sicos ou pol\u00edticas p\u00fablicas de repara\u00e7\u00e3o sobre as m\u00faltiplas viol\u00eancias sofridas durante o per\u00edodo de vig\u00eancia da escravatura. Nesse sentido, a \u2018liberta\u00e7\u00e3o\u2019 dos que viveram a experi\u00eancia do cativeiro tamb\u00e9m n\u00e3o aboliu o preconceito racial, fato que acompanha a popula\u00e7\u00e3o afrodescendente at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n<p>Assim, dois anos ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, em 1890, foi criado o \u201cClube Liter\u00e1rio e Recreativo Treze de Maio\u201d por um grupo de jovens negros que residiam no munic\u00edpio de Ponta Grossa. Entre seus objetivos estavam a promo\u00e7\u00e3o da sociabilidade, divertimento e leituras para a popula\u00e7\u00e3o negra na localidade. O clube foi criado em um contexto em que negros e negras sentiam-se exclu\u00eddos do conv\u00edvio social na urbe, principalmente a participa\u00e7\u00e3o em clubes sociais destinados aos brancos da cidade (LAVERDI, SANTOS, 2014). Os nomes de L\u00facio Alves da Silva, Luiz Marias Bento, Cassemiro Cardoso de Menezes, Vidal Branco e Jos\u00e9 Borges constam como fundadores da sociedade (SANTOS, 2016, p. 91).<\/p>\n<p>A primeira sede do Clube Treze de Maio, no entanto, foi inaugurada somente no ano de 1921. Constru\u00edda em madeira, a demora para constru\u00e7\u00e3o da sede da associa\u00e7\u00e3o sugere ter alguns motivos. Entre eles, n\u00e3o somente a falta de dinheiro; mas, tamb\u00e9m, o preconceito de certos setores da sociedade da \u00e9poca que dificultavam a compra de um terreno pelos negros do clube (SANTOS, 2016). Desse modo, apenas no ano de 1936 foi constru\u00edda uma nova sede, de alvenaria, preservada at\u00e9 hoje e considerada um patrim\u00f4nio hist\u00f3rico de Ponta Grossa desde 2001 (SANTOS, 2016).<\/p>\n<p>O teor liter\u00e1rio do clube, segundo Merylin Santos (2014), foi uma tentativa dos idealizadores de se colocarem em p\u00e9 de igualdade com a elite intelectual da cidade, e fez com que a sociedade mantivesse uma biblioteca durante parte de sua hist\u00f3ria. De acordo com o\u00a0 estatuto de 1920, um dos intuitos principais da agremia\u00e7\u00e3o era ter sempre um livro para leitura na mesa da sede, onde os associados dedicariam seu tempo com \u201cdistra\u00e7\u00e3o e instru\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Vale registrar que\u00a0 a valoriza\u00e7\u00e3o do samba sempre foi uma das caracter\u00edsticas marcantes do Clube Treze de Maio. Tal fato fez com que o clube de afrodescendentes n\u00e3o fosse frequentado apenas pela popula\u00e7\u00e3o negra da cidade, mas por todos aqueles que gostavam de sambar, como assegura Merylin Santos (2014). Para ela (2016, p. 48), o Treze de Maio constitui-se como \u201cum clube negro formado por negros, mas que recebia brancos em seus eventos e festividades&#8221;<\/p>\n<p>Ao longo do tempo, a associa\u00e7\u00e3o realizou in\u00fameros bailes e demais divertimentos em prol da sociabilidade da popula\u00e7\u00e3o negra em Ponta Grossa, principalmente nos dias Treze de Maio, momento especial no qual os frequentadores iam muito bem vestidos para celebrar a exist\u00eancia do clube e o fim da escravatura no Brasil. Al\u00e9m disso, no Treze foram realizados muitos concursos de beleza a fim de enaltecer a beleza de meninas e mulheres negras que frequentavam o clube. Estas dificilmente ganhavam os concursos de beleza pela cidade. (LAVERDI, SANTOS, 2014).<\/p>\n<p>A resist\u00eancia negra \u00e9 percept\u00edvel na hist\u00f3ria do Clube Treze de Maio. O espa\u00e7o de conviv\u00eancia sempre atuou contornando o preconceito racial, desde os tempos \u00a0da constru\u00e7\u00e3o das suas sedes; e principalmente agiu na constru\u00e7\u00e3o de identidades positivas sobre o ser negro na cidade de Ponta Grossa e regi\u00e3o dos Campos Gerais.<\/p>\n<p><strong>FONTES:<\/strong><\/p>\n<p>CLUBE LITER\u00c1RIO E RECREATIVO TREZE DE MAIO (Ponta Grossa). <em>Estatuto do Clube Liter\u00e1rio e Recreativo Treze de Maio.<\/em> Ponta Grossa: Gr\u00e1fica Alves Pereira, 1920, p. 4-11. Dispon\u00edvel em: https:\/\/patrimoniopg.com\/2020\/06\/18\/imagens-clube-13-de-maio\/ Acesso: 13.06.2021<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS:<\/strong><\/p>\n<p>LAVERDI, Robson; SANTOS, Merylin Ricieli dos. Narrativas de Identidade negra em concurso de beleza negra do clube treze de maio (Ponta Grossa, 1985-2006)<em>.<\/em> <em>Ateli\u00ea de Hist\u00f3ria UEPG.<\/em> Ponta Grossa (PR), 2014. p. 221-242.<\/p>\n<p>SANTOS, Merylin Ricieli dos. <em>\u201cQuem tem medo da palavra negro?\u201d: Morenos, misturados, mesti\u00e7os, cafusos, mulatos, escuros, preto social participantes do Clube Treze de Maio<\/em> &#8211; Ponta Grossa (PR). Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Linguagem, Identidade e Subjetividades) &#8211; Universidade Estadual de Ponta Grossa. Ponta Grossa, 2016,\u00a0 150 p.<\/p>\n<p><strong>AUTORA: \u00a0<\/strong>Bruna Gon\u00e7alves Ferreira, acad\u00eamica do 3\u00ba ano &#8211; Licenciatura em Hist\u00f3ria UEPG<\/p>\n<p><strong>ANO<\/strong>: 2021<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia treze de maio de 1888 foi assinada a Lei \u00c1urea no Brasil que assegurava, a partir daquele momento, a total liberta\u00e7\u00e3o dos negros escravizados; entretanto, essa lei n\u00e3o garantiu que os rec\u00e9m-libertos tivessem direitos sociais b\u00e1sicos ou pol\u00edticas p\u00fablicas de repara\u00e7\u00e3o sobre as m\u00faltiplas viol\u00eancias sofridas durante o per\u00edodo de vig\u00eancia da escravatura.&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1123"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1123"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1123\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1136,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1123\/revisions\/1136"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1123"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1123"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1123"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}