{"id":1234,"date":"2024-04-10T14:00:34","date_gmt":"2024-04-10T14:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/?p=1234"},"modified":"2024-04-10T19:26:30","modified_gmt":"2024-04-10T19:26:30","slug":"cultura-popular-e-religiosidade-o-caso-de-corina-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/cultura-popular-e-religiosidade-o-caso-de-corina-portugal\/","title":{"rendered":"Cultura Popular e Religiosidade: O caso de Corina Portugal"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">Assassinada por seu marido, Corina Portugal tornou-se uma &#8221;santa popular&#8221; na cidade de Ponta Grossa (PR), ao longo do s\u00e9culo XX. Seu t\u00famulo, localizado no cemit\u00e9rio S\u00e3o Jos\u00e9, recebe muitas visitas e \u00e9 considerado um espa\u00e7o para ex-votos de naturezas variadas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Corina Portugal nasceu no dia 17 de Janeiro de 1869, no Rio de Janeiro, a ent\u00e3o capital do Brasil no per\u00edodo do Imp\u00e9rio. Filha de uma fam\u00edlia rica, seu pai era o m\u00e9dico Dr. Antonio Pereira Portugal, sua m\u00e3e se chamava Deolinda Fazenda Pereira Portugal.\u00a0 A m\u00e3e de Corina faleceu quando a menina tinha\u00a0 apenas 3 anos de idade, com isso Corina\u00a0 passa a ser cuidada por sua av\u00f3 materna. Por\u00e9m, com a morte de sua av\u00f3,\u00a0 a educa\u00e7\u00e3o da jovem passou a ser responsabilidade de uma tia materna.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Corina casou-se com Alfredo Marques de Campos, farmac\u00eautico, tinha 26 anos de idade e vinha de fam\u00edlia humilde. Desde que chegou ao Rio de Janeiro percebeu a presen\u00e7a da Corina, e com o tempo os olhares que trocavam passaram a ser encontros. N\u00e3o demorou muito para que Corina, com seus 15 anos, estivesse apaixonada pelo rapaz elegante e simp\u00e1tico, logo come\u00e7aram a namorar e sem muita demora j\u00e1 estavam noivos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Durante o namoro as coisas iam bem, Alfredo ensinava a Corina muitas coisas e se mostrava uma boa pessoa. O pai de Corina, embora desconfiado, n\u00e3o se op\u00f4s ao casamento da filha. Mas colocou uma condi\u00e7\u00e3o para o casamento, o regime de separa\u00e7\u00e3o bens, o noivo n\u00e3o gostou dessa exig\u00eancia, mas assinou o documento com resist\u00eancia, assim, em 4 de Julho de 1885, Corina e Alfredo se casaram.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Casados, foram morar pr\u00f3ximos ao pai de Corina, Dr. Antonio desejava ter a filha por perto para ajud\u00e1-la, por\u00e9m antes de completarem 3 meses de casamento, Alfredo convence Corina de que devem ficar longe de seu pai. Mudam-se para o Realengo, bairro distante, em uma casa com uma cama e algumas cadeiras, Campos buscava punir a esposa pelo regime imposto ao casamento. Deixando-a longe do que segundo ele mimam e sustentam suas mordomias. Alfredo, negou a d\u00edvida feita para o casamento, n\u00e3o pagou ao padrinho de Corina e caluniou o padrinho e pai da esposa. Buscava mostrar que era ele quem decidir\u00e1 o que seria melhor para a jovem. Demonstrando cada vez mais que casou-se por interesse, tem comportamentos agressivos, atirava contra retratos para assust\u00e1-l\u00e1. Fazia que Corina pedisse dinheiro ao pai, para que ele gastasse nas noites de farra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Corina era aconselhada pelo pai e outros familiares a se separar, mas continuava dentro\u00a0 deste relacionamento, foi educada que o casamento era um sacramento indissol\u00favel. O casamento que a jovem sonhou, o conto de fadas, tornou-se um pesadelo. Por\u00e9m, a t\u00e3o jovem Corina n\u00e3o ouviu os conselhos para deixar o que lhe\u00a0 fazia sofrer, acreditava que com perseveran\u00e7a\u00a0 seu marido mudaria.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A mudan\u00e7a para Ponta Grossa\u00a0 ocorreu no ano de 1888,\u00a0 veio para o Paran\u00e1 pois em Curitiba morava o irm\u00e3o de Alfredo, Ernesto. Em Ponta Grossa, instru\u00eddo pelo irm\u00e3o, procurou o m\u00e9dico Jo\u00e3o de Meneses D\u00f3ria, que era tamb\u00e9m deputado provincial pelo Partido Mon\u00e1rquico Liberal. O Dr. Jo\u00e3o Doria torna-se figura\u00a0 importante na tr\u00e1gica hist\u00f3ria de Corina, bem como seu vi\u00e9s pol\u00edtico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com a ajuda do m\u00e9dico, Alfredo se estabelece com uma farm\u00e1cia, que ficava junto \u00e0 pra\u00e7a da Matriz de Sant\u2019 Ana. Corina ent\u00e3o aos 18 anos acompanha o marido, mesmo que sua fam\u00edlia aconselhasse e temesse o que poderia acontecer com ela , a jovem n\u00e3o queria desistir de seu t\u00e3o sonhado casamento. Na cidade de Ponta Grossa o comportamento do marido n\u00e3o mudou, chegava em casa tarde da noite, Alfredo teve \u00eaxito em seu neg\u00f3cio, os rem\u00e9dios receitados pelo Dr. Jo\u00e3o eram vendidos na