{"id":1232,"date":"2024-04-10T16:57:01","date_gmt":"2024-04-10T16:57:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/?p=1232"},"modified":"2024-04-10T19:27:38","modified_gmt":"2024-04-10T19:27:38","slug":"ferrovias-e-urbanizacao-em-ponta-grossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/ferrovias-e-urbanizacao-em-ponta-grossa\/","title":{"rendered":"Ferrovias e Urbaniza\u00e7\u00e3o em Ponta Grossa"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao refletirmos sobre a hist\u00f3ria do munic\u00edpio de Ponta Grossa, n\u00e3o h\u00e1 como negar que um dos principais fatores pelo seu r\u00e1pido crescimento e urbaniza\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XX foi a ferrovia (PETUBA, 2011). Dois importantes caminhos de ferro atingiram a regi\u00e3o dos Campos Gerais, ambos passando pela cidade j\u00e1 no fim do s\u00e9culo XIX.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 1893, a Estrada de Ferro do Paran\u00e1, que ligava Curitiba a Paranagu\u00e1, passa a abranger tamb\u00e9m Ponta Grossa, com a primeira esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria da cidade, a Esta\u00e7\u00e3o Paran\u00e1, sendo inaugurada em 1894. Dois anos depois, em 1896, outra importante estrada de ferro passa a interligar o sul do Brasil: a Estrada de Ferro S\u00e3o Paulo-Rio Grande. A chegada desta linha f\u00e9rrea, trouxe a necessidade da constru\u00e7\u00e3o de outra esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria, como capacidade para atender o grande movimento de cargas e passageiros, assim entre 1899 e 1900, \u00e9 constru\u00edda a Esta\u00e7\u00e3o Roxo de Rodrigues, ou como ficou amplamente conhecida: Esta\u00e7\u00e3o Saudade ( MONASTIRSKY, 1997).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Durante as d\u00e9cadas seguintes, Ponta Grossa viveu um grande per\u00edodo de desenvolvimento urbano, com o surgimento de v\u00e1rios estabelecimentos prestadores de servi\u00e7os como hospedagem, alimenta\u00e7\u00e3o e entretenimento, al\u00e9m da instala\u00e7\u00e3o de postes de luz el\u00e9trica em 1904, e o aperfei\u00e7oamento do sistema de \u00e1gua e esgoto em 1912.\u00a0 Contudo, a urbaniza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m trouxe uma s\u00e9rie de problemas, como o aumento nos \u00edndices de viol\u00eancia, criminalidade, prostiui\u00e7\u00e3o, e a amplia\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais. A popula\u00e7\u00e3o pontagrossense tamb\u00e9m aumentou significativamente de tamanho, se em 1908 Ponta Grossa contava com pouco mais de 15 mil habitantes, na d\u00e9cada de 1940, a cidade\u00a0 alcan\u00e7aria aproximadamente 40 mil moradores (PREFEITURA MUNICIPAL DE PONTA GROSSA, s\/d; s\/p).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os trabalhadores das ferrovias dos Campos Gerais deixaram outras marcas na regi\u00e3o para al\u00e9m dos caminhos de trens. Um exemplo que merece destaque foi o antigo Hospital 26 de Outubro,\u00a0 constru\u00eddo como associa\u00e7\u00e3o de ferrovi\u00e1rios j\u00e1 em 1906, e que tamb\u00e9m buscava o aux\u00edlio m\u00e9dico e funer\u00e1rio aos familiares e trabalhadores da Rede Ferrovi\u00e1ria Paran\u00e1-Santa Catarina. Outro exemplo \u00e9 o bairro de Oficinas, cujo nome remonta \u00e0s oficinas de manuten\u00e7\u00e3o das locomotivas. Neste bairro abriga-se o Est\u00e1dio Germano Kr\u00fcger, batizado em homenagem a um dos engenheiros respons\u00e1veis pela constru\u00e7\u00e3o da \u201cLocomotiva 250\u201d, a primeira locomotiva constru\u00edda em Ponta Grossa. Portanto, a hist\u00f3ria do futebol na cidade tamb\u00e9m se mescla a hist\u00f3ria do trabalho ferrovi\u00e1rio: o esporte chegou a Ponta Grossa por meio das ferrovias, e era praticado pelos funcion\u00e1rios das oficinas ferrovi\u00e1rias, o que levou ao surgimento do Oper\u00e1rio Ferrovi\u00e1rio Esporte Clube, em 1912.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A import\u00e2ncia da ferrovia na cidade de Ponta Grossa implicou, tamb\u00e9m, na cria\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de uma escola profissionalizante de grande porte, a escola Tib\u00farcio Cavalcanti. Segundo Maristela Iurk Batista (2006, s\/p.)<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Fundada em 29 de setembro de 1940, a Escola Profissional Ferrovia\u0301ria Cel. Tibu\u0301rcio Cavalcanti iniciou suas atividades em 1\u00ba de fevereiro de 1941 e foi reconhecida como educanda\u0301rio de ensino ba\u0301sico industrial pelo Decreto lei n.o 5607 de 22 de junho de 1943, que instituiu as Escolas Profissionais e o Servic\u0327o de Ensino e Orientac\u0327a\u0303o Profissional.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">De ini\u0301cio, restrita a filhos de ferrovia\u0301rios, teve mais tarde alterado o seu regimento interno, estendendo esse direito a irma\u0303os, netos e sobrinhos de ferrovia\u0301rios, para posteriormente, facultar a todos, parentes de ferrovia\u0301rios ou na\u0303o, a inscric\u0327a\u0303o para a disputa de vagas.