{"id":1237,"date":"2024-04-10T19:23:32","date_gmt":"2024-04-10T19:23:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/?p=1237"},"modified":"2024-04-10T19:23:32","modified_gmt":"2024-04-10T19:23:32","slug":"a-literatura-em-ponta-grossa-a-contribuicao-de-anita-philipovsky","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/a-literatura-em-ponta-grossa-a-contribuicao-de-anita-philipovsky\/","title":{"rendered":"A Literatura em Ponta Grossa: A contribui\u00e7\u00e3o de Anita Philipovsky"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">Anita Branco Philipovsky, tamb\u00e9m chamada de Anita Philipowski, Annita Philipowski ou Annita Philipowsky (Ponta Grossa, 2 de agosto de 1886 &#8211; Ponta Grossa, 30 de mar\u00e7o de 1967) foi uma contista, poetisa e novelista brasileira. Seu pai, o engenheiro Carlos Leopoldo Philipovsky, nasceu em 1846 na cidade de Koko\u0161ovce, pequeno vilarejo ent\u00e3o pertencente ao Imp\u00e9rio Austr\u00edaco, mas que hoje corresponde \u00e0 Eslov\u00e1quia no distrito de Pre\u0161ov.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quer como contista, poetisa ou novelista, desenvolveu extraordin\u00e1ria atividade intelectual, notadamente no per\u00edodo de 1910 a 1930, colaborando assiduamente em numerosos jornais e revistas da \u00e9poca. Fez parte do grupo das primeiras animadoras das letras femininas do Paran\u00e1, ladeada por Mariana Coelho, Mercedes Seiler, Maria da Luz Seiler, Zaida Zardo, Annette Macedo e Myrian Catta Preta. Em 1934, tentou publicar um livro de contos, o qual foi inutilizado pelo editor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os pontes da minha terra \u00e9 seu poema mais divulgado, publicado pela primeira vez em Curitiba, em edi\u00e7\u00e3o individual e integral, pela &#8220;Prata de Casa&#8221;, em 1936. Mais de duas d\u00e9cadas depois, em 1959, o mesmo texto saiu impresso, com pequenas modifica\u00e7\u00f5es, em antologia realizada pelo Centro Paranaense Feminino de Cultura, e deve, muito provavelmente, ter recebido aprova\u00e7\u00e3o definitiva da escritora. Consta, em Rodrigo Jr. (1938), encontrar-se em fase de editora\u00e7\u00e3o sua novela &#8220;Eco&#8221;, al\u00e9m de duas outras obras do mesmo g\u00eanero, edi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se efetivaram. Anita Philipovsky foi membro do Centro Cultural Euclides da Cunha, em Ponta Grossa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com a morte de seu pai, caiu sobre a poetisa, uma sombra de profunda tristeza e melancolia, seu semblante deixou de irradiar alegria e felicidade. Perdera seu grande admirador e incentivador, parecia que a vida j\u00e1 n\u00e3o tinha mais sentido. A partir de ent\u00e3o, sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria come\u00e7ou a declinar at\u00e9 cessar definitivamente. Grande sonhadora, tornou-se misantropa. No fim da vida, recolheu-se entre os velhos muros de sua resid\u00eancia, cuidando de seu jardim, suas rosas, enquadrados por aquele muro t\u00e3o vivamente descrito em seus versos. Morreu em 1967 em Ponta Grossa e no que se tem registro, nunca se casou e n\u00e3o deixou filhos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 1999 foi homenageada pela Academia de Letras dos Campos Gerais sendo a patrona da cadeira n\u00famero 5. Anita Philipovsky foi se isolando cada vez mais, e, num \u00edmpeto, destruiu voluntariamente boa parte de sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, entre as quais existiam v\u00e1rias novelas in\u00e9ditas. Pode-se, com relativa facilidade, vislumbrar em sua produ\u00e7\u00e3o suas mais prov\u00e1veis leituras, o legado cultural herdado de Gon\u00e7alves Dias, Olavo Bilac, Baudelaire, Raimundo Correia, Rimbaud, Cruz e Sousa, Castro Alves, entre outros. Tal prolifera\u00e7\u00e3o acaba revelando como a autora se posiciona em face da tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c0 semelhan\u00e7a de seu pai, Anita era muito nacionalista, caracter\u00edstica pontual em sua textualidade, al\u00e9m, \u00e9 claro, conforme tend\u00eancia da escrita feminina da \u00e9poca, de portar uma po\u00e9tica de car\u00e1ter intimista. Ela investiga simultaneamente o mundo real atrav\u00e9s de subtextos paralelos, abrindo janelas para n\u00f3s, n\u00e3o para dentro de mundos vision\u00e1rios, mas para dentro de textos que exploram sua pr\u00f3pria vida, de sua fam\u00edlia, a hist\u00f3ria, forma\u00e7\u00e3o social, configura\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, mapeando com esmero seu tempo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A tend\u00eancia, que se nota na produ\u00e7\u00e3o feminina, de trilhar o caminho da autobiografia, em Anita, confirma-se apenas parcialmente. Tal proje\u00e7\u00e3o \u00e9 facilmente comprovada em sua produ\u00e7\u00e3o em prosa. A\u00ed sim, a mulher fala de si pr\u00f3pria. A obra de Anita Philipovsky n\u00e3o foge ao pacto fantasm\u00e1tico, no qual, segundo Lejeune, o leitor \u00e9 convidado a ler os romances n\u00e3o s\u00f3 como &#8220;fic\u00e7\u00f5es&#8221; que remetem a uma verdade da &#8220;natureza humana&#8221; mas tamb\u00e9m como &#8220;fantasmas&#8221; reveladores de um indiv\u00edduo. Cria-se um espa\u00e7o autobiogr\u00e1fico, no qual fic\u00e7\u00e3o e autobiografia dialogam, t\u00e3o verdadeiras quanto elaboradas uma e outra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A obra de Anita Philipovsky n\u00e3o foge deste pacto j\u00e1 que muitos de seus textos evocam sua cidade natal ou lugares por que passou, mas &#8220;personagens&#8221; quase sempre s\u00e3o familiares. Os pr\u00f3prios t\u00edtulos de seus trabalhos apontam para o sentido do conjunto de sua produ\u00e7\u00e3o, toda constru\u00edda de intermit\u00eancias entre momentos de encantamento e momentos de profunda tristeza.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias:<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">DE CAMPOS, N\u00e9vio; MARCHESE, Elisa. Faris Michaele: Trajet\u00f3ria de um intelectual moderno. <\/span><b>Olhar de professor<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, v. 13, n. 1, p. 185-199, 2010.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">DE OLIVEIRA, Loraine Lopes; MARTINIAK, Vera Lucia. A escritora Anita Philipovsky: contribui\u00e7\u00f5es da literatura para a educa\u00e7\u00e3o feminina nos Campos Gerais, PR. <\/span><b>Quaestio-Revista de Estudos em Educa\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, v. 21, n. 3, 2019.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Autor:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Bruno Desplanches<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Acad\u00eamico do 4\u00ba ano do Curso de Licenciatura em Hist\u00f3ria da UEPG.<\/span><\/p>\n<p><b>Ano:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> 2023.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anita Branco Philipovsky, tamb\u00e9m chamada de Anita Philipowski, Annita Philipowski ou Annita Philipowsky (Ponta Grossa, 2 de agosto de 1886 &#8211; Ponta Grossa, 30 de mar\u00e7o de 1967) foi uma contista, poetisa e novelista brasileira. 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