farm\u00e1cia de Alfredo. Por\u00e9m, ele passou a abandonar a farm\u00e1cia passando dias e noites nas jogatinas, perdendo muito dinheiro e traindo sua esposa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dr. Jo\u00e3o D\u00f3ria aconselhava para que Alfredo mudasse suas a\u00e7\u00f5es e cuidasse de sua esposa que j\u00e1 estava doente, por\u00e9m o comportamento agressivo e as amea\u00e7as continuaram. O m\u00e9dico chegou ainda a atender Corina que havia sido espancada por Alfredo, e esta n\u00e3o foi a \u00fanica vez houveram um outro relatos que contavam a viol\u00eancia que a jovem Corina sofria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Corina, j\u00e1 n\u00e3o tinha coragem de sair e se relacionar com vizinhos ou amigas, a jovem aguentava tudo limitando-se a escrever cartas ao pai e orar com fervor. As situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia continuaram, o Dr. Jo\u00e3o D\u00f3ria chegou na farm\u00e1cia um dia para conversar com o Alfredo e ouvir os gritos da jovem. Dizia que seu marido a havia espancado e n\u00e3o a dava rem\u00e9dios, enquanto ela narrava a viol\u00eancia sofrida, o agressor ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A viol\u00eancia n\u00e3o parou, e resultou na morte de Corina Portugal, no ano de 1889 com 32 facadas. Depois de matar a esposa, Alfredo vai at\u00e9 a casa de D\u00f3ria e o pede para ir l\u00e1 dizendo que est\u00e1 indo at\u00e9 a pol\u00edcia. Por\u00e9m o assassino tinha um plano, precisava de uma narrativa para justificar o que fez, diria portanto que Corina estava traindo com outro homem por isso a matou. Para que a hist\u00f3ria fosse a mais proveitosa poss\u00edvel, esse homem seria Jo\u00e3o Menezes D\u00f3ria, Uma vez que D\u00f3ria fazia parte do Partido mon\u00e1rquico o qual Alfredo e seu irm\u00e3o eram contr\u00e1rios pois eram republicanos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nessa disputa pol\u00edtica aparece o nome do importante personagem por tr\u00e1s da hist\u00f3ria, Vicente Machado da Silva Lima, o advogado est\u00e1 do mesmo lado pol\u00edtico de Alfredo e derrotar Jo\u00e3o D\u00f3ria para ele seria proveitoso politicamente. Atesta ent\u00e3o que seu cliente matou em defesa da honra, j\u00e1 que Corina mantinha um caso com o Doutor Jo\u00e3o Menezes D\u00f3ria, e por isso Campos deve ser inocentado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Assim a narrativa se constr\u00f3i, Alfredo de Campos, \u00e9 defendido pelo grande advogado Vicente Machado e recebe o papel de v\u00edtima na hist\u00f3ria, pois estava sendo tra\u00eddo e matou em defesa de sua honra. O Dr. Jo\u00e3o Doria recebe o papel de vil\u00e3o, e essa narrativa garante a Alfredo o apoio da popula\u00e7\u00e3o pontagrossense. No decorrer do tempo do processo, uma carta enviada por Corina a seu pai \u00e9 obtida, e nela Corina diz que teme que seu marido a mate.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entretanto, Alfredo \u00e9 inocentado pelo j\u00fari popular, Vicente Machado se torna Governador do Paran\u00e1, e Corina est\u00e1 morta, esses s\u00e3o os desfechos deste crime do s\u00e9culo XIX.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A hist\u00f3ria de Corina se tornou conhecida em Ponta Grossa, e hoje ela \u00e9 considerada uma santa popular. A devo\u00e7\u00e3o a Corina come\u00e7ou por uma pontagrossense chamada Maria. Esta orou no t\u00famulo de Corina, pois tamb\u00e9m era v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica, e segundo ela depois disso seu marido mudou o comportamento. Isso levou v\u00e1rias outras pessoas a clamarem por Corina, hoje seu t\u00famulo conta com in\u00fameras placas de gra\u00e7a recebidas, bem como bilhetes\u00a0 pedindo para que a injusti\u00e7ada Corina ou\u00e7a suas s\u00faplicas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias:<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">FERNANDES, Josu\u00e9 Corr\u00eaa. <\/span><b>Corina Portugal: hist\u00f3ria de sangue &amp; luz<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. 1999.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">PETRUSKI, Maura Regina. Eu oro, tu oras, eles oram para Corina Portugal. <\/span><b>Revista Brasileira de Hist\u00f3ria das Religi\u00f5es<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, v. 4, n. 12, 2015.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Autora:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Patricia de Campos Bida<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Acad\u00eamica do 4\u00b0 ano do Curso de Hist\u00f3ria da UEPG<\/span><\/p>\n<p><b>Ano:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> 2023<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assassinada por seu marido, Corina Portugal tornou-se uma &#8221;santa popular&#8221; na cidade de Ponta Grossa (PR), ao longo do s\u00e9culo XX. 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