{"id":1257,"date":"2024-05-13T19:45:23","date_gmt":"2024-05-13T19:45:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/?p=1257"},"modified":"2024-05-13T19:45:52","modified_gmt":"2024-05-13T19:45:52","slug":"perseguicao-a-educacao-na-ditadura-em-ponta-grossa-e-regiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/perseguicao-a-educacao-na-ditadura-em-ponta-grossa-e-regiao\/","title":{"rendered":"Persegui\u00e7\u00e3o a Educa\u00e7\u00e3o Durante a Ditadura Militar em Ponta Grossa e Regi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">O per\u00edodo ditatorial brasileiro (1964-1985) compreende uma \u00e9poca em que a liberdade de express\u00e3o era totalmente limitada e a persegui\u00e7\u00e3o a grupos como os movimentos estudantis era constante. Tendo isso em vista, na cidade de Ponta Grossa, Paran\u00e1, a ditadura veio com for\u00e7a e bastante apoio, sendo at\u00e9 mesmo criado o n\u00facleo 31 de mar\u00e7o, em 1967, como forma de homenagear o dia em que o golpe se iniciou, e a realiza\u00e7\u00e3o de uma Marcha de Deus com a Fam\u00edlia pela Liberdade. Mas sempre onde h\u00e1 pessoas a favor tamb\u00e9m h\u00e1 quem se diz contra e resiste ao regime.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como exemplo de resist\u00eancia ocorreu no dia 3 de mar\u00e7o de 1985, com apoio da Diocese de Ponta Grossa e a Pastoral da Juventude, o encontro para comemorar o Ano Internacional da Juventude. Esse evento contou com a presen\u00e7a de cerca de 1.500 jovens de toda a regi\u00e3o dos Campos Gerais e do Prefeito Municipal da \u00e9poca, Otto Santos Cunha. Por\u00e9m o nome mais destacado nesse encontro foi o do Padre Divino, que durante sua fala expressou fortemente suas opini\u00f5es sobre a ditadura, proferindo frases como \u201cAcorda povo da Am\u00e9rica Latina!\u201d (Documento Mem\u00f3rias Reveladas: Ano Internacional da Juventude), criticando assim a presen\u00e7a de pastores estadunidenses, que haviam aumentado no Brasil. Tamb\u00e9m culpou a ditadura pelo aumento da desigualdade social e pelo sufocamento de movimentos sociais, como a UNE (Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes). Ao final Pe. Divino pediu aos jovens apoio para os movimentos. Esse momento demonstra que uma pequena parcela da Igreja e grande parte dos jovens estavam descontentes com o caminho que o pa\u00eds estava trilhando.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outro exemplo, levando em considera\u00e7\u00e3o os professores do Paran\u00e1, foi a greve geral dos professores de 1982, organizada pela APP Sindicato (Associa\u00e7\u00e3o dos Professores do Paran\u00e1), tendo como objetivo a paralisa\u00e7\u00e3o das atividades letivas em todo o Estado. Suas reivindica\u00e7\u00f5es tinham como contexto a baixa e o atraso salarial, sendo assim, pedindo o aumento em 45% nos vencimentos, o 13\u00b0 sal\u00e1rio e aumentos semestrais. Para haver o fim da greve, os professores fizeram propostas ao governo, que caso n\u00e3o fossem cumpridas a greve seria retomada. As propostas eram o abono das faltas, nenhuma puni\u00e7\u00e3o aos professores grevistas, arquivamento dos processos criminais pela Pol\u00edcia Federal e os processos administrativos iniciados em Curitiba, Ponta Grossa e Londrina. Ao total foram convocados a depor 15 residentes de Ponta Grossa e 32 professores indiciados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ademais, em 1968, ocorreu tamb\u00e9m a Reforma Universit\u00e1ria, onde o Paran\u00e1, para adequar-se \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o federal, elaborou comiss\u00f5es incumbidas de realizarem estudos para adapta\u00e7\u00e3o e, fundamentado nas an\u00e1lises realizadas pelas equipes de trabalho sobre o ensino superior no Estado, o Governador Paulo Cruz Pimentel enviou \u00e0 Assembleia Legislativa uma proposta de cria\u00e7\u00e3o de universidades em Londrina, Maring\u00e1 e Ponta Grossa, reconhecendo-se a cria\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Universidade Estadual de Ponta Grossa &#8211; UEPG. Este marco, al\u00e9m de institucional, se apresenta como a \u201cmaterializa\u00e7\u00e3o\u201d da ideologia de controle da ditadura pautando como justificativa o desenvolvimento do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A Reforma Universit\u00e1ria causou uma sobrecarga nas despesas, criando novos \u00f3rg\u00e3os administrativos. Assim, muito foi investido para o administrativo e pouco para o ensino. Podia se perceber que a pol\u00edtica educacional colocada em pr\u00e1tica pelo governo n\u00e3o tinha nada de democratizante, mantendo o car\u00e1ter elitista no ensino superior.