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O mesmo discurso de progresso respons\u00e1vel pela instala\u00e7\u00e3o das ferrovias na cidade ao final do s\u00e9culo XIX se alterou a partir da segunda metade da d\u00e9cada de 1950. Com os investimentos governamentais sendo destinados \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o da malha rodovi\u00e1ria, os trens passaram a ser vistos como s\u00edmbolos de um passado outrora glorioso, mas que a partir de meados do s\u00e9culo XX representava o atraso. Iniciou-se nos jornais ent\u00e3o, um processo de rearticula\u00e7\u00e3o de significados, tratando as ferrovias como respons\u00e1veis por uma s\u00e9rie de problemas urbanos que tinham como \u00fanica solu\u00e7\u00e3o, a retirada dos trilhos da regi\u00e3o central da cidade, uma das principais alega\u00e7\u00f5es, era que a exist\u00eancia de um p\u00e1tio ferrovi\u00e1rio no centro, atrapalhava a locomo\u00e7\u00e3o (PETUBA, 2012; 2015).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na d\u00e9cada de 1980, as esta\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias centrais de Ponta Grossa foram desativadas. Apesar de suas demoli\u00e7\u00f5es terem sido cogitadas, foram descartadas devido ao tombamento da Esta\u00e7\u00e3o Paran\u00e1 pelo governo estadual. De toda forma, em 1990 ocorreu a retirada dos trilhos da regi\u00e3o central da cidade, bem como o remanejamento do p\u00e1tio de manobras de locomotivas para o bairro de Uvaranas. Em 1999, a Rede Ferrovi\u00e1ria Federal foi privatizada. Tais acontecimentos\u00a0 contribu\u00edram para um processo de apagamento da import\u00e2ncia das ferrovias e dos trabalhadores ferrovi\u00e1rios na hist\u00f3ria urbana de Ponta Grossa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BATISTA, Maristela Iurk . Escola Profissional Ferrovi\u00e1ria Cel. Tib\u00farcio Cavalcanti de Ponta Grossa: (1940-1973) Um Modelo de Educa\u00e7\u00e3o Profissionalizante. In: LOMBARDI, Jos\u00e9 Claudinei; SAVIANE, Dermerval; NASCIMENTO, Maria Isabel Moura (Orgs.). <\/span><b>Navegando pela Hist\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o Brasileira<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Campinas, SP: Graf. FE: Histedbr, 2006.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MONASTIRSKY, L.<\/span><b> Cidade e Ferrovia: A mitifica\u00e7\u00e3o do P\u00e1tio Central da RFFSA em Ponta Grossa. <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado), UFSC, Florian\u00f3polis, 1997.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">PETUBA, . M. S. <\/span><b>Elite Oper\u00e1ria ou Trabalhadores em Luta? Experi\u00eancias Ferrovi\u00e1rias na Cidade Ponta Grossa \u2013 PR (1950-1970)<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Revista Mundos do Trabalho, Florian\u00f3polis, v. 4, n. 7, p. 85\u201399, 2012. DOI: 10.5007\/1984-9222.2012v4n7p85. Dispon\u00edvel em: https:\/\/periodicos.ufsc.br\/index.php\/mundosdotrabalho\/article\/view\/1984-9222.2012v4n7p85. Acesso em: 7 nov. 2023.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">PETUBA, R. M. S. <\/span><b>Experi\u00eancias ferrovi\u00e1rias na cidade de Ponta Grossa (PR) (1955-1997)<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Revista Hist\u00f3ria &amp; Perspectivas, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">[S. l.]<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, v. 27, n. 51, 2015. Dispon\u00edvel em: https:\/\/seer.ufu.br\/index.php\/historiaperspectivas\/article\/view\/28892. Acesso em: 7 nov. 2023<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">PETUBA, R. M. S.<\/span><b> Na Trama Dos Trilhos: Cidade, Ferrovia E Trabalho- Ponta Grossa -PR (1955-1997)<\/b><span style=\"font-weight: 400\">.2011. Tese (Doutorado em Hist\u00f3ria) Universidade Federal de Santa Catarina. Florian\u00f3polis.2011.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Autor<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: F\u00e1bio Eduardo Santana da Silva<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Acad\u00eamico do 2\u00b0 ano do curso de Licenciatura em Hist\u00f3ria, UEPG<\/span><\/p>\n<p><b>Ano:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> 2023<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao refletirmos sobre a hist\u00f3ria do munic\u00edpio de Ponta Grossa, n\u00e3o h\u00e1 como negar que um dos principais fatores pelo seu r\u00e1pido crescimento e urbaniza\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XX foi a ferrovia (PETUBA, 2011). Dois importantes caminhos de ferro atingiram a regi\u00e3o dos Campos Gerais, ambos passando pela cidade j\u00e1 no fim do s\u00e9culo XIX. Em&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":362,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1232"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/users\/362"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1232"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1232\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1244,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1232\/revisions\/1244"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1232"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}