{"id":1292,"date":"2024-11-20T23:43:39","date_gmt":"2024-11-20T23:43:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/?p=1292"},"modified":"2024-11-20T23:45:36","modified_gmt":"2024-11-20T23:45:36","slug":"carnaval-em-ponta-grossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/carnaval-em-ponta-grossa\/","title":{"rendered":"Carnaval em Ponta Grossa"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 O carnaval \u00e9 uma festa bastante popular na sociedade brasileira, seja os desfiles no Rio de Janeiro, os trios em Salvador ou o carnaval de Olinda com os grandes bonecos. Que grande parte do Brasil e do mundo adora pular carnaval, todo mundo j\u00e1 sabe, mas onde ele surgiu e como veio parar e se difundir na cultura brasileira talvez seja uma pergunta que n\u00e3o nos fa\u00e7amos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O carnaval remonta \u00e0 antiguidade e est\u00e1 ligado diretamente ao catolicismo. Ele se entende como uma festa crist\u00e3, pois sua origem, na forma como a celebramos atualmente, tem rela\u00e7\u00e3o direta com o jejum quaresmal. Isso n\u00e3o impede que sejam tra\u00e7adas as origens hist\u00f3ricas que nos mostram a influ\u00eancia que o Carnaval sofreu de outras festas que existiam na Antiguidade. Na Babil\u00f4nia, duas festas possivelmente originaram o que conhecemos como Carnaval. As Sac\u00e9ias eram celebra\u00e7\u00f5es em que um prisioneiro assumia, durante alguns dias, a figura do rei, vestindo-se como ele, alimentando-se da mesma forma e dormindo com suas esposas. Ao final, o prisioneiro era chicoteado e depois enforcado ou empalado. Outro rito era realizado pelo rei no per\u00edodo pr\u00f3ximo ao equin\u00f3cio da primavera, um momento de comemora\u00e7\u00e3o do ano novo na Mesopot\u00e2mia. O ritual ocorria no templo de Marduk (um dos primeiros deuses mesopot\u00e2micos), onde o rei perdia seus emblemas de poder e era surrado na frente da est\u00e1tua de Marduk. Essa humilha\u00e7\u00e3o servia para demonstrar a submiss\u00e3o do rei \u00e0 divindade. Em seguida, ele novamente assumia o trono. Mas o que havia de comum nas duas festas e que est\u00e1 ligado ao carnaval era o car\u00e1ter de subvers\u00e3o de pap\u00e9is sociais: a transforma\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria do prisioneiro em rei e a humilha\u00e7\u00e3o do rei frente ao seu deus. Possivelmente a subvers\u00e3o de pap\u00e9is sociais no Carnaval, como os homens vestirem-se de mulheres e outras pr\u00e1ticas semelhantes, \u00e9 associ\u00e1vel a essa tradi\u00e7\u00e3o mesopot\u00e2mica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A associa\u00e7\u00e3o entre o Carnaval e as orgias pode ainda relacionar-se com as festas de origem greco-romana, como os bacanais (festas dionis\u00edacas, para os gregos). Seriam eles dedicados ao deus do vinho, Baco (ou Dion\u00edsio, para os gregos), marcados pela embriaguez e pela entrega aos prazeres da carne. Havia ainda, em Roma, a Saturn\u00e1lia e a Luperc\u00e1lia. A primeira ocorria no solst\u00edcio de inverno, em dezembro, e a segunda, em fevereiro, que seria o m\u00eas das divindades infernais, mas tamb\u00e9m das purifica\u00e7\u00f5es. Tais festas duravam dias, com comidas, bebidas e dan\u00e7as. Os pap\u00e9is sociais tamb\u00e9m eram invertidos temporariamente, com os escravos colocando-se nos locais de seus senhores, e estes colocando-se no papel de escravos. As festas citadas, eram, naturalmente, celebra\u00e7\u00f5es pag\u00e3s e eram extremamente populares. Por\u00e9m,com o fortalecimento de seu poder, a Igreja n\u00e3o via com bons olhos essas celebra\u00e7\u00f5es nas quais as pessoas entregavam-se aos prazeres mundanos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nessa concep\u00e7\u00e3o do cristianismo, havia a cr\u00edtica da invers\u00e3o das posi\u00e7\u00f5es sociais. A Igreja Cat\u00f3lica, ent\u00e3o, procurou dar um novo significado e um senso mais crist\u00e3o \u00e0 festa. Durante a Alta Idade M\u00e9dia, foi criada a Quaresma \u2014 per\u00edodo de 40 dias antes da P\u00e1scoa caracterizado pelo jejum. Tempos depois, as festividades realizadas pelo povo foram concentradas nesse per\u00edodo e nomeadas carnis levale. A Igreja pretendia, dessa forma, manter uma data para as pessoas cometerem seus excessos, antes do per\u00edodo da severidade religiosa. Nesse momento, o Carnaval estendia-se durante v\u00e1rias semanas, entre o Natal e a P\u00e1scoa. Durante os carnavais medievais, por volta do s\u00e9culo XI, no per\u00edodo f\u00e9rtil para a agricultura, homens jovens se fantasiavam de mulheres e sa\u00edam \u00e0s ruas e aos campos durante algumas noites. Diziam-se habitantes da fronteira do mundo dos vivos e dos mortos e invadiam os domic\u00edlios, com a aceita\u00e7\u00e3o dos que l\u00e1 habitavam, fartando-se com comidas e bebidas, e tamb\u00e9m com os beijos das jovens das casas. Durante o Renascimento, nas cidades italianas, surgia a commedia dell&#8217;arte, teatros improvisados cuja popularidade ocorreu at\u00e9 o s\u00e9culo XVIII. Em Floren\u00e7a, can\u00e7\u00f5es foram criadas para acompanhar os desfiles, que contavam ainda com carros decorados, os trionfi. Em Roma e Veneza, os participantes usavam a bauta, uma capa com capuz negro que encobria ombros e cabe\u00e7a, al\u00e9m de chap\u00e9us de tr\u00eas pontas e uma m\u00e1scara branca. A l\u00f3gica que ainda regia as festas da Antiguidade era a mesma para o Carnaval na Europa da Idade M\u00e9dia e Moderna: o mundo de cabe\u00e7a para baixo. Sendo assim, tratava-se de um per\u00edodo de invers\u00e3o proposital da ordem, no qual as restri\u00e7\u00f5es da vida das pessoas eram abolidas, e os pap\u00e9is que existiam naquela sociedade eram invertidos. A partir do s\u00e9culo XVI, houve iniciativas de impor o controle sobre as festas carnavalescas no continente. Essa tentativa de silenciamento foi uma rea\u00e7\u00e3o aos conflitos religiosos que atingiam a Europa naquele per\u00edodo, mas tamb\u00e9m pode ser explicada como forma de impor controle social. Outra explica\u00e7\u00e3o pode ser o conservadorismo vigente que buscava demonizar as festas populares.<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o chegamos ao Brasil. A hist\u00f3ria do carnaval aqui iniciou-se no per\u00edodo colonial. Uma das primeiras manifesta\u00e7\u00f5es carnavalescas foi o entrudo, uma brincadeira de origem portuguesa que, na col\u00f4nia, era praticada pelos escravos. Essa pr\u00e1tica estabeleceu-se no Brasil, na passagem do s\u00e9culo XVI para o XVII, e foi muito popular at\u00e9 o s\u00e9culo XIX, desaparecendo do pa\u00eds em meados do s\u00e9culo XX, por meio da repress\u00e3o que se estabeleceu contra essa brincadeira. Nela, as pessoas sa\u00edam \u00e0s ruas sujando umas \u00e0s outras, jogando lama, urina, etc. O entrudo poderia ser realizado de diversas maneiras, como manifesta\u00e7\u00f5es de zombarias p\u00fablicas. A forma mais conhecida era o jogo das molhadelas, realizado alguns dias antes da Quaresma e que consistia em uma brincadeira de molhar ou sujar as pessoas que passavam pela rua. Poderia ser realizado publicamente, mas tamb\u00e9m poderia ser realizado de maneira privada. No jogo das molhadelas, produziam-se recipientes que eram preenchidos de determinado l\u00edquido. Esse l\u00edquido poderia ser aromatizado, mas tamb\u00e9m poderia ser malcheiroso e, neste caso, por exemplo, o recipiente era preenchido com \u00e1gua suja de farinha ou caf\u00e9 e at\u00e9 mesmo urina. Por\u00e9m, com a repress\u00e3o do entrudo nas ruas, a elite do Imp\u00e9rio criava os bailes de carnaval em clubes e teatros. Mesmo diante dos obst\u00e1culos, as camadas populares n\u00e3o desistiram de suas pr\u00e1ticas carnavalescas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No final do s\u00e9culo XIX, buscando se adaptar \u00e0s tentativas de disciplinamento policial, foram criados os cord\u00f5es e ranchos. Os primeiros inclu\u00edam a utiliza\u00e7\u00e3o da est\u00e9tica das prociss\u00f5es religiosas junto com manifesta\u00e7\u00f5es populares, como a capoeira e os z\u00e9-pereiras, tocadores de grandes bumbos. Os ranchos eram cortejos praticados principalmente pelas pessoas de origem rural.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As marchinhas de carnaval surgiram tamb\u00e9m no s\u00e9culo XIX, destacando-se a figura de Chiquinha Gonzaga, bem como sua m\u00fasica \u201c\u00d4 abre alas\u201d. O samba somente surgiu por volta da d\u00e9cada de 1910, com a m\u00fasica \u201cPelo Telefone\u201d, de Donga e Mauro de Almeida, tornando-se, ao longo do tempo, o leg\u00edtimo representante musical do Carnaval. Tamb\u00e9m entre as classes populares, na d\u00e9cada de 1920, surgiram as escolas de samba e tamb\u00e9m as marchinhas que conviveram em notoriedade com o samba a partir da d\u00e9cada de 1930. Os desfiles das escolas de samba ganharam amplitude e foram obrigados a se enquadrar nas diretrizes do autoritarismo da Era Vargas. Os alvar\u00e1s de funcionamento das escolas apareceram nessa d\u00e9cada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Chegando \u00e0s ruas de Ponta Grossa, os primeiros festejos remontam ao s\u00e9culo XIX. As festas das ruas chamavam a aten\u00e7\u00e3o. Os blocos carnavalescos se enfrentavam em batalhas com baldes d&#8217;\u00e1gua e as chamadas laranjinhas, que inicialmente encontravam \u00e1gua em seu interior e tinham base de cera. Com o tempo, as laranjinhas passaram a ser de borracha, cheias de \u00e1gua perfumada. Mais tarde surgiu o lan\u00e7a-perfume, um cilindro de vidro contendo na ponta do sif\u00e3o, por onde esguichava \u00e1gua perfumada ou \u00e9ter, nos mais variados odores. Os jovens usavam o lan\u00e7a-perfume para o flerte, podendo significar o primeiro passo de um namoro. Com o tempo o lan\u00e7a-perfume foi proibido devido ao seu grande poder alucin\u00f3geno e embriagador.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Juntamente com as batalhas de rua existia o corso, realizado na primeira e terceira noite de carnaval. Muitos carros particulares, geralmente abertos, circulavam com jovens fantasiados, cantando m\u00fasicas, alguns representando clubes locais. Grande quantidade de confetes e serpentinas eram atirados de um carro para outro, ou sobre populares, nas cal\u00e7adas. As serpentinas uniam os carros formando \u201ccortinas\u201d. De longe se ouvia o canto que atraia os ponta-grossenses. Durante 3 dias a cidade parava para as festas. Quem prestigiou essa celebra\u00e7\u00e3o, tem boas lembran\u00e7as. As fantasias eram variadas: pierr\u00f4s, arlequins, odaliscas e outras. A atmosfera do carnaval contagiava as pessoas: os melhores lugares na cal\u00e7ada eram disputados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Durante muitos anos a festa era realizada na rua XV de Novembro. Nestes dias de folia a rua era a principal art\u00e9ria da sociedade princesina. Mas aos poucos mudou-se o itiner\u00e1rio dos desfiles e do pr\u00f3prio carnaval. Em 1939 um grupo de moradores da Av. Vicente Machado solicitou ao prefeito a realiza\u00e7\u00e3o dos corsos naquela avenida. Alegaram inconvenientes como: falta de mobiliza\u00e7\u00e3o por parte dos moradores e casas comerciais da rua XV de Novembro. O grupo obteve a ordem necess\u00e1ria para a concretiza\u00e7\u00e3o dos festejos no local desejado. Por\u00e9m, no pr\u00f3ximo ano o prefeito decretou que em fun\u00e7\u00e3o dos interesses do com\u00e9rcio da cidade, o percurso do corso seria alternado: num ano na XV de Novembro, e outro na Av. Vicente Machado. Com o crescimento da cidade, a Av. Vicente Machado foi se impondo como ponto obrigat\u00f3rio da passagem do carnaval.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O carnaval tinha a sua comiss\u00e3o, a qual tinha a tarefa de angariar fundos para a festa e preparar tudo que era relacionado a festan\u00e7a. Na maioria das vezes, a comunidade apoiava e contribu\u00eda com a festa. Mas quem realmente levava vantagem de ter um carnaval animado na cidade era o com\u00e9rcio. Eles davam uma contribui\u00e7\u00e3o generosa. Al\u00e9m da arrecada\u00e7\u00e3o, a comiss\u00e3o organizava festas, apoiava a forma\u00e7\u00e3o de blocos, incentivava os clubes a participarem do concurso para os corsos, e organizava a comiss\u00e3o julgadora de carros aleg\u00f3ricos, blocos e ranchos. Mais tarde a comiss\u00e3o se desmembrou devido a acusa\u00e7\u00f5es de que estaria agindo em benef\u00edcio pr\u00f3prio, esquecendo de seus objetivos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O Di\u00e1rio dos Campos desempenhava uma fun\u00e7\u00e3o especial e at\u00e9 indispens\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o ao carnaval ponta-grossense. Por ser um meio de comunica\u00e7\u00e3o importante, ele influenciou a sociedade princesina. Era no jornal que as pessoas buscavam uma forma de se expressar e quando o assunto era o carnaval, o peri\u00f3dico tinha uma se\u00e7\u00e3o s\u00f3 para a festa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O jornal era um incentivo e propaganda para o carnaval. Em 1935, encontram-se refer\u00eancias de que o carnaval seria \u201cpatrocinado\u201d pelo Di\u00e1rio dos Campos. Neste ano, uma lista destinada \u00e0 arrecada\u00e7\u00e3o circulou pela cidade. Cada um contribu\u00eda com o que podia, dinheiro ou mercadoria,\u00a0 coisas que se transformavam em pr\u00eamios para os melhores do carnaval. O jornal fazia o trabalho de informar a todos as quantias destinadas \u00e0 festa. Nas d\u00e9cadas de 1930 e 1940 o carnaval atingiu seu apogeu. Dezenas de blocos carnavalescos contribu\u00edram grandemente para isso. Se destacavam: o cora\u00e7\u00e3o de prata, o cora\u00e7\u00e3o de ouro, o dos sujos e o dos travestis. Os blocos cora\u00e7\u00e3o de prata e de ouro faziam uma esp\u00e9cie de peregrina\u00e7\u00e3o pela cidade e eram rivais. Mesmo assim, eram pertencentes \u00e0 mesma regi\u00e3o (Corrientes de baixo, zona do atual Sepam) e eram compostos por oper\u00e1rios e por s\u00f3cios do clube 13 de maio. Usavam fantasias criativas e elaboradas. O cora\u00e7\u00e3o de ouro usava componentes com amarelo. O bloco dos sujos apresentava-se com roupas pobres, era composto por ambos os sexos e era, provavelmente, do bairro de Olarias. o bloco dos travestis era formado por homens em sua maioria, que usavam roupas de mulher.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Antes de 1930 o governo n\u00e3o intervinha na organiza\u00e7\u00e3o da festa. Com o governo de Vargas isso mudou e aconteceu interven\u00e7\u00e3o estatal. A festa do povo passou a ser dirigida e controlada. Vargas buscava manter a lei e a ordem. Durante o carnaval as aten\u00e7\u00f5es eram dobradas. Agora os blocos deveriam portar um requerimento de licen\u00e7a, que um dos seus integrantes levava o nome de todos. Esses requerimentos eram retirados na delegacia. A pol\u00edcia fazia um apelo a todos para retirar a licen\u00e7a a fim de evitar problemas. Com a Guerra, as determina\u00e7\u00f5es ficaram mais severas. Os bailes s\u00f3 poderiam ser realizados com licen\u00e7a e at\u00e9 \u00e0s tr\u00eas horas da manh\u00e3. N\u00e3o era permitido o uso de m\u00e1scaras ou fantasias que impedissem a pronta identifica\u00e7\u00e3o na rua e nos bailes p\u00fablicos e eram proibidas cr\u00edticas as na\u00e7\u00f5es em guerra, bem como aos homens p\u00fablicos. Apesar de tudo, na d\u00e9cada de 1940, o carnaval de rua come\u00e7ava a dar ind\u00edcios de fraqueza e decl\u00ednio. Al\u00e9m da falta de organiza\u00e7\u00e3o e de dinheiro, a participa\u00e7\u00e3o do Brasil na Segunda Guerra, afetou os festejos. O carnaval de 1941 foi desastroso, e em 1942 o jornal confirmou \u201co carnaval de rua infelizmente morreu\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com o decl\u00ednio do carnaval de rua, o carnaval de Ponta Grossa se concentrou nos sal\u00f5es dos clubes, onde a anima\u00e7\u00e3o era total, ao som de marchinhas e os foli\u00f5es dan\u00e7avam e formavam os cord\u00f5es. Os clubes sociais sempre tiveram importante participa\u00e7\u00e3o no carnaval da cidade. Ao contr\u00e1rio do corso que promovia uma festa mais popular, os clubes eram seletores da popula\u00e7\u00e3o, pois participavam em sua maioria apenas s\u00f3cios e alguns convidados. Alguns clubes que existiam na cidade eram o Guarani, Thalia, Unio S\u00edria, Democrata, Ponta-Grossense, Junak 6, clube Germ\u00e2nia, Sav\u00f3ia, 13 de maio, Princesa dos Campos \u2013 Verde, Associa\u00e7\u00e3o recreativa Homens do trabalho, Gremio dos subtenentes e sargentos e Santa Cecilia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os clubes tinham grande rivalidade e entravam em disputa no carnaval com marchinhas, como, por exemplo, \u201clourinha, lourinha, dos olhos claros de cristal, desta vez n\u00e3o \u00e9 a moreninha que ser\u00e1 rainha do meu carnaval.\u201d Os clubes competiam pelo concurso promovido pelo jornal e at\u00e9 mesmo o hor\u00e1rio que os clubes encerravam os bailes, o que terminava mais tarde era o vencedor. Por\u00e9m, tamb\u00e9m se ajudavam, de maneira a fazer o carnaval em conjunto. Em 1942, a festa foi promovida pelos clubes Germ\u00e2nia e pontagrossense.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias: <\/strong><br \/>\nINGLEZ, Elis\u00e2ngela Ferreira. <strong>Dias de Folia: o carnaval ponta-grossense (1930-1945)<\/strong>.<br \/>\nPonta Grossa, 2003<br \/>\nLAVALLE, A\u00edda Mansani. <strong>Um Clube na Colina: O Clube Ponta Lagoa. <\/strong>Ponta Grossa.<br \/>\n2011.<br \/>\nBATISTA, Maristela Iurk. <strong>Clube Princesa dos Campos: 100 anos.<\/strong> Ponta Grossa. 1997.<br \/>\nLAVALLE, A\u00edda Mansani. <strong>GERM\u00c2NIA &#8211; GUA\u00cdRA, Um S\u00e9culo de Sociedade na <\/strong><br \/>\n<strong>Mem\u00f3ria de Ponta Grossa.<\/strong> Ponta Grossa. 1996.<br \/>\nFERNANDES, Josu\u00e9 Corr\u00eaa. <strong>Das Colinas do Pitangui<\/strong>. Editora Planeta. Ponta Grossa.<br \/>\n2003.<br \/>\nCHAVES, Niltonci Batista, <strong>Vis\u00f5es de Ponta Grossa: Festa, Lembran\u00e7as, Trabalho<\/strong>.<br \/>\nPonta Grossa: UEPG. Instituto Cidade Viva, 2003.<\/p>\n<p><strong>Autor:<\/strong> Leonardo Mendes Guzzo<br \/>\nAcad\u00eamico do 2\u00ba ano de Licenciatura em Hist\u00f3ria, UEPG<br \/>\nAno: 2024<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 O carnaval \u00e9 uma festa bastante popular na sociedade brasileira, seja os desfiles no Rio de Janeiro, os trios em Salvador ou o carnaval de Olinda com os grandes bonecos. 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