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sobre os movimentos estudantis, foram duramente perseguidos desde o come\u00e7o do golpe, tendo como marco inicial da persegui\u00e7\u00e3o, o inc\u00eandio criminoso sobre a sede da UNE, em 1\u00b0 de abril de 1964. Al\u00e9m disso, a UNE continuou sendo perseguida durante todo o per\u00edodo, sendo colocada em ilegalidade pela Lei 4.464, conhecida como Lei Suplicy de Lacerda em 9 de novembro de 1964. Por\u00e9m mesmo na ilegalidade os movimentos estudantis nunca cansaram de lutar pela educa\u00e7\u00e3o, sendo realizada em 26 de junho de 1968 a Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro, onde diversos estudantes e apoiadores sa\u00edram pelas ruas pedindo pelo fim da censura, da tortura e a liberta\u00e7\u00e3o dos estudantes presos. Mas, nenhuma das reivindica\u00e7\u00f5es foram atendidas, tendo assim no mesmo ano a promulga\u00e7\u00e3o do AI-5.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os movimentos estudantis emergiam como um dos atores mais destacados na luta pela democracia, por\u00e9m n\u00e3o escapavam das contradi\u00e7\u00f5es e fragilidades, comum aos movimentos que est\u00e3o na fase inicial e na busca pela consolida\u00e7\u00e3o e atendimento de suas demandas<\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Nesta d\u00e9cada, o movimento estudantil assumiu, principalmente a partir de 1977, importante papel na luta pela anistia e pelas \u201cLiberdades Democr\u00e1ticas\u201d. Os estudantes, em tentativas muitas vezes frustradas, procuravam expressar suas inquieta\u00e7\u00f5es por meio da m\u00fasica e do teatro. Por\u00e9m, a censura, ao perceber a estrat\u00e9gia, principalmente dos estudantes, na utiliza\u00e7\u00e3o desses meios para \u201cpropaganda subversiva\u201d agia com o objetivo de calar qualquer tipo de manifesta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>REFER\u00caNCIAS:<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">JESUS, L. A.; SANTOS, P. E. A insurg\u00eancia estudantil paranaense no pensamento militar:<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">uma an\u00e1lise da Opera\u00e7\u00e3o Pente Fino no contexto ditatorial de 1968. <\/span><b>Revista Discente Of\u00edcios de Clio<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, Pelotas, vol. 5, n\u00b0 9, 2020.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">SCHMITT, S. L. <\/span><b>Encontros e desencontros do movimento estudantil secundarista paranaense (1964 &#8211; 1985)<\/b><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">2011. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Educa\u00e7\u00e3o) &#8211; Universidade Estadual do Oeste do Paran\u00e1, Cascavel, 2011. Dispon\u00edvel em: https:\/\/tede.unioeste.br.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Documento Mem\u00f3rias Reveladas: Movimento grevista dos servidores p\u00fablicos federais do Paran\u00e1 e Santa Catarina &#8211; Dossi\u00ea. Dispon\u00edvel em: file:\/\/\/C:\/Users\/ffalb\/Downloads\/BR_DFANBSB_V8_MIC_GNC_NNN_83004128_d0001de0002.pdf.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Documento Mem\u00f3rias Reveladas: Ano Internacional da Juventude, Ponta Grossa Paran\u00e1 &#8211; Dossi\u00ea.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Autora: Thaysa Raquel Albini Ferreira\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Acad\u00eamica do 2\u00b0 ano do curso de Licenciatura em Hist\u00f3ria &#8211; UEPG<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ano: 2023\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O per\u00edodo ditatorial brasileiro (1964-1985) compreende uma \u00e9poca em que a liberdade de express\u00e3o era totalmente limitada e a persegui\u00e7\u00e3o a grupos como os movimentos estudantis era constante